As novas ideologias utópicas e a sua influência no proletariado.
As ideologias que vem na automatizaçom (futura) a fim do trabalho assalariado e, por conseguinte, do proletariado, consistem, na prática, em renunciar (hoje) à luita de classes, considerando-a inviável ou meramente reformista. Estas ideologias tenhem como principal característica a sua extracçom pequeno-burguesa, polo que teórica e práticamente som incapaces de desenvolver umha praxis congruente. Na realidade, o seu papel consiste em destruir a independência de classe do proletariado, estimulando-o a unir-se à pequenaburguesia intelectual. O corolário deste movimento é o cidadanismo, tanto se o querem como se nom. Porque somentes a luita do proletariado é capaz de fazer frente ao capitalismo.
Noutro plano, aparecem ideologias como o "primitivismo", que partem da crítica pequenoburguesa do capitalismo como um sistema que domina graças à técnica e cuja técnica é a causa dos máis sociais. Deste modo, a luita do proletariado deveria orientar-se a cambiar a técnica e o modo de vida ligado a ela, e será com esta compreensom como logrará transformar a sociedade revolucionariamente.
Todas estas ideologias utópicas, que vem na tecnologia o factor determinante da luita de classes, som umha reacçom à crise do velho movimento obreiro e à deriva reformista das suas organizaçons e correntes de pensamento, sem entender essa crise de modo histórico-materialista. Teóricamente, som umha re-ediçom do economicismo e o materialismo mecanicista em formas actualizadas, pois entendem o processo histórico como determinado pola técnica, isto é, por forças impersoais e nom pola actividade humana. Deste modo, a sua posiçom prática contrária à luita de classes nom fai mais que reafirmar o seu ponto de partida ideológico, e som incapaces dumha compreensom de conjunto que parta da actividade humana real, social. Porque, entom, é inevitável considerar aos indivíduos tal e como estám determinados socialmente, isto é, como parte das classes sociais existentes, e a sua luita como umha luita de classes.
Igual que o interclassismo populista, típico do nacionalismo burguês, a força destas ideologias reside nada mais que na debilidade do próprio proletariado, que nom madurará graças a elas, senom graças à suas próprias luitas e pola força da necessidade. A nível político, estas ideologías constituem um factor confusionista, mas nom determinante, precisamente porque som essencialmente alheas ao proletariado; som umha expressom da sua falta de autoactividade e serám dissoltas co desenvolvimento da mesma. Estas ideologias parasitárias nom som umha oposiçom auténtica ao reformismo, dado que se limitam a critica-lo sem formular nem impulsar umha praxis revolucionária, ou, incluso quando pretendem faze-lo, tenhem que deformar a consciência da praxis -e com isso, a prática mesma, desorientando-a e conduzindo-a à derrota-.
O perigo destas ideologias é que retardam o desenvolvimento do proletariado como sujeito revolucionário como massa, e a nível da vanguarda podem recuperar a elementos avançados e confundi-los coa apariência radical das suas ideas.
Frente a todas estas ideologias, a superioridade do comunismo auténtico é clara: o comunismo inclue a crítica do uso capitalista do conhecimento científico, considerando a tecnologia, tal e como existe concretamente na sociedade capitalista, como um mecanismo de dominaçom de classe e de deshumanizaçom, mas sem cair no fetichismo, isto é, entendendo a tecnologia como um elemento da luita entre proletariado e capital, pois o comunismo implica umha revoluçom radical e total, a plena emancipaçom dos sentidos e qualidades humanas.
Por outra banda, o marxismo nom reduz o proletariado ao proletariado industrial ou ao proletariado ocupado, marginando aos proletári@s empregad@s nos serviços ou desempregad@s. Entende ao proletariado como producto do capital, porque o trabalho assalariado nom é um elemento antagónico dentro do modo de produçom capitalista, senom a forma em que o capital convirte à força de trabalho num componhente do processo de produçom de plusvalor. O capital implica a existência do trabalho assalariado e vice-versa. @s proletári@s desempregados que, no actual nível de desenvolvimento da economia capitalista, somentes podem sobreviver entregando-se ao trabalho assalariado (1), estám em antagonismo co capital e vem-se obrigados a luitar contra él. O proletariado constitue-se em classe, supera a atomizaçom individualista e corporativista própria da sua consciência alienada como individuo da sociedade burguesa, como proprietario privado da sua força de trabalho, através da luita de classes. Entom transforma-se numha comunidade de indivíduos conscientes da sua identidade de interesses. A idea de que a fragmentaçom crescente do proletariado, debida à descentralizaçom da produçom, à estratificaçom salarial e de condiçons de trabalho, ao individualismo e descomposiçom da velha consciência de classe, nom pode superar-se meiante a praxis, esquece que todas as organizaçons e formas de consciência de classe anteriores foram tamém o produto da luita de classes. Em lugar de ver na luita de classes, na acçom proletária, o motor da organizaçom e a consciência revolucionárias, estes "críticos" consideram que é a sua consciência iluminada a força que fará cambiar a sociedade ou que unificará aos indivíduos. Todas as suas ideas som o produto da sua separaçom e incompreensom do proletariado e da sua praxis histórica, do seu autodesenvolvimento histórico.
Notas:
(1) Deste modo, volta-se práticamente utópico o retorno a formas económicas anteriores de propriedade privada individual, comunalismo rural, etc., para a grande maioria d@s proletári@s desempregad@s -além de que implicariam, na maior parte dos casos, um empobrecimento ainda maior-.