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Introdução:
"O crime não compensa"
- não há uma só pessoa que não tenha ouvido esta frase, afinal, tal sermão
nos é pregado desde os tempos da infância. Mas nem grandes escritores e até
mesmo Hollywood conseguem evitar o assunto, especialmente quando a abordagem se
refere à "arte da criminalidade". Mesmo sendo politicamente
incorreto, o crime ainda é uma das práticas mais chamativas (e apelativas)
para transformar qualquer livro num best-seller, ou uma produção cinematográfica
em sucesso mundial de bilheteria.
Seguindo o conceito, os games também apostam em temas
abusivos e violentos, já que fazer o errado é sempre mais gostoso. E
percebendo a saturação de personagens malvados no mercado, a tradicionalíssima
Activision contrariou a "fabricação" do crime, adotando o
politicamente correto "mocinho versus bandido" como enredo; True
Crime: Streets of LA traz de volta o bom e velho policial que luta em prol
da justiça. O game, desenvolvido inicialmente para os consoles pela Luxoflux
(lançado no ano passado), foi muito bem convertido aos PCs pela empresa, algo
ainda raro nos dias de hoje.
E mesmo com traços de um justiceiro casca-grossa (está
na moda ter um protagonista machão neste estilo), ele ainda promove o bem nas
ruas desta violenta cidade, mas com um propósito: descobrir quem foram os
assassinos de seu pai.
Jogabilidade:
Se em outros títulos deste gênero
sua missão era fazer o mal para o sustento de sua organização criminosa ou máfia,
aqui os interesses invertem de lado. O protagonista Nick Kang está a
serviço da lei devido à morte do pai, também pertencente a EOD (Elite
Operations Division) pelas ruas de Los Angeles. Para o filho, a chance de
permanecer nas delegacias vai além de prender criminosos, mas sim investigar o
paradeiro do assassino.
True Crime é mais um da tipologia de GTA e derivados,
estilo que situa as aventuras do seu personagem em cenários monstruosos e uma
liberdade sem igual. O ambiente em questão é a imensa Los Angeles, recriada
com base em muitas informações verídicas do próprio município. Mas, para
surpresa até mesmo dos fãs de Grand Thef Auto e Mafia (campeões no quesito
maior Cenário virtual), a cidade tornou-se enorme, composta de não apenas
bairros étnicos – como os chineses, coreanos, latinos – porém vias rápidas
e rodovias quilométricas que ligam a outras paisagens e lugares famosos, tais
como a região de Hollywood, o cais, o aeroporto e os desfiladeiros. Toda as
ruas e cruzamentos têm nomes próprios, entretanto o sagrado pequeno mapa a
esquerda inferior da tela é o melhor indicador do jogo, apontando os locais
para onde se deve seguir.
A exemplo dos títulos politicamente incorretos, você
pode vasculhar todos os cantos da cidade com o seu carro (provido da policia) ou
sair “emprestando” os dos civis pelas ruas. Ao menos, o pretexto de parar um
veículo no meio de um cruzamento é mais convincente e hilário que nos demais
games; tudo em favor da polícia. É sempre bom tomar cuidado ao tentar impedir
alguém de dirigir, pois muitos lhe atropelam sem o menor pudor. A dica é tomá-los
entre semáforos enquanto parados ou exibir o distintivo policial - ótimo para
intimar cidadãos e até mesmo bandidos.
Em meio às missões que fazem a história do jogo –
basicamente desestruturar uma série de mafiosos e descobrir o assassino do pai
– existem outros objetivos extracurriculares. São aquelas chamadas no rádio
da central, alertando sobre algum furto, estupro, assalto, racha, briga entre
gangues e outras ações criminais que devem ser recorridas à unidade policial
mais próxima do incidente. Elas são valiosas, pois lhe aumentam pontos que
sustentam sua vida em caso de algum fracasso de uma missão. Contudo, deixar de
investigar missão principal para ganhar muitos pontos pode atrapalhar sua
performance na história, caso você venha a fracassar em uma delas; é sempre
importante saber quando se deve arriscar num destes objetivos, para que eles não
intervenham no enredo.
Outro ponto de extrema importância é o comportamento
de Kang a ser adotado e qual o melhor caminho a seguir. Em fases que consistem ações
furtivas e silenciosas, por exemplo, você pode abater o oponente discretamente
com um golpe certeiro ou destroncá-lo por completo. Desmaiar a vítima o torna
um “bom policial”, pois se conclui que seu comportamento é eficiente e
evita mortes desnecessárias. Se a situação for oposta e suas atitudes forem
brutais e violentas, o resultado pode complicar a progressão no jogo, já que
seu inimigo passa a ser a polícia e sem os distintivos do “bom policial”,
você não poderá aprimorar habilidades de luta, mira e direção de veículo,
requerendo mais de sua destreza em fases futuras. As brigas, por sinal, é um
dos pontos mais bacanas do jogo, fugindo de eventuais socos e chutes dos outros
títulos. Filho de oriental com americano, nosso personagem domina a arte de
lutar, capaz de combinar seqüência de golpes rápidos e vorazes. O uso desta
habilidade é freqüente nas missões, em especiais em cenários fechados,
proporcionando combates contra três, quatro, até cinco adversários simultâneos.
Quanto mais se treina, a exemplo da direção e do alvo, melhor se desenvolve a
prática e mais fácil se conclui as missões que exijam tal precisão. Apesar
da cópia barata de Max Payne, o game também tem o seu modo Bullet Time,
conhecida por modo câmera lenta, que desenvolve a mobilidade do jogador se
comparada ao resto dos personagens. Ele é bastante eficaz e corrige a
instabilidade da câmera controlada pelo mouse, culpada por não acompanhar com
exatidão a visão nos ambientes menores.
Entretanto, True Crime oferece como fator determinante
do enredo a escolha e seqüência das missões a serem concluídas. Há três
finais distintos, elaborados conforme os capítulos forem selecionados e concluídos.
Dentro da cada um, existem mini-capítulos que também dependem do seu sucesso
ou não para que cada um deles lhe dê um novo trajeto; ao perder uma luta num
determinado ponto, e se tiver créditos suficientes conquistados com outros
objetivos, o seu fracasso o levará para outra circunstância dentro do capítulo,
mas que no fim o trará para o desfecho. Em suma: mesmo que não se conclua
determinadas missões, você tomará outros caminhos alternativos para chegar até
o fim, alguns mais árduos, outros não. A decisão do jogador é fundamental,
relevando que os finais mais legais são os que contêm um maior número de missões,
também sendo os mais duradouros.
Para apimentar ainda mais, os bônus conseguidos dentro
do jogo são transformados em carros ultrabacanas, ou até mesmo no inusitado
Snoop Dog, famoso cantor que também vira personagem para ser jogado. Se o seu
gosto não é voltado para a musica hip-hop, experimente então jogar com o
soldado importado de Call of Duty (!), também resultado de outro bônus. Apesar
de legais, muitas emoções, tiroteio e perseguições poderiam ter suas
aventuras minimamente prolongadas, ao invés de preencher a diversão com extras
limitados.
Áudio:
Uma vasta coletânea foi outro
grande investimento da Activision em True Crime. Os inúmeros gêneros se
mesclam a uma rádio que ostenta mais de cinqüenta músicas originais, trazendo
consagrados artistas como o próprio Snoop Dog, Coolio, Damizza e outros pops do
hip-hop. A dublagem é outro ponto auge do game, apresentando ótima
performances de diálogos e gritarias entre diferentes sotaques e expressões,
representando chineses, russos e o desbocado Kang, recheado de piadas e comentários
sarcásticos do cotidiano duro de um tira de LA.
MultiPlayer:
Para estender a longevidade do
game e aumentar a interatividade de seus jogadores, True Crime sai na frente no
quesito multiplayer, incomum originalmente nos títulos similares. E, ao invés
de trazer manjados modos sacais, a inovação foi o adjetivo mais levado em
consideração. Começando pelo The Beat, que desafia os
participantes numa caça de crimes pela cidade, elegendo o vencedor aquele que
solucionar o maior número de casos. Police Chase é uma conhecida
perseguição policial, sendo apenas um dos jogadores o vilão, e os demais
policiais; a busca termina quando o bandido conseguir atingir uma determinada
distância e fugir. Dojo Master é a verdadeira pancadaria –
todos os combos são liberados – definindo quem será o mestre após tantos
socos e chutes. Em Battle Master, o conceito é o mesmo do Dojo,
porém com o uso adicional de armas, no melhor estilo bangue-bangue. E por fim,
como não poderia deixar de existir, o de corrida Street Racing
nas ruas de LA, um dos mais divertidos, embora não tão original. O
interessante é que, neste modo, os Checkpoints podem ser escolhidos pelo dono
do servidor, criando pistas compridas e duradouras. Todos os modos são
facilmente encontrados com servidores pela Internet utilizando o programa Gamespy.
Gráficos:
Para os 600 quilômetros de
pura construção (alguém se arrisca a conferir?), LA é o maior cenário
virtual já criado num game para o modo single-player, e com todos os méritos.
A “cidade dos anjos” tem ruas, avenidas, casas, árvores, edifícios,
arranha-céus, e todos os outros itens que se equiparam aos do ambiente de Máfia
e GTA. Isto, porque os estabelecimentos foram bem detalhados e alguns podem até
mesmo serem explorados por dentro, situação não tão comum entre seus
concorrentes. Já menos chamativo e nem tão bonito assim, os inúmeros carros
circulam incessantemente pelas vias, simulando o trafego local. Outros
pormenores, como fumaças e rastros de rodas também foram muito bem
reproduzidos.
Os ambientes internos e menores estão fartos de minúcias,
como uma cozinha repleta de instrumentos para corte, ou uma casa sado-masoquista
com banheiras a vapor e salas de tortura por todos os lados. O interessante é
que, o cenário em si como todos seus objetos podem ser demolidos integralmente,
seja por um tiro, um golpe ou até mesmo por um carro. Quase tudo é destrutível
no jogo, não restando muito para ser reparado depois, o que num município tão
imenso quanto este, não fará muita diferença. Ainda que as condições climáticas
não sejam aleatórias, bem como os horários do dia, temos amanheceres, chuvas
e pôr-do-sol diários. Um dos grandes realces do game é a expressão facial,
bem expressada pela reação dos personagens. Desde a movimentação labial,
como caras que exprimem sensações conforme a circunstância, não há como
negar as belas atuações gráficas dos protagonistas, que também contam com
uma grande leva de skins.
Lógico que o visual não esbanja alguma semelhança à
lá NFSU pelas ruas ou o belíssimo game Far Cry nos tiroteios, porém a Activision
não deixou nenhum usuário na mão em relação ao quesito. Visando poupar os
hardwares de PCs mais modestos, True Crime utiliza uma performance quase idêntica,
contudo mais econômica do que a convencional. Como é sabido de títulos como
este, a paisagem expõe uma vastidão difícil de ser carregada, obrigando a
edificação dos objetos (prédios, veículos, personagens, etc) ser acionada
conforme a aproximação deles. Mas em TC: Streets of LA, a idéia foi diminuir
a distância a ser construída, limitando a visão do jogador a enxergar todos
os objetos e suas devidas texturas a uma proximidade relativamente menor do que
em GTA e Mafia. Com poucas configurações visuais, True Crime é relativamente
leve se levar em consideração a sua enorme quilometragem de concreto gráfico.
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