Elwë - Elu Thingol 

Milênios antes do início da Primeira Era do Sol, Thingol, que era chamado de Elwë, viajou a Valinor com Ingwë e Finwë. Os três foram como emissários do povo Eldarin para que vissem as Terras Imortais e falassem a seu povo sobre elas. Isso porque os elfos nos primórdios do mundo não sabiam nada sobre os Valar e Maiar, e estavam temerosos ante o grande poder exibido por este povo. Quando os três emissários retornaram maravilhados com tudo que haviam visto, os elfos concordaram em iniciar uma grande migração para Valinor, isso ficou conhecido como a Grande Marcha dos Eldar, uma viajem que levou várias centenas de anos mortais para ser realizada. Neste momento os elfos já estavam divididos em três casas. Os Vanyar; o menor grupo, os Noldor; o grupo do meio, e os Teleri; que eram de longe a família mais numerosa. Elwë era o chefe da casa Teleri, ele e seu irmão Olwë se encarregaram de conduzir os Teleri na Grande Marcha em direção ao oceano, de onde partiriam para Valinor. Enquanto a marcha prosseguia, Elwë tinha por hábito passear por entre as árvores e no interior das florestas. Naquele tempo a Terra-média não era tão perigosa quanto nos dias de hoje, e um viajante raramente encontrava algo de perigoso, mesmo nos ermos mais remotos.

Ora, quando sua viagem estava próxima do final, como já se relatou, o povo dos teleri permaneceu muito tempo no leste de Beleriand, do outro lado do Rio Gelion; e, naquela época, muitos dos noldor ainda estavam mais a oeste, nas florestas que mais tarde foram chamadas de Neldoreth e Region. Elwë, senhor dos teleri, muitas vezes atravessava os grandes bosques à procura de Finwë, seu amigo, nas moradas dos noldor. E ocorreu que certa vez ele chegou sozinho ao bosque de Nan Elmoth, iluminado pelas estrelas, e ali de repente ouviu o canto de rouxinóis. Caiu então sobre ele um encantamento, que o deixou imobilizado. E muito ao longe, para além das vozes do lómelindi, ele ouviu a voz de Melian; e ela encheu seu coração de maravilha e de desejo. Esqueceu-se Elwë, então, inteiramente de seu povo e dos objetivos de sua mente; e, acompanhando os pássaros à sombra das árvores, embrenhou-se por Nan Elmoth adentro e se perdeu. Finalmente, porém, chegou a uma clareira aberta para as estrelas, e ali estava Melian. E, do meio da escuridão, ele a contemplou; e a luz de Aman estava em seu rosto.

Melian não disse uma palavra; mas, dominado pelo amor, Elwë aproximou-se e segurou sua mão. Imediatamente um encantamento caiu sobre ele, de tal modo que os dois ficaram na mesma posição enquanto longos anos eram contados pelas estrelas que ficavam acima de suas cabeças; e as árvores de Nan Elmoth cresceram e se tornaram escuras antes que eles dissessem alguma palavra.

Assim, o povo de Elwë que o procurava não o encontrou, e Olwë assumiu o trono dos teleri e partiu, como é relatado daqui em diante. Enquanto viveu, Elwë Singollo nunca mais atravessou o mar para chegar a Valinor, e Melian não voltou para lá enquanto perdurou o reinado de ambos. A partir de Melian, porém surgiu entre elfos e homens uma linhagem dos Ainur que estavam com Ilúvatar antes de Eä. Em tempos posteriores, Elwë tornou-se um rei célebre, e seu povo compreendia todas os eldar de Beleriand; os sindar eram chamados elfos-cinzentos, elfos-do-crepúsculo; e o Rei Manto-cinzento era ele, Elu Thingol na língua daquela terra. E Melian era sua Rainha, mais sábia do que qualquer filho da Terra-média; e suas moradas ocultas eram em Menegroth, as Mil Cavernas, em Doriath. Grande poder Melian concedeu a Thingol, que era ele próprio grande entre os eldar; pois somente ele entre todos os sindar havia visto com os próprios olhos as Árvores no dia em que floresceram; e, embora fosse rei dos úmanyar, não era incluído entre os moriquendi, mas entre os elfos-da-luz, poderosos na Terra-média. E, do amor de Thingol e Melian, vieram ao mundo os mais belos Filhos de Ilúvatar que já existiram ou virão a existir.

Ora, como foi relatado, o poder de Elwë e Melian crescia na Terra-média, e todos os elfos de Beleriand, desde os marinheiros de Círdan aos caçadores nômades das Montanhas Azuis, do outro lado do Rio Gelion, reconheciam Elwë como seu senhor. Elu Thingol era ele chamado, Rei Manto-cinzento, no idioma de seu povo. Estes são os sindar, os elfos-cinzentos de Beleriand cheia de estrelas. E, embora fossem moriquendi, sob a liderança de Thingol e com os ensinamentos de Melian se tornaram os mais belos, mais sábios e mais habilidosos de todos os elfos da Terra-média. E, no final da primeira era da Prisão de Melkor, quando toda a Terra estava em paz e a glória de Valinor estava no seu apogeu, veio ao mundo Lúthien, a única filha de Thingol e Melian. Apesar de a Terra-média estar em sua maior parte no Sono de Yavanna, em Beleriand, sob o poder de Melian, havia vida e alegria; e as estrelas brilhantes refulgiam como raios de prata. E lá na floresta de Neldoreth, Lúthien nasceu; e as alvas flores de niphredil surgiram para saudá-la como estrelas brotando da terra.

Thingol era respeitado pelos naugrim, os Anões de Belegost e Nogrod, que freqüentemente vinham a seu convite trabalhar em Menegroth. Os anões não tinham especial afeto pelos elfos, mas eram mestres em forjar armas e armaduras, também eram mestres em escavação e escultura em pedra, e essas habilidades eram bem recompensadas por Thingol. Quis o destino que, por muitas e desagradáveis desventuras, Thingol fosse o possuidor de uma Silmaril, uma das três jóias élficas criadas por Fëanor em Aman... e nenhum elfo ou homem que já havia possuído uma dessas jóias o fez impunemente, pois as pedras pareciam estar amaldiçoadas e todos que as possuíram, mesmo que brevemente, morreram.

Alguns Anões não escaparam das intrigas de Morgoth. Alguns sucumbiram ante a malícia e a cobiça. Entre estes, os piores casos ocorreram entre o povo de Nogrod. Devido ao absoluto controle que tinham sobre o ferro, pedra e gemas, os ferreiros de Nogrod ocasionalmente prestavam serviços aos Lordes Elfos. A gargantilha chamada Nauglamír é uma destas grandes criações, tanto que foi o símbolo de uma dinastia de Elfos Noldor por muitas gerações. No entanto, durante os últimos anos da Primeira Era, houve a morte do Rei Sindar, Thingol. Thingol possuía um dos três poderosos Silmarils (Jóias do Poder) - exatamente a que foi recuperada das mãos de Morgoth - e ele queria a pedra presa a gargantilha Nauglamír. Assim, ele havia contratado alguns dos maiores artesãos dos Nogrod, contando que estes poderiam realizar o trabalho que o rei tinha em mente.. Por muitos dias estes artesãos trabalharam e moraram em quartos separados do palácio de Thingol em Menegroth. A cobiça despertou e os Anões assassinaram Thingol e tentaram roubar a pedra. Após serem perseguidos quase todos foram mortos com a exceção de dois deles que fugiram. A pedra foi recuperada e os Sindar, imediatamente, reclamaram a custódia dos assassinos.

Os Anões que escaparam voltaram a Nogrod e contaram a seus camaradas que o rei Thingol havia assassinado os outros artesãos. Sem saber da verdade e contrariando os conselhos dos Anões de Belegost, uma hoste de Anões marchou sobre Menegroth. Eles saquearam o reino élfico e roubaram o Silmaril. Os Anões de Nogrod, rapidamente, voltaram para seus domínios. Mas, as notícias de seus feitos voaram rápido e um exército de Elfos, Homens e Ents caíram sobre eles em um vau chamado Sarn Athrad. Os Anões foram massacrados. No final da batalha, o Lorde de Nogrod caiu morto e o Silmaril foi lançado nas águas do Rio Ascar. Uma paz forçada foi imposta mas, desde este dia, as relações entre Sindar e Nogrod ficaram abaladas. Assim morreu Thingol Manto Cinzento, o mais poderoso Rei dos Sindar da Terra-média

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