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A
Pedra Élfica
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Havia certa vez um drûg chamado Aghan, famoso como curandeiro. Tinha grande amizade com Barach, um homem da floresta pertencente ao Povo, que vivia em uma casa no bosque a duas milhas ou mais da aldeia mais próxima. As moradias da família de Aghan ficavam mais perto, ele passava a maior parte do seu tempo com Barach e sua esposa, e as crianças gostavam muito dele. Veio uma época de dificuldades, pois alguns orcs atrevidos haviam secretamente penetrado na floresta nas redondezas, e haviam-se dispersado em grupos de dois ou três, emboscando todos os que saíam sozinhos, e de noite atacando casas afastadas dos seus vizinhos. A casa de Barach não temia muito, pois Aghan ficava com eles à noite e vigiava do lado de fora. Mas certa manhã veio ter com Barach e disse: - Amigo, tenho más novas da minha família, e temo que precise deixá-lo por algum tempo. Meu irmão foi ferido, e agora jaz com dores e chama por mim, pois sou habilidoso no tratamento de feridas infligidas pelos orcs. Voltarei assim que puder. - Barach perturbou-se muito, e sua esposa e seus filhos choraram, mas Aghan disse: - Farei o que puder. Mandei trazer aqui uma pedra de vigia, e foi colocada perto de sua casa. - Barach saiu com Aghan e observou a pedra de vigia. Era grande e pesada, e ficava debaixo de alguns arbustos, não longe das suas portas. Aghan apoiou a mão nela, e após um silêncio disse: - Veja, deixei nela alguns dos meus poderes. Que ela o proteja do mal!
Barach
voltou para dentro para consolar a família, que fora
despertada pelo barulho e pelo cheiro do incêndio; mas à luz
do dia saiu de novo e olhou em volta. Descobriu que a pedra de
vigia desaparecera, mas manteve o fato em segredo. - Hoje à
noite eu terei de ser o vigia - pensou; porém mais tarde
naquele dia Aghan retornou, e foi recebido com alegria. Calçava
borzeguins altos, que os drûgs às vezes usavam em terrenos
bravios, entre espinhos ou rochedos, e estava exausto. Mas
sorria e parecia contente; e disse: - Trago boas novas. Meu irmão
não sente mais dor e não morrerá, pois cheguei a tempo de
neutralizar o veneno. E agora ouvi dizer que os saqueadores
foram mortos, ou que fugiram. Como têm passado? - Então levou Aghan ao lugar do fogo, e lhe contou do ataque noturno. - A pedra de vigia desapareceu - obra dos orcs, eu acho. O que tem a dizer sobre isso? - Falarei quando tiver observado e pensado por mais tempo - disse Aghan; e então andou para cá e para lá esquadrinhando o chão, e Barach o seguiu. Por fim Aghan levou-o até uma moita à beira da clareira onde ficava a casa. Lá estava a pedra de vigia, sentada sobre um orc morto; mas suas pernas estavam totalmente enegrecidas e rachadas, e um dos seus pés se partira e estava deitado solto ao seu lado. Aghan pareceu aflito; mas disse: -
Ora, bem! Ele fez o que podia. E é melhor que as pernas dele
pisoteiem o fogo dos orcs que as minhas. - Mantive vigília junto ao meu irmão por duas noites, e na noite passada dormi. Acordei antes que raiasse a manhã, e sentia dor, e descobri que minhas pernas haviam criado bolhas. Então adivinhei o que ocorrera. Ai de mim! Quando algum poder passa de você para uma coisa que fez, então você tem de compartilhar suas feridas. |
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