
Pérolas
Cristina Pilan Oliveira.
Não sei se foi a lua cheia, ou a maré alta.
Fui atraída para a praia. A areia ainda
quente, a água começando a esfriar.
De vestido leve, um colar de pérolas, nas tramas
de um xale tantos dramas, memórias,
dores que viriam, e o medo.
O vento soprou suavemente
levando o xale até o mar.
Não sei de onde, ouvi um salto acompanhado
de um mergulho, meu xale recuperado. Por um
pescador, seria de corações ?
Acariciou meu rosto, suas mãos desceram até
o pescoço, como por encanto, meu colar de
pérolas partiu-se. Uma a uma rolaram por
todo corpo, iridescentes entre o mar e o luar,
enfeitiçaram-no, indicaram os caminhos do prazer.
Assim como as pérolas, as roupas também
foram deslizando por toda a pele...
Será que a vida se resumia em enigmas como o
de uma jóia saída das profundezas do mar
entrelaçando destinos nos fios de um xale perdido ?
