|
Língua
dos ents de fangorn - Os Ents originalmente não tinham uma língua,
mas em contato com os Elfos eles adotaram a idéia de se
comunicar com sons. "Eles sempre queriam falar com tudo,
os velhos Elfos" lembra Barbárvore. Os Ents amavam Quenya,
mas também desenvolveram sua própria linguagem, provavelmente
a mais peculiar de todas as línguas de Arda.
Tolkien
a descreve como "lenta, sonora, aglomerada, repetitiva,
realmente prolixa; formada de uma multiplicidade de matiez vocálicas
e distinções de tons e quantidade que mesmo os mestres de
sabedoria dos Elfos não tentaram representar por escrito"
(Apêndice F). Os Ents eram aparentemente capazes de distinguir
entre pequenas variações de qualidade e quantidade e usavam
tais distinções foneticamente. Muitos fonemas distintos dos
Ents soariam como um mesmo som para homens, e mesmo para Elfos.
Parece que o Entês também empregava diferentes tons, talvez
como o Chinês, na qual uma simples palavra como "ma"
pode ter um de quatro significados (variando de "mãe"
até "cavalo") - e para os chineses todas elas soam
diferentes, devido à vogal "a" pronunciada com um
tom distinto em cada caso. O Entês pode ter empregado muito
mais tons do que apenas quatro.
A-lalla-lalla-rumba-kamanda-lindor-burúmë
é nosso único exemplo de Entês genuíno, os tons não estão
anotas de qualquer forma. Esta deve ser uma das razões pelas
quais Tolkien descreve este único fragmento do verdadeiro Entês
como "provavelmente muito inexato" (Apêndice F). Não
podemos analisar este fragmento. Pode ser observado que a forma
das palavras em geral parecem fortemente inspiradas em Quenya
(até o ponto onde o estilo fonético vai, todos os elementos
exceto burúmë podem ser Alto Élfico, Quenya não possui b
nesta posição).
Tolkien
também descreve o Entês como "aglomerado" e
"prolixo". Isto se deve ao fato de que cada
"palavra" é bastante longa e uma descrição
bastante detalhada da coisa em questão. Barbárvore fala que
seu próprio nome Entês estava "crescendo o tempo todo, e
Eu tenho vivido há muito, muito tempo; então meu nome é como
uma história. Nomes reais conta a história das coisas a quem
pertencem, na minha língua, no Velho Entês como você poderia
dizer". Em outra ocasião Barbárvore começou a falar a
designação dos Ents da palavra "Orc" diretamente na
Língua Comum, então deu-se conta que isto tomaria muito tempo
quando falando com espécie humanóides: "Existe um grande
fluxo daqueles burárum, aqueles deolhosmalignos, - mãonegra -
pernatorta - coraçãodepedra - dedoscomgarras - cascagrossa -
sedentosdesangue - sincahonda, hoom, bem, uma vez que vocês são
um povo rápido e o seus nomes completos são tão longos
quanto anos de tormentos, essa gentalha dos Orcs."(morimaite-sincahonda
é "mãonegra - coraçãodepedra" em Quenya).
Então
a palavra do Entês para Orc é especialmente longa e uma
descrição detalhada dos Orcs e suas características. Em
alguns poucos casos, Barbárvore também utilizou elementos do
Quenya e uniou-os como fazia em sua própria língua, como
laurelindórenan lindelorendor malinornélion ornemalin. Em
Letters:308, Tolkien explica que "os elementos são are
laure, ouro, não o metal mas a cor, o que poderíamos chamar
de luz dourada; ndor, nor, terra, país; lin, lind-, um som
musical; malina, amarelo; orne, árvore; lor, sonho; nan, nad-
vale. Então ele aproximadamente diz: "O vale onde as árvores
em luzes douradas cantam musicalmente, uma terra de música e
sonhos; existem árvores amarelas lá, é uma terra de árvores
amarelas'". Outro exemplo do mesmo tipo é Taurelilómëa-tumbalemorna
Tumbaletaurëa Lómeanor, que Tolkien traduz como "Florestamuitassombras-profundovaleescuro
Profundovaledeflorestas Terratriste". Por este Bárbarvore
quer dizer, "aproximadamente", que existe uma sombra
escura nos vales profundos da floresta .
Estes
exemplos nos dão um vislumbre da sintaxe excessivamente
complexa e repetitiva do Entês. O comentário
"aproximadamente" é certamente justificado. No
sentido mais exato, Entês é provavelmente impossível de ser
reproduzido em quaisquer linguagens humanas. Uma "tradução"
pode ser apenas uma sinopse bastante breve e incompleta do
relato original. Jim Allan especula: "A fala em Entês, se
pudesse ser compreendida por ouvidos humanos, seria talvez como
uma espécie de poesia muito envolvente e loquaz. Existiriam
repetições sobre repetições, com pequenas variações. Se
tivesse algo que pudéssemos chamar de sentença, esta
prosseguiria numa espécie de padrão espiral, girando no ponto
principal, e então girando novamente, tocando tudo ao longo do
caminho do que já havia sido dito e do que ainda será
dito".
Possuindo
este conhecimento podemos entender melhor a definição de Barbárvore,
do Entês: "É uma linguagem adorável, mas toma uma
grande tempo para se dizer qualquer coisa nela, e para
ouvir". O Ent Bregalad ganhou seu nome Entês - "Quickbeam"
- quando disse sim a outro Ent antes do primeiro terminar sua
questão: isto foi considerado muito "apressado" por
parte dele (talvez o final da questão estivesse a uma hora ou
mais ainda). Compreendemos que Entês não é uma linguagem
para expressarmos "passe-me o sal". Quando escutavam
as deliberações do Entebate, Pippin "encontrou-se
admirando, uma vez que o Entês era uma linguagem
"lenta", se eles já haviam ido além do Bom Dia, e
se Barbárvore fosse fazer a chamada, quantos dias demoraria a
pronúncia de seus nomes. 'Imagino como seria em Entês o sim e
o não,' ele pensou".
Nós
devemos assumir que as palavras em Entês para sim e não
seriam longos monólogos repetitivos com o assunto "Eu
concordo" ou "Eu discordo", então a
"resposta rápida" de Bregalad's provavelmente tomou
algum tempo. Mas parece que os Ents não se comunicavam sempre
em "diálogos" com cada um falando a seu tempo.
Durante o Entebate, "os Ents começaram a murmurar
lentamente: primeiro um se juntou depois outro, até que todos
estavam cantando juntos num longo crescente e descendente
ritmo, ora mais alto em um lado do círculo, ora diminuindo e
crescendo até um grande bum do outro lado". Evidentemente
o debate foi uma longa e pulsante sinfonia de muitas opiniões
sendo expressas simultaneamente, lentamente unindo-se em uma
conclusão. Isto pode explicar porque não demorou uma
eternidade para o Entebate decidir um curso de ação.
Apesar
de tudo, é obvio que esta não é uma linguagem para seres com
a nossa percepção do tempo. Estranhezas como estas são o que
se poderia esperar quando se lida com a linguagem de árvores
que caminham.
|