|
A CUALTURA DO COQUEIRO ANÃO: Queda
Prematura de Frutos
Luís Camboim
INTRODUÇÃO
As espécies vegetais cultivadas exigem
condições específicas de clima, suprimento de água
e nutrientes, em quantidade e distribuição adequada, para
desenvolverem-se e atingirem máxima produção. Na cultura
do coqueiro anão, a exigência é intensificada, já
que a planta produz continuamente, durante todo o ano. Caso essas condições
sejam adequadas, o coqueiro emite uma nova folha a cada 21 dias e junto
a ela uma inflorescência. A diferenciação das flores
femininas ocorre no palmito e a sua emissão dura em torno de doze
meses. Quando a espata se abre e a flor é polinizada, ocorrendo
o pegamento o fruto este se desenvolve e são colhidos após
seis meses. A conseqüência do padrão de desenvolvimento
da inflorescência em uma planta de coqueiro anão será
a reação imediata ao não atendimento das exigências
de clima, água e nutrientes é uma redução na
produtividade, Desta forma, haverá uma queda prematura de frutos,
os quais a planta não será capaz de manter até o ponto
de colheita. Outro fator importante também relacionado à
queda de frutos prematuros está associado ao controle de pragas
e doenças, devido a um inadequado manejo fitossanitário.
FATORES LIGADOS
À QUEDA PREMATURA DOS FRUTOS
Na cultura do coqueiro, um dos baixos índices
de produtividade é atribuído à elevada queda prematura
de frutos. É comum ocorrer na cultura a queda, de até 75
% dos frutos jovens da emergência da espádice e até
algumas semanas após a polinização. A queda de frutos
na cultura do coqueiro se deve à associação de uma
série de fatores.
Destacam-se entre esses, os relacionados a
seguir:
-
FATORES FISIOLÓGICOS:
No coqueiro anão verde, as flores masculinas e femininas amadurecem
aproximadamente ao mesmo tempo, ocorrendo normalmente autofecundação.
No entanto, entre os ecotipos do coqueiro anão, o nível de
autofecundação é variável e ocorre de acordo
com as condições locais e de cultivo. Sendo assim alguns
frutos caem por falhas de polinização, sendo atribuídas
a causas fisiológicas, que determinam uma queda normal, comparável
àquela das árvores frutíferas em geral. Muito pouca
queda ocorre em seguida a esse período inicial, a não ser
que as condições sejam extremamente desfavoráveis.
Há também variação sazonal no número
de flores femininas formadas em cada inflorescência consecutiva e,
portanto no número de frutos produzidos.
-
FATORES NUTRICIONAIS:
A condição nutricional da cultura do coqueiro e extremamente
importante à produção. A quantidade de nutrientes
extraídos pela cultura poderá atingir valores elevados, considerando-se
que a produtividade pode situar-se entre 150 a 400 frutos/planta/ano a
partir do 3o ano de produção (5o ano de cultivo). A planta
quando apresenta deficiência nutricional ocasiona considerável
queda dos frutos e baixa produtividade, já que os pegamentos dos
frutos determinam o tamanho da safra. Verifica-se também que o índice
de pegamento de frutos diminui após uma safra abundante, como conseqüência
de condição nutricional exaurida. Para manter uma produção
constante, evitando a queda prematura deve-se realizar além da análise
química do solo, análise foliar, uma vez que existe relação
entre a quantidade de nutrientes nas folhas e a produção
da cultura. A adubação deve ser realizada anualmente, baseada
nos resultados da análise de solo associado a análise foliar,
para repor os nutrientes retirados pela colheita.
-
FATORES AMBIENTAIS:
O coqueiro é uma palmeira tropical, e seu desenvolvimento é
favorável em climas quentes e úmidos, os quais são
encontrados entre as latitudes 20o N e 20o S. A temperatura de 27o C é
considerada ótima para o coqueiro, o qual tem seu desenvolvimento
prejudicado se as temperaturas mínimas diárias forem inferiores
a 15o C. Temperaturas maiores que a ótima são toleráveis
pela cultura se não houver baixa umidade relativa do ar. A umidade
relativa do ar em torno de 80% é adequada ao desenvolvimento do
coqueiro. Se a umidade atmosférica for menor que 60% e estiver associada
a ventos quentes e secos, poderá haver prejuízo no desenvolvimento
da planta, devido a uma alta taxa de transpiração foliar,
a qual não poderá ser compensada pela absorção
de água através das raízes. Uma umidade relativa maior
que 90% também pode prejudicar a planta, porque reduz a absorção
de nutrientes devido à menor transpiração, provocando
queda prematura de frutos, além de favorecer a propagação
de doenças. A luz é outro fator importante para o bom desenvolvimento
da cultura. Considerando-se como ideal uma insolação anual
de 2.000 horas com, no mínimo, 120 horas/mês. Entretanto,
a intensidade desta luz também é relevante. Em dias nublados,
as nuvens reduzem a radiação solar, o que pode interferir
negativamente na fotossíntese do coqueiro. A coqueiro anão
produz continuamente durante o ano todo. E a partir da polinização,
os frutos são colhidos em torno de 6 meses. Sendo assim, qualquer
estresse, nesse período pode afetar diretamente a produção.
Um déficit hídrico prolongado (mais de 03 meses com precipitações
abaixo de 50 mm) pode provocar queda prematura de frutos, daí a
importância da irrigação sobre o rendimento da cultura.
Por outro lado, chuvas excessivas também prejudicam a cultura devido
à menor insolação, eficiência de polinização
e aeração do solo e da maior lixiviação de
nutrientes. Secas prolongadas provocam a paralisação do desenvolvimento
dos frutos e, com a chegada de chuvas abundantes, ocorre o crescimento
rápido dos tecidos da base do fruto, que resultam em rachaduras,
que deixam extravasar a água, provocando-lhe a queda, fenômeno
este denominado de "peco dos frutos". Proximidade do lençol freático,
adubações orgânicas e minerais e eliminação
de ervas daninhas no início das estiagens contribuem para a redução
da queda dos frutos. Por outro lado, em coqueirais plantados em solos sujeitos
a encharcamento, chuvas prolongadas podem provocar a queda de frutos, neste
caso drenagens podem reduzir ou eliminar o problema.
-
FATORES FITOSSANITÁRIOS:
O coqueiro pode ser atacado, na fase de produção, por diversas
pragas e doenças, e este é um dos fatores importantes para
a redução da produtividade da cultura.
Os mais importantes estão relacionados
abaixo.
PRAGAS:
-
Homalinotus coriaceus (Gylenhal, 1836)l (Coleóptero:
Curculionidade) ou broca do pedúnculo floral. A fêmea deposita
os ovos no pedúnculo floral. As larvas quando eclodem abrem galerias
no mesmo, ocasionando a queda de frutos e às vezes do cacho completo.
Este pode causar a queda em até 50% dos frutos novos.
-
Hyalospila ptychis (Dyar., 1919) ( Lepidoptera:
Phycitidae) ou traça dos cocos novos. As largadas atacam as inflorescências
recém-abertas, roendo os carpelos das flores femininas, quando tenras,
perfuram as brácteas e provocando o aborto e queda da flor atacada.
Atacam também os cocos novos, introduzindo-se por baixo das brácteas
na base destes, abrindo galerias no mesocarpo e causando a exsudação
da seiva que se solidifica em forma de goma. Os frutos atacados ou caem
logo ou crescem deformados assimétricamente.
-
Parisoschoenos obessulus (Casey, 1922) (Coleóptero:
Curculionidade) ou gorgulho dos frutos e flores. O inseto ataca as flores
femininas na base e corrói o mesocarpo, causando o aborto delas.
-
Eriophyes guerreronis Keiher (Acari: Eriophyidae)
ou ácaro da necreose do coqueiro. Nos frutos jovens atacam os tecidos
meristemáticos quando as brácteas se abrem, causando necrose
e sua queda prematura. Nos frutos, que não caem, as lesões
necrosadas e suberizadas apresentam escoriações longitudinais
características. O ferimento deixado pelo ácaro permite a
penetração do fungo da antracnose.
DOENÇAS
Antracnose ou podridão do fruto, Colletotrichum
gloeosporioides Penz. O ataque é facilitado pelo ferimento deixado
pelo ácaro Eriophyes guerreronis.
CONCLUSÕES
Apesar da incidência, ocorrência
e da severidade (grau de ataque) de cada praga/doença variar de
região para região. Alguns cuidados devem ser tomados pelos
produtores, a fim de minimizar o efeito destes agentes. Estes cuidados
envolvem a utilização de mudas sadias, a realização
de tratos culturais e adubações integrados, além da
correta identificação das causas de queda prematura de frutos,
que podem ser, além de fisiológicos, nutricionais, ambientais
e fitossanitário. Outro cuidado, a fim de identificar precocemente
as possíveis pragas/doenças, é a fiscalização
mensal da cultura, observando rigorosamente sua eventual ocorrência.
|