Nandorin 

A Língua dos Elfos Verdes -Durante a longa marcha desde Cuiviénen até o mar, alguns elfos telerin se recusaram a cruzar as assustadoras Montanhas Nevoentas. Eles abandonaram a Marcha para o mar, onde Ulmo levaria os elfos até Valinor (Silm cap. 3). Em quenya, estes elfos foram chamados de nandor ou "aqueles que retornam", embora pareça que nenhum deles tenha retornado para o leste; eles apenas deixaram para trás as Hithaeglir . Liderados por um elfo chamado Denethor, alguns dos nandor eventualmente entraram em Beleriand, embora tenham perdido o barco para Valinor por vários milênios. Eles se estabeleceram em Ossiriand, região que eles chamaram de Lindon, e pelos sindar eles vieram a ser chamados de elfos-verdes (sindarin laegil, laegelrim). A respeito da relação entre a língua élfica-verde e a língua élfica-cinzenta, afirma-se que "embora os dialetos dos elfos silvestres, quando voltaram a se encontrar com seus parentes de quem havia muito estavam afastados, divergissem tanto do sindarin ao ponto de serem quase ininteligíveis, pouco estudo foi necessário para revelar seu parentesco como idiomas Eldarin" (CI: 289). Os sindar reconheceram os elfos-verdes "como parentes de origem lindarin (...), usando uma língua que, apesar de grandes diferenças, ainda era vista como estando relacionada a sua própria".

Contudo, tudo que se sabe da língua nandorin consiste de cerca de trinta palavras, cuja maioria é encontrada no Etimologias. Nas próprias palavras de Tolkien, "Embora a comparação dos dialetos silvestres com sua própria fala despertasse muito interesse nos mestres de tradições, especialmente naqueles de origem noldorin, pouco se sabe agora do élfico silvestre. Os elfos silvestres não haviam inventado formas de escrita, e aqueles que aprenderam essa arte com os sindar escreviam em sindarin na medida do possível".

Alguns dos sindar que chegaram ao reino de Thranduil escapando da destruição de Doriath adotaram a língua nandorin e assumiram nomes de forma e estilo silvestres, assim como os noldor haviam adaptado seus nomes em quenya para o sindarin séculos antes. Estes sindar "desejavam na verdade tornar-se gente silvestre e voltar, conforme diziam, à vida simples, natural aos elfos antes que o convite dos Valar a tivesse perturbado" (CI: 292). Apesar disso, o sindarin de alguma forma introduziu- se mesmo nas comunidades silvestres: "No fim da Terceira Era, os idiomas silvestres provavelmente já não eram mais falados nas duas regiões que tinham importância ao tempo da Guerra do Anel: Lórien e o reino de Thranduil na Floresta das Trevas setentrional. Tudo o que deles sobrevivia nos registros eram algumas palavras e diversos nomes de pessoas e lugares" (CI: 289). Nimrodel falava apenas a língua silvestre, mesmo após ela ter caído em desuso em Lórien; ver CI: 273. CI: 478-479 sugere que o próprio nome Lórien pode ter sido alterado a partir do nandorin Lórinand, "Vale de Ouro (luz dourada)", ou ainda do nome mais antigo, Lindórinand "Vale da Terra dos Cantores (= lindar, teleri)". De acordo com uma nota de rodapé no Apêndice F, não apenas Lórien mas também os nomes Caras Galadhon, Amroth e Nimrodel "provavelmente são de origem silvestre, adaptados ao sindarin".

Não há muito que podemos dizer sobre a estrutura do nandorin. Pouca gramática pode ser extraída das poucas palavras que temos. Um plural metafônico no estilo do sindarin pode ser visto em urc "orc" pl. yrc (sindarin orch, yrch). Esta metafonia deve ter se desenvolvido independentemente da metafonia sindarin do outro lado das Montanhas Nevoentas (não há sinais de metafonia em quenya e no telerin de Aman, idiomas que evoluíram a partir do Eldarin comum após a separação dos nandor dos outros Eldar, da mesma forma que o sindarin). Em Lindi, o nome que os nandor tinham para si mesmos, uma descendente da antiga desinência de plural -î do quendian primitivo ainda está presente. A desinência -on de Caras Galadhon indica plural genitivo, cognata e idêntica à desinência correspondente em quenya? Isto daria ao nome o plausível significado *"fortaleza de árvores". Galadh "árvore" poderia ser sindarin, mas este idioma não possui desinências genitivas.

Os nomes Nimrodel "Senhora da Gruta Branca" e Amroth "Escalador do alto" provavelmente são de origem nandorin, mas em uma nota de rodapé no Apêndice F, diz-se que eles foram "adaptados ao sindarin" e podem ter sido alterados de algum modo a partir de suas formas originais; portanto, eles não estão incluídos aqui. (Ver CI: 480, 288 a respeito do significado deles.) O nome Caras Galadhon também é dito ser adaptado, de modo que está excluído desta lista, mas caras, que é dada  independentemente em CI: 288, está incluída. - Nas notas etimológicas, as formas primitivas "reconstruídas" pelo próprio Tolkien são estão marcadas com asteriscos.

alm "olmo", provavelmente de *almâ, formada a partir do radical ÁLAM "olmo" (LR: 348 - note que a palavra em quenya alalmë e a em sindarin, lalf, claramente descendem de formas diferentes, se relacionadas). Baseados em outras formas  nandorin, poderíamos esperado, ao invés disso, *ealm ou *elm.

beorn "homem", afirmada como descendendo de besnô "marido" (radical BER "casar",  porém "unido com ber(n)ô", isto é. "homem valente, guerreiro", é derivada do radical BER "valente" . A mudança de e para eo é estranha e não possui paralelos diretos, mas compara eo a partir de i em meord "chuva fina" (< primitiva mizdê).

caras "fortaleza com fosso" (CI: 288), provavelmente para ser comparada com a palavra sindarin ("noldorin") caras "uma cidade (construída acima do solo)", derivada do radical KAR "criar, fazer"; o significado básico pode simplesmente ser "algo criado, construção" (compare com a palavra em quenya car "edificação, casa").

cogn "arco", forma primitiva dada como ku3nâ, derivada de KU3 "arco" ; é provável que ku3nâ fosse originalmente um adjetivo do tipo "em forma de arco", uma vez que -nâ é predominantemente uma desinência adjetiva.

cwenda "elfo" (uma palavra duvidosa de acordo com a concepção tardia de Tolkien; no ramo de Eldarin ao qual o nandorin pertence, o KW primitivo há muito se tornou P na história lingüística élfica.

danas "elfos-verdes, nandor". No Etim produzida a partir do radical DAN , definido simplesmente como um "elemento encontrado nos nomes dos elfos-verdes", e comparado experimentalmente a NDAN "atrás" (uma vez que os nandor "voltaram atrás" e não completaram a marcha para o Mar).

dóri- "terra", isolada de Lindórinan. A forma independente da palavra pode diferir; não está claro de onde vem o i da palavra composta Lindórinan. No Etimologias, as palavras Eldarin para "terra" são produzidas a partir do radical NDOR "morar, ficar, descansar, habitar".

dunna "preto, negro"; esta parece derivar de *dunnâ, isto é, o radical DUN "escuro (de cor)" , tanto com a desinência adjetiva -nâ como com fortificação média n > nn e a desinência adjetiva mais simples -â.

ealc "cisne", forma primitiva dada como alk-wâ, produzida a partir do radical ÁLAK "apressado" (LR: 348); alk-wâ parece ser uma formação adjetiva (desinência -wâ), de modo que a palavra primitiva provavelmente possuía o mesmo significado do radical: "apressado", posteriormente usado como um substantivo e aplicado a um animal.

edel "Elda, alto-elfo". Afirmada no Etimologias ser produzida a partir do radical ÉLED , definido como "Povo das Estrelas"; Tolkien salienta que o doriathrin e danian usavam uma forma "transposta", se referindo claramente à mudança de lugar dos sons  L e D.

garma "lobo" -3ARAM (LR: 360, abandonado)] Uma vez que os cognatos em quenya e "noldorin" = sindarin foram dados como harma e araf (rejeitados junto com garma), a forma primitiva seria *3aramâ.

hrassa "precipício". Forma primitiva dada como khrassê, produzida a partir do radical KHARÁS , que não é definido, mas comparado ao radical KARAK "presa afiada, estaca, dente"

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