ESPÉCIES DE TESES

 

1- Tese monográfica ou tese panorâmica – quanto mais se restringe o campo, melhor e com mais segurança se trabalha.

 

2- Tese histórica ou tese teórica – a dificuldade de temas como “o  conceito de liberdade”, “a noção de papel social”

 

3- Temas antigos ou temas contemporâneos – o autor contemporâneo é sempre mais difícil; trabalhar sobre um contemporâneo como se fosse um antigo e vice-versa.

 

 

Critérios de cientificidade

 

1.Debruça-se sobre um objeto reconhecível e definido de tal maneira que seja reconhecível igualmente pelos outros;

2.Deve dizer do objeto algo que ainda não foi dito ou rever sob uma óptica diferente o que já se disse;

3.Deve ser útil aos demais;

4.Deve fornecer elementos para a verificação e a contestação das hipóteses apresentadas.

 

 

ESTRUTURA DO ÍNDICE-HIPÓTESE (segundo Umberto Eco)

 

1.Posição do problema

2.Os estudos precedentes

3.Nossa hipótese

4.Dados que estamos em condições de apresentar

5.Sua análise

6.Demonstração da hipótese

7.Conclusões e referências para o trabalho posterior

 

 

Exemplo:

 

O FENÔMENO DAS RÁDIOS CLANDESTINAS

 

1.      Literatura sobre o assunto

2.      O acontecimento

3.      As notícias do rádio

4.      Análise quantitativa das notícias de rádio e de sua colocação horária

5.      Análise do conteúdo das notícias

6.      Conclusões

 

Exemplo de como um índice (como hipótese de trabalho) não deve ser feito:

 

  1. A televisão
  2. História da televisão
  3. Tipos de programas televisivos
  4. Efeitos macrosociais da televisão
  5. Usos e gratificações da televisão
    1. Filhos
    2. Adolescentes
    3. Adultos
  6. Exposição seletiva a televisão
  7. Violência na televisão
    1. Tipos
    2. Efeitos
  8. Sexo na televisão
    1. Tipos
    2. Efeitos
  9. O erotismo na televisão
  10. A pornografia na televisão

 

 

Conselhos práticos para uma adequada revisão bibliográfica preliminar:

 

Consultar um banco de dados, com referências de pelo menos 5 anos atrás

Consultar pelo menos 4 revistas científicas que tratam do tema de interesse

Consultar alguma instituição com teses e dissertações sobre o tema

Buscar livros sobre o tema em pelo menos duas bibliotecas

Consultar mais de um profissional ou professor que saiba algo do tema

Determinar quem são os autores mais importantes dentro do campo de estudo

Determinar que aspectos ou variáveis têm sido investigadas

Verificar se algum investigador estudou o tema ou o problema em algum contexto similar

 

 

 

 

 

TEXTO DEFINITIVO

 

(Conteúdo extraído da obra “A monografia Jurídica”, autor Prof. Dr. Eduardo de O. Leite. 4 ed. ver., atual. e ampl. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 2000)

 

Seção I – O Estilo

 

§1. Revisão

 

Reveja

 

A composição é lida com facilidade? Está bem equilibrada?

Os pontos principais foram devidamente enfatizados?Faltou alguma coisa essencial?

Existem erros de coerência lógica ou erros de ortografia?

O significado de cada sentença está claro e concreto?

As sentenças longas estão bem organizadas?

O trabalho se ajusta às necessidades dos leitores quanto a estilo, vocabulário, abreviações, símbolos, nível de conhecimentos (...) e ilustrações?

Deixe de lado aa composição, por algum tempo, e torne a revê-la mais tarde.

 

§2. Extensão das frases

 

Exemplo de frase de leitura difícil (77 palavras):

 

“E se Ascarelli combate a tantas vezes projetada criação de empresas individuais de responsabilidade limitada, sua posição é explicável pela circunstância de que uma empresa individual não estaria sujeita a todas as normas de publicidade e de tutela do patrimônio e do capital social a que estão sujeitas as sociedades anônimas, ainda quando unipessoais ou sujeitas ao controle absoluto de um sócio ou integrantes de grupo de sociedades e totalmente controladas pela sociedade de que sejam subsidiárias”.

 

§3. Expressão impessoal

 

Uso de expressões impessoais:

 

“De modo indireto – diga-se, ainda – todas a s pessoas jurídicas procedem do Estado”

É de se ponderar que, nesse período histórico, o Direito Privado em vigor ainda era em ...”

“Em sentido oposto, sustenta-se a preexistência de um direito...”

Sente-se que não mais tem sentido, em nome da fidelidade à lógica formal, a admissão de decisões gritantemente iníquas ou socialmente insensíveis”

 

 O uso do pronome NÓS:

 

“A longa análise que fizemos leva-nos à conclusão de que a hipótese estava correta”

“Se analisarmos a grande e fundamental obra de Serick, não poderemos deixar de reconhecer qual a sua grande e meritória intuição:...”

“A severa crítica que, como vimos, seu trabalho sofreu, especialmente em sua Pátria...”

“Embora entendamos que a verdadeira noção de abuso de direito é  que admite limites imanentes ao exercício do direito, derivados de sua função ético-social, repudiamos também...”

 

§4. Abreviaturas

 

loc. cit. – no local citado

op. cit. – na obra citada

id est. ou i.e. – isto é

exempli gratia, ou e.g. – por exemplo

videlicet, ou viz. – a saber

circa, ou ca. – por volta de

et alii passim – e outros aqui e ali

 

§5. Transições

 

“Será clara a solução? Será satisfatória? Tendo separado o patrimônio antes da personalidade e o mantendo na titularidade em comum dos sócios terá o Projeto (do Código Civil) bem equacionado o problema da subjetividade dos direitos antes da inscrição? Esses problemas já envolvem a análise da crise do sistema da pessoa jurídica e, portanto, já constituem objeto do próximo capítulo”.

 

Examinaremos, inicialmente, a estrutura e organização das empresas multinacionais...”

 

(...)É o que se pretende demonstrar, mediante uma apreciação descritiva e sintética de alguns dos sistemas mais relacionados com o Direito brasileiro”.

 

Seção II – As citações

 

§1. Extensão da citação

 

Citação de até dez linhas:

 

Como doutrina Sérgio Sahione Fadel: “A ação declaratória incidental, posto o não diga o Código, deve ser distribuída ao mesmo juiz competente para o julgamento da ação principal, sendo autuada e apensada aos autos daquela”.

 

Citação acima de dez linhas, artigos de lei e jurisprudência, a regra é a citação em separado.

 

Exemplo de citação de jurisprudência:

 

            Os direitos e obrigações reconhecidos na decisão se referem somente às partes, não podendo atingir terceiros.

 

“Não pode a sentença prejudicar terceiros, que da ação participarem. Pode, todavia, favorecê-los, em virtude da imanente eficácia que perante todos possui a coisa julgada” (Ac. Unân. da 1ª Câm. Do T. T. de São Paulo, de 25-X-60, na apelação n° 98.994, rel. Dês. Virgilio Azevedo Franceschini, in Revista dos Tribunais, vol. 307, p. 262).

 

§2. Objetivos da citação

 

-confirmar ou contrariar o que se afirma

-confrontar argumentos favoráveis e contrários

-afirmar uma tese

-criticar uma posição teórica contrária

 

§3. Citação com indicação de fonte

 

a) citação com chamada e referência em nota:

 

“como quer que seja, Silvestre Gomes de Morais, consoante a boa doutria, admitia a concessão da medida (cautelar) por juiz incompetente em três hipóteses... Pontes de Miranda acolhe essa orientação nos comentários tanto ao Código de 39 quanto ao atual”220

 

220 Pontes de Miranda, Comentários ao C.P.C de 39, 2. Ed. VIII/ 418 e Comentários ao C.P.C vigente, XII/59.

 

B) Citação pelo sistema autor-página:

 

É praticamente pacífica a idéia aceita pela doutrina que a mulher casada tem legitimidade para propor os embargos de terceiro. “Para determinar se uma pessoa é ou não parte em processo, não é suficiente considerar a sua identidade física, devendo-se, ao contrário, tomar em conta também a qualidade jurídica em que compareceu no feito” (23:364)

 

23- indica um autor correspondente a este número

364- indica a página de onde se extraiu a citação

 

C) Citação entre parênteses:

 

“Discute-se se é preciso: a) que essa sentença seja sobre o direito do autor sobre a coisa (E. BRODMANN, em G. PLANCK, Kommentar, III, 4ª ed., 71, KARL KOBBER, I. v. Standingers Kommentar, III, 51; Lehrbuch, II, 6ª ed., 77; F. BUNSEN, Besitzshutz, Archiv Für Bürgerliches Recht 23, 77); ou b) que seja sobre direito do autor sobre a coisa, ou sobre direito fundado em posse mais antiga”.

 

ou

 

“Discute-se se é preciso: a) que essa sentença seja sobre o direito do autor sobre a coisa (1); ou b) que seja sobre direito do autor sobre a coisa, ou sobre direito fundado em posse mais antiga”.

 

(1)   E. BRODMANN, em G. PLANCK, etc, etc,

 

d) Citação entre parênteses no final da frase:

 

“É claro que, se a concordata preventiva foi denegada por motivo que impede o devedor de obter o favor (art. 140), não terá o devedor ou falido fundamento para pleitear o adiamento ou a suspensão da venda de determinados bens” (Trajano de Miranda Valverde, op. cit., vol. III, pág. 262)

 

e) Citação de jurisprudência entre parênteses:

 

“O juiz deve pronunciar-se sobre o que se pode e só sobre o que se pode. Contudo, não está o juiz vinculado pela vontade das partes quanto à determinação da norma que terá de aplicar, no procedimento lógico necessário para tal determinação ou no processo necessário para a decalração de fato e dos elementos de prova oferecidos pelas partes”. (TJDE, ap. DJ 31.7.1984/1926) Pauta I, 354.

 

§ 4. CITAÇÃO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA

 

Convém traduzir o texto estrangeiro e citar a passagem na língua originária em notas de rodapé.

Ex:

 

Conforme  prevê o artigo 1384 do Código Civil Francês, ‘toda pessoa fica responsável não só pelo dano que causa diretamente, mas também por aquele resultante do fato das pessoas sobre as quais exerce atividades de vigilância e controle, ou de direição...’”. (1)

 

(1) ‘on est responsable non seulement du dommage que l’on cause par son propre fait, mais encore de celui que est causé par le fais des personnes dont on doit répondre...’

 

 

§ 5. Omissões e acréscimos na citação

 

 

a)    Citação de uma passagem inteira:

 

“A concepção atual da tese de doutorado data do fim do século XIX. Até então, conforme o sentido etimológico da palavras, a tese consistia em algumas proposições escritas sobre um determinado tema que os candidatos deviam sustentar em público e defender contra as objeções dos examinadores. A tese era, pois, um exercício eminentemente oral, uma argumentação, e não, como hoje, um trabalho escrito”. (1)

 

(1) CAPITANT, Henri. La thèse de doctorat en droit, p. 11.

 

 

b)     Citação de apenas uma palavra:

 

Assim, o “suporte fático”(1) da questão continua sendo ...

 

(1) A expressão é de Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado, Parte Geral, vol. I, p. 3.

 

c)    Citação dentro de uma citação:

 

Quando se cita um texto que já contém uma citação interior, utilizam-se as aspas simples, ou apóstrofo ( ‘  ‘ ).

 

“Finalmente, iremos tratar da polaridade referente ao método ou ao objetivo do ensino, qual seja o da teoria versus prática. E a primeira observação que se pode fazer a respeito é relembrar a frase do saudoso professor da Escola Politécnica do Rio de Janeiro, o Prof. Lino de Sá Pereira, que dizia que aqueles que pensam que o ensino superior no Brasil é teórico demais, evidentemente não sabem o que é teoria. E particularizando o comentário em relação ao ensino jurídico...” (1)

 

(1) VENÂNCIO FILHO, Alberto. Análise histórica do ensino jurídico no Brasil. In: Encontros da UNB, Ensino Jurídico, p. 34.

 

d)    Citação com supressão de uma passagem do texto citado:

 

Dentre os diversos fatores que contribuem à permanência da crise do ensino jurídico, um deles reside “no relativo despreparo do corpo docente. Em que pesem os cursos de mestrado, permanece como única exigência para alguém ascender a uma cadeira ... o simples diploma de bacharel”. (1)

 

(1) FERRAZ JR., Tércio Sampaio. O ensino jurídico. In: Encontros da UNB, Ensino jurídico, p. 70.

 

e)     Citação com fórmula intercalada no texto:

 

“Quem condena o caráter pouco prático do ensino jurídico”, afirmou o Prof. Gueiros Bernardes, “geralmente está se reportando à inadequação do ensino jurídico, mesmo no aspecto teórico, à realidade da vida profissional, cujas solicitações são de tal modo intensas e variadas que novamente nos fazem pensar no papel necessário do ensino pós-graduado na formação do verdadeiro advogado”.(1)

 

(1) BERNARDES, Hugo Gueiros. O ensino jurídico e o método: graduação e pós-graduação. In: Encontros da UNB – Ensino Jurídico, p. 103.

 

f)     Citação com fórmula intercalada para explicá-la:

 

“Fundada em motivos de ordem pública, a nulidade das patentes é de pleno direito”. A disposição legal (Código de Propriedade Industrial)... “declara nula, e não simplesmente anulável, a patente nos casos previstos...”.(1)

 

(1) CERQUEIRA, João da Gama. Tratado da propriedade industrial, vol. I, p. 499.

 

g)    Citação com realce de uma parte do texto:

 

É oportuno citar, em defesa desta tese, certos trechos de um parecer de Francisco Campos: ‘Quanto à desapropriação, em si mesma, o proprietário é obrigado a sofrê-la, mesmo contra sua vontade. Não existe, pois, desapropriação amigável ou por acordo; o acordo só poderá versar sobre o quantum da indenização’. (Grifou-se) Sendo certo, como é, portanto...”.(1)

 

(1) OLIVEIRA, Odilia F. da Luz. A desapropriação por utilidade pública no Direito Brasileiro e os direitos de terceiros. In: Revista da Faculdade de Direito da UFPR, p. 49.

 

h)    Citação de expressões língua estrangeira:

 

“A respeito de fatos anormais atinentes à tutela, as opiniões têm se dividido entre o IUS PATRIAE, o IUS DOMICILI, o IUS REI SITAE e o IUS FORI”.(1)

 

(1) CASTRO, Amílcar de. Direito Internacional Privado, n. 202, p. 394.

 

 

“Os Incoterms (termos comerciais internacionais, correspondentes às primeiras sílabas das palavras ‘Internacional’, ‘Commercial’, ‘terms’), como resultado do trabalho de especialistas plenamente conscientes dos problemas do comércio internacional, encontram grande aceitação”.(1)

 

(1) LOUSSOARN, Yvon e BREDIN, Jean-Denis. Obra citada, p. 676.

 

i)       Citação com erro:

 

“Em 1856 [SIC] (1) inexistia, no país, instrumento hábil para a legitimação das posses”.

 

(1) A data que o autor pretendia citar é 1846, e não 1856, como consta no texto original.

 

§ 6. CITAÇÃO EM NOTA DE RODAPÉ

 

A inclusão de uma citação em nota de rodapé é largamente utilizada. Esta citação será inserida com as mesmas características (uso de aspas, reprodução fiel, referências exatas e precisas da fonte, etc.) da citação empregada no interior de um texto.

 

A ESCOLHA DO TEMA

 

O que é um tema? “No sentido comum, tema é um assunto que se deseja provar ou desenvolver. No ponto de vista da música, o tema constitui o motivo, o ponto de partida de um trecho musical. Para isto, deve compreender elementos bem caracterizados, a fim de fornecer matéria para o desenvolvimento da composição e apresentar unidade e coerência nos planos dinâmico, melódico, rítmico e harmônico”. (RUDIO, Franz Victor. Introdução ao projeto de pesquisa científica,  p.72.)

 

 

1 - A ESCOLHA DA DISCIPLINA

 

Critérios subjetivos para a escolha:

1.1-          Vocação

- O exemplo de Galileu Galilei

 

1.2-          Qualificação

 

Em geral, faz-se ciência por dois motivos: curiosidade intelectual e interesse em fins utilitários” (MAIA, Newton Freire. A Ciência por dentro, p. 138)

 

“O primeiro era o de jamais acolher alguma coisa como verdadeira que eu não conhecesse evidentemente como tal; isto é, de evitar cuidadosamente a precipitação e a prevenção, e de nada incluir em meus juízos que não se apresentasse tão clara e tão distintamente a meu espírito, que eu não tivesse nenhuma ocasião de pô-lo em dúvida.

O segundo, o de dividir cada uma das dificuldades que eu examinasse em tantas parcelas quantas possíveis e quantas necessárias fossem para melhor resolvê-las.

O terceiro, o de conduzir por ordem meus pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para subir, pouco a pouco, como por degraus, até o conhecimento dos mais compostos, e supondo mesmo uma ordem entre os que não se precedem naturalmente uns aos outros.

E o último, o de fazer em toda parte enumerações tão completas e revisões tão gerais, que eu tivesse a certeza de nada omitir”. (DESCARTES, René. Discurso do método, p. 45-46)

 

 

1.3-          Objetivo profissional

 

 

2- A PROSPECÇÃO

 

2.1 – Objetivos da prospecção: descobrir um assunto e verificar sua disponibilidade

 

2.2 – Disponibilidade do tema

Prováveis causas de indisponibilidade do tema:

-         tema apreciado de maneira definitiva pela doutrina – Ex. Ausência do autor em audiência no Direito Processual Trabalhista.

-         escassez bibliográfica sobre o tema – Ex. O projeto Genoma Humano e os Contratos de Seguro.

 

2.3 – Delimitação do campo de observação

 

Exemplos:

 

Delimitação metodológica e geográfica:

PINTO, Carlos Newton de Souza. Da cláusula compromissória e do compromisso arbitral no Direito Brasileiro: uma abordagem histórica. Orientador: Augusto de Athayde (Dissertação de mestrado – PUC RJ).(LEITE, Eduardo de Oliveira. A Monografia Jurídica, p. 300)

 

Generalidade:

KOSOVSKI, Éster. Adultério. Orientador: João Mestieri (Tese de Doutorado – UFRJ). (LEITE. Obra citada, p. 303)

 

Especificidade:

BOTELHO, Manoel da Costa. Alienação fiduciária em garantia de máquinas e equipamentos industriais. Critério jurídico da classificação dos bens quanto à sua mobilidade. Possibilidade jurídica da aplicação da alienação fiduciária em garantia a determinada categoria de bens juridicamente imóveis. (Dissertação de mestrado – Univ. Gama Filho – RJ). (LEITE. Obra citada, p. 306)

 

3 – O EXAME DAS FONTES

 

3.1 – Doutrina

3.2 – Legislação

3.3 – Jurisprudência

3.4 – Tese

3.5 – Revistas jurídicas

3.6 – Fontes jornalísticas

 

 

4 – A ESCOLHA DO ASSUNTO

 

Critérios objetivos:

 

4.1 – Originalidade

 

4.2 – Importância

 

4.3 – Viabilidade

 

4.4- REGRAS PARA A ADEQUADA FORMULAÇÃO DO PROBLEMA (segundo GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social, p. 57)

 

a)     O problema deve ser formulado com uma pergunta.

b)    O problema deve ser delimitado a uma dimensão viável.

c)     O problema deve ter clareza.

d)    O problema deve ser preciso.

e)     O problema deve apresentar referências empíricas.

 

 


 

4.5- A  IDÉIA: NASCE UM PROJETO DE INVESTIGAÇÃO

(SAMPIERI, R. H. et alii. Metodología  de la Investigación, p. 1)

 

a) As investigações se originam em idéias as quais podem provir de distintas fontes e a qualidade das ditas idéias não está necessariamente relacionada com a fonte de onde provém.

 

b) Freqüentemente as idéias são vagas e devem ser traduzidas em problemas mais concretos de investigação, para o qual se requer uma revisão bibliográfica da idéia.

 

c) As boas idéias são inéditas e devem servir para a elaboração de teorias e resolução de problemas.

 

 

4.6-  A FORMULAÇÃO DO PROBLEMA: OBJETIVOS, PERGUNTAS DE INVESTIGAÇÃO E JUSTIFICAÇÃO DO ESTUDO

(SAMPIERI. Obra citada, p. 9)

 

a) Formular o problema da investigação é refinar e estruturar formalmente a idéia da investigação, desenvolvendo três elementos: objetivos da investigação, perguntas da investigação e justificação desta. Os três elementos devem ser capazes de guiar a uma investigação concreta e com possibilidade de prova empírica.

 

b) Os objetivos e as perguntas da investigação devem ser congruentes entre si e ir na mesma direção.

 

c)Os objetivos estabelecem o que pretende a investigação. As perguntas nos dizem que respostas devem ser encontradas mediante a investigação e a justificativa nos indica porque se deve fazer a investigação.

 

d) Os critérios principais para avaliar o valor potencial de uma investigação são: conveniência, relevância social, implicações práticas, valor teórico e utilidade metodológica. Entretanto deve-se analisar a viabilidade da investigação e suas possíveis conseqüências.

 

e)A colocação de um problema de investigação científica não pode incluir juízos morais e estéticos. Mas deve-se questionar se é ou não ético efetivá-lo.


 

4.7 - CRITÉRIOS PARA A AVALIAÇÃO DA FORMULAÇÃO DO PROBLEMA

(definido por J.W. Best – Cf. RUDIO, obra citada, p. 77)

 

a)     Este problema pode realmente ser resolvido pelo processo de pesquisa científica?

b)    O problema é suficientemente relevante a ponto de justificar que a pesquisa seja feita? (se não é tão relevante, existe, com certeza, outros problemas mais importantes que estão esperando pesquisa para serem resolvidos)

c)     Trata-se realmente de um problema original?

d)    A pesquisa é factível?

e)     Ainda que seja bom, o problema é adequado para mim?

f)      Pode-se chegar a uma conclusão valiosa?

g)     Tenho a necessária competência para planejar e executar um estudo deste tipo?

h)     Os dados que a pesquisa exige podem realmente ser obtidos?

i)       Há recursos financeiros disponíveis para a realização da pesquisa?

j)       Terei tempo de terminar o projeto?

k)     Serei persistente?

 

INDICAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS

 

 

DESCARTES, René. Discurso do método. Col. Pensadores. São Paulo: Editora Abril Cultural, 1973.

 

GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Editora Atlas, 1978.

 

KUHN, Thomas. A estrutura das revoluções científicas. São Paulo, Perspectiva, 1996.

 

LEITE, Eduardo de Oliveira. A Monografia Jurídica. 4. ed. rev., atual. e amp. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2000.

 

_____ . O papel do plano na produção científica. Tese apresentada ao concurso para provimento do cargo de professor titular da pesquisa em Ciências Jurídica, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 1994.

 

MAIA, Newton Freire. A Ciência por dentro. Petrópolis: Editora Vozes, 1991.

 

PERELMAN, Chain e OLBRECHTS-TYTECA, Lucie. Traité de L´argumentation. 5. ed. Belgique, Edition de L`Universite de Bruxelles, 1992.

 

RUDIO, Franz Victor. Introdução ao projeto de pesquisa científica. 2. ed. Petrópolis, Editora Vozes, 1979.

 

SAMPIERI, R. H. et alii. Metodología de la Investigación. Colômbia: McGraw-Hill, 1994.

 

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ, Biblioteca Central. Normas técnicas para apresentação de trabalhos, 3. ed., Ed. da UFPR, Curitiba, 1984, 8 v.


RESUMO DAS REGRAS PARA A CITAÇÃO BIBLIOGRÁFICA (Umberto Eco, Como se faz uma tese)

 

Sublinhamos (o que equivale ao itálico na forma impressa) o que deve ser sublinhado e pusemos entre aspas o que assim deve ser. Há pontos, vírgulas e parênteses onde eles devem estar. O que marquei com um asterisco constitui indicação essencial que jamais deve ser omitida. As demais são facultativas e dependem do tipo de tese.

 

LIVROS

*l. Nome e sobrenome do autor (ou autores, ou organizador, com eventuais indicações sobre pseudônimos ou falsas atribuições).

*2. Título e subtítulo da obra.

3. ("Coleção"),

4. Número da edição (se houver várias),

*5. Local da edição: não existindo no livro, escrever s.l. (sem local),

*6. Editor: não existindo no livro, omiti-lo,

*7. Data da edição: não existindo no livro, escrever s.d. (sem data),

8. Dados eventuais sobre a edição mais recente,

9. Número de páginas e eventual número de volumes de que a obra se compõe,

10. (Tradução: se o título era em língua estrangeira e existe uma tradução na nossa, especifica-se o nome do tradutor, o título traduzido, local de edição, editor, data da edição e número de páginas, eventualmente).

 

ARTIGOS DE REVISTA

* 1. Nome e sobrenome do autor.

*2. "Título do artigo ou capítulo".

*3. Título da revista,

*4. Volume e número do fascículo (eventuais indicações de Nova Série),

5. Mês e ano,

6. Páginas onde aparece o artigo.

 

CAPÍTULOS DE LIVRO, ATAS DE CONGRESSOS, ENSAIOS EM OBRAS COLETIVAS

* 1. Nome e sobrenome do autor.

*2. "Título do capítulo ou do ensaio".

*3. In:

*4. Eventual nome do organizador da obra coletiva ou VVAA,

*5. Título da obra coletiva,

6. (Eventual nome do organizador se primeiro foi colocado VVAA).

*7. Eventual número do volume da obra onde se encontra o ensaio citado,

*8. Local, Editor, data, número de páginas, como no caso de livros de só autor.

 

ABREVIATURAS MAIS USUAIS PARA UTILIZAR EM NOTA OU NO TEXTO (Umberto Eco)

 

Anon.             Anônimo

art.       artigo (não para artigos de jornal, mas para artigos de leis e similares)

l.          livro (por exemplo, vol. I, t. l, 1. I )

cap.             capítulo, plural caps. (por vezes também c., mas em certos casos c. quer dizer coluna)

col.       coluna plural coll. (ou c.)

cf.            confrontar, ver também, referir-se a

ed.       edição (primeira, segunda; mas em bibliografias inglesas ed. quer dizer organizador, editor, plural eds.)

e.g.       (nos textos ingleses) exempli gratia, por exemplo

p.e.      por exemplo

fig.        figura, plural figs.

fl.         folha, também fol., foll. ou f. e ff.

ibid.      ou também ibidem, no mesmo lugar (isto é, mesma obra e mesma página; se for a mesma obra mas não na mesma página, então é op. cit., seguido da pág.)

i.e.        (nos textos ingleses) id est, isto é, quer dizer

infra      ver abaixo

loc.cit. lugar citado

MS             manuscrito, plural MSS

NB       note bem

n.         nota (ex.: ver ou cf. n. 3).

NS       Nova Série

n °        número (por vezes também n.), mas pode-se evitar escrevendo só o número

op. cit. obra já citada anteriormente pelo mesmo autor

passim aqui e ali (quando não nos referimos a uma página precisa porque o conceito é tratado pelo autor em toda a obra).

p.         pagina, também pág. plural pp. e págs.

parágrafo (também §)

pseud.            Pseudônimo, quando a atribuição a um autor é discutível escreve-se pseudo

f e v      frente e verso (página ímpar e página par)

s.d.       sem data (de edição)

s.l.        sem local (de edição)

seg.             seguinte, também s., plural ss. (ex. p. 34 e ss.)

sec.      secção

sic        assim (escrito assim mesmo pelo autor que estou a citar; pode usar se quer como medida de prudência quer como sublinhado irônico no caso de erro significativo)

N. da A. Nota do autor (habitualmente entre [colchetes] ou (parênteses))

N. da T. Nota do tradutor (habitualmente entre [colchetes] ou (parênteses)) q. quadro

tab.      tabela

tr.             tradução, também trad. (pode ser seguido do nome da língua, do tradutor ou de ambos)

v.         ver

v.         verso, plural vv (se se citarem muitos versos, é melhor não utilizar v para ver, mas sim cf.); pode também utilizar-se vs., plural vss., mas atenção para não o confundir com a abreviatura seguinte.

vs.        versus, em oposição a (ex.: branco vs. preto, branco vs preto, branco v  preto; mas pode-se também escrever branco/ preto).

viz.       (nos textos ingleses) videlicet, quer dizer, e precisamente

vol.       volume, plural vols. (vol. significa geralmente um dado volume de uma obra em vários volumes, enquanto vols. significa o número de volumes de que se compõe a obra)

 

NB. Esta é uma lista das abreviaturas mais comuns. Temas específicos (paleografia, filologia clássica e moderna, lógica, matemática, etc.) têm séries de abreviaturas particulares que se poderão aprender lendo a literatura crítica respectiva.


 

Na Tabela 16 apresentamos um exemplo de uma página de tese com várias notas em rodapé, e na Tabela 17 fornecemos as mesmas referências bibliográficas tal como aparecerão na bibliografia final, de modo a mostrar as diferenças.

 

Tabela 16: EXEMPLO DE PÁGINA COM O SISTEMA CITAÇÃO-NOTA

 

 

Chomsky1, embora admitindo o princípio da semântica interpretativa de Katz e Fodor2, segundo o qual o significado do enunciado é a soma dos significados de seus constituintes elementares. Não renuncia, porém, a reivindicar em todos os casos o primado da estrutura sintática profunda como determinante do significado3.

Naturalmente, a partir dessas primeiras posições, Chomsky chegou a uma posição mais articulada, prenunciada já em suas primeiras obras através de discussões de que dá conta no ensaio "Deep Structure, Surface Structure and Semantic Interpretion"4, colocando a interpretação semântica a meio caminho entre a estrutura profunda e a estrutura superficial. Outros autores, Lakoff5, por exemplo, tentam construir uma semântica gerativa onde a forma lógico-semântica gera a própria estrutura sintática.6

_____________________

 

1. Para uma boa visão panorâmica dessa tendência, ver Nicolas Ruwet, Introduction à la grammaire générative, Paris, Plon, 1967.

2. Jerrold J. Katz e Jerry A. Fodor, "The Structure of a Semantic Theory", Language 39, 1963.

3. Noam Chomsky, Aspects of a Theory of Syntax, Cambridge M.I.T., 1965, p. 162.

4. No volume Semantics, org. por D. D. Steinberg e L. A. Jakobovits, Cambridge University Press, 1971.

5. "On Generative Semantics", in WAA, Semantics, cit.

6. Na mesma linha ver: James McCawley, "Where do noun phrases come from?", in VVAA, Semantics, cit.

 

 

Tabela 17: EXEMPLO DE BIBLIOGRAFIA PADRÃO CORRESPONDENTE

 

VVAA, Semantics: An Interdisciplinary Reader in Phüosophy, Linguistics and Psychology, organizado por Steinberg, D. D. e Jakobovits, L. A., Cambridge, Cambridge University Press, 1971, pp. X 604.

CHOMSKY, Noam. Aspects of a Theory of Syntax. Cambridge, M.I.T. Press, 1965, pp. XX 252 (trad. it. in Saggi Linguistici 2, Turim, Boringhieri, 1970).

_____ . “De quelques constantes de la théorie linguistique". Diogène 51, 1965 (trad. it. in VVAA, I problemi attuali della linguistica, Milão, Bonr piani, 1968).

_____ . "Deep Structure, Surface Structure and Semantic Interpretation". In: VVAA, Studies in Oriental and General Linguistics, organizado por Jakobson, Roman, Tóquio, TEC Corporation for Language and Educational Research, 1970, pp. 52-91; agora in VVAA, Semantics (v.), pp. 183-216.

KATZ, Jerrold J. e FODOR, Jerry A. "The Structure of a Semantic Theory” . Language 39, 1963 (ou in VVAA, The Structure of Language, organizado por Katz, J. J. e Fodor, J. A., Englewood Cliffs, Prentice-Hall, 1964, pp. 479-518).

LAKOFF, George. "On Generative Semantics". In: VVAA, Semantics (v.), pp. 232-296.

McCAWLEY, James. "Where do noun pnrases come from?". In: WAA, Semantics (v.), pp. 217-231.

RUWET, Nicolas. Introduction à !a grammaire générative. Paris. Plon, 1967, pp. 452.

 


 

Tabela 18: A MESMA PÁGINA DA TABELA 16 REFORMULADA COM O SISTEMA AUTOR-DATA

 

 

Chomsky (1965a:162), embora admitindo o princípio da semântica interpretativa de Katz e Fodor (Katz & Fodor, 1963), segundo o qual o significado do enunciado é a soma dos significados de seus constituintes elementares, não renuncia, porém, a reivindicar em todos os casos o primado da estrutura sintática profunda como determinante do significado.

Naturalmente, a partir destas primeiras posições, Chomsky chegou a uma posição mais articulada, prenunciada já em suas primeiras obras (Chomsky, 1965a:163), através de discussões de que dá conta em Chomsky, 1970, onde coloca a interpretação semântica a meio caminho entre a estrutura profunda e a estrutura superficial. Outros autores (Lakoff, 1971, por exemplo) tentam construir uma semântica gerativa onde a forma lógico-semântica do enunciado gera a própria estrutura sintática (cf. também McCawley 1971).

__________

 

l. Para uma boa visão panorâmica dessa tendência, ver Ruwet, 1967.

 

Tabela 19: EXEMPLO DE BIBLIOGRAFIA CORRESPONDENTE COM O SISTEMA AUTOR-DATA

 

CHOMSKY, Noam

1965a                          Aspects of a Theory of Syntax, Cambridgc, M.I.T. Press, pp. XX    -2S2 (trad. it. in Chomsky, N., Saggi Linguistici 2, Turim, Boring-       hieri, 1970).    

1965b                         “De quelques constantes de la théorie linguistique”, Diogène 51 (trad. it. in VVAA, I problemi attuali della linguistica, Milão, Bompiani, 1968).

1970                           "Deep Structure, Surface Structure and Semantic Interpretation",         in Jakobson, Roman, org., Studies in Oriental and General Linguistics, Tóquio, TEC Corporation for Language and Educational Research, pp. 52-91; ou in Steinberg & Jakobovits, 1971, pp. 183-216.

 

KATZ, Jerrold J. & FODOR, Jerry A.

1963                           "The Structure of a Semantic Theory", Language 39 (ou in Katz, J. J. & Fodor, J. A., The Structure of Language, Englewood Cliffs, Prentice-Hall, 1964, pp. 479-518).

 

LAKOFF, George.

1971                           "On Generative Semantics". In: Steinberg & Jakobovits, 1971, pp. 232-296.

 

McCAWLEY, James.

1971                           "Where do noun phrases come from?" In: Steinberg & Jakobovits, 1971, pp. 217-231.

 

RUWT, Nicolas.

1967                           Introduction à la grammaire générative. Paris, Plon, pp. 452.

 

STEINBERG, D. D. & JAKOBOVITS, L.A., orgs.

1971                           Semantics: An Interdisciplinary Reader in Philosophy, Linguistics and Psychology, Cambridge, Cambridge Uníversity Press, pp. X-604.

 

 


NOTAS DE RODAPÉ

 

Uma opinião muito difundida pretende que não apenas as teses, mas também os livros com muitas notas, denunciam um esnobismo erudito e, com freqüência, uma tentativa de lançar fumaça nos olhos do leitor. Por certo, não se deve excluir que muitos autores amontoam notas para conferir um tom importante ao seu trabalho, ou que recheiam as notas com informações desnecessárias, às vezes subtraídas sub-repticiamente da literatura crítica examinada. Mas isso, não impede que as notas, quando utilizadas na justa medida, sejam importantes. Qual seja essa justa medida depende do tipo de tese. Não obstante, procuraremos ilustrar os casos onde as notas se impõem e como se elaboram.

 

a) As notas servem para indicar as fontes das citações. Se a fonte tivesse de ser indicada no próprio texto, a leitura da página seria difícil. Há sem duvida maneiras de fornecer referências essenciais nos textos, sem recorrer às notas, como no sistema autor data discutido em 5.4.3. Mas, em geral, a nota se presta maravilhosamente a este fim. Se for nota de referência bibliográfica, convém que apareça em rodapé e não no fim do livro ou do capítulo, pois desse modo com um simples golpe de vista pode-se controlar o que se está discutindo.

 

b) As notas servem para acrescentar ao assunto discutido no texto outras indicações bibliográficas de reforço: "ver também, a esse respeito, a obra tal". Aqui também é mais cômodo colocá-las em rodapé.

 

c) As notas servem para remissões internas e externas. Tratado um assunto, pode-se pôr em nota um "cf." (que quer dizer "confrontar" e que remete a outro livro ou a outro capítulo ou parágrafo  de nosso próprio trabalho). As remissões internas também podem aparecer no texto, quando essenciais: sirva de exemplo o presente livro, onde vez por outra surgem remissões a outro parágrafo.

 

d) As notas servem para introduzir uma citação de reforço que, no texto, atrapalharia a leitura. Quer dizer, no texto você faz uma afirmação e, para não perder o fio da meada, passa à afirmação seguinte, remetendo em seguida à primeira nota onde se demonstra como uma célebre autoridade confirma a afirmação feita.

 

e) As notas servem para ampliar as afirmações que se fez no texto. Nesse sentido, são úteis por permitirem não sobrecarregar o texto com observações que, embora importantes, são acessórias em relação ao tema ou apenas repetem sob um diferente ponto de vista o que já fora dito de maneira essencial.

 

f) As notas servem para corrigir as afirmações do texto: você está seguro do que afirma mas, ao mesmo tempo, consciente de que pode haver quem não esteja de acordo, ou considera que de um certo ponto de vista se poderia fazer uma objeção à nossa assertiva. Seria então prova não só de lealdade científica, mas também espírito crítico inserir uma nota explicativa.

 

g) As notas podem servir para dar a tradução de uma citação que era essencial fornecer em língua estrangeira, ou a versão original de uma citação que, por razões de fluência do discurso, era mais cômodo fazer em tradução.

 

h) As notas servem para pagar as dívidas. Citar um livro donde se extraiu uma frase, se utilizou uma idéia ou uma informação é pagar uma dívida. Às vezes porém, é preciso também pagar dívidas cuja documentação não é fácil, e pode ser norma de correção científica advertir em nota, por exemplo, que uma série de idéias originais ora expostas jamais teria vindo à luz sem o estímulo recebido da leitura de determinada obra ou das conversações privadas com tal estudioso.

 

Enquanto as notas do tipo a, b, e c são mais úteis em rodapé, as do tipo d, h podem aparecer também no fim do capítulo ou da tese, principalmente se forem muito longas. Contudo, diremos que uma nota nunca deveria ser excessivamente longa, do contrário não será uma nota, mas um apêndice que, como tal, deve aparecer no fim da obra, numerado. De qualquer forma, é preciso ser coerente: ou todas as notas em rodapé ou no fim do capítulo, ou breves notas em rodapé e apêndices no fim da obra.

Convém lembrar mais uma vez que, se se está examinando uma fonte homogênea, a obra de um só autor, as páginas de um diário, uma coleção de manuscritos, cartas ou documentos etc., poder-se-á evitar as notas simplesmente fornecendo no início do trabalho abreviaturas para as fontes e inserindo entre parênteses, no texto, uma sigla com o número de página ou do documento para cada citação ou outra remissão qualquer.

De fato, depois de haver dito que é útil fazer as notas, ressaltemos que, como lembram ainda Campbell e Ballou (op. cit., p. 50), "o uso das notas com vista à elaboração do trabalho requer certa prudência. É preciso ter cuidado em não transferir pata as notas informações importantes e significativas: as idéias diretamente relevantes e as informações essenciais devem aparecer no texto". Por outro lado como dizem os mesmos autores (ibidem), "qualquer nota de rodapé deve justificar praticamente sua própria existência". Não há nada mais irritante do que as notas que parecem inseridas só para fazer figura e que não dizem nada de importante para os fins daquele discurso.


Citações, paráfrases e plágio

 

Ao elaborar a ficha de leitura, você resumiu vários pontos do autor que lhe interessavam: isto é, fez paráfrases e repetiu com suas próprias palavras o pensamento do autor. E também reproduziu trechos inteiros entre aspas.

Ao passar para a redação da tese, já não terá sob os olhos o texto, e provavelmente copiará longos trechos das fichas. Aqui, é preciso certificar-se de que os trechos que copiou são realmente paráfrases e não citações sem aspas. Do contrário, terá cometido um plágio.

Essa forma de plágio é assaz comum nas teses. O estudante fica com a consciência tranqüila porque informa, antes ou depois, em nota de rodapé, que está se referindo àquele autor. Mas o leitor que, por acaso, percebe na página não uma paráfrase do texto original, mas uma verdadeira cópia sem aspas, pode tirar daí uma péssima impressão. E isto não diz respeito apenas ao orientador, mas a quem quer que posteriormente estude a sua tese, para publicá-la ou para avaliar sua competência.

Como ter certeza de que uma paráfrase não é um plágio? Antes de tudo, se for muito mais curta do que o original, é claro. Mas há casos em que o autor diz coisas de grande conteúdo numa frase ou período curtíssimo, de sorte que a paráfrase deve ser muito mais longa do que o trecho original. Neste caso, não se deve preocupar doentiamente em nunca colocar as mesmas palavras, pois às vezes é inevitável ou mesmo útil que certos termos permaneçam imutáveis. A prova mais cabal é dada quando conseguimos parafrasear o texto sem tê-lo diante dos olhos; significando que não só não o copiamos como o entendemos.

Para melhor esclarecer esse ponto, transcrevo - com o numero 1 - um trecho de um livro (trata-se de Norman Cohn, Os Fanáticos do Apocalipse):

Com o número 2 exemplifico uma paráfrase razoável.

Com o número 3 exemplifico uma falsa paráfrase, que constitui um plágio.

Com o número 4 exemplifico uma paráfrase igual à do número 3 mas onde o plágio é evitado pelo uso honesto de aspas.

 

1. O texto original

 

A vinda do Anticristo deu lugar a uma tensão ainda maior. Sucessivas gerações viveram numa constante expectativa do demônio destruidor, cujo reino seria de fato um caos sem lei, uma era votada à rapina e ao saque, à tortura e ao massacre, mas também o prelúdio de um termo ansiado, a Segunda Vinda e o Reino dos Santos. As pessoas estavam sempre alerta, atentas aos "sinais" que, segundo a tradição profética, anunciariam e acompanhariam o último "período de desordem"; e, já que os "sinais" incluíam maus governantes, discórdia civil, guerra, fome, carestia, peste, cometas, mortes imprevistas de pessoas eminentes e uma crescente pecaminosidade geral, nunca houve dificuldade em detectá-los.

 

Uma paráfrase honesta

 

A esse respeito, Cohn é bastante explícito. Debruça-se sobre a situação de tensão típica desse período, em que a expectativa do Anticristo é, ao mesmo tempo, a do reino do demônio, inspirado na dor e na desordem, mas também prelúdio da chamada Segunda Vinda, a Parúsia, a volta do Cristo triunfante. Numa época dominada por acontecimentos sombrios, saques, rapinas, carestia e pestes, não faltavam às pessoas os "sinais" correspondentes aos sintomas que os textos proféticos haviam sempre anunciado como típicos da vinda do Anticristo.

 

Uma falsa paráfrase

 

Segundo Cohn... [segue-se uma lista de opiniões expressas pelo autor em outros capítulos]. Por outro lado, cumpre não esquecer que a vinda do Anticristo deu lugar a uma tensão ainda maior. As gerações viviam na constante expectativa do demônio destruidor, cujo reino seria de fato um caos sem lei, uma era consagrada à rapina e ao saque, à tortura e ao massacre, mas também o prelúdio à Segunda Vinda ou ao Reino dos Santos. As pessoas estavam sempre alerta, atentas aos sinais que, segundo os profetas, acompanhariam e anunciariam o último "período de desordem": e, já que esses "sinais" incluíam os maus governantes, a discórdia civil, a guerra, a seca, a fome, a carestia, as pestes e os cometas, além das mortes imprevistas de pessoas importantes (e uma crescente pecaminosidade geral), nunca houve dificuldade em detectá-los.

 

Uma paráfrase quase textual que evita o plágio

 

O próprio Cohn, já citado, recorda ainda que "a vinda do Anticristo deu lugar a uma tensão ainda maior". As diversas gerações viviam em constante expectativa do demônio destruidor, "cujo reino seria de fato um caos sem lei, uma era consagrada à rapina e ao saque, à tortura e ao massacre, mas também o prelúdio de um termo ansiado, a Segunda Vinda e o Reino dos Santos".

As pessoas estavam sempre alerta e atentas aos sinais que, segundo os profetas, acompanhariam e anunciariam o ultimo período de desordens . Ora, sublinha Cohn, uma vez que estes sinais incluíam "maus governantes, discórdia civil, guerra, seca, fome, carestia, peste, cometas, mortes imprevistas de pessoas eminentes e uma crescente pecaminosidade geral, nunca houve dificuldade em detectá-los".11

 

Ora, é claro que, ao invés de dar-se ao trabalho de elaborar a paráfrase n° 4, melhor fora transcrever como citação o trecho completo. Mas para isso seria preciso que sua ficha de leitura já contivesse todo o trecho ou uma paráfrase insuspeita. Como, ao, redigir a tese, não poderá mais recordar-se do que foi feito na fase de fichamento, cumpre proceder corretamente a partir daí. Você deve estar seguro de que, não existindo aspas na ficha, o que ali está é uma paráfrase e não um plágio.

 

11. Norman Cohn, I fanatici delI Apocalisse, Milano, Comunità, 1965,

p. 128.


 

COMO ESTUDAR CIENTIFICAMENTE UM TEMA: P. EX., “AS ESTAÇÕES DE RÁDIOS LIVRES”

 

- Estabelecer índices de audiência; não há dados oficiais e não se pode confiar apenas nas declarações dos responsáveis; a única alternativa é uma sondagem pelo método do telefonema ao acaso ("Que rádio você está escutando neste momento?"). É o método seguido pela RAI, mas requer uma organização especial, um tanto dispendiosa. É melhor renunciar a essa pesquisa do que anotar impressões pessoais como "a maioria ouve a Rádio Delta" só porque meia dúzia de amigos afirma ouvi-la. O problema dos índices de audiência informa como se pode trabalhar cientificamente mesmo sobre um fenômeno tão contemporâneo e atual, mas como isso é difícil: é melhor uma tese sobre história romana, bem mais fácil.

- Registrar a polêmica na imprensa e os eventuais juízos sobre cada emissora.

- Recolher e comentar organicamente as leis pertinentes a esta questão, de modo a explicar como as várias emissoras as ludibriam ou . as obedecem e que problemas daí advêm.

- Documentar as posições relativas dos diversos partidos.

- Tentar estabelecer tabelas comparativas dos custos publicitários. É possível que os responsáveis pelas rádios escondam esse detalhe ou mintam, mas, se a Rádio Delta faz publicidade do restaurante Ai Pini, poderia ser fácil obter o dado desejado junto ao proprietário do Ai Pini.

- Fixar um evento-amostra (eleições são um assunto exemplar e registrar a maneira como foi tratado por duas, três ou mais rádios).

- Analisar o estilo lingüístico das diversas emissoras (imitação dos locutores de grandes rádios, imitação dos disk-jockeys americanos, uso de terminologias de grupos políticos, adesão a falares regionais etc. ).

- Analisar a maneira como certas transmissões das grandes rádios   foram influenciadas (quanto à escolha dos programas e dos usos lingüísticos) pelas transmissões das rádios livres.

- Recolher organicamente opiniões sobre rádios livres por parte de juristas, líderes políticos etc. Três opiniões apenas fazem um artigo de jornal, cem opiniões fazem uma pesquisa.

- Coleta de toda a bibliografia existente sobre o assunto, desde livros e artigos sobre experiências análogas em outros países até os artigos dos mais remotos jornais de interior ou de pequenas revistas de modo a obter a documentação mais completa possível.

 

Convém deixar claro que você não deve fazer todas essas coisas. Apenas uma, desde que bem feita e completa, já constitui um tema para uma tese. Também não se pense que essas são as únicas coisas a fazer. Delineei somente alguns exemplos para mostrar como até sobre um tema tão pouco "erudito" e pobre em literatura crítica se pode executar um trabalho científico, útil aos outros, inserível numa pesquisa mais ampla e indispensável a quem queira aprofundar o tema, sem impressionismo, observações casuais ou extrapolações arriscadas.

 

Para concluir: tese científica ou tese política? Dilema falso. É tão científico fazer uma tese sobre a doutrina das Idéias em Platão como sobre a política da Lotta Continua na Itália entre 1974 e 1976. Se você é uma pessoa que pretende trabalhar a sério, pense bem antes de escolher, pois a segunda tese é sem dúvida mais difícil que a primeira e requer maior maturidade científica. Quanto mais não seja porque não terá uma biblioteca em que se apoiar, mas antes uma biblioteca para organizar.

Como se vê, é possível conduzir de modo científico uma tese que outros definiriam, quanto ao tema, como puramente "jornalística". E é possível conduzir de modo puramente jornalístico uma tese que, ao julgar pelo título, teria todos os atributos para parecer científica.

 

 

 

Hosted by www.Geocities.ws

1