PIANO

Cristina Pilan Oliveira

 

 

O que tocar ?

Para quem tocar ?

Após sua partida ao som de um acorde seco e dissonante.

Em tom de dor maior.

Meu piano também sofre, com marcas de lembranças.

  Entre o grave e o médio, sua voz aveludada me convidando para o prazer.

A sala em espaço iluminado, enchendo-se de harmonia.

Ao som de meus harpejos, você rodopiava feliz.

         Com seu violino ao toque de anjos, terminando por abraçar-me.

E a sonatina ficava inacabada...

O piano mudo diante da beleza de nosso amor, pedia ao teclado eletrônico que fizesse um fundo romântico.

Nas minhas partituras suas digitais.

     Meus dedos acariciando o teclado, seguindo o contorno de seu rosto.

Uma tecla  unida a outra, como nossos corações.

    Suspiros em tons e semitons, linhas melódicas de uma doce canção.

      Seu violino, que encantava meu banho,  não resistia ao meu corpo, cansava-se fácil, queria calar-se...

      Em acordo com o piano, também queria assistir nossa relação como um filme de amor.

Dos imensos teatros que tocamos num dueto mais que perfeito.

              Comemorando tanto sucesso em nosso ninho de cetim, bordado com notas bem unidas, escrevendo a mais bela das canções de amor, a nossa sinfonia...

Hoje toco um noturno para a solidão.

Percebo que meu piano pressente algo.

Talvez sinta a proximidade de seu violino.

Seu som está alterado, terá sido um aviso da

 lua dos amantes ?

Tocaremos um cântico ao amor sagrado.

Seu violino  ouvirá nossa súplica.

Seu coração sentirá meu chamado...

 

 
 
 
    
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 

 

 

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