Talmud: Introdução ao assunto

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O estudo do Talmud

 

Comumente em nossas páginas temos abordado um ou outro tratado talmúdico visando aplicações práticas, porém uma dúvida nos surgiu se o leitor, que ignora o significado e o que representa o Talmud, entende que temos escrito. De fato, além de estudar algumas opiniões comuns nas várias escolas judaicas, em algumas vezes esboçamos as nossas próprias conclusões acerca do assunto. Ora isto nos levou a compilar esta introdução a partir de várias obras de mestres do judaísmo que podem fornecer um breve Overview sobre a importante obra literária. Afinal o que é o Talmud? Alguém poderia perguntar. Uma outra razão seria que as comunidades judaicas oficiais geralmente não apóiam o ensino do Talmud a quem não possa comprovar suas origens judaicas. Contudo esta época muito especial e ao mesmo tempo complicada em que ascendentes dos Anusim têm buscado suas origens visando(?) assumir seu judaísmo nós pensamos que o estudo deverá ser iniciado para o nosso crescimento. A exemplo de outras comunidades que lutaram para estabelecer sua posição enquanto israelitas não dependendo senão de si mesmas também nos pareceu natural que os Bnei Anusim criassem suas próprias escolas e estudassem o assunto como são; Bnei Anusim. Mas eles ainda enfrentam mais um grande problema e que se refere às suas próprias origens enquanto cristãos e muito mais ainda pela situação em que se encontram seus familiares diante do passo de se tornarem ou não adeptos da Torah, e da difícil tarefa para cristãos optarem pelo único Senhor de Tudo e de Todos, principalmente quando muitos ainda têm nos círculos dos seus parentes próximos, pessoas profundamente ligadas a Jesus ou Iechua como sendo o próprio D’us. Sabe-se perfeitamente que, nas congregações ortodoxas alguém, com tais problemas familiares, terá muita dificuldade em converter-se. Mas perguntamos e se eles, mesmo com estes problemas desejam estudar a obra? Seria permitido? Sim, é minha opinião desde que seja um Bnê Anusim, embora digam não os outros, mas diga alguém sim ou não creio ser este um direito legítimo.

 

Prefácio

 

O Talmud é o produto da Palestina, a terra da Escritura Sagrada, e da Mesopotâmia, o berço da civilização[1]. As origens da literatura Talmúdica data de antes do tempo do Exílio babilônico no sexto século AEC, ainda antes que a República romana tivesse entrado em existência. Quando, mil anos depois, o Talmud babilônico assumiu sua forma final, no ano 500 EC, o Império romano Ocidental também já tinha deixado de ser. Aquele milênio inicia com a queda da Babilônia como um poder mundial; cobre ainda a elevação, o declínio e a queda da Pérsia, Grécia e Roma; e testemunha ainda a expansão do cristianismo e o desaparecimento do paganismo[2] em terras Ocidentais e do Oriente Próximo.

 

Parte I, as origens.

 

O Exílio babilônico foi um período momentoso na história da humanidade e assim principalmente em Israel. Foi durante aquele Exílio, que Israel se encontrou; não apenas redescobriu a Torah como fez dessa descoberta uma regra de vida, e debaixo de sua influência instituições religiosas novas, como a sinagoga, i.e., adoração congregacional sem o sacerdote ou ritual e uma casa de decisões jurídicas e sociais. Começou a existir uma das realizações espirituais de mais longo alcance em toda a história da Fé monoteísta.

 

A lei oral

 

No restabelecimento da comunidade judaica, por Ezra hasofer, ou escriturário, por volta de 444 AEC, a Torah foi formalmente proclamada a lei civil e religiosa da nova comunidade. Ele trouxe consigo todas as tradições orais ensinadas no Exílio e lidou com assuntos novos que confrontaram a comunidade em luta, no mesmo espírito que se criou a sinagoga. Os sucessores de Ezra foram chamados após ele como soferim (escriturários). Estes foram então conhecidos também como os ‘Homens da Grande Assembléia’, e que continuaram o seu trabalho. Os ensinos e ordenações destes homens receberam a sanção da prática popular e vieram ser olhadas como halakhah[3], literalmente, ‘o caminho andado’; a orientação religiosa clara para o Israelita do modo ele deveria andar. Na seqüência dos Homens da Grande Assembléia surge o Sanhedrin de Jerusalém. De fato o prazer de todas essas gerações estava na Lei do Eterno e na Sua Lei eles cogitaram dia e noite. Quando a explicação que faziam segue os versos de Escritura, temos o Midrach; e quando essa explicação segue os vários preceitos da Torah, temos como resultado a Michnah. Evidentemente uma diferença sutil, porque no caso do Midrach temos algo como aplicações práticas, nem sempre literais baseadas em sermões sobre algum versículo ou um relato, por analogia etc. Por outro lado, na Michnah estudava-se os critérios da Lei escrita de acordo com o que está escrito e nunca por analogia. Evidentemente muitas conclusões da Michnah sofrem comentários futuros que envolveram ilustrações para esclarecimentos. Academias surgiram para cultivo sistemático deste novo tipo de aprendizagem, como também para a reunião assídua das tradições orais atuais, de tempos imemoriais, relativo à própria observância das ordens da Torah. Porém este movimento para o estudo intensivo das escrituras foi contestado, pelo elemento aristocrático e oficial da população, futuramente conhecido como o partido Saduceu[4] cuja declaração sobre os estudos das Escrituras é: “Toda lei que especificamente não foi escrita na Torah é uma inovação perigosa e reprimível”. Contudo, ao invés de coibir, a oposição do partido Saduceu, ao contrário, deu um ímpeto adicional à expansão da Lei Oral pelos soferim, que deram origem aos Fariseus. A idéia que eles buscaram era a revelação plena e inesgotável que o Eterno havia colocado nas escrituras. O conhecimento dos conteúdos daquela revelação, eles conseguiram, e seria encontrado, em primeiro lugar, no Texto Escrito da Torah ou como é também conhecido o Pentateuco; mas a revelação, a chamada Torah real, era o significado profundo do texto escrito; o pensamento divino descoberto nele, desdobrado em maior riqueza de detalhes por gerações sucessivas de professores (Fariseus) dedicados. “Além do relacionamento direto de oração” diz um dos escritores, “o estudo da Torah era o modo de aproximação mais íntima a Deus”; o que poderia ser chamado: A forma farisaica da visão altamente espiritual da Divindade. Estudar a Torah era, por assim dizer, pensar os pensamentos de Deuses depois de Ele, nas palavras de Kepler.

 

Michnah

 

O produto da atividade febril das escolas farisaicas se afigurou de difícil controle, uma vez sendo transmitido apenas oralmente, para ser retido por memória sem um recurso que mantivesse os ensinos sempre uniformes por qualquer estudante e em qualquer local onde fossem estudados, ou seja, como tudo era ensinado oralmente e por regra nada seria escrito sobre os assuntos ficava difícil manter o assunto livre de adições, mudanças ou omissões. Encontra-se sentido para isso no adágio: Quem conta um conto aumenta um ponto ou ainda omite ou altera o conto. O primeiro esforço foi arranjar o material tradicional em um sistema, e que foi feito no primeiro século AEC por R Hillel. Ele é, entre todos os rabinos o mais conhecido e considerado; renomado pela a enunciação da sua Regra De Ouro: Tudo que for odioso para você, não faça ao seu companheiro; isso representa toda a Torah o que restar dai é apenas comentário. Hillel mostrava-se a incorporação de mansidão e humanidade. Em outros dos seus dizeres lemos: Ame paz e procure paz, ao teu semelhante dê amor e os traga para próximo da Torah. Este era o lema dele. Ele popularizou sete regras exegéticas para a interpretação da Torah, por exemplo, as regras de conclusão e analogia pela qual o significado imanente de Escritura poderia ser extraído melhor; e é dele a divisão da massa de tradições que nos seus dias constituiu a Lei Oral nas seis Ordens principais cuja divisão foi aceita por todos os seus sucessores.

 

Autoria

 

No conjunto de cento e cinqüenta tannaim, que podem ser considerados os arquitetos do edifício espiritual que em sua forma completa é conhecido como o Michnah, devemos mencionar mais três além de Hillel. Estes são Iohanan Ben Zakkai, R Akiba e R Judah haNassi. Iohanan Ben Zakkai era o mais jovem dos discípulos de Hillel. Foi pela sua academia; Iabneh, que ele salvou o Judaísmo do naufrágio da destruição romana que subjugou a nação judaica no ano 70 EC. Iabneh se tornou base da aprendizagem e o centro da vida espiritual judaica. Como quase todos rabinos, ele ganhou o pão através do trabalho manual, ou seja; não dependia de recursos de doações de terceiros[5]. Ele assegurou ao judaísmo, sobreviver como organismo político; e a caridade e amor dos homens substituíram o serviço de sacrifícios do Templo. Um coração bom declarou Hillel, era a coisa mais importante na vida de qualquer ser humano. Na geração seguinte, R Akiba foi o autor de uma coletânea de leis tradicionais através das quais a Michnah cresceu de fato. Ele foi o maior entre os rabinos do seu próprio tempo e de tempos sucessivos, o homem de quem como diz a lenda, que: “Moises ficara por um momento enciumado quando em uma visão ele lançou um olhar rápido no futuro distante”. Ou seja, por ver a capacidade e o brilhantismo de R Akiba. O seu intelecto agudo e penetrante lhe permitiu achar uma base na Tanakh para toda provisão da Lei Oral. Iluminada de romance foi a breve vida deste grande e místico rabino. Em 132 EC ele morreu a morte dos mártires para o seu D’us e o seu povo. No mesmo dia que Akiba morreu nasceu R Judah haNassi que futuramente foi chamado apenas de o Rabino, apenas isso. Ele era um descendente de Hillel na sétima geração e um homem de habilidade incomum, cultura larga e virtude alta. Como Patriarca estabeleceu a regra espiritual da sua geração para assegurar a unidade de observância religiosa pelo estabelecimento de um Código de autoridade indisputada. Inspecionou todo o agregado de ordenações até então conhecida e que se havia acumulado pelos séculos, peneirando e organizando, abreviando e ampliando; e incorporando freqüentemente as opiniões de professores mais recentes na forma exata na qual ele os havia recebido. Assim o Michnah não é algo novo e independente, mas é a composição das tradições aceitas até a época num único compêndio. Ao trabalho do Rabino deu-se o nome de “A Michnah”, pois havia outras Michnaiot e que levaram os nomes dos compiladores, como por exemplo: Michnah de R Akiba, etc.

 

DIVISÕES DA MICHNAH

 

Não é possível saber o ano preciso em que o Rabino aplicou os últimos retoques ao seu trabalho. Sabe-se que mais tarde, ainda em vida ele empreendeu uma revisão completa da sua Michnah, provavelmente pelo ano 220 EC. Na sua forma final, a Michnah consiste em seis Ordens (chichah sedarim):

 

ZERAIM

Leis agrícolas compreendem onze tratados dentre os quais o primeiro “berakoth” trata da oração.

MOED

Leis relativas aos festivais e jejuns, ao todo tem doze tratados.

NACHIM

Leis relativas à mulher e vida familiar têm sete tratados.

NEZIKIN

Leis referentes à jurisprudência civil e criminal. Aqui também se situa o Pirkê Aboth. Ao todo onze tratados.

KODACHIM

Leis relativas ao Santuário e leis de comida, ao todo onze tratados.

TAHAROTH

Leis referentes ao que é limpo e sujo (kachrut); onze tratados.

 

Total de tratados da Michnah são sessenta e três tratados. Cada tratado (massekhet[6]) é subdividido novamente em perakim (capítulos) do qual o número total é quinhentos e vinte e três.

 

DATA

 

Em relação ao tempo exato no qual a Michnah foi escrita, e se foi houve diversidade de opiniões entre autoridades judaicas eminentes durante os últimos nove séculos. Cherira Gaón, Rachi, Luzzatto, Rapoport e Graetz opinam que o Rabino organizou o Michnah na própria mente sem a ajuda de caneta ou pergaminho; transmitindo em sua Academia, na forma e conteúdos como está hoje; o que fez oralmente para seus discípulos. Estes a transmitiram recursivamente às gerações sucessivas. Desta forma, segundo as opiniões das autoridades supra citadas, a Michnah foi preservada oralmente com precisão verbal por muito tempo nas Academias quando então, os professores entenderam como necessário registrar o conjunto existente de tradições por escrito, em algum momento no 8º ou 9º século. Outras autoridades opõem-se a esta opinião mantendo que o Rabino escreveu o texto completo da Michnah. Entre eles estão Yehudah Hallevi, Maimônides e Abarbanel; Weiss, Geiger e Fraenkel.

 

IDIOMA

 

O idioma do Michnah é Neo-hebreu, também conhecido como o hebraico Michnaico é um desenvolvimento natural do hebreu Bíblico; uma fala viva e não uma linguagem artificial (latim Idade Média), como foi mantido por alguns. Seu vocabulário e idioma estavam relacionados com o uso coloquial. Sendo um registro de declarações e discussões orais de homens e das pessoas nas atividades múltiplas e triviais da vida diária, numa mistura significativa de aramaico, grego e também termos latinos.

 

TEXTO

 

As cópias manuscritas mais antigas da Michnah estão em Parma (13º século), Cambridge (Talmud de Jerusalém) e Nova Iorque (fragmentos vocalizados, 10º ou 11º século). A primeira edição impressa apareceu em Nápoles (1492), com o comentário de Maimônides. As edições atuais são acompanhadas por comentários de Obadiah Bertinoro do 15º século e Yomtob Lipman Heller do 17º século. A Michnah tem sido traduzida freqüentemente; a última versão que está em inglês foi traduzida pelo Cônego Danby. Uma edição crítica da Michnah, porém, é uma tarefa para o futuro.

 

Parte II, discussão da Michnah.

 

GEMARA

 

O comentário inclusivo na Michnah, que forma a segunda e mais profunda porção do Talmud é conhecido como Gemara. Palavra que significa ensino, e pretende explicar as condições e assunto a assunto da Michnah; buscando elucidar dificuldades e harmonizar declarações discrepantes; referindo-se a comentários anônimos ou aos próprios autores de cada tópico na Michnah, ou nas compilações paralelas de ensinos tannaicos[7] contemporâneos com a Michnah em que o mesmo assunto é tratado; e então determinar até que ponto as opiniões e os assuntos estão de acordo. Finalmente informa por completo as controvérsias ocorridas entre as Academias Palestinas ou Babilônicas em que estes assuntos são de interesse. Contudo a Gemara é muito mais que um mero comentário. Na Gemara tudo é juntado laboriosamente, sem qualquer referência para sua conexão com a Michnah, expressões vocais que saíram, durante séculos, dos lábios dos Mestres; quaisquer tradições relativas a eles ou as suas ações; direta ou indiretamente, nos grandes assuntos da religião, vida e conduta. E, além disso, também discussões legais e representações em todo aspecto do dever judeu, seja cerimonial, cívico ou moral, contém exegese e homilética da Escritura; máximas morais, provérbios populares, orações, parábolas, fábulas, contos; contas de modos e costumes para judeu e não-judeu; fatos e fantasias da ciência pelo estudo; Folclore judeu e pagão e todo o conhecimento e falta de conhecimento dos desinstruídos. Este material vasto e complexo acontece ao longo da Gemara, como o nome de um autor, uma conotação casual da Escritura, comentários anônimos ou algum outro acidente em tese ou estilo que comece uma associação com novas idéias.


HALAKHAH e HAGGADAH

 

O próprio Talmud classifica seus elementos componentes como Halakhah ou Haggadah. Emanuel Deutsch os descreve como um emanando do cérebro, o outro do coração; um a forma normal de se escrever, a outra poesia. Uma conduzindo as faculdades mentais discutindo, enquanto investigando, comparando, desenvolvendo: outra a elasticidade dos reinos da fantasia, da imaginação, sentimento, humor: Histórias antigas de grande beleza, contos de anjos, lendas de fada, histórias de mártires, canções festivas e palavras de erudição, hipérboles, mais pitoresco pode ser, contudo repleto de força e fogo, de fé como vislumbram, de brilho e resplendor!

 

Halakhah, como vimos nós, significa “o caminho andado”, “regra de vida”, “orientação religiosa”. Contém todas as leis e regulamentos que afetam a conduta judaica. Estes incluem o ritual, e as leis civis, criminais e éticas. Tudo o que está abarcado sob o termo Haggadah; significa literalmente, “o que é falado”, “o que é narrado”, “o que é entregue em forma de um discurso”. De acordo aos assuntos tratados na Haggadah é dividida em duas Haggadot.

 A Haggadah dogmática que trata de assuntos relacionados aos atributos e a providência divina, a criação, a revelação, os tempos Messiânicos e o Futuro.

A Haggadah histórica que traz as tradições e lendas relativas aos heróis e eventos nacionais ou história universal, desde Adão até Alexandre da Macedônia, Titus e Hadriano.

 

Contudo é lenda pura e simples. Seu objetivo não é tanto informar fatos relativos a personagens íntegros e ou injustos de história, como a moral que pode ser extraída nos relatos de honra ou desonra que os adornam. Que algum elemento de folclore na Haggadah significa o que é repugnante ao gosto ocidental não pode ser negado. Na opinião de Schechter, a maior falta encontrada nos que escreveram tais passagens é que eles não observaram a regra sábia de Dr Johnson que disse a Boswell em uma certa ocasião:

 

 “Façamo-nos sérios para que os tolos não venham e se perturbem”.

 

E os tolos vieram infelizmente, na forma de certos comentaristas judeus e de controversos cristãos que levaram como coisas sérias o que era só a expressão de um impulso momentâneo, ou que representou a opinião de indivíduo isolado sônico ou simplesmente como um jogo de palavras humorístico, com vistas a estimular o interesse de uma audiência desfalecida. Apesar de que a Haggadah contém parábolas de beleza infinita e entesoura declarações de valor eterno, devemos nos lembrar que a Haggadah consiste em meras expressões vocais individuais que não possuem nenhuma autoridade no contexto geral do conhecimento Talmúdico como, por exemplo, a Halakha.

 

Parte III, as Gemarot e suas origens.

 

A GEMARA PALESTINA

 

Há duas Gemarot principais, ou aceitas: A que foi elaborada nas Academias da Babilônia, e a outra na Palestina. No sentido exato, o nome atual para a Gemara da Palestina, Talmud de Jerusalém, segundo algumas opiniões está incorreto, porquê depois da destruição do Templo nenhuma Academia existiu em Jerusalém. Era em Tiberias o assento principal de aprendizagem rabínica, e cultivou a conclusão das escolas palestinas no 4º século. Os Professores principais (Amoraim; atualmente denominados explicadores) do Talmud palestino foram os Rabinos Iohanan e Abbahu. Iohanan (279) estava na sua mocidade quando foi discípulo de R Judah haNassi. Ele fez o assento do seu aprendizado principal, na Academia de Tiberias na Terra Santa e por muito tempo ele foi considerado como sendo o editor da Gemara palestino, porém erroneamente. Uma famosa declaração deste Amora ilustre é típica do homem e diz:

 

“Quando os egípcios estavam se afogando no Mar Vermelho, os anjos no céu estavam a ponto de irromper em canções de júbilo. Deus os silenciou com as palavras, Minhas criaturas estão perecendo e vocês estão prontos cantar?’”.

 

Abbahu de Caesarea era um homem rico, de cultura geral e de influencia junto às autoridades romanas. Ele era um hábil defensor da sua fé (judaica) contra os ataques dos cristãos. Sua máxima era:

 

“Esteja com os perseguidos e não com os perseguidores”.

 

É dele a iniciativa da noção corajosa das criações sucessivas, a idéia que posteriormente foi elevada pelos místicos judeus, segundo a qual antes da existência do universo presente, certos mundos informes foram emitidos da fonte de existência e então desapareceram, como as faíscas de um ferro incandescente quando é golpeado por um martelo. A opressão que ocorreu na Palestina sob os primeiros imperadores cristãos conduziu à extinção do Patriarcado e o encerramento das Escolas no ano 425. Nunca foram editadas formalmente as discussões que ocorreram nestas Escolas. Parece que a Gemara palestina foi originalmente compilada sobre toda Michnah; mas devido às circunstâncias adversas do tempo, muito disto foi irreparavelmente perdido. Suas porções halakhicas são marcadas por calma e discussão temperada, livre das sutilezas dialéticas que caracterizam o Talmud babilônico. Sua Haggadah também é mais pura, mais racional, entretanto menos atraente e poético, que a Haggadah da Babilônia. O Talmud palestino foi escrito em parte em um dialeto siríaco conhecido por gerações posteriores durante muitos séculos, mas quase foi esquecido pela judiaria. Suas decisões legais em nenhum momento foram julgadas para possuir validade, opõem-se ao Talmud babilônico em alguns aspectos e opiniões como, por exemplo, no caso dos demônios. Sua primeira impressão aconteceu em Veneza no ano de 1523. A Introdução clássica para o Talmud de Jerusalém (J. Fraenkels) apareceu somente em 1859. Há uma outra tradução francesa do Talmud palestino foi feita por M Schwab.

 

Parte IV, a Gemarah da Babilônia.


O TALMUD BABILÔNICO

 

Quando tomamos a Gemara babilônica, nós estamos de fato lidando com o que a maioria das pessoas entende quando eles falam ou escrevem como Talmud. O local do seu nascimento, Babilônia, era um centro judaico autônomo por um longo período; mais longo do que qualquer outra terra em que Israel esteve; isto é, de 586 AEC até o ano 1040 EC, ou seja; 1626 anos; historicamente desde os dias de Ciro até a época dos conquistadores Mongóis!

 

IDIOMA

 

Por muito tempo se acreditou que o idioma no qual o Talmud babilônico foi escrito desafiou a formulação gramatical, o que hoje isto é visto apenas como preconceito. No futuro gramáticos eminentes descobriram suas verdadeiras leis e determinaram seu lugar no esquema de idiomas Semíticos. Seu perfil filológico foi tratado no Talmud Léxico (Aruch) de Acher Ben Jehiel, há quase mil anos atrás e foi completado pelo trabalho de Levy, Kohut e Jastrow já no último século (atualmente no penúltimo). O estilo do Talmud babilônico tem como característica maior uma forma breve e sucinta na exposição dos assuntos. Sua leitura não é fácil em momento algum. A utilização de elipses é uma característica constante e recorrente quando orações inteiras são indicadas freqüentemente por uma única palavra. Nas discussões, pergunta e respostas são entrelaçadas com proximidade e há uma ausência inteira de demarcação entre elas.

 

ESTILO

 

Requer-se alto grau de concentração do pensamento e atenção íntima sob a orientação pessoal de um estudante experiente, ou de uma exposição escrita e elaborada do argumento, para a discussão ser seguida ou seu contexto entendido. E aquela compreensão não pode ser ganha só pela ajuda de gramática ou análise léxica. Até mesmo um estudante que tem um conhecimento suficiente de hebreu e aramaico, mas não tem sido iniciado no Talmud por guias judeus Tradicionais, achará quase impossível decifrar sequer uma página! Um grande filólogo que também era um Talmudista[8] declarou justamente: Suponha o ensino do Talmud sendo repentinamente interrompido durante a vida de uma geração; A tradição uma vez perdida, quase seria impossível de se recuperar.

 

AUTORIDADES

 

Dos mais de mil Amoraim mencionados por nome, nós selecionamos Rab e Shmuel e R Achi e Rabina. Rab e Shmuel nasceram na Babilônia, tendo ido para a Terra Santa para sentar aos pés de Judah haNassi e trazer para sua comunidade a Michnah; o código autorizado da Lei Oral[9]. Pelo ano 219 Rab fundou a Academia de Sura que continuou florescendo durante oito séculos. Uma das suas declarações era:

 

“As ordens da Torah foram dadas para purificar a vida do homem”.

 

Ele ensinou que a vida no futuro, não seria de modo algum mera passividade, para o íntegro, lá não é o que sobrou, mas sim adições sem fim. Também dizia:

 

“Eles já andam, neste mundo, de força em força e no mundo por vir, eles alegram no brilho da Divina Presença”.

 

Desde o Exílio, declara ele; A Chekhinah lamenta e Deus reza:

 

“Seja isto Meu testamento que em Meus procedimentos com Minhas crianças Minha clemência supera a Minha justiça”.

 

Algumas das sublimes porções da Liturgia de Roch Hachanah são atribuídas a Rab Shmuel de Nehardea[10], o seu companheiro, médico e astrônomo. É dele o princípio, baseado em uma expressão vocal de Jeremiah o Profeta que permitiu os judeus a viver e servir em países não-judeus.

 

Dina dmalkhutha dina, ele regeu; i.e., “em todos os assuntos civis, a lei da terra é para nós A Lei Divina”.

 

Dos outros dois nomes que durante cinqüenta e dois anos dirigiram a Academia de Sura, Achi que morreu em 427EC, combinou uma vasta memória com regularidade mental extraordinária e sistematizou a desconcertante massa de material talmúdico preparando-a para codificação. Essa codificação foi concluída finalmente por Rabina que morreu setenta e dois anos após, no ano 499EC. O homem é o autor do parágrafo final do Amidah:

 

“Preserva minha língua de calúnias e meus lábios da malícia que fala; faze que a minha alma fique calma na presença dos maus, sim, e seja humilde até que tudo torne ao pó[11]”.

 

Muitos tratados parecem ter sido editados por vários Amoraim antes da época de Achi e Rabina. Como no caso da Michnah, é também discutível se Achi e Rabina escreveram a Gemara babilônica ou apenas a organizaram oralmente. Posteriormente a visão de Rachi, e, em tempos modernos, de Luzzatto; ambos situam a escritura da Gemara dois séculos depois. Porém, outros estudantes contestam tais opiniões diante de impossibilidade absoluta de que tão vasta literatura, repleta de controvérsias complicadas, apenas durante uns dois séculos tenha sido organizada oralmente, fixada e transmitida com precisão[12].

 

EXTENSÃO

 

O Talmud babilônico é aproximadamente quatro vezes maior que a versão Palestina. Contém 5894 páginas livro, sendo normalmente impresso em doze volumes grandes, cujo formato de paginação é mantido uniforme em todas as edições. Só trinta e seis do sessenta e três tratados da Michnah são comentados no Talmud babilônico. Porém, a maioria dos assuntos omissos como tratados são discutidos[13] nas Gemarot de outros tratados.

 

TEXTO

 

É lógico que um trabalho volumoso como a Gemara babilônica, havendo passado pelas mãos de inúmeros copistas, não poderia ter permanecido livre de erros. Cinqüenta anos atrás, Rabbinowicz colecionou variantes para o Texto atual e examinou tudo sob luz de manuscritos, especialmente de manuscritos em Munique, que são textos que abrangem todo o Talmud e são datados do ano 1334. Em Munique se encontram os únicos manuscritos completos do Talmud em existência, devido ao zelo exacerbado dos cristãos[14], por meio dos papas, que freqüentemente consignaram carradas inteiras de manuscritos do Talmud para as chamas. Depois da invenção da máquina de impressão e de uma humilde, mas eficiente imprensa automatizada, censores estúpidos movidos por fanatismo [15]expugnaram não apenas as poucas passagens que se referem ao Fundador de Cristianismo[16], mas também muitos outros que por ignorância entenderam como sendo ataques disfarçados à sua religião. Só uma edição do Talmud escapou da desfiguração às mãos dos censores, depois de ter sido impresso na Holanda.

 

Parte V, uma resumida história do Talmud.


RELAÇÕES

 

Um pouco da história do Talmud. O que o Pentateuco havia sido aos Tannaim da Michnah, e a Michnah para os Amoraim, está na mesma relação de significado que o Talmud representa para épocas posteriores à sua conclusão. Na seqüência dos estudantes do Talmud que efetuaram pequenas adições no texto estão os Geonim “de gaón” das academias nos séculos sucessivos. Contudo a demanda para simplificação e explicação da complexa obra começou a se fazer uma prática constante. As decisões principais do Talmud foram classificadas na ordem das 613 mitzvot; e as porções de Halakha foram separadas da Haggadah e impressas. Foram escritos lustros posteriores, explicativos aos Textos de vários tratados. Há uma classificação mais detalhada, nas várias sucessões de estudantes Talmúdicos e suas participações que, contudo tem um escopo maior ou igual ao deste artigo e reservamos isto para um próximo tópico em nossa página.


O ESFORÇO DOS JUDEUS

 

A maior de todas as tentativas, para compreensão e do Talmud, atualmente indispensável, é o comentário de R Solomon Yitzchaki, conhecido como Rachi, de Troyes, na França. Rachi nasceu no ano 1040, o mesmo ano quando o exilarcado[17] era extinto na Babilônia. O comentário dele é uma obra-prima de síntese, precisão e clareza. Ele tem dois dos maiores e mais raros dons de um comentarista; o instinto para discernir o ponto ao qual a explicação é necessária com precisão e a arte de dar ou indicar a ajuda necessária no menor número de palavras possíveis para compreensão do assunto. Os rabinos franceses do 12º e 13º século continuaram o esclarecimento do Talmud por meio de lustros, gerando um tópico que ficou conhecido como Tosafoth. A Tosafoth, junto com os comentários de Rachi, estão impressos em todas as edições regulares do Talmud. Enquanto isso, o gênio de Maimônides iluminou a Michnah no seu comentário árabe; e pelo seu empreendimento gigantesco chamado Michneh Torah ou Yad Hachazakah, escrito no neo-hebreu (hebreu michinaico), que ele compôs introduzindo uma ordem lógica e classificação no labirinto talmúdico. Em 1567, R Joseph Caro produziu o Chulkhan Arukh em que todos os direitos civis e da vida judaica, foram classificados de acordo com os assuntos, e que estão ainda em vigor atualmente. Este trabalho, anotado por R Moses Isserles de Cracóvia em 1571, é a última codificação autorizada da Halakhah[18] e estimulou muitos comentários e supercomentários.


O ESFORÇO DOS NÃO JUDEUS

 

Durante todos estes séculos, a atitude não-judaica relativa ao Talmud permaneceu constante e de uma hostilidade implacável. Desde então o Talmud entrou em existência quase antes mesmo de existir de forma palpável e que em certo ponto de vista foi tratado como um ser humano judeu, como se observa nas palavras de Emanuel Deutsch.

 

Foi proscrito, preso e queimado, por mais de cem vezes. Os reis e imperadores, papas e os oponentes dos papas, competiram entre si lançando anátemas e bulas e éditos de confisco por atacado e a conflagração contra este livro desafortunado. Nós nos lembramos, porém de uma exceção sensata nesta confusão de manifestos. O rei clemente V, em 1307, antes de condenar o livro, desejou conhecer algo sobre seu conteúdo, mas ninguém havia para lhe explicar! Ao que ele propôs que fosse implantado para este objetivo, centro de estudos, nas Universidades de Paris, Salamanca, Bolonha e Oxford, do Hebraico, Caldeu e o Árabe, uma vez sendo as três línguas mais próximas para o idioma no qual o Talmud fora escrito. Ele esperou, por algum tempo que uma destas Universidades viesse produzir uma tradução do livro misterioso. O que nunca veio a acontecer! O processo de destruição da obra foi expedido e recorrido novamente e novamente e novamente para, então ser executado não apenas nas únicas cidades de Itália, e França, mas ao longo de todo Santo Império Romano.

 

John Reuchlin, o grande humanista, foi o primeiro sugerir a preservação do livro argumentando que se o Talmud contivesse mesmo ataques ao Cristianismo, seria melhor mantê-lo para interpor-lhe os argumentos contrários. ‘Queimando-o,’ ele disse, ‘constitui-se  apenas um argumento brutal.’ A Defesa de livros judeus e os salvar da destruição por fanáticos histéricos se tornou o a palavra de ordem de todos os que representaram a liberdade religiosa. E não foi por acaso e nem acidente que, em 1520, Luthero queimou a bula Papal em Wittenberg no mesmo ano em que a primeira edição completa do Talmud Babilônico foi impressa. Então se seguiram dois séculos de atividade febril entre clérigos cristãos, não para se tornarem mestres no conhecimento Talmúdico, mas por pura intenção de aprender o que havia no livro. Já por nosso tempo, estudantes não-judeus como George Foot Moore na América, Travers Herford na Inglaterra e Wuensche e Strack na Alemanha pré Nazista, submeteram-se ao misticismo dos estudos Rabínicos em causa própria causa e confessaram como sendo indispensável para a elucidação de problemas fundamentais no mundo de Religião. Uma tradução completa do Talmud Babilônico, em alemão, de acordo com texto original, de 1520 em Veneza, foi empreendido por L. Goldschmidt em 1897.


RELIGIÃO NO TALMUD

 

Uma teoria sem igual da vida religiosa é elaborada completamente no esquema Talmúdico. Não se restringindo apenas ao culto espiritual, a religião no Talmud se propõe abranger o todo da vida humana com o senso da lei e do direito. Nada há do ser humano, do complexo ao trivial lhe escapa; tudo é regulado e santificado através da prática religiosa, envolvendo o homem sua vida material com o espiritual. Preceitos e deveres religiosos acompanham o homem desde sua idade racional até a sepultura. Eles guiam seus desejos e ações em cada momento. Seja comida, o trabalho e o descanso, o dever cívico e a vida familiar; tudo é posto sob a disciplina da Torah, uma disciplina aceita voluntariamente e com alegria. Qualquer segmento religioso que tentar regulamento semelhante estará sob o sistema Talmúdico; sistema que consiste na aplicação da idéia religiosa em sua perfeição, enelvando o espírito sem desvincular o homem da sua natureza física. Nas palavras de Arsène Darmsteter: Aos nossos olhos, este é o seu titulo: De grande respeito pelos pensadores. No judaísmo nós temos a mais completa expressão da idéia religiosa. Finalmente. Zangwill descreve o Judaísmo dos Rabinos como: Um código que permite ao intelecto e as emoções especular livremente e desejar saber, para produzir filosofia e poesia, mas que prende a intenção, deixando o espírito livre para transcender a lei em amor e abnegação, mas não se limitar a isto; de forma que até mesmo esses que para religião; não tiveram ouvido musical para a melodia da vida...

 

CONCLUSÃO

 

O resumo do que foi dito indica que o Talmud não é um trabalho literário ordinário. Não suporta nenhuma semelhança a qualquer outro trabalho de produção literária, mas às formas de seu próprio mundo e por isso deve ser julgado de acordo por leis próprias. A antiga metáfora dos hebreus sobre “Oceano do Talmud”, é útil e apropriada à compreensão de sua natureza. O Talmud realmente é um oceano, e como tal vasto em extensão, insondável a fundo; como senso de imensidão e movimento. Sua grande superfície é, às vezes larga é às vezes lisa e calma, para outros perturbadas por ondas de argumento e britadores de discussão, tempestuoso com afirmações e refutações. E como o oceano, também se enxameia com mil formas variadas de vida. E como é difícil dizer o que não está nele, o que é? Todo o que navega com firmeza este mar de conhecimento deve saber operar a sua bússola e o leme da sua embarcação, i.e., seu idioma e modos de pensamento; e com a orientação de um mestre experiente, para adquirir o conhecimento e inspiração entesouradas nas suas páginas indestrutíveis. O aspecto maior do Talmud relaciona-se ao povo de que origina na façanha de preservá-lo da degradação intelectual e moral, mesmo ao longo dos séculos de trevas e perseguições, entre os que não compartilharam dos seus princípios. Espero que a apresentação sucinta breve do Talmud como um livro possa ajudar não apenas os admiradores, mas também aos oponentes a entender os seus objetivos e porque afinal sem as mínimas condições políticas e sociais ele foi preservado e hoje é discutido com tanto interesse.

 

Este artigo foi compilado, resumidamente a partir da obras de vários autores e se destina ao nosso aprendizado. Talvez nossa tradução não venha a contemplar todas as palavras e frases que poderiam esclarecer ainda mais o pensamento dos sábios, porque nosso hebraico, embora prático de vida, não é tão erudito a ponto de ser perfeito. Alguns customizados com as notações de transliteração achkenazitas talvez tenham a dificuldade de entender nossas transliterações.

 

Para ס ou ש – usamos ch, para ח usamos ĥ, para כ ou ק utilizamos - kh

 

Mello Corrêa


[1] Interessante notar que, embora tenha havido outros povos antigos, elas não influenciaram e nem determinaram regras à civilização atual.

[2] O paganismo compreende uma série de tradições marcadas pela devoção à natureza e a crença em vários deuses. Admite-se que suas origens estejam na pré-história onde vários povos praticavam rituais à natureza, pois acreditavam que a Terra era sagrada e seus elementos eram associados a divindades. A prática de sacrifícios em geral, seja de animais ou humanos, tiveram origem no paganismo.

[3] Do verbo lalekhet (ללכת) que significa andar. Este mesmo verbo aparece em sua forma imperativa (sman tzvui) no início da parachá Lekh Lekha. Outras formas ainda são: הליך (costume, procedimento)   הליכה(modo de andar; conduta). É ainda o significado da Lei judaica.

[4] Admite-se a origem dos Saduceus ao sacerdote Tzadok, daí serem também chamados de tzadukim.

[5] Interessante notar este comportamento dos rabinos em geral; trabalhar para o seu próprio sustento, o que é contrário às práticas de líderes religiosos atuais que vivem às expensas dos que os cercam alegando que sejam homens de D’us. Esta é a diferença marcante e que não deixa dúvidas.

[6] Essa palavra  (מסכת) também significa trama como num tecido.

[7] Tannaim refere-se aos que estudaram a Tanakh, a Bíblia hebraica. As michnaiot nada mais eram que as explicações de trechos da Tanakh.

[8] Alguns atribuem estas palavras ao Rambam.

[9] Já comentamos neste artigo que entre várias mischnaiot, porém a Michnah de Rab foi eleita como a mais correta e leva, portanto o título de “A Michnah”.

[10] Uma das cidades onde se concentravam os sábios na Babilônia.

[11] As traduções diferem quanto às palavras de Rabina, por exemplo, no Sidur Completo© de Jairo Fridlin.

[12] A lógica nos leva também a esta conclusão, porém não é nosso objetivo neste artigo definir como foi compilada a Gemara senão estudar os fatos e atos que produziram essa jóia da literatura judaica.

[13] Aliás, esta mais uma característica do Talmud que justifica a necessidade de formação, pois como entender um assunto referente a um tratado nas entrelinhas dos demais?

[14] Seria injustiça atribuir estas ações apenas a iniciativa dos líderes máximos da Igreja Cristã, uma vez que as causas e palavras que permitiram as ações de extermínio da cultura judaica ainda hoje se encontram no mais sagrado legado dos cristãos: O Novo Testamento, infelizmente.

[15] Se alguns textos foram destruídos pelos censores, outros também o foram, é perfeitamente provável. Isto somente trouxe prejuízos ao conhecimento histórico dos cristãos sobre ele, aliás, o que é de grande carência na história cristã.

[16] Jesus cujo nome hebreu é Iechua.

[17] Exilarcado; de exilarca, ou seja; o líder oficial dos judeus da galut, ou exílio.

[18] Nesse caso a palavra representa a Lei Judaica, propriamente dita, denota as regras que norteiam e validam o judeu enquanto judeu, as normas de vida e rituais, a cachrut, etc.

 

 
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