QUE QUERE A UNIOM OBREIRA COMUNISTA?

Uniom Obreira Comunista da Alemanha

 

I

 

  A guerra mundial e a Revoluçom tenhem demonstrado ao proletariado revolucionário clara e inequivocamente que na sua luita contra a burguesia, contra o capitalismo, deve ter organizaçons cujo carácter de negumha maneira poda ter algo em comum cos intereses da burguesia.

  Foi o 4 de Agosto de 1914 que os sindicatos livres e a social-democracia se uniram à frente militar da burguesia. Tomaram "a carga sobre as suas costas" e defenderam os interesses capitalistas da burguesia alemá.

  O aparelho organizativo centralista, a fe autoritária nos chefes das massas proletárias, fixeram-se abusivos desde as instáncias do partido. Em lugar de converter-se em palanca da Revoluçom para conduzir às massas à luita crucial contra a guerra lasciva, contra a burguesia ávida, entom as organizaçons obreiras tornaram-se o seu oposto. Convertiram-se em inibidoras dum desenvolvimento revolucionário. Por que? 

 

  O sindicato e o partido som manifestaçons e formas históricas. Com base na sua estrutura organizativa, deviam rejeitar umha determinada fase do desenvolvimento capitalista, porque o seu sistema organizativo é um empréstimo do capitalismo.

  Estam construidos seguindo o princípio: chefe e massa, monarca e súditos. Anton Pannekoek resume a caracterizaçom da verdadeira essência dos sindicatos na seguinte sentência:

 

  "Através disso, de que a limita e fai possível a existência da classe obreira, o movimento sindical encontrou o seu papel no capitalismo e convertiu-se num membro da sociedade capitalista. Assí como o parlamentarismo encarna o poder espiritual dos dirigentes sobre as massas obreiras, o movimento sindical encarna o seu poder material.

  É no capitalismo desenvolvido, e mais ainda na época imperialista das corporaçons gigantescas, quando os sindicatos amossam a mesma direcçom de desenvolvimento, como no tempo anterior os próprios corpos estatais burgueses. Neles hai umha classe de funcionários; os fundos, a imprensa, o nomeamento dos cargos subalternos, originaram umha burocracia que possue todos os meios de poder da organizaçom. De servidores do conjunto, convertiram-se nos seus amos e indentificaram-se eles mesmos (fazendo-se equivalentes) coa organizaçom. E isso, assí mesmo, fai concordar os sindicatos co Estado e a sua burocracia; a pesar da democracia que devia prevalecer, os membros nom som capaces de fazer valer a sua vontade contra a burocracia. A organizaçom enfrenta-se a eles como se fose algo estrano, como um poder exterior, contra o qual podem rebelar-se; posto que ainda que este poder brote deles está, nom obstante, por acima deles. Portanto, novamente de modo análogo ao Estado."

 

  Esta caracterizaçom dos sindicatos aplica-se quase na mesma medida aos partidos políticos.

  A sua construiçom é a mesma, só é diferente a sua funçom: a actividade política no marco do capitalismo, a actividade parlamentar, enquanto considera como dada a necessidade da sua actividade funcional.

  Hoje, na época dos decretos de emergência, da ditadura brutal do capital monopolista, o parlamentarismo já nom está vigente. A burguesia empurra a um lado estes cenários sem nengumha consideraçom quando é necessário para o seu interesse de classe. Ela mostra claros os frentes: aquí o trabalho - aquí o capital; aquí o proletariado - aquí a burguesia.

  Só de tempo em tempo pom em cena um pequeno escándalo, qualquer alboroto eleitoral, co propósito de que mantenha a apariência para a ampla massa. A massa recolhe a cédula de voto, decide o seu destino. Na realidade, nom obstante, as decisons sobre o destino das massas nom recaem no parlamento, senom nos burós dos consórcios e corporaçons do capitalismo monopolista.

  A Uniom Obreira Comunista luita, por conseguinte, dentro do capitalismo contra qualquer actividade e colaboraçom parlamentares.

  Destrue as ilusons irreflexivas das amplas massas sobre a possibilidade de "tomar a palavra" por meio do seu voto.

  Combate de modo implacável a todas as organizaçons que assumem as falsas perspectivas das massas. Seja na forma de colaboraçom prática no Estado capitalista, ou seja baixo o lema do "número de apoios" e da exploraçom do parlamento burguês como "tribuna revolucionária" co propósito de poder "falar" às massas. 

  As massas proletárias nom estám nos parlamentos. Nom escuitam os discursos dos parlamentários. E se um representante do "único partido revolucionário" pronúncia algumha vez palavras "radicais", entom os representantes no salom dos partidos burgueses levantam-se, abandoam a cámara e --o porta-voz fala às "massas"--.

  A actividade parlamentar é o objectivo, o ideal de todos os "dirigentes obreiros". Aquí rondam o comedor da burguesia, o posto de ministro, o posto de assesor, etc. etc.; aquí fam-se os Severigs, os Noskes, os Brolats; nascem os degenerados e os traidores. Os proletários som feitos um trapo. Em tanto estám desarraigados do seu ambiente de classe, perdem o contacto coas massas e se convirtem em burgueses, nos cans de pressa do capital --denominaçom na linguage popular--    

 

 

II

 

  Se o "terreo de luita" do Partido é o parlamentarismo, o terreo de luita do proletariado revolucionário é a fábrica e o lugar de trabalho (Stempelstelle, "lugar de fichar").

  Aquí estám as massas do proletariado. Aquí fala a Uniom Obreira Comunista às massas proletárias.

  Na fábrica os proletários som forjados na produçom capitalista. Aquí experimentam juntos o destino da sua classe. E aquí é o lugar do cámbio, onde se leva a cabo o próprio desenvolvimento da consciência espiritual das massas (geistige Bewusstseinsentwicklung der Massen). Em constante antagonismo co espírito de empresa e os seus lacaios, aquí o proletário tem que estar à altura das circunstáncias. Nengum parlamentário, nengum sindicalista --nem nengum funcionário de partido, nem nengumha organizaçom-- pode diminuir a luita dos proletários na fábrica.

  O desenvolvimento do capitalismo moderno e da sua forma de luita como classe, ensinou tamém a umha parte crescente dos proletários a via da forma de luita revolucionária do proletariado.

  As organizaçons revolucionárias de fábrica, que rompem todas as delimitaçons ocupacionais, som as formas de expressom exemplares do movimento de classe proletário, cuja precipitaçom e culminaçom (dever-ser) encontrará o seu desenvolvimento nos Conselhos Proletários.

  Os Conselhos revolucionários dos obreiros de fábrica e dos desempregados, estes som os executores da vontade de classe do proletariado. 

  Nengum partido, sindicato u organizaçom pode tomar a "direcçom" dos proletários, senom que nos Conselhos o proletariado mesmo cria a sua própria direcçom da luita de classes, históricamente necessária.

  Só baixo esta direcçom os Conselhos podem alcançar a meta do proletariado: o derrube do capitalismo establecendo a economia de necessidades comunista por meio da ditadura de classe proletária. Esta luita somentes pode dirigir o seu desenvolvimento com meios e métodos que compreendam ao proletariado no seu contraste directo co capitalismo, que permitam espalhar a frente de classe desde as pequenas luitas diárias do proletariado e levar a cabo entom o derrocamento da burguesia através dumha acçom de massas anti-parlamentária.

  A funçom e o sentido da Uniom Obreira Comunista é a instruiçom das massas proletárias, a propagaçom do movimento de conselhos comunista, a criaçom da luita unitária (Kampfeinheit) por meio do Conselho.

 

Aquel que quere cooperar nesta enorme tarefa abnegada,

esse é parte da Uniom Obreira Comunista!

 

 

Publicado no órgao da KAUD, Kampfruf (Grito de Luita), nº5, Maio de 1932, Berlím. Traduzido directamente do original alemám ao galego-português.

 

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