A cultura do coqueiro anão
é cultivada em quase todos os estados brasileiro, principalmente
na região nordeste. A expansão desordenada, exige que pesquisas
sejam desenvolvidas para definir os parâmetros regionais, utilizado
no manejo da cultura.
A IRRIGAÇÃO DO COQUEIRO NO BRASIL
A cultura do coqueiro anão (Cocos
nucifera L.) exige grande quantidade de água durante seu crescimento
vegetativo e na fase de produção de frutos com boa qualidade,
sendo assim, dificilmente encontrará água disponível
em quantidades adequadas para atender a demanda evapotranspirativa em condições
de cultivo em sequeiro.
O coqueiro é uma planta essencialmente
tropical e encontrou no Brasil excelentes condições climáticas,
para seu pleno desenvolvimento e potencial produtivo. A cultura encontra
condições climáticas favoráveis entre 24°N
e 23°S de latitude, temperatura média anual em torno de 27ºC,
com oscilações de 5° a 7°C, umidade relativa entre
65 a 85%, pluviosidade entre 1.200 a 2.200 mm anuais, bem distribuídos.
O coqueiro não desenvolve-se bem sob qualquer sombreamento ou condições
de intensa nebulosidade, para tanto, exige em torno de 2.000 horas de luz
de sol/luminosidade/ano e 120 horas/mês como limite quantitativos.
Os ventos fracos e moderados com velocidade de até 4 mps beneficia
o desenvolvimento da cultura, estimulando a absorção de água
e nutrientes pela planta. Ventos frios são indesejáveis,
já que prejudicam o desenvolvimento da mesma. A cultura desenvolve-se
melhor em solos com textura média, permeáveis e férteis,
sendo que de 70 a 90% de seu sistema radicular fasciculado estão
distribuídos entre 0,2 a 1,0 m de profundidade e até 1,50
m de raio da estipe da planta.
É uma cultura que exige cuidados em relação
aos tratos culturais, principalmente a irrigação. A ocorrência
de déficit hídrico na fase de produção afeta
o desenvolvimento e formação dos frutos. A baixa pluviosidade
em algumas regiões pode ser compensada pela situação
favorável do lençol freático, pois a cultura desenvolve
seu sistema radicular profundo, conseguindo resistir a déficit hídrico
nos períodos com escassez de chuvas.
A irrigação possibilita elevar
a produção além de suplementar a quantidade total
de água que a planta necessita durante o período de seca,
e mantém um nível normal de água disponível
no solo durante o ciclo da cultura para produzir frutos com qualidade,
destinados ao comércio interno e exportação.
O fruto do coqueiro anão é extremamente
rico em água (em torno de 450 ml). A diferenciação
das flores femininas, ocorre no palmito e a emissão da espata dura
em torno de doze meses, quando esta abre-se e é polinizada. O fruto
desenvolve-se e é colhido seis meses após a abertura da espata.
A ocorrência de déficit durante a fase de produção
irá comprometer a diferenciação e conseqüentemente
a produção no ano seguinte. Devido ser a cultura extremamente
sensível ao déficit hídrico, em regiões com
precipitações irregulares ou inferiores a 1.200 mm/ano é
necessário a suplementação com água através
da irrigação. Em regiões semi-áridas, onde
a precipitação pluviométrica na sua maioria varia
de 400 a 700 mm/ano e distribuída em 3 a 4 meses do ano, com escassez
de chuvas nos meses restantes a irrigação é indispensável.
Á água necessária para
atender a demanda evapotranspirativa de uma cultura é um importante
parâmetro a ser considerado no planejamento, dimensionamento e manejo
da irrigação.
A irrigação pode ser suplementar,
para corrigir a escassez de chuvas ou total sem considerar a precipitação
efetiva, de modo que não limite o crescimento e produção
da cultura.
Exemplo de determinação da irrigação
total necessária para a cultura do coqueiro anão, usando
irrigação localizada por microaspersão.
Dados:
Propriedade:
Fazenda Experimental Sementeira
Localidade:
Município de Visconde do Rio Branco-MG
Cultura:
Espaçamento:
- 6,50 x 7,50 m
Porcentagem de área Sombreada
(Ps) - 80%
Profundidade da Raiz (Z)
- 1,0 m
Coeficiente de cultivo (Kc)
- 0,90
Porcentagem de área molhada (Pm)
-60%
Solo:
Textura:
- Argilo-arenoso
Capacidade de Campo (Cc)
- 26,90%
Ponto de Murcha (Pm)
- 18,80%
Densidade (d)
- 1,35 g/cm3
Fator de disponibilidade (f)
- 0,50
Clima:
ETc máxima da cultura (ETpc)
- 6,7 mm/dia
01- Disponibilidade Total de Água
no Solo (DTA)
*1,35
= 1,09 mm/cm de solo ou 10,9 m3/ha/cm de solo
02- Capacidade Total de Água no Solo
(CTA)
CTA=DTA*Z -
CTA= 1,09*100 = 109 mm ou 1090 m3/ha
03- Capacidade Real de Água no Solo
(CRA)
CRA=CTA*f -
CRA= 109 * 0,5 = 54,5 mm
04- Irrigação Real Necessária
(IRN)
*
IRN= 32,7 mm
05- Irrigação Total Necessária
(ITN)
*
ITN = 36,33 mm
Ea- Eficiência de aplicação
da irrigação
06- Turno de Rega (TR)
= ETg=5,99
mm.dia-1, = 6 dias,
Usando um Tr de 3 dias
IRN= ETg*Tr, IRN 5,99 * 3 = 17,97 mm
E por cova,
IRN = 17, 97 * 6,5*7,5= IRN = 876,04 litros/cova
IRN = 292,01 litros/cova
A cultura do coqueiro adapta-se bem aos diversos
métodos de irrigação, dentre eles; irrigação
por superfície com sulco, irrigação por aspersão
e irrigação localizada.
A escolha do método de irrigação
adequado depende de vários fatores a ser considerados, tais como,
clima, tipo e topografia do solo, quantidade e qualidade da água
disponível, práticas culturais e custos de implantação
e operação do sistema.
Normalmente os sistemas de irrigação
por sulcos são os de menor custo de implantação por
unidade de área, os de aspersão convencional de custo médio
e os localizados de maior custo. Quanto aos custos com operação
do sistema, há uma inversão na ordem, Os sistemas de menor
custo são os localizados e os de maior custos os sistemas de irrigação
por sulco. Com relação a operação dos sistemas
de irrigação no campo, os sistemas de irrigação
localizado e por aspersão são os que apresentam mais facilidade
na condução do que o sistema de irrigação por
sulco.
No método de irrigação localizada,
a quantidade de água necessária é fornecida individualmente
a cada planta, sobre uma área limitada da zona radicular, através
de redes de tubulações. A água é aplicada no
solo através de emissores, em pequena intensidade e alta freqüência,
para manter a umidade próximo da ideal, que é a de capacidade
de campo, de modo que as perdas por percolação e por escoamento
superficial sejam minimizados. Os sistemas de irrigação por
gotejamento e microaspersão são os mais difundidos, sendo,
o primeiro o mais antigo no Brasil (1972) e, o segundo, o mais recente
(1982). Diferem entre si quanto ao sistema de aplicação.
Um sistema completo de irrigação localizada consta de conjunto
motobomba, cabeçal de controle, linhas de tubulações
(de recalque, principal, secundária e lateral), válvulas
e emissores (gotejadores ou microaspersores). O conjunto motobomba é
normalmente de menor potência, em virtude das pequenas alturas manométricas
e das pequenas vazões do sistema. O cabeçal de controle é
o cérebro do sistema. Nele ocorrem vários processos fundamentais,
tais como a filtragem da água, a mistura dos produtos para quimigação
e a distribuição da água para os vários setores.
É composto de filtros, válvulas, manômetros e injetor
de fertilizantes. Os filtros são de três tipos mais comuns:
de areia, de tela e de disco. O de areia é usado para reter o material
orgânico e partículas maiores e, por isso, é o primeiro
filtro do sistema. Sua limpeza é feita facilmente com a retrolavagem,
recomendada a cada aumento de 10 a 20% da perda de carga normal do filtro,
quando limpo (aproximadamente 20 kPa). Em algumas condições
especiais de qualidade da água ou mesmo em alguns sistemas de microaspersão,
pode-se dispensar seu uso. O filtro de tela tem grande eficiência
na retenção de pequenas partículas sólidas,
como a areia fina, porém entopem facilmente com algas. A tela usada
apresenta orifícios que podem variar de 0,074 mm (200 mesh ou malhas
por polegada) até 0,2 mm (80 mesh). Constitui, juntamente com o
filtro de areia, o sistema de filtragem mais usado. Os filtros de discos
têm forma cilíndrica e são colocados na linha, em posição
horizontal. O elemento filtrante é composto por um conjunto de pequenos
anéis, com ranhuras, presos sobre um suporte central cilíndrico
e perfurado. A água é filtrada ao passar pelos pequenos condutos
formados entre anéis consecutivos. A qualidade da filtragem vai
depender da espessura das ranhuras.
Na maioria dos coqueirais irrigados no Brasil
até a década de 80, com irrigação localizada,
dava-se preferência a irrigação por gotejamento, e
ainda hoje vem sendo utilizada, principalmente nos Estados da Paraíba
e Ceará. Atualmente a irrigação localizada por microaspersão,
vem sendo utilizada em grande escala, em razão das vantagens que
o próprio sistema apresenta como aumento da eficiência do
uso da água e nutrientes, além de melhor adequar o perfil
do bulbo úmido ao sistema radicular da cultura. A microaspersão
na cultura do coqueiro, se expande em todo o Pais, principalmente nos municípios
de Petrolina-PE, Juazeiro, Anagê, Bom Jesus da Lapa-BA, Varjota,
Paraibaba-CE, Norte de Minas, Platô de Neópolis–SE e São
Mateus, Vila Valério e São Gabriel da Palha–ES.
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A irrigação localizada:
Gotejamento e Microaspersão
A cultura do coqueiro exige grande quantidade de
água durante seu desenvolvimento vegetativo e fase produtiva.. A
irrigação, além de favorecer o desenvolvimento da
planta, contribui para a precocidade de floração, que ocorre
a um (01) e oito (08) meses que a partir daí produz continuamente.
O suprimento adequado de água a cultura promove aumento da
produtividade e a produção de frutos durante ano inteiro.
A cultura do coqueiro adapta-se bem a diversos métodos de irrigação,
dentre eles a irrigação por sulcos, a aspersão convencional
e a irrigação localizada.
No método de irrigação localizada,
a quantidade de água necessária a cultura é fornecida
individualmente a cada planta, sobre uma área limitada da zona radicular,
através de redes de tubulações. A água é
aplicada em pequena intensidade, e alta freqüência para manter
a umidade do solo na região explorada pelas raízes próxima
à umidade de capacidade de campo, de modo que as perdas por percolação
e por escoamento superficial sejam minimizadas.
Atualmente, a irrigação localizada
vem sendo utilizada em grande escala, em razão das vantagens que
o próprio método apresenta, como aumento da eficiência
do uso da água e nutrientes, além de maior economia de mão-de-obra,
água e energia, pois, molha somente parte da superfície do
solo. Os sistemas de irrigação por gotejamento e microaspersão
são os mais difundidos, sendo, o primeiro o mais antigo no Brasil
(1972), e o segundo, o mais recente (1982). Diferem entre si quanto ao
sistema de aplicação.
No sistema por gotejamento, os gotejadores normalmente
trabalham com pressões de serviço de 10 a 30 mca, cujas vazões
variam de e 2 a 16 l.h-1, sendo mais comum na cultura do coqueiro, gotejadores
com 4 l.h-1, dependendo do espaçamento entre gotejadores Os gotejadores
são mais sensíveis ao entupimento, e proporcionam uma maior
concentração do sistema radicular do coqueiro.
No caso da microaspersão no cultivo do
coqueiro, os microaspersores normalmente também trabalham com pressões
de serviço de 10 a 30 mca, atingindo vazões entre 20
a 100 l.h-1, sendo mais comum microaspersores com 30 a 50 l.h-1. Eles são
menos
sensíveis ao entupimento quando comparados aos gotejadores.
Na irrigação por gotejamento, deve-se
usar no mínimo dois (02) gotejadores por planta, enquanto na irrigação
por microaspersão usa-se apenas um (01)microaspersor por cova.
Na opção por microaspersão
ou gotejamento, deve-se levar em consideração o tipo de solo,
a quantidade e qualidade da água a ser utilizada. Se a água
for escassa, e de baixa qualidade principalmente quanto à
salinidade, com possibilidade de promover salinização, e
se o solo for de textura média a argilosa deve-se dar preferência
ao gotejamento, por proporcionar melhor volume de solo umedecido e menor
incidência danoso dos efeitos da salinidade no solo e na cultura.
Nos solos arenosos, a microaspersão seria a mais recomendada, pois
propiciará maior volume de solo molhado, neste tipo de solo, pois
a água penetra e se move com maior velocidade, sendo necessário
uma área de umedecimento maior, beneficiando o sistema radicular
do coqueiro. Nas regiões com pouca possibilidade de salinização
e independente do tipo de solo, como é o caso das zonas litorâneas,
cerrados, etc, o mais recomendado seria a microaspersão. Deve-se
levar em consideração na momento de optar por um ou outro
sistema localizado, a qualidade da água de irrigação.
Água com alto teor de sais e matéria orgânica, pode
ao longo do tempo promover obstruções nos gotejadores ou
microaspersores.
Neste método a água é aplicada
na forma de chuva artificial com fracionamento do jato d’água, originando
gotas que espalham pelo ar e atingem o solo. É um sistema pressurizado
e sua distribuição envolve tubulações com derivações
que conduzem a água até os aspersores que direcionam o jato
e auxiliam seu fracionamento. os sistemas de irrigação por
aspersão convencional é bastante utilizado, sendo que no
extremo sul da Bahia estão usando, canhões e autropopelidos
em pomares novos em formação e início de produção.
A irrigação
por superfície através de sulcos, respectivamente na ordem
de maior adequação à cultura e economia d'água.
Este sistema consiste na distribuição
de água às áreas irrigadas utilizando a própria
superfície do solo para escoamento gravitacional, durante o tempo
necessário para que a água, infiltrada ao longo do sulco,
seja suficiente para umedecer o solo da zona radicular efetiva da cultura.
Este sistema prevalece em quase todas as áreas
de agricultura irrigada do mundo e também no Brasil, tendo sido
o primeiro sistema de irrigação usado na cultura do coqueiro.
Para a cultura do coqueiro, geralmente utiliza-se
um (01) a dois (02) sulcos por fileira de planta, o que resulta no molhamento
de 30 a 80% da superfície total da área irrigada, diminuindo
assim as perdas por evaporação, permitindo ainda realizar
os tratos culturais e colheita durante e após a irrigação.
Quanto a forma geométrica, a mais comum é “V”, com 15 a 20
cm de profundidade e 25 a 30 cm de largura, na parte superior, que normalmente
conduz uma vazão inferior a 2 l/s.
Este sistema de irrigação é
comum na região de Souza-PB, Juazeiro-BA, Petrolina-PE, Pentecoste
e Lima Campos-CE, em áreas de pequenos produtores localizadas em
perímetros irrigados. |