No salão de beleza que freqüento, esta é uma das piadas que mais circulam e fazem sucesso entre a mulherada:

Amigo 1 - Você gosta de mulher velha.
Amigo 2 - Detesto.
Amigo 1 - Você gosta de mulher com os peitos caídos e pelancudos?
Amigo 2 - De jeito nenhum.
Amigo 1 - E de mulher gorda, com barriga de avental, e a xoxota larga?
Amigo 2 - Tenho horror a esse tipo de mu1her.
Amigo 1 - Então, cara, por que você não para de trepar com minha mulher?

       O dialogo que compõe a piada provavelmente seria o que meu marido teria com o Alberto, um amigo dele, se viesse a saber que somos amantes há mais de dois anos.
       Não que eu seja exatamente como a mulher da piada (ai que coisa horrorosa!), mas acho que é assim que meu marido me vê, pois já não me procura há muito tempo. É verdade que sou uma respeitável cinqüentona, mas ainda estou inteirinha.
       Apesar de sempre ter levado uma vida recatada, discreta, fechada mesmo e completamente voltada para minha família (marido e uma filha casada), aos 48 anos de idade (26 de casada) e já na entrada da menopausa, comecei a receber cantadas - melhor dizer, galanteios de Alberto, grande amigo de meu marido, que volta e meia estava em minha casa.
      Ele sempre me dizia, em meio a nossas conversas, coisas que eu gostava muito de ouvir. Algumas ele insistia em repetir: "O simples fato de ver você já significa um imediato contagio de luz" ou "... junto de você é que eu consigo vivenciar minha melhor dimensão..." Frases carinhosas que mexiam com meu ego já um tanto fragilizado de mulher rejeitada e supercarente.
     Mas ficavam por ai nossos papos. Alberto é bem mais novo que eu – tem 35 anos, solteiro, tem temperamento alegre e um ritmo de vida bastante intenso.
     Temos um interesse em comum, o gosto pela leitura, e em nossas conversas invariavelmente comentamos os livros que estamos lendo. Fazemos também troca de livros e foi um desses intercâmbios que nos levou a uma aproximação mais forte.
     Uma noite fui ao apartamento de Alberto para devolver um livro achando que ele ainda não havia chegado. Mas isso não me preocupava, porque eu estava com a chave. Minha intenção era devolver um livro a ele e pegar outro. Para minha surpresa, no entanto, Alberto não apenas havia chegado como estava confortavelmente instalado na sala... completamente pelado. Eu não o vi de imediato, pois ele estava sentado em uma poltrona, de costas para a porta, assistindo a televisão. "Não se aproxime, porque estou nu em pelo. Mas, se não se importar com isso, tranque a porta e fique pelada também para ficarmos em pé de igualdade, sem qualquer discriminação", disse ele, sem nenhum constrangimento.
      Não deixei por menos, diante daquela oportunidade que sempre esperei, embora não propriamente para aquela noite. "Se você me quer nua ao seu lado, venha tirar minha roupa. Já tranquei a porta", convidei, ousadamente. Alberto desligou a televisão, levantou-se e veio em minha direção. Tremi de ansiedade quando senti as mãos dele me tateando, tocando, a procura dos botões, zíper, laços, ganchos e o que mais tivesse minha roupa para se abrir e deixar meu corpo livre.
      Suas mãos continuaram tateando deliciosamente meu corpo até tirar todas as peças, menos a calcinha. Ele me envolveu num abraço, em que pude sentir a pressão do membro pulsante entre minhas coxas. "A calcinha é você quem deve tirar, para não parecer estupro", sussurrou, provocativamente, ao meu ouvido. "Mas eu quero, eu preciso ser estuprada, carinhosamente estuprada", balbuciei, louca de tesão. Tomado também pelo desejo, ele me apertou, beijou enfiando a língua na minha boca, acariciou meus seios. Demonstrei certa contrariedade com palavras que não denotavam qualquer convicção, até porque não expressavam meu sentimento naquele momento, lembrando a Alberto que eu era casada, que não devia fazer aquilo, que não estava certo, que era uma loucura, etc., recitando todos aqueles chavões repetidos pelas mulheres que dizem não querer, mas apenas querem.
        Meus próprios gestos, aliás, desmentiam simultaneamente o que eu dizia. Minha mão segurava e manipulava o pênis que eu ainda não vira, mas já o sentia exuberante. Nossa respiração foi ficando acelerada, ofegante, ruidosa, incontrolável.
      Alberto ajoelhou-se diante de mim, baixou minha calcinha e alcançou meu sexo com a língua quente, úmida, tocando o clitóris em movimentos alternados, ora lentos e vigorosos, ora deliciosamente fugazes. Tive um orgasmo quase que imediatamente, depois outro e mais outro, numa série interminável de gozos. A sucessão de orgasmos me deixou com as pernas bambas e tive de me deitar no tapete. E disso se aproveitou meu gostoso algoz para se deitar sobre mim e, afastando carinhosamente minhas pernas não sem um pequeno auxilio meu, encaixar o membro impaciente na entrada da vagina. Uma ligeira pressão fez com que o pinto mergulhasse suave, gostoso, até o fim.
       Estava solenemente reinaugurada a vagina desativada fazia mais de dois anos. Até a lubrificação, que era meu grande temor no momento da penetração, funcionou perfeitamente. Alberto gozou dentro de mim. Foi apenas no segundo encontro que tivemos uma relação calma, suave, plena.
     Conversamos bastante, nos tocamos e vimos nossos corpos, o que não aconteceu na penumbra do primeiro. Alberto disse, então, que há muito estava interessado em mim, mas que os escrúpulos que sentia por ser amigo do meu marido o desencorajavam a seguir em frente.
      Mas, já que havia acontecido, estava muito feliz, embora se sentisse ainda um pouco culpado. Confesso que também me sentia culpada, embora estivesse muito necessitada e procurasse contrabalancear esse sentimento dizendo a mim mesma que foi meu marido quem, com sua fria indiferença comigo, praticamente me empurrou para os braços daquele homem.

Ana Cláudia, 48 anos  

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