![]() |
![]() |
|
INTRODU��O H� 800 anos, o Esp�rito Santo agraciou Francisco e Clara com a voca��o de levar uma vida de Irm�os Menores. A Igreja reconheceu e confirmou este carisma que deu in�cio a um grande movimento, um modo especial de ser Igreja e sociedade civil. No decorrer dos s�culos, houve in�meras pessoas que se sentiram atra�das por esta forma vitae. � neste esp�rito que este trabalho vai apresentar o carisma em uma forma ampla; de como se d� esta manifesta��o e de como S�o Francisco transformou o seu tempo em um grande louvor ao Deus Alt�ssimo como a forma de vida dentro do mundo, cheia de atitude, ressaltando a vida em comum, sua eclesializa��o e suas conseq��ncias. O carisma Franciscano tem como fundamento a inspira��o feita pelo Esp�rito Santo de Deus a um homem de uma pequena cidade de Assis na It�lia. Inspira��o esta do encontro com o Senhor Jesus Cristo, pobre e crucificado, e atrav�s da observ�ncia e viv�ncia do santo Evangelho. Nesta inspira��o, brota na Igreja, atrav�s de Francisco de Assis, uma maneira original e singular de viver o Evangelho, in illo tempore. Ou seja, um estilo de vida pautada na Boa Nova de Jesus em resgate a modalidade das primeiras comunidades crist�s como nos descreve o livro dos Atos dos Ap�stolos (2,42-47): Eles eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos ap�stolos, na comunh�o fraterna, na fra��o do p�o e nas ora��es. Apossava-se de todos o temor, e pelos ap�stolos realizavam-se numerosos prod�gios e sinais. Todos os que abra�avam a f� viviam unidos e possu�am tudo em comum; vendiam suas propriedades e seus bens e repartiam o dinheiro entre todos, conforme a necessidade de cada um. Perseverantes e bem unidos, freq�entavam diariamente o templo, partiam o p�o pelas casas e tomavam a refei��o com alegria e simplicidade de cora��o. Louvavam a Deus e eram estimados por todo o povo. E, cada dia, o Senhor acrescentava a seu n�mero mais pessoas que seriam salvas. A vida franciscana se tornara � imita��o apost�lica tendo como regra e carisma o Evangelho. Em Francisco o Senhor fez suscitar em muitos cora��es o desejo de experimentar este estilo de vida, atraindo para ela n�o s� homens, mas mulheres virgens e as vi�vas, e tamb�m os casados. Nascendo as tr�s ordens franciscanas: o ramo masculino da 1� Ordem chamado de Frades Menores; o ramo feminino da 2� Ordem chamada de Ordem das Damas Pobres orientada e co-fundada por Santa Clara; e dos leigos casados chamado inicialmente de Ordem da Penit�ncia, hoje conhecidos por Ordem Franciscana Secular (OFS). Todos com a mesma proposta de S�o Francisco de Assis de viver segundo o Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, na minoridade, obedi�ncia, sem nada de pr�prio, e em castidade. �Foram muitos os que quiseram deixar os cuidados mundanos para chegar ao conhecimento de si mesmos na vida e na escola do Santo Pai Francisco, caminhando para o amor de Deus e seu culto� (1 Cel 37). Com isso, este trabalho vai apresentar como se d�o o carisma de forma ampla e mostrar como Francisco trabalhou a quest�o da entrega total a Deus, seguindo os preceitos de Evangelho . O CARISMA (LATO SENSU) Antes de descrever o carisma franciscano � necess�rio inferir como se caracteriza o carisma no sentido mais universal. Geralmente, o que d� forma ao carisma �, antes de tudo, a manifesta��o, que est� al�m do ordin�rio: � dom que � suscitado em pessoas especiais, denominadas profetas. Por conseguinte, esses anunciam atrav�s da palavra uma mensagem que mobiliza outras pessoas a seguirem-no. Este an�ncio n�o se d� motivado somente pela instru��o intelectual, mas, sobretudo, pela animosidade, que possibilita uma mudan�a da atitude, transformando o cora��o e dando um sentido mais ascendente � vida. Logo, os profetas s�o vistos como personae non gratae, ocasionando conflitos entre pessoas e estruturas j� definidas. E tamb�m o exemplo contribui para que seus seguidores sintam-se motivados a verem que vale a pena segu�-los. Destarte, vimos que todas essas caracter�sticas aqui citadas constituem um carisma que se move incessantemente, fomentando e estruturando a mentalidade. Prosseguindo com a movimenta��o do carisma, seus seguidores, devidos serem humanos e esses, por natureza, organizarem o espa�o onde vivem; exigem algo mais concreto, para que suas vidas sejam conduzidas a um anseio � salva��o, mediante a normas bem claras e distintas; � divis�o de tarefas; � elei��o de seus dirigentes. Ent�o, aquela mensagem mencionada pelo profeta que, com a estrutura��o do carisma, torna-se um documento sagrado e, por fim, acomoda-se com outras caracter�sticas institucionalizadas, ao mundo. E, conseq�entemente, inst�ncias superiores discernem se, de fato, seguem com fidelidade o que � devido. Citamos como exemplo os movimentos her�ticos que, no come�o, foram fi�is � Igreja e logo se desviaram daquilo que os motivaram, indo contra a institui��o. Com isso, o carisma franciscano transformou a sociedade medieval, trazendo � tona o sentido do ser humano, provido do amor divino, como veremos a seguir. O CARISMA FRANCISCANO: SUA FORMA DE VIDA Francisco de Assis, com seu fulgor cavalheiresco, foi um zeloso caminheiro pelas coisas do Alto. Sua fidelidade � Igreja foi um grande marco para aquela sociedade, que dava descr�dito, inclusive, aos dirigentes da Igreja. Homem de muito vigor suscitou um novo modo de viver, cujo ideal n�o era estar isolado do mundo, mas continuar inserido nele. Isso o diferenciou dos beneditinos e dos agostinianos. Diante dessas diferen�as, Francisco admoestava seus irm�os a jamais contrariarem os bispos e sacerdotes, seguindo com exemplar obedi�ncia e aut�ntico modo de vida o seu caminho, convicto de seus ideais. A forma de vida evang�lica escolhida por Francisco e Clara foi uma verdadeira alternativa para as outras formas de vida ent�o existentes. Eles moldam, durante toda a vida, esta nova identidade da sua comunidade. Se algu�m lhe disser outra coisa ou sugerir algo diferente que impe�a a sua perfei��o, ou parecer contr�rio ao chamado de Deus, mesmo que mere�a a sua venera��o, n�o siga o seu conselho. Antes de mais nada, abra�a o Cristo pobre, como uma virgem pobre! (2 In 17-18) . Por ocasi�o de um Cap�tulo da Esteiras em Porci�ncula, Francisco disse na presen�a do Cardeal de �stia, aos irm�os: Deus chamou-me para o caminho da simplicidade em da humildade e, na verdade, indicou-me este caminho, para mi e para aqueles que confiam em mim e querem seguir-me neste caminho. Portanto, n�o quero que me citeis outra Regra nem de S�o Bento, ne de Santo Agostinho, nem de S�o Bernardo nem outro caminho e forma de vida al�m daquele que, misericordiosamente, o Senhor me revelou e concedeu. E o Senhor disse-me que devia ser como um novo louco neste mundo e n�o quis conduzir-nos por outro caminho, que n�o o desta ci�ncia (EP 68, 6-7). Cabe inferir o que disse El�i Lerlec, OFM quando afirmara: Quando Francisco pediu � Igreja o reconhecimento da sua forma de vida e a dos seus irm�os, com certeza n�o pediu que a mesma se renovasse conforme a vis�o dele. S� pediu a autoriza��o de poder viver segundo o Evangelho. Pediu o direito de poder viver numa comunidade reconhecida, pura, simples e evang�lica. Pediu um espa�o de liberdade e de simplicidade dentro da institui��o eclesi�stica feudal, uma zona franca fora das estruturas sedutoras de poder. A liberdade de viver segundo o Santo Evangelho pressup�e uma luta corajosa (LERLEC, E.Francisco da Assis, o retorno ao Evangelho). UMA ATITUDE DENTRO DO MUNDO O poverello de Assis nutre seu carisma a partir da leitura e seguimento do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, a partir de seu pr�prio modo de interpreta��o. Com isso, ele mostra uma atitude diante de tudo que o cercava. O que significa que o alter Christi n�o renunciara ao mundo, mas sim apresentar a esse qual o real sentido do homem, que deve buscar o sentido da sua vida nos vest�gios de Deus, sem jamais renunciar a sua ess�ncia. Os primeiros irm�os ou andavam pregando pelo mundo, ou trabalhavam em casas de pessoas como jornaleiros. Entretanto, � noite retiravam-se para as florestas para rezarem, conversarem e admoestarem-se uns aos outros (SCHRENDER, 1963, p.51). Assim, eles levavam o ideal de perfei��o evang�lica ao mundo em que viviam, ou seja, �queles que precisavam de algo que revigorassem as suas vidas. Da� que o trabalho para Francisco e seus irm�os tem uma nova perspectiva, visto que �, antes de tudo, uma gratia Dei; que era direcionado ao servi�o caritativo, baseado na mensagem do Evangelho, �conveniente para um homem honesto� (SCHRENDER, 1963, p.52). Um outro aspecto relevante � que nunca rejeitava o seu pr�ximo. O que significa que era indiferente mediante as classes sociais, tratando todos como criaturas de Deus por excel�ncia e exortava seus irm�os a �n�o julgarem de modo depreciativo a nobreza, o clero e os cidad�os distintos� (id). Com isso, o santo de Assis demonstra o qu�o � importante os homens apresentarem seus cora��es ao Deus que os criou do que buscar as coisas do mundo terreno. E tudo isso ele fazia com a mais serena paz, sem usar for�a f�sica, armas, tropas. A VIDA EM COMUM A reviravolta na sociedade assisiense ainda se d� na forma de vida comunit�ria franciscana. O sentido de n�o possuir nada de pr�prio � uma grande transforma��o que, pautada na solidariedade, manifestava o amor de Deus perante as pessoas, seja para com os irm�os, seja para com os mais necessitados e rejeitados como, por exemplo, os leprosos da cidade. Pode se ainda enaltecer que esta �grande comunidade� era confortada pelas pessoas de todas as classes sem distin��o alguma. Como organismo humano, nesta comunidade havia tamb�m uma refer�ncia, uma autoridade. Francisco n�o utilizava tal autoridade para obter prest�gio dos irm�os, clamor, fama, mas como um ministro � servidor � dos irm�os. Este servi�o demonstrava que havia proximidade entre todos, n�o sendo algo distante ou submet�-los a uma autoridade superior, uma vez que se o ministro n�o desempenhar o seu papel de servidor da Ordem com humildade, sabedoria e obedi�ncia vinculada � pobreza, seus confrades podem retir�-lo deste servi�o. A DIN�MICA DO CARISMA RUMO A ECLESIALIZA��O O que Francisco pregara n�o era fixado em leis ou regras. Contudo, com o crescimento do n�mero de pessoas na Ordem, ele teve a sabedoria em concordar com os que desejavam se dedicar � ci�ncia, permitindo que esses passassem mais tempo nos conventos. Destarte, dinamismo de Francisco � demonstrado na regra, cuja base est� no Evangelho, sem acomoda��es. Com tal crescimento via-se como uma m� interpreta��o ascese no mundo o retirar-se do mundo, morar em conventos, observar uma ordem do dia. Todavia, o santo de Assis era democrata e �n�o proibiu a seus irm�os a vida contemplativa�. (SCHRENDER, 1963, p.56). Conseq�entemente, a Ordem foi clericalizada com o aumento de cl�rigos, que representavam 75% dos franciscanos na Europa Ocidental e a regra fora constitu�da como um documento jur�dico, aumentando o abismo entre o fundador e a sua Ordem com o �enfraquecimento� do fulgor origin�rio. A exig�ncia de Francisco e al�m daquela �poca, uma vez que era um tempo imaturo para tal aspecto. O CARISMA FRACISCANO NOS TR�S RAMOS DA PRIMEIRA ORDEM Na Fam�lia Franciscana, tendo �como ponto de partida� (2 Ct. In. 11), as tr�s primeiras ordens, brotou muitos movimentos, congrega��es e institutos com o carisma franciscano. Inclusive na Ordem primeira, sob a qual ir-se-� explorar um pouco mais de perto e averiguar a maneira de viver o carisma inicial proposto pelo nosso Ser�fico pai ao longo da hist�ria Franciscana. Ao longo da hist�ria franciscana �nascem� da primeira ordem duas ramifica��es, oriundas dos Frades da Comunidade, a saber: os frades da Uni�o Leonina e os frades Capuchinhos. N�o se pode esquecer que as varia��es e modos de viver o carisma franciscano se manifestaram de muitas formas e em muitos nomes. No entanto, este trabalho se concentrar� nas tr�s fam�lias existentes hoje. A Regra � um elemento vis�vel � intui��o de Francisco e refer�ncia ao carisma original. A Ordem deve a Regra o seu sentido de ser e a pessoa de Francisco como modelo e ideal comum do �Irm�o por excel�ncia�. na Regra verifica-se a determina��o carism�tica da vida, segundo o Santo Evangelho e os pr�prios Conselhos evang�licos de obedi�ncia, sem nada de pr�prio e me castidade. A pobreza, ent�o, consistia em vivere de non pr�prio adotado por Francisco e pelos primeiros frades da comunidade, no entanto esta forma de viver a pobreza come�ou a ser questionada por alguns, conhecidos por �espirituais�. estes n�o questionavam o fundamento da pobreza , mas sim a forma de como pratic�-la, que deveria ser de uma forma, com um compromisso radical de uma vida pobre. Desta querela se iniciou na Ordem de S�o Francisco um processo cism�tico de ver e viver o carisma origin�rio franciscano. Os frades da comunidade buscavam vivenciar a dimens�o da vida fraterna e na contempla��o, os �espirituais� por sua vez, uma dimens�o cada vez mais pastoral (paroquial / a��o social). No in�cio da Ordem estas duas dimens�es deveriam englobar e entrela�ar a vida franciscana, no entanto, acabou se tornando um movimento pendular de extremos que qualificava a diferen�a entre estes dois grupos. Em 1517 o Papa Le�o X, tinha a inten��o de definir a situa��o da Ordem de S�o Francisco, convocando um Cap�tulo Geral na iniciativa de tentar para uni�o para a Ordem. Na verdade, � o equil�brio das duas dimens�es que se exprime a vitalidade do carisma, que engloba e entrela�a contempla��o e solidariedade. na hist�ria as duas dimens�es t�m aparecido como um ininterrupto movimento pendular, que gerou outros movimentos como os dos Espirituais, Bernardinos, Descal�os, Alcantarinos, Recoletos e muitos outros mais. Foi desta hist�ria, cheia de tens�es, que nasceram os tr�s ramos da primeira Ordem hoje existentes. Em 1517, o ent�o Papa Le�o X queria definir a situa��o; Convocou um Cap�tulo Geral, chamado Cap�tulo da Uni�o, na tentativa de unificar a Ordem, que embora tivesse um �nico Ministro Geral, estava dividida em dois grandes grupos. Mas aquele que devia ser o Cap�tulo da Uni�o tornou-se o Cap�tulo da Divis�o. Os frades, de fato, n�o quiseram aceitar a uni�o proposta, e a solu��o foi � independ�ncia de duas Ordens (O carisma Franciscano, 1997, p. 27). O carisma foi ao longo do tempo interpretado pelos frades observantes, por uma vida de pobreza material muito rigorosa, sendo sujeito a enorme influencia exercida pela devotio moderna que salientava umas piedades pessoais, silenciosas, desvinculada e contra a vida comum e a piedade e reza comunit�ria. A pobreza material rigorosa nos edif�cios, vestu�rios, viagens, dinheiro... estava sempre no centro do programa de vida. Viviam em lugares retirados, por vezes agrestes, em grupos pequenos, para poder dedicar-se � ora��o contemplativa com maior liberdade. O exerc�cio da ora��o mental era fundamental na espiritualidade do movimento da observ�ncia.(...) A rea��o contra o �conventualismo� n�o era devida somente aos abusos em mat�ria de pobreza, mas tamb�m a uma religiosidade excessivamente mon�stica e rituais, cuja pomposidade n�o deixava espa�o para a piedade pessoal e para a intimidade silenciosa com Deus (MASON, 1998, p. 118). As acusa��es feitas pelo movimento da observ�ncia, com o passar do tempo foi gradualmente admitidas nas suas atitudes em viver a pobreza e a vida de ora��o, tal qual era feita pelos frades da comunidade. Sobretudo depois de ter assumido a sua independ�ncia e ter �adquirido� a primazia da Ordem em detrimento a esta realidade hist�rica dos Conventuais. Em 1517, Le�o X convocou os conventuais e os observantes para um cap�tulo geral extraordin�rio; obrigou tamb�m a todos os grupos reformados independentes a enviar seus representantes. Naquele solen�ssimo cap�tulo, celebrado em Roma, os conventuais recusaram oficialmente a solu��o de ser �reduzidos� � observ�ncia e de dar � Ordem um geral observante. O papa ent�o decretou a separa��o total pela bula �Ite vos in vineam meam� , invertendo a rela��o de depend�ncia mantida at� ent�o, caso �nico na hist�ria das ordens religiosas: a observ�ncia passava a representar hierarquicamente a Ordem; o geral conventual foi obrigado a renunciar ao cargo e entregar o selo da Ordem (MASON, 1998, p.121). A efervesc�ncia de uma observ�ncia mais aut�ntica continuava no seio dos frades do movimento da observ�ncia, j� no s�culo XVI, ou seja, poucos anos ap�s a bula de Le�o X, o mesmo conflito acontecido entre os observante e os conventuais no passado. Tentou se uma maior compreens�o para os descontentes, as iniciativas sempre cada vez mais particulares para uma maior perfei��o de viver o carisma da ordem �repeliam o jugo da obedi�ncia para dar-se a uma vida de vagabundos!� Em 1525 um jovem sacerdote Frei Mateus de Bascio, reclamava a liberdade de observar a Regra ao p� da letra, neste mesmo ano teve uma vis�o em que o pr�prio S�o Francisco confiava sua atitude e que o seu h�bito era rude e com um capuz pontiagudo costurado � t�nica. N�o conseguindo a aprova��o de seus superiores e nem dos frades, procurou a aprova��o papal, saindo secretamente do Convento de Montefalcone e foi para Roma. Obteve com facilidade de Clemente VII a permiss�o, vivae vocis or�culo, com a �nica preocupa��o de se apresentar ao seu provincial todos os anos durante o cap�tulo. Ao se apresentar ao provincial, Frei Mateus foi encarcerado como fugitivo e vagabundo e por n�o ter nenhuma autoriza��o por escrito do papa para viver daquela forma. Apresentaram se ao mesmo provincial os dois irm�os Ludovico e Rafael de Fossombrone pedindo para viver erem�ticamente com outros companheiros para viver a pureza da Regra original negado pelo provincial Frei Jo�o de Fano que passou a persegui-los. Os frades Ludovico e Rafael procuraram refugiar-se com Frei Mateus, que tinha sido libertado pela duquesa de Camerino Catarina Cibo, e posteriormente uniu-se aos tr�s o frei Paulo de Chioggia. (...) Para se prevenir das investida do provincial dos observantes, Frei Ludovico, sagaz e decidido, julgou conveniente procurar a prote��o dos Frades Conventuais, com a media��o influente da citada duquesa. O geral dos Conventuais tomou sob a sua prote��o os quatros frades, deixando-se livre para viverem conforme suas aspira��es. A posi��o dos quatro era no m�nimo muito ousada: separados da comunidade, cada um com autoriza��o pessoal, n�o tinham entre si nenhum la�o de sociedade can�nica, nem organiza��o alguma reconhecida. era preciso dar o passo decisivo. Catarina Cibo apresentou a seu tio, Clemente VII, uma peti��o de Ludovico e Rafael. Ent�o o papa expediu a bula Religionis zelus (1528) que dava exist�ncia jur�dica � nova fraternidade. A Ordem capuchinha estava fundada. Como carisma franciscano, al�m dos j� mencionados acima, a Ordem dos Capuchinhos se destaca ainda por outros elementos: A bula era dirigida a Ludovico e Rafael de Fossombrone e dava faculdade de levar vida erem�tica, guardando a regra de S�o Francisco, de usar barba e o h�bito com capuz piramidal e de pregar ao povo; os capuchinhos ficavam sob a prote��o dos superiores conventuais, por�m sob o governo de um superior pr�prio com autoridade semelhante � dos provinciais; estavam autorizados a receberem novi�os (MASON, 1998, p. 147). CONSEQU�NCIAS A manifesta��o do Esp�rito Santo deve ser tratada com muita cautela. Vimos no in�cio que o homem, por natureza, � um ser que organiza. Entretanto, por exig�ncia, isso n�o deve ser negado. A grande quest�o �: como � poss�vel desenvolver-se sem desviar-se do carisma original? O grande desafio � perpassar os s�culos com tamanho vigor. Francisco foi pragm�tico, trabalhando para reconstruir as ru�nas da casa do Senhor Jesus Cristo, sendo fiel a Igreja envolta do esp�rito do Evangelho: Atualmente, a muitos crist�os que est�o sem d�vida, inspirados evangelicamente, mas n�o querem p�r as suas for�as imediatamente a servi�o da institui��o eclesi�stica para corroborar a influencia dela na sociedade. (SCHRENDER, 1963, p.62). As congrega��es que surgem t�m finalidades limitadas como miss�es populares, retiros, ensinos. Por�m, tais tarefas envolvem outras instancias causando esfriamentos do carisma e refletindo na queda do n�mero de voca��es. � com maior amplitude que S�o Francisco nos indica o caminho envolto numa gama de trabalhos; o que significa que o mundo era o seu convento. Logo, podemos inferir que a eclesializa��o n�o � fator negativo em uma estrutura��o de uma ordem ou congrega��o. O que se deve constatar � que essa transforma o que est� se dando de forma indefinida, direcionando a Verdade sem ferir aquilo que anima tal instituto, que � o carisma. A celebra��o dos 800 anos do carisma franciscano � uma proposta de remetermos �quilo que nos move. Ainda somos uma alternativa evang�lica em um mundo, no qual n�o se v� mias a esperan�a? Podemos mostrar algo �novo� a esta sociedade que, mesmo estando h� s�culos evoluindo, ainda tem atitudes de regresso frente aos des�gnios de Deus. CONCLUS�O O esp�rito franciscano suscita um carisma que fascina, encanta, movimenta o homem. Esta inquieta��o mostra a esperan�a de que ainda h� �Franciscos� no mundo que precisam de coragem em lan�ar-se � proposta origin�ria, sem jamais apagar o fulgor carism�tico. A Ordem 1� teve muitos outros imprevistos ao longo da hist�ria e muitos detalhes n�o foram relatados aqui por n�o ser um trabalho especificamente da hist�ria franciscana, h� de se ponderar hoje que n�o existe uma diferen�a expressiva nos tr�s ramos da primeira Ordem. claro que cada uma delas tem suas constitui��es pr�prias, Ministro Geral independentes, igualmente aos conventos e processo formativo. O H�bito � o grande resqu�cio e diferencial das fam�lias. Devemos ressaltar que os Frades Franciscanos Conventuais sobreviveram a in�meras tempestades, por�m continuam a ter a primazia do carisma e da Ordem dos Frades Menores. Sem esta tradi��o, os franciscanos n�o teriam chegado at� os tempos atuais. Conclu�mos com uma bela cita��o de Rober Schultz: Somente quando nosso cora��o se livrar de toda amargura e se encher de uma infinita amizade pelo pr�ximo, este pr�ximo poder� aceitar de n�s advert�ncias e conselhos. Quando o amor do Cristo vivo aumentar em n�s, ser-nos-� simplesmente imposs�vel deixar o pr�ximo andar encurvado sob o peso de uma consci�ncia m�. Ao contr�rio, avan�ar� por terra firme, na certeza de estar com Deus. Na hist�ria, h� uma s� testemunha de uma reforma verdadeira: S�o Francisco de Assis. Padeceu pela Igreja e a amou, conforme o exemplo de Cristo. Teria podido julgar as institui��es eclesi�sticas, os costumes e o endurecimento de certos crist�os da sua �poca. Mas � exatamente isso que ele n�o quis fazer. Preferiu morrer a si mesmo. Esperou com paci�ncia ardorosa, e do seu esperar, ardente em, amor, surgiram certo dia as renova��es (SCHULTZ, R. Este � o dia de Deus, p.104). Por: F�bio Soares da Silva e Leonardo Rodrigues de Valen�a. BIBLIOGRAFIA O carisma mission�rio franciscano: A Fam�lia Franciscana. Petr�polis: Editora Vozes, 1997. MASON, Fernando (org.).Compila��o de hist�ria franciscana: Pro Manuscrito. Ca�apava: Convento S�o Benedito, 1998. SCHRENDER, O. Trad. Serafim Lunter. Institui��o e carisma: Documentos CEFEPAL. Petr�polis: Vozes, 1963. p. 45-64. |
![]() |
| Convento S�o Boaventura apresenta: IV Semana Franciscana |
| Carisma Franciscano |