Berakhot 58a 

NOSSA INTERPRETAÇÃO E COMENTÁRIOS

Atualidades
  Política
  Personalidades
  Comunidade

  Artigos

 

Beit Midrach

  Torah
  Talmud
  Cabalah

  Hebraico

 

Judaísmo
  Halakha
  Cachrut

  Chabat
  Parachá
  Festividades

  Bnei anusim

 

Ciência
  Artigos 


Este capítulo 58, parte a, do tratado Berakhot, pela complexidade do texto tem causado interpretações equivocadas. O que se deduz desta prática é que com leituras superficiais antes de aprender, será possível confundir os que desconhecem por completo o esforço dos sábios. Diga-se de passagem, que nenhuma parte do Talmud pode ser lida e vista sem estudo, caso contrário não será entendida. Nossos comentários estarão sempre em azul.

 

Berakhot 58a

 

R Yeremiah Ben Eleazar disse: Quando Babilônia foi amaldiçoada [caiu em desgraça], os vizinhos dela também foram amaldiçoados [caíram em desgraça]; mas quando Samaria foi amaldiçoada [caiu em desgraça], os vizinhos dela foram santificados. 'Que quando Babilônia foi maldita os vizinhos dela foram malditos', como está escrito: Eu também farei dela uma posse para o batedouro e piscinas de água. 'Quando Samaria foi amaldiçoada os vizinhos dela foram santificados', como está escrito: Então eu farei de Samaria um montão [de pedras] no campo, um lugar para a plantação de vinhedos.

 

 De fato quando da maldição de Babilônia, ela não foi destruída, mas ainda continuou existindo e por isso também sua influência continuou sendo expandida [nos vizinhos], ou seja, os seus adeptos ou nos adeptos de sistemas influenciados por toda forma de idolatria que se praticava ou decorria de prática sob sua influência. Já com Samaria ocorre o contrário, pois com sua destruição “montão [de pedras] no campo” a influência da sua desobediência e idolatria não se propaga mais aos seus [vizinhos], por isso eles foram santificados em vista de se privarem da sua orientação.

 

R Hamnuna mais adiante disse: Se a pessoa vir um ajuntamento de Israelitas, ele deveria dizer: Abençoado é Ele quem revela os segredos. Se ele vir um ajuntamento de pagãos, ele deveria dizer: Sua mãe será envergonhada, etc.  Nossos Rabinos ensinaram: Se a pessoa vir um ajuntamento de Israelitas, ele diz, Santificado é Ele que desvenda segredos, devido a que a mente de cada é diferente da [mente] do outro, da mesma maneira que a face de cada é diferente da [face] do outro.

 

O ajuntamento de israelitas pré supõe que estejam ouvindo a Torah, por isso é que ele abençoa. No caso da frase “Ele quem revela os segredos” é explicado mais à frente quando compara as diferenças de faces e mentes ante a Torah que está sendo ouvida. Evidentemente se refere às diferentes manifestações da alma dos ouvintes, e este é o segredo que se revela: “os segredos dos corações”. No caso de pagãos a frase “Sua mãe será envergonhada” também se refere a se ouvir a Torah, com a diferença de que estes ao contrário não se reúnem para ouvi-la ou a ouvem sem atenção. O que então estariam ouvindo? Então é por isto que a frase é dita e não apenas porque sejam pagãos, embora indiretamente seria, mas isso não é totalmente verdadeiro uma vez que se houver uma reunião de pagãos que se propõe a ouvir a Torah também os segredos dos corações serão revelados! Como foi dito que todo o que estuda a Torah, mesmo [ele pense] não sendo para seu benefício, contudo será para o seu benefício.

 

Ben Zoma, uma vez, viu uma multidão em um dos passos do Monte do Templo. Ele disse, Santificado é Ele que desvenda os segredos e santificado é Ele que criou todos estes para me servir. [Porque] ele usava dizer: Que trabalho teve o homem de levar a cabo antes que obtivesse pão para comer! Ele arou, ele semeou, ele colheu, ele saltou, ele bateu e joeirou e selecionou as orelhas, ele colocou no chão [eles], e peneirou [a farinha], ele misturou e assou e então afinal ele comeu; considerando que eu me levanto, e acho todas estas coisas feitas para mim. E quanto trabalho o homem teve que levar a cabo antes que obtivesse um artigo de vestuário para usar! Ele teve que tosquiar, lavar [a lã], pentear, girar e tecer e então afinal ele obteve um artigo de vestuário para usar; considerando que eu me levanto e acho todas estas coisas feitas para mim. Todos os tipos de artesãos vem cedo à porta de minha casa e eu me levanto pela manhã e acho tudo isso diante de mim.

 

Na analogia de Ben Zoma que aparentemente considerava todos os outros homens como seus servos, de fato nada tinha que fazer senão recolher dos trabalhadores o seu produto, embora pagando [ou alguém pagasse] por isso ele aproveitava muito mais do trabalho dos outros do que os que trabalhavam para gerar os produtos. De fato quem produz tem menos vantagem do que aqueles que consomem a produção. Consome-se parte da vida para produzir em vista de aborrecimentos, cansaço e exaustão, ao contrário o consumidor prolonga a sua vida, repousa e revigora suas forças sobre o trabalho do produtor. E é exatamente isso o que fazemos todos nós [consumidores] até hoje. Porque o que produz tem ao menos quatro problemas reais: Investir recursos pessoais, custear a produção, pagar os impostos e enfrentar a concorrência que muitas vezes avilta o preço, e não apenas o diminui!

 

Ele também dizia: O que diz um bom convidado? 'Quanta dificuldade que meu anfitrião suportou por mim! Quanta carne ele juntou diante de mim! Quanto vinho ele juntou diante de mim! Quantos bolos que ele juntou diante de mim! E toda a dificuldade que ele suportou só foi para mim!' Mas o que diz um convidado ruim? 'Quanto do meu se tirou afinal de contas o anfitrião? Eu comi um pedaço de pão, eu comi uma fatia de carne, eu bebi uma xícara de vinho! Toda a dificuldade que meu anfitrião suportou só foi por causa da sua esposa e as suas crianças!'

 

Evidentemente o homem que se preocupa e que produz o efeito do bom convidado, de fato a única recompensa que recebe é o reconhecimento de quem ele tratou bem, enquanto o outro que não deu tanto ao seu convidado, contudo é temido [respeitado] e isso se refere que, os que dão mais valor a si mesmos têm uma vida mais confortável, tanto para si quanto para os seus, do que aqueles que dão maior valor aos convidados e muitas das vezes não tem o mesmo ou por esta causa lhes falte para dar aos seus. Ora se quisermos fazer uma analogia poderemos considerar que o anfitrião que quer agradar o convidado é a própria figura de Israel. E quanto trabalho e sofrimento Israel teve que levar a cabo antes que obtivesse a Torah [que significa o pão]. E quanto trabalho e sofrimento Israel teve que levar a cabo antes que obtivesse o perfil do homem que se aproxima de D’us e Sua Tora [que significa a roupa]. No entanto um convidado agiu como mau convidado nos maltratando por meio de mortais perseguições, de tal forma que se pode aplicar o dito acima: Mas de um convidado ruim está escrito: Homens o temam [respeitem] então; ele considera que nem todo que age assim [como nós] é sábio de coração. Não é isto o que Paulo de Tarso escreve, que nós não temos sabedoria para servir a D’us? No entanto ele utiliza a nossa escritura. Ora é apenas uma analogia, mas que se aplica como nenhuma outra, principalmente quando se fala do que eles têm nas mãos [Tanakh] e de onde veio e a que custo!

 

O que diz Escritura de um convidado bom? Se lembre que tu engrandeceste os seus trabalhos; a respeito de que um homem tem cantado. Mas de um convidado ruim está escrito: Homens o temam então; [ele considera que nem todo que assim age é sábio de coração].

 

Em relação a este trecho do parágrafo a frase “se lembre que tu engrandeceste os seus trabalhos” pode ser relacionada com a história de Adão em confronto com a serpente em que, após o evento do pecado, recebe do Criador a tarefa de trabalhar suando o rosto para conseguir o sustento [comerás o teu pão com o suor do teu rosto], porém a serpente nada tem a fazer do que rastejar na profícua terra e dela retirar tranqüilamente o seu sustento sem ter que prepará-la apenas por fazer o que lhe é próprio perambulando pela Terra. Essa maldição, lançada à serpente, à primeira vista, mais parece ser uma bênção enquanto a palavra dirigida a Adão, aparentemente se configura em punição. E pegamos aqui um gancho para o Tanya quando explica que “o Criador permitiu que existisse o mal porque sem este o homem viveria sem se esforçar”. Não havendo batalhas também não há vitórias, pois a existência humana adquire significado quando se empenha na luta entre o bem e o mal: A bondade ganha força e a justiça torna-se prática quando o bem vence o mal. Aqui também podemos pensar no Tikun que segundo a Cabala significa retificação espiritual, ou seja; invertendo-se o mau uso das bênçãos recebidas por ocasião da criação, santifica-se o que foi contaminado. Há um exemplo na bênção “borê pri hagafen” quando o homem santifica, através da prece, um elemento envolvido na queda, pois segundo a tradição dos sábios o tal fruto proibido, no gan-édem era o fruto da videira.

 

E o homem era um homem velho pelos dias de Chaul, ferido em anos entre homens. Raba (ou, como alguns dizem, R Zebid; ou novamente, como alguns dizem, R Ochaia) disse: Este é Jesse, o pai de David que saiu com uma multidão e entrou com uma multidão, e expôs [a Torah] para uma multidão. 'Ulla disse: Nós temos uma tradição que não há nenhuma multidão  na Babilônia. Foi ensinado: Uma multidão não é menos de sessenta miríades.

 

Jessé é a figura de Israel, ao oferecer a Torah para uma multidão. Novamente por analogia, se referindo à Babilônia é dito que [segundo nossa tradição] não há nenhuma multidão na Babilônia. Ora o judaísmo, enquanto se ensina do judaísmo, nada há que pertença ou faça “vizinhança” de conceitos da Babilônia. Mas por quê não havia uma multidão na Babilônia? Porque não havia uma multidão de sessenta miríades ouvindo a Torah. Ao citar Jessé, por analogia também refere a era messiânica, pois o Rei Messias será um ascendente do Rei David, filho de Jessé, que trará [a Torah] para MULTIDÃO de homens de todo Mundo e não apenas aos israelitas e com ela o futuro de paz e felicidade.

 

Nossos Rabinos ensinaram: Em ver as Sagas de Israel a pessoa deveria dizer: Abençoado seja Ele que tem dado da Sua sabedoria; por isso eles O temem. Em ver as Sagas de outras nações, diz a pessoa, Santificado seja Ele que eles deram da sabedoria dEle para as Suas criaturas. Em ver os reis de Israel, diz a pessoa: Abençoado seja Ele que tem dado da Sua glória; por isso eles O temem. Em ver os reis não-judeus, diz a pessoa: Abençoado seja Ele que eles deram da glória dele para as Suas criaturas.

 

Superficialmente, o que não lê estas linha com bons olhos, conclui que os Reis dos não-judeus não tem sabedoria e nem glória e se a têm não é outra senão aquela que for transmitida por Israel, logo como se fossem inferiores relativamente aos judeus. Este não é o verdadeiro sentido do texto, mesmo sendo uma dedução simples e direta, porém empírica porque é necessário saber que a gloria recebida pelos Reis de Israel, não vêm de si mesmos senão dAquele que tudo criou. Apenas Israel têm sido usado como um veículo das Sagas que vêm diretamente do Criador. De fato os não judeus até certo tempo, e alguns até hoje ainda são idólatras, logo não possuindo a sabedoria. Neste caso se o israelita também for um idólatra, ele também cai no mesmo artigo. Todos haverão de concordar em que se a sabedoria e a glória não vêm do Criador, Único em Sua unicidade, não é válida. Porque então esta tarefa foi dada aos Bnei Yisrael? Provavelmente a forma de saber isto, de forma precisa, esteja com Ele que atribuiu essa responsabilidade aos israelitas.

 

R Johanan disse: Um homem sempre deveria correr e se mostrar para conhecer um rei dos Israelitas; e não só um rei de Israel mas também um rei de qualquer outra nação, de forma que se ele é julgado merecedor,  ele poderá distinguir entre os reis de Israel e os reis de outras nações.

 

Nas palavras de R Johanan fica claro que é estabelecida a equivalência entre os Reis sejam ou não judeus, pois a instituição dos poderes de governo é uma providência divina, embora temporária é vinda dEle, não se pode considerá-la livre de erros e mesmo pecados, pois trata-se de investir homens desta autoridade, sendo que muitos nem são monoteístas na forma da Torah. No caso do poder de governo, provavelmente foi citado o Rei porque a lição sobre o tema somente teria na época um Rei como governante, logo exemplo. De fato até hoje, em nossa época estes ensinamentos talmúdicos são válidos e observados de fato e isto pode ser visto sempre que um dignitário governante de uma nação ou país se dirige a outro é recebido com as mesmas honras. Evidentemente isso ocorre se as nações envolvidas se reconhecem como amigas então dá prática ao fato, porém mesmo inimigas, não se desobrigam do mesmo respeito que poderá ser quebrado pela declaração de guerra. Neste caso se verifica que a autoridade, embora atribuída ao homem, não lhe pertence como direito absoluto senão temporário, pois mesmo em caso de guerra, no pós guerra as autoridades subseqüentes serão consideradas e respeitadas, observados os limites, como tais. Logo não ha nestes trechos, nenhuma ofensa aos não-judeus, senão ensinamentos dados a todos; judeus, não judeus e até aos idólatras, sobre a organização da autoridade governamental praticada no Mundo atual.

 

R Checheth era cego. Quando todas as pessoas saíram para ver o rei, e R Checheth surgiu e foi com eles. Um certo Saduceu  se encontrou com ele e lhe disse: Os lançadores inteiros vão para o rio, mas onde o quebrado vai? Ele respondeu: Eu mostrarei para você que eu sei mais que você. A primeira tropa passou e um grito surgiu. Disse o Saduceu: O rei está vindo. Ele não está próximo, respondeu R Checheth. Uma segunda tropa passou e quando um grito surgiu, o Saduceu disse: Agora o rei está vindo. R Checheth respondeu: O rei não está próximo. Uma terceira tropa passou e havia silêncio. Disse R Checheth: Agora realmente o rei está vindo. O Saduceu disse a ele: Como você soube isto? — Ele respondeu: Porque a realeza terrestre está como o divino. Por isto está escrito: Vá adiante e se levante no monte diante de Senhor. E vê, Senhor passou e um grande e forte vento alugou as montanhas e fez em pedaços as pedras diante de Senhor; mas o Senhor não estava no vento; e depois do vento um terremoto; mas Senhor não estava no terremoto; e depois do terremoto um fogo; mas Senhor não estava no fogo; e depois do fogo uma voz mansa e suave. Quando o rei veio, R Checheth disse a bênção sobre ele. O Saduceu lhe disse: Você, diz uma bênção para quem você não vê? O que aconteceu àquele Saduceu? Alguns dizem que os companheiros dele tiraram os olhos dele; outros dizem aquele R Checheth lançou os olhos dele nele e ele se tornou um montão de ossos.

 

O exemplo que cita R Checheth tem uma definição da fé judaica a começar em Devarim 4, 9 a 12 no texto hebreu, principalmente no verso 12 onde se diz: Vaidaber Ad’ ‘aleikhem mitokh haech, qol devarim atem chome’im, utmunah ‘einkhem roim; zulati qol. – E vos falou o Eterno do meio do fogo e palavras ouvistes e nenhumas imagens viram, apenas uma voz. Evidentemente o Saduceu [do exemplo] representa a idéia que “só acredito no que eu vejo” e “nada há senão viver e morrer”. Por outro lado, R Checheth era um fariseu. A figura do cego pode ser aplicada a Israel exatamente por isso; que o Eterno não tem e nem pode ser representado por nenhuma imagem, e a fé que Israel tem é de crer NAQUELE que não pode ser visto, mas é real! De fato não há outra forma, seja para judeus e não judeus senão esta de buscar e adorar ao Eterno que não pode ser visto, evidentemente sem vê-lo. Ora a presença divina é inquestionável  para cada ser humano e se verifica pela lógica da criação em que as coisas criadas, ou inventadas por Ele, jamais poderiam surgir por si mesmas. Como então saber que Aquele que não tem forma poderá nos ouvir pelos recursos  materiais que possuímos? É simples: Ele fez os ouvidos para que se possa ouvir, logo Ele também nos ouve. Ele criou a boca, entre outras coisas para que falemos, logo também fala de forma que o mesmo dispositivo é válido nessa comunicação de falar e ser ouvido, das replicas e tréplicas, etc. Pois, pela lógica da criação, nada Ele faz ou fez que seja inútil, mas tudo têm um propósito e cada ser saberá isso na época certa. Isto se aplica a todos os outros órgãos pelos quais nos reportamos ao Criador; não é necessário nenhum outro recurso de que já não dispomos. De fato é pela intenção do coração que os sons são emitidos de nós para o Criador, mas dEle para nós há várias formas de passar as respostas, contudo na Torah e dito: "e ouvireis as minhas [dEle] palavras"

 

R Chila administrou chicotadas a um homem que teve relacionamento com  uma mulher egípcia. O homem foi e informou, contra ele, ao Governo, dizendo: Há um homem entre os judeus que executa julgamento sem permissão do Governo. Um funcionário foi enviado [para chamar] ele. Quando ele veio lhe foi perguntado: Por que você açoitou aquele homem? Ele respondeu: Porque ele teve relacionamento com uma burra.

 

R Chila classificou uma mulher egípcia de burra! De fato a mulher agiu de forma irracional à semelhança de uma burra, no conceito dele, por ter aceitado relacionar-se com o judeu, e não, que fora considerada uma burra [um animal irracional] por ser não judia. Não havia garantias futuras para ela e seus filhos, na hipótese de engravidar, diante da Torah e o israelita estaria agindo de má fé porque sabia que este relacionamento não era permitido, por isso foi chicoteado com justiça como ordena a Torah. A interpretação tendenciosa isolando um texto do seu contexto faz com que se troque o seu real sentido, e este tem sido um trunfo utilizado pelos contrários para justificar seus comentários maldosos.

 

Eles disseram a ele: Tem testemunhas? Ele respondeu: Eu tenho. Eliahu entrou logo após na forma de um homem e deu evidência. Eles disseram a ele: Se isso é o caso que ele deveria ser posto a morte!

 

Testemunhas do quê? Da relação de um homem com um animal? Ao que parece no contexto a história não foi contada na sua totalidade, pois não há relatos que R Chila comparou uma mulher egípcia com uma burra. A reação do juiz parece relacionar-se com a hipótese de ter conhecimento sobre o que a Torah ordena a pena de morte aos que praticam sexo com animais, ou também esta seria uma lei imposta pelos próprios romanos.

 

Ele respondeu: Considerando que nós fomos exilados de nossa terra, nós não temos nenhuma autoridade para condenar alguém a morte; Faça você, isso com ele que isso te é um favor. Enquanto eles estavam considerando o caso dele, R Chila exclamou, Tua Oh Senhor, é a grandeza e o poder. O que está dizendo você? Perguntaram-lhe. Ele respondeu: O que eu estou dizendo é isto: Abençoado é o Todo-misericordioso Que fez a realeza terrestre no modelo do divino e o investiu com domínio e feito vocês os amantes da justiça. Eles disseram a ele: Você é tão solícito para a honra do Governo? Eles lhe deram um pessoal  dizendo-lhe: Você pode agir como juiz. Quando ele saiu aquele homem disse a ele: O Todo-misericordioso executa milagres para mentirosos? Ele respondeu: Infeliz! Eles não são chamados asnos? Por isto está escrito: De quem a carne é como a carne de asnos. Ele notou que o homem estava a ponto de os informar que ele os havia chamado de asnos. Ele disse: Este homem é um perseguidor e a Torah disse: Se um homem vem o matar, sobe cedo e o mate primeiro. Assim ele o golpeou com o pessoal e o matou.

 

O juiz que julgou R Chila foi comparado a um asno. Por quê? Porque agiu de forma imprudente conferindo autoridade de juiz, com pessoal e tudo, baseando-se num elogio exagerado, emitido por um homem que estava sendo julgado por ele. De fato fazendo parte dos corruptos e injustos dominadores romanos eles sabiam de sobra que não eram amantes da justiça. E nem que a realeza que representavam se baseasse no modelo divino. E, por outro lado, mesmo que a realeza terrestre seja baseada no modelo divino, a deles, principalmente, jamais poderia ser considerada como idêntica. Aqui para nós, com toda sinceridade diante da inversão total das funções do juiz romano ao julgar R Chila, ele teria agido como? Como um sábio e prudente juiz? Logo ele não foi comparado com um asno por ser um não judeu, mas sim por suas ações em que evidenciou utilizar a autoridade que representava, a maior que um homem pode exercer, com fins de massagear o seu próprio ego, o que lhe daria, como recompensa, no máximo um falso elogio! Fica óbvio que, para este juiz romano, a justiça que representava não valia absolutamente nada e nem haveria garantias de que todos os julgamentos que fizera até então não estavam contaminados pela injustiça! E assim como ele, todos os ministros que o rodeavam, pois sabiam que não havia justiça da sua parte. De fato, até por uma questão de justiça, deveríamos sim imaginar qual seria a opinião de um asno, ao ser comparado com pessoas cujos escrúpulos inexistiam diante de assuntos de suma importância e prioridade!

 

Ele disse então: Considerando que um milagre foi forjado por mim por este verso, eu exporei isto. 'Tua Oh Senhor, é a grandeza: isto recorre ao trabalho da criação; e assim diz: Quem fez grandes coisas fora achado passado. 'E o poder': isto recorre ao Êxodo do Egito, como diz: E Israel viu o grande trabalho, etc. 'E a glória': isto recorre ao sol e lua que ficaram parados para Yehochua, como diz: E o sol ficava parado e a lua parou. 'E a vitória [nezah]': isto recorre à queda de Roma,  como diz: E o sangue da vida deles [nizham] manchou a minha roupa. 'E a majestade': isto recorre à batalha dos vales de Arnon, como diz, Portanto o livro das guerras de Senhor diz: Vaheb em Supah e os vales de Arnon. 'Por tudo que está no céu e na terra': isto recorre à guerra de Sisera, como diz: Eles combateram diante do céu, as estrelas nos seus cursos lutaram contra Sisera. 'Teu é o reino, O Senhor': isto recorre à guerra contra Amalek. Por isso assim diz: A mão está sobre trono do Senhor, o Senhor terá guerra com Amalek de geração para geração. 'E Tu será exaltado: isto recorre à guerra de Gog e Magog; e assim diz: Veja eu estou contra você, Oh Gog, príncipe chefe de Mechekh e Tubal. 'Como cabeça acima de todos': R Hanan Ben Raba disse no nome de R Johanan: Até mesmo um marujo  é designado do céu. Foi ensinado em um Baraitha no nome de R Akiba: Tua ó Senhor é a grandeza: isto recorre ao partir do Mar Vermelho. 'E o poder': isto recorre ao golpear do primogênito. 'E a glória': isto recorre à outorga da Torah. 'E a vitória': isto recorre a Jerusalém. 'E a majestade': isto recorre ao Templo.

 

Como se viu tudo aqui se explicaria como parábolas cuja finalidade é que consideremos sobre a vida do ser humano, suas atitudes e os resultados da sua participação. Há falhas significativas nos homens e muitas e não se pode justificar nem fanatismo e nem extremismos de quem quer que seja, que D’us nos guarde de cairmos nesse artigo. Os judeus conhecem muito bem, e na pele, os efeitos da segregação dos contrários à nossa fé sagrada.

 

____________________________________________________________

 

1.        Ibid. Toda a vizinhança da Babilônia ficara desolada.

2.        Micah 1, 6.

3.        Lit., Entendido em segredos. Vi., Os segredos de cada coração, um coração é diferente do outro, etc...

4.        Jer. 50, 12.

5.        Apenas um glossário marginal.

6.        Job 36, 24.

7.        Ibid. 37, 24.

8.        I Sam. 17, 12.

9.        Assembléia de israelitas para ouvir a Torah.

10.     Do ano messiânico.

11.     MS.M.min.

12.     Como muitos dizem: Qual a forma de um homem cego ver o Rei.

13.     1 Malakhim 19, 11f.

14.     Var. lec. Gentio.

15.     I Chron. 29, 11.

16.     Ou talvez, 'correria' (J.T.).

17.     Ezek. 23, 20.

18.     Essa lição é derivada pelos rabinos a partir de Êxodo 22, 1 que declara ser legítimo matar um assaltante que se prepara para cometer um crime.

19.     Yob. 9, 10.

20.     Ex. 14, 31.

21.     Yehochua. 10, 13.

22.     MS.M.: O mau reinado.

23.     Isa. 53, 3.

24.     Num. 21, 14.

25.     Chofet. 5, 20.

26.     Ex. 17, 16.

27.     Ezek. 38, 3.

28.     Um homem que fechou completamente um poço a partir do qual os campos são irrigados — um serviço doméstico.

 

Mello Corrêa

 
Hosted by www.Geocities.ws

1