Arquivo X não é só diversão. Você senta, assiste e gosta. Mas sempre tem um porém. Em meio a monstros, serial killers mutantes e conspirações governamentais, surgem dúvidas. As mais simples, formuladas pelos fãs mais recentes, podemos até responder. Mas as mais complexas, que lotam a cabeça dos fãs de carteirinha (também conhecidos por eXcers no Brasil, ou x-philes nos EUA), provavelmente não possuem resposta. Portanto, para iniciarmos nosso passeio pelo universo da série, nada melhor que conhecermos as respostas para algumas dessas perguntas, sobre a sua formação, seus principais personagens e seus objetivos. As principais estão logo abaixo:
01. De onde veio a idéia da série?
Este senhor ao lado é o "pai" do Arquivo X. Chris Carter, produtor executivo e idealizador da série, já tinha uma boa carreira como editor e roteirista antes de resolver levar adiante sua idéia: a de criar uma série que assustasse as pessoas. Essa vontade, segundo ele, esteve presente desde a sua infância, quando ele assistia (e admirava) séries como Além da Imaginação (Twilight Zone), Alfred Hitchcoch e, em particular, Kolchak e os Demônios da Noite, que surgiu como resultado de dois filmes que também marcaram esse californiano que adora surfe: The Night Stalker e The Night Strangler. "Kolchak", exibida em 1974-75, era a história de um policial que cruzava acidentalmente com vampiros, lobisomens e zumbis, mas Carter não queria que sua série fosse assim. Queria criar algo voltado para o extraterrestre, além de fenômenos paranormais, e que não se prendesse às premissas simples de Kolchak, que só se sustentou por um ano no ar. Na época, o filme O Silêncio dos Inocentes (The Silence of the Lambs) surgiu como um cometa, arrebatando vários Oscars, e deixando como rastro na mente de Chris Carter a certeza de que deveria usar o FBI como um canal para que os personagens se envolvessem com o paranormal. O "elemento alienígena" na série se firmou definitivamente devido a uma pesquisa apresentada por um amigo de Carter, que dizia que 3% dos americanos afirmavam já terem sido abduzidos (seqüestrados por extraterrestres). Tudo isso o levou, assim, à idéia básica da série, que é conhecida por todos: Dois agentes do FBI, um crente e outro cético, investigam fenômenos paranormais e a existência de extraterrestres. Concordaremos, entretanto, que esta é uma definição muito simples para a imensa complexidade de temas e situações encontradas na série.
02. Afinal, o que é um Arquivo X?
Arquivo X foi a denominação dada pelo FBI (Federal Bureau of Investigation, que é a polícia federal norte-americana) para os casos que envolviam elementos não-convencionais para o Bureau. Acostumados com os assassinatos, roubos e outros delitos do gênero, os Arquivos X geralmente eram rebaixados a simples investigações rotineiras, que provavelmente não seriam capazes de resolvê-los. Isso sem falar no provável temor dos agentes em se envolverem com os casos, que ficavam sem uma resolução aparentemente aceitável. Normalmente envolvem certos elementos um pouco menos rotineiros para o FBI, como espiritismo, paranormalidade, serial killers, mutantes, entre outros elementos. São casos que, na maioria das vezes, são desprezados pelos agentes do bureau, pela simples razão de entrarem em um terreno sombrio, que nenhum deles quer enfrentar. Ou melhor dizendo, tem um sim: Fox Willian Mulder.
03. Qual a origem dos nomes dos agentes Fox Mulder e Dana Scully?
Chris Carter deu ao agente Fox Mulder o nome de solteira de sua mãe (Mulder) e o prenome de um amigo seu de infância (Fox). Já Dana Scully recebeu o sobrenome do locutor oficial do Los Angeles Dodgers (time de beisebol da Califórnia), Vin Scully.
04. O que se busca no Arquivo X?
A série se resume na busca dos agentes pela "Verdade", que significaria a explicação para todos os fenômenos que presenciam. Mulder, principalmente, é o mais suscetível a qualquer tipo de mentira contada a ele. Ele busca por uma explicação, não importa de que forma. Scully já preza pelo racional, age apenas segundo as regras. Na série eles vêem-se frente a monstros lendários, serial killers mutantes, fenômenos paranormais, espiritismo, vudú, vampiros, alienígenas assassinos (ou não) e o principal: o próprio governo americano. A série prega, através de seus elementos, que o governo (representado pelos militares, Pentágono e outras repartições importantes) são cúmplices de abduções por alienígenas, experiências de caráter bélico, entre outras e conspiram contra todo e qualquer que possa querer interferir nisso, muitas vezes através de assassinato. Ou seja: boa parte daquilo que é investigado por Mulder tem com foco principal o próprio regime em que ele trabalha. Assim, Mulder afirma ter certeza de que o governo sabe de algo sobre os alienígenas, sabe sobre sua irmã e sabe muito mais, mas esconde dele e da população. Ele quer provas concretas que mostrem a todos a farsa do governo.
05. O que se encontra no Arquivo X?
Atualmente? Pouco. Muito pouco. Como a série trabalha alguns episódios separadamente, como histórias independentes, e outros interligados como uma (desculpem o termo) novela, cada episódio mitológico (que faz parte dessa novela) tem apenas pincelado uma parte do grande quadro que Mulder e Scully querem vislumbrar. A busca pela Verdade e pelas respostas sobre o paradeiro de Samantha e a existência de vida alienígena tem seus altos e baixos. Por exemplo, ao final da segunda temporada, com Anasazi, os fãs tinham praticamente certeza da existência de seres de outros planetas (dentro do universo da série, é claro). Porém, depois de Gethsemane, tudo parece indicar o contrário. Talitha Cumi praticamente mostra o Canceroso como pai de Mulder, mas a seqüência dos episódios parecia desmentir essa informação, até que em 6th Extinction finalmente pudemos ter a certeza. E com relação ao "cancer negro", dos episódios Tunguska e Terma, qual seria o objetivo do governo americano ao pesquisá-lo? E por que os russos fazem o mesmo? Seria para fazer dele uma arma de guerra? E qual o paradeiro de Samantha? Nada ainda foi respondido em definitivo, mesmo após o filme e os episódios Dois Pais/Um Filho. A consciência com relação a uma "guerra" entre a nossa humanidade e os colonizadores alienígenas ainda deixa várias lacunas vazias. Chris Carter parece preferir assim, para dar aos fãs a oportunidade deles mesmos imaginarem o que rola nos bastidores da conspiração. E por que não dizer, Mulder e Scully se amam realmente? As promessas de que haveriam algumas respostas no filme foi cumprida em partes. Mas as teorias do filme ficam para a página que trata especificamente disso.
06. Até que ponto o que se vê em Arquivo X pode ser tomado como realidade?
Essa é uma pergunta muito, muito importante. Quem assistiu o primeiro episódio da série observa que o tema desse episódio é, segundo eles, tirado de uma história real. Mas vê-se facilmente que várias vezes aparecem temas inaceitáveis no seriado. Exemplos? O rapaz chamador de raios de D.P.O., o mutante elástico Eugene Tooms, o paramédico que pode reconstruir seu corpo de Leonard Betts, os clones de sangue verde da mitologia, a teoria de que baratas mecânicas poderiam ser robôs exploradores alienígenas (War of the Coprophages). Mas quase nenhuma teoria de Mulder é desprezável (eu disse quase...). A própria idéia de que os americanos escondem provas da existência alienígena com certeza já passou pela sua cabeça (caso acredite que eles existam). A teoria das abelhas transmissoras de malária é quase aceitável. Afinal, por que não usar como arma biológica uma doença que não é mais tratada por simplesmente não existir mais (a não ser amostrar congeladas em laboratórios americanos, claro)? Sem falar que o real propósito do uso das abelhas (visto no filme) também não deve ser desconsiderado, só porque parece fantástico demais. Para quem é leitor do assunto, a idéia de que americanos seriam abduzidos com a aprovação dos militares também não é nova. Outros casos de armas para propósitos de guerra estao em Blood e Wetwired, e o último deles (mensagens subliminares na TV) é bastante razoável, já que até a Coca-Cola teria utilizado isso uma vez. A série é feita sempre, segundo Chris Carter, no limite do aceitável. É claro que às vezes sobram alguns exageros, mas esse é um outro bom motivo para se gostar da série. Você pode olhar para nossa realidade e encontrar, às vezes, elementos que lembram exatamente alguns episódios. É quase como viver um Arquivo X na vida real, já pensou nisso?
|