
Cristina Pilan Oliveira.
Ao ouvir sua voz, soube que meu coração
se alteraria.
Sei que confiou em mim.
Seu coração machucado, jurou jamais amar
novamente.
Mas não resisti...
Escrevi as mais belas canções pensando em você.
Acompanhei-o ao piano, meus dedos querendo
fugir para seu corpo.
Minha boca querendo tomar o lugar do seu microfone.
Minha voz nos refrões,
querendo arrastar minha pele à sua.
Olhei com desespero para suas mãos.
Comprometidas somente com as partituras.
Tentei explicar ao meu coração suas razões.
As palavras ficaram soltas no ar...
Minha alma observava resignada, condoída.
Meu corpo sofrer por amor.
Cantamos para a natureza.
Você derramando gotas de vinho na areia.
Celebrando nossa amizade.
Enquanto meu coração sangrava em paixão.
Decidi deixá-lo...
Sei que traí nosso pacto.
Sobre o piano, minha canção de despedida.
Explicando os caminhos que meu coração tomou.
Apenas gostaria de poder amá-lo.
Beijá-lo a cada linha de minhas composições.
Voltei à areia, acariciei o vinho derramado.
Pedi ao riacho que sintonizasse seu coração.
E as cascatas apagassem suas mágoas.
Brotassem novamente em pureza.
Seríamos apenas um homem e uma mulher.
Que optaram por um caminho
que o coração traçou.
Minhas lágrimas apagaram as manchas rubis.
As marcas, os cacos, apenas em meu coração.
Meus passos, pura solidão.
Olhei para a areia, a última vez...
Mais marcas de vinho ?
Caíram dos cálices de suas mãos...
19/01/0
