A CRIANÇA E DO DESENHO

Com relação à este tema, transcrevo a seguir trechos do livro "Formas de Pensar o Desenho - Desenvolvimento do Grafismo Infantil", de Edith Derdyk, Editora Scipione, 1989:


                      " IMITAÇÃO E CÓPIA

Todo ensino que se baseia na cópia não é ensino inteligente. O aprendizado que depende basicamente do desempenho eficiente da capacidade de copiar é um ensino que  não considera a criança como um ser cognitivo. A criança se torna um depósito de informação sem reflexão, exercício do poder e dominação. fornecer um "modelo" para ser copiado exclui a possibilidade de a criança selecionar seus interesses e necessidades reais. No ato da seleção está inclusa uma leitura da realidade, que, em si, é um exercício reflexivo e criativo.

O ensino inteligente e sensível depende de ensaio e erro, de pesquisa, investigação, experimentação na busca de solução de problemas que geram dúvidas, incertezas.

O ensino fundamentado na cópia inibe toda e qualquer manifestação expressiva original. A criança, autorizada a agir desta forma, certamente irá repetir fórmulas conhecidas diante de qualquer problema ou situação que exige respostas. Ela, com todo o seu potencial aventureiro, deixa de se arricar, de se projetar. Seu desenho enfraquece, tal como o seu próprio ser.

" A necessidade de "nomear" está muito presente na atitude do adulto, que olha para um desenho e logo pergunta :"o que é isso? O que representa? Existe, por parte do adulto, uma exigência implícita em querer saber o que é aquilo que ele não sabe, o que significam estas garatujas, estes gestos inexplicáveis. Esta atitude, se exagerada, pode inibir o processo de desenvolvimento da criança. Ela passa a se preocupar, precocemente, em "figurar", a fim de atender aos apelos veementes que partem do mundo adulto. Em muitos casos o desenho até enrijece."
Edith Derdyk- Formas de Pensar o Desenho, Editora Scipione, 1989

Este procedimento  impede o desenvolvimento e o desabrochar de um imaginário pessoal, que expresse uma visão e uma leitura de mundo.

O desenho realizado pela criança não se restringe de maneira alguma ao ato de copiar, como para alguns caberia pensar. Seja qual for o motivo que evoca na mente da criança a vontade de representar um objeto, o desenho não é mera representação servil do mesmo. A percepção se encarrega de reinterpretar, reconstruir e reapresentar, resultado de uma complexa leitura e elaboração"

Os parágrafos acima são trechos do livro "Formas de Pensar o Desenho - Desenvolvimento do Grafismo Infantil", de Edith Derdyk, Editora Scipione



Sem título
desenho do Pedro
(com 4 anos)
Fóssil
desenho do Pedro
(com 4 anos)
Casinha
desenho do Pedro
(com 4 anos)
Prédios
desenho do Pedro
(com 4 anos)
Flôr
desenho da Manoela
(com 3 anos)
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