ORGANIZAÇOM DE FÁBRICA E UNIOM OBREIRA

  Quando na Revoluçom de Novembro de 1918, o caracter burguês e contra-revolucionário de partidos e sindicatos revelou-se em toda a sua glória por segunda vez, umha seiçom dos proletários, que eram sérios acerca da revoluçom, tomarom consciência. Reconhecerom que a luita proletária que se esgota na base dada, sempre se esvazia em cámbios de poder; que organizaçons burguesas com tácticas de luita burguesas, ainda quando tenham proletários como membros, acabam necessáriamente num compromisso co poder económico e estatal burguês; que, em vista do despraçamento da ênfase principal de todas as luitas cara o aspecto económico, permanecer em organizaçons políticas e livrar (fighting out) disputas políticas (polítical struggles) de aquí em diante ha de conduzir à derrota.

  Desta maneira, umha seiçom do proletariado começa a orientar-se cara novos pontos de vista, e finalmente tamém a organizar-se. É reconhecido que:

  A revoluçom proletária é completamente diferente em carácter da revoluçom burguesa.

  A revoluçom proletária é primeiro e principalmente um assunto econômico.

  O combate pola revoluçom proletária nom pode livrar-se (be fought out) em organizaçons burguesas, senom só em organizaçons proletárias.

  A revoluçom proletária deve desenvolver a sua própria táctica de luita.

  A conseqüência deste reconhecimento foi a decisiva separaçom do partido, do parlamento, do sindicato e de tudo o relacionado com eles. Ao princípio o resultado positivo flotava no ar, nom demasiado claramente, e só tomava corpo e forma co tempo, no curso de muitas luitas e discusons. O sindicato revolucionário dos obreiros americanos, IWW, emergeu como o modelo, ainda que conhecido só por uns poucos. Somado a isto, precisamente no período revolucionário, a idea do Sistema de Conselhos que se tinha ensaiado em grande parte em Rúsia, estava sendo ansiossamente discutida, e permanecia no centro de todas as sugerências práticas para a socializaçom e das tentativas de socializaçom. As folgas "selvages" que estouparom por todas partes e fôrom levadas adiante contra a vontade dos sindicatos derom orige à eleiçom de comités de acçom revolucionários, aos que pronto sucederom os conselhos de fábrica (works councils) revolucionários. Finalmente, o movimento deviu, primeiro na regiom do Ruhr entre os mineiros, numha luita por organizaçons revolucionárias de fábrica. Estas organizaçons de fábrica, agrupadas localmente e ademais unidas em áreas económicas, e a sua construiçom e completamento numha organizaçom conselhista unitária que se extendera por todo o Estado, cedo chegarom a ser a principal idea e primeiro objectivo dum movimento que fluia dentro da Uniom Obreira como novo recipiente organizativo da vontade da luita dos obreiros revolucionários. Nom argüida polos quarteis oficiais dos dirigentes, nom transmitida através da propaganda aos trabalhadores como umha astuta invençom, senom crescendo dum modo totalmente elementar desde o solo das luitas mais vigorosas e sérias; pronto estableceu-se incondicionalmente, como o objecto dos mais aquecidos conflitos de opinom e debates, no centro do movimento revolucionário.

  O movimento da Uniom Obreira origina-se do conhecimento básico de que a revoluçom proletária, porque quere ver derrocada a base da sociedade, é em primeiro lugar umha revoluçom econômica, e que a força de trabalho do capital, cujo poder está ancorado nas fábricas e se desenvolve em primeiro lugar económicamente, deve avançar desde as fábricas como poder determinado.

  Só na fábrica o obreiro actual é realmente um proletário, e como tal um revolucionário dentro do significado da revoluçom socialista-proletária. Fóra da fábrica é um pequeno-burguês, envolto num entorno pequeno-burguês e em hábitos de vida de classe meia, dominado pola ideologia pequeno-burguesa. Tem crescido em famílias burguesas, educado numha escola burguesa, nutrido no espírito burguês. O matrimónio é umha instituiçom penal burguesa. Morar em barracas alugadas é umha disposiçom burguesa. O fogar privado de cada família coa sua própria cocinha conduz a um modo de vida económico completamente egoista. Alí o marido olha pola sua esposa, a esposa olha polas suas crianças; cada um pensa só nos seus interesses. Ainda o neno é orientado nas escolas burguesas cara o conhecimento baixo a influência da burguesia, que está costurado de acordo coas tendências burguesas. Tudo é tratado da perspectiva da interpretaçom ideológica-burguesa da história. Logo na aprendizage, nas ocupaçons, no centro de trabalho (workshop): de novo em ambientes burgueses. O que seja que um le, que recolhe no teatro, no cinema -e assí em todas partes, na rua, no alojamento--, a existência burguesa vem a encontrar-se com el. E tudo isso da lugar a um modo de pensar e de sentir burguês.

  As multitudes volvem-se, tam pronto como se tenhem quitado as roupas de trabalho, burguesas tamém no seu comportamento. Eles tratam às esposas e aos filhos tal como som tratados polos seus patronos, demandam submetimento, serviço, autoridade. Quando o proletariado seja libertado da burguesia, as mulheres e as crianças todavia terám que ser libertadas dos homes. Isto nom tem nada que ver cumha intençom malvada, senom que emerge da nossa atitude burguesa, através do ambiente, através da atmósfera burguesa.

  Sempre que o obreiro seja visto fóra da fábrica, é um pequeno-burguês. Na roupa, nos hábitos, no estilo de vida, el imita ao burguês e está contento quando nom se lhe pode  distinguir da burguesia. Se agrupamos ao obreiro de acordo coas suas áreas vitais e as ruas onde vive, coa afiliaçom ao partido e ao sindicato, entom o encontraremos um pequeno-burguês. No melhor dos casos entendemo-nos com el para distribuir um folheto, para umha manifestaçom (demostration) pacífica, difizilmente algo mais. Prefire eludir a luita ou retirar-se rápidamente. "Os dirigentes devem luitar", di el na sua covardia, "para isso lhes pagamos".

  Na fábrica o trabalhador é outra persoa. Alí confronta-se co capitalista cara a cara, sinte o punho no seu pescoço, é irritado, está afligido, hostil. Se um conflito estoupa aí, nom pode evita-lo tam fázilmente. Está baixo o controlo de outros, sujeito à influência geral, é arrastrado junto co resto e se mantém firme. A disposiçom revolucionária e a determinaçom revolucionária coincidem aquí.

  Partidos e sindicatos, devido a que sempre incluem aos proletários pequeno-burgueses, nunca os proletários efectivos (real), conscientes, nom podem nunca --sobre o único fundamento da composiçom ddos seus recursos humanos-- levar a cabo umha acçom revolucionária. No melhor dos casos, um alboroto ou umha sediçom (putsch). Mas logo, quando estes furiosos pequeno-burgueses, a sua raiva que reventa, precipitam-se nas ruas para luitar, som acurralados, mutilados ou apunhalados polo organismo burguês (os patronos, a policia, o exército). E o movimento está perdido.

  Nom assí na fábrica. Em toda fábrica hai um núcleo de elementos revolucionários. Venhem de todos os campos e partidos. Só umha groseira desilusom pode manter que exclusivamente hai revolucionários num partido ou que a aderência a este partido constitue a qualidade revolucionária. Todos os revolucionários na fábrica, sem travas pola prévia aderência a um partido ou sindicato, reunem-se e formam a organizaçom de fábrica revolucionária. Es revolucionário? Estas abandoando o partido e o sindicato? -- Isso é suficiente. Qualquer que queira pode converter-se num membro da organizaçom de fábrica revolucionária.

  A revoluçom proletária tem que destruir um poderoso sistema desde o seu fundamento e criar algo totalmente novo sobre a mais ampla escala. Para esta tarefa as forças de partidos e sindicatos nom som adecuadas. Incluso as mais fortes associaçons som demasiado débiles para isso. A revoluçom proletária só pode ser a obra do conjunto da classe proletária. Todas as energias devem incluir-se para isto. Cada indivíduo deve estar no seu próprio lugar e dar alí o melhor de si mesmo. Este lugar próprio é a fábrica, onde cada um cumpre co seu dever. Aquí, na fábrica, todas as forças proletárias encontram a sua expresom.

  Basicamente, a organizaçom de fábrica nom é nada novo. Que cresza de modo quase natural a partires da luita explica-se polo facto de que, no desenvolvimento da luita e do trabalho, todo estava preparado para o seu xurdimento. Estivo, por assí dizer, ao alcance da mao durante muito tempo; o capitalismo mesmo criou-na. Com motivo do benefício construiu um assombroso sistema de organizaçom do trabalho: a fábrica, a mina, as obras (works), o complexo económico, o distrito comercial. Os obreiros só necessitam adquirir consciência revolucionária desta organizaçom para apropriar-se dela, cerca-la e usa-la para organizar a luita. Nom tem que criar de novo um substituto do partido nem um competidor do sindicato. Só tem que tomar possuisom da organizaçom existente do trabalho, que serve às fins do benefício capitalista, e ponhe-la ao serviço dos objectivos revolucionários da luita. Isto acontece quando os trabalhadores nas fábricas reconhecem eles mesmos o poder que tenhem nas suas maos; quando aturam maiores sofrementos para tomar por si mesmos o aparelho organizativo existente; e quando finalmente tomam possuisom das fábricas, para erradicar o sistema burguês e pór o socialismo no seu lugar. O meio para isso é a organizaçom de fábrica.

  A organizaçom de fábrica é umha forma federativa sem centralismo. Todos os membros som independentes; ninguém de fóra da fábrica tem voz nos seus assuntos de fábrica. Nas suas organizaçons de fábrica os membros som autónomos. Nengúm chefe desde a oficina ou sede central, nengum dirigente intelectual ou profissional pode interferir nos seus assuntos. As organizaçons de fábrica construem-se a partir dos seus próprios recursos e resolvem os seus assuntos coas suas próprias energias e os seus próprios meios. Esta é a independência federalista. A autonomia. A organizaçom de fábrica nom é nem um partido nem um sindicato. Nom tem nada que ver coa agitaçom e a participaçom nos sindicatos. Nom é umha associaçom laboral, nem umha instituiçom de beneficência ou socorro; nom assina nem contratos de trabalho nem tem interesse nos navios a vapor de HAPAG bautizados co nome de "Karl Legien" [23]. É logo, simplesmente um lugar para a preparaçom e o fomento da revoluçom.

  Se umha organizaçom de fábrica existe próxima a outras, entom devem formar ligaçons entre si. Assumiremos que dentro de grandes organizaçons de fábrica existirám diferentes seiçons (fundiçom, moldeo, torneado, carpinteria e contabilidade). Essas seiçons juntas compreendem os trabalhos. Nas questons que nom concernam às seiçons individuais senom ao conjunto, as organizaçons de fábrica devem trabalhar juntas. Isto acontece através dos delegados de fábrica ou enlaces (shop stewards), que som eleitos na base e ad hoc (a propósito) da base. Para umha discusom, umha certa resoluçom, o delegado recebe um mandato imperativo da sua organizaçom de fábrica. O delegado tem únicamente que levar a cabo as instruiçons da sua organizaçom de fábrica, e por esse motivo nom dispóm de nengumha classe de direitos independentes. Assí, o dirigente nom é independente dos seus eleitores como a secretaria do partido ou os membros do parlamento. Nom pode decidir umha cousa ou outra e posteriormente remeter-se à base e receber um voto de confiança. Só tem que realizar a vontade das massas. A afiliaçom tem o direito de revoca-lo em qualquer momento se o delegado nom é de confiança. Pode ser entom reempraçado por outro melhor. Está permanentemente baixo o controlo e o poder das massas --através sua expressa-se a massa trabalhadora--.

  Mas pode haver questons que vaiam além ainda da esfera dumha fábrica, que quiçais afectem a umha regiom económica enteira. Entom os delegados das fábricas de toda a regiom económica reunem-se. Tamém tenhem um mandato imperativo e som sempre revocáveis. Assí, a estrutura é completa, desde a fábrica, através dos trabalhos, o distrito económico, até o Estado enteiro. Isto nom é um novo centralismo, senom só o Sistema de Conselhos construído de abaixo a acima. O centralismo tamém tem, superficialmente, esta forma de organizaçom. Mas alí as ordes vam de acima a abaixo. Na estructura da organizaçom de fábrica a decisom vai de abaixo a acima; nom descansa no juiço dos dirigentes, senom no fundamento de que as massas expressem a sua vontade. Os dirigentes nom mandam mentres as massas tenhem que obedecer; mais bem, as massas decidem e os dirigentes se tenhem convertido em executores da vontade das massas. A política é realizada em nome e trás a iniciativa das massas. Isto é o fundamentalmente novo, o elemento proletário.

  Os velhos partidos e sindicatos establecerom a sua estrutura como segue: umhas quantas persoas que se considerarom como dirigentes desde o princípio organizarom um congresso, prepararom um programa, elaborarom umha resoluçom fundacional e se derom umha denominaçom --logo recrutarom-se os membros--. Primeiro estavam os funcionários (officers), logo os soldados --o influenciamento e otorgamento de bendiçons sobre as persoas seguiu-se do anterior, de acordo co princípio autoritário--.   

  Na estrutura da organizaçom de fábrica isto é exactamente do modo inverso. Primeiro de tudo estám as massas alí, reunindo-se, organizando e deliberando sobre os seus assuntos. Se a gente necessita levar a cabo as decissons tomadas, entom escolhem-se delegados a quem a decisom é transmitida como um mandato imperativo. Se os delegados se reunem numha conferência cos delegados doutras organizaçons de fábrica, a conferência nom tem que deliberar e concluir, tem soamentes que establecer a vontade das organizaçons de fábrica representadas. A decissom é a afirmaçom desta vontade. Ora bem, é a tarefa da conferência deliberar como se levará a cabo a decisom do modo mais convinte. Deste modo, os delegados convirtem-se em órgaos executivos que cumprem a vontade das organizaçons de fábrica. Nom estám em primeira fila, senom na última, pois o movimento vai de abaixo cara acima. A ênfase principal está nas massas, nom cos dirigentes.

  A associaçom de organizaçons de fábrica (Betriefsorganization) numha unidade mais ampla e mais forte denomina-se umha Uniom Obreira (Arbeiterunion). O corpo de direcçom da Uniom Obreira está formado por aqueles no cúmio das organizaçons regionais. Nesta estrutura organizativa a Uniom Obreira nom é federalista nem centralista, senom ambas e nengumha à vez. Deixa que a liberdade e a independência sigam existindo na subestrutura, tal e como é garantida polo federalismo das organizaçons de fábrica, mas acrescenta na superestrutura o factor unificante da concentraçom, derivado do centralismo. Mas assí como o federalismo está presente sem a sua debilitade da fragmentaçom e a falta de unidade, tamém o centralismo o está, sem a devantage do paralisamento e da asfíxia da iniciativa individual e da vontade das massas. Na Uniom Obreira, entom, federalismo e centralismo aparecem na sua mais elevada unidade, numha síntese. Aí descansa a grande superioridade da Uniom Obreira sobre qualquer outra organizaçom. É mais completa que qualquer associaçom simplesmente federalista ou centralista; é ambas cousas sem as devantages dumha forma ou da outra.

  Na fase pre-revolucionária a divisom das organizaçons em organizaçom política e organizaçom sindical tinha um sentido. Nesse período havia, de facto, luitas puramente políticas que seriam resoltas (fought out) com meios políticos, e luitas puramente económicas que demandavam meios de luita exclusivamente económicos. Desde a guerra e a grande transformaçom que produziu, isto se tem alterado. Hoje toda luita económica, ainda que pequena ao princípio, devém num chiscar de olhos num conflito político: todo movimento salarial acaba co reconhecimento de que os incrementos salariais já nom vam ajudar mais ao proletariado, que, mais bem, somentes botar a um lado o conjunto do sistema salarial assegura a sua salvaçom do afundimento. Mas isto é tamém um problema político, e vice-versa: todo conflito político sério imediatamente póm em movimento as armas das luitas económicas. Ebert e Noske, inimigos jurados da folga geral, quando virom o seu sistema político posto em perigo polo golpe (putsch) de Kapp, chamarom às massas à folga geral. O KPD, nos seus famosos 21 pontos da Conferência de Partido de Heidelberg [24], rejeitarom dum modo completamente decisivo a sabotage e a resistência passiva como "métodos de luita sindicalistas e anarquistas". Mas na luita do Ruhr, o governo, o SPD e o KPD juntos, chamarom aos trabalhadores à sabotage e à resistência passiva.

  Na revoluçom, a situaçom actual demanda que agora este, agora esse método, sejam empregados na luita, que os métodos se cambiem com rapidez, que se empreenda freqüentemente umha combinaçom de métodos, etc.  A revoluçom mesma cámbia o seu aspecto contínuamente; agora é mais um processo económico, agora mais um processo político; tem o maior interesse numha organizaçom económico-política integrada, coa que estimar (measure up) cada situaçom e fase da luita. A Uniom Obreira é a tal organizaçom integrada.     

  A primeira Uniom Obreira em quanto que organizaçom integrada originou-se em Outubro de 1921, seguindo a liderança da Saxónia Oriental, que já se tinha separado do KAPD em 1920. Umha conferência nacional adoptou por sugerência de Saxónia Oriental os seguintes princípios fundacionais da AAUD-E (Uniom Geral Obreira - Organizaçom Unitária):

 

 

[Linhas de orientaçom da AAUD-E]

 

1. A AAUD-E é a organizaçom unitária política e económica do proletariado revolucionário.  

 

2. A AAUD-E luita polo comunismo, a socializaçom da produçom, matérias primas, meios e forças, e dos bens necessários producidos a partir deles. A AAUD-E quere establecer a produçom e a distribuiçom planificadas em lugar dos actuais métodos capitalistas.   

 

3. O objectivo último da AAUD-E é umha sociedade sem dominaçom, o caminho cara esta meta é a ditadura do proletariado como classe. A ditadura do proletariado é o exercício exclusivo dos operários da sua vontade sobre a instituiçom política e económica da sociedade comunista, por meio da Organizaçom de Conselhos (Räteorganisation).

 

4. A tarefas imediatas da AAUD-E som:

 

(a) A destruiçom dos sindicatos e dos partidos políticos, principais obstáculos para a unificaçom da classe proletária e o ulterior desenvolvimento da revoluçom social, que nom pode ser o assunto de partidos e sindicatos.

(b) A unificaçom do proletariado revolucionário nas fábricas, os embrions da produçom, o fundamento da sociedade vindeira. A forma de toda uniom é a organizaçom de fábrica.

(c) O desenvolvimento da auto-consciência e do sentido de solidariedade entre os obreiros.

(d) A preparaçom de todas as medidas que serám necessárias para a construiçom política e económica.  

 

5. A AAUD-E descarta todos os métodos de luita reformistas e oportunistas e opom-se a qualquer participaçom no parlamentarismo e nos conselhos de fábrica legais, porque isto significa a sabotage da idea dos conselhos (Rätegedankens).  

 

6. A AAUD-E prescinde fundamentalmente da direcçom profissional. Os chamados dirigentes só podem ser considerados como conselheiros.

 

7. Todas as funçons na AAUD-E som honorárias.  

 

8. A AAUD-E nom considera a luita de libertaçom do proletariado como um assunto nacional, senom  internacional. Por conseguinte, a AAUD-E esforça-se pola unificaçom de todo o proletariado revolucionário mundial numha Internacional de Conselhos (Räte-Internationale).

 

  Com este programa de princípios-guia, a AAUD-E constituiu-se em 1921 como umha organizaçom integrada. Depóis de dous anos de desenvolvimento, o grupo local de Dresde tivo ocasiom de expôr, nos seguintes princípios programáticos e organizativos, as suas perspectivas e experiências, que obtivera de luitas ininterrompidas empreendidas coa mais extrema coerência.  

 

 

1. As origes do Movimento Unionista (Arbeiterunion).  

 

  A Guerra Mundial, cos seus efeitos nacionais e internacionais nas esferas política, económica e cultural, imprimiu à época da revoluçom umha velocidade acelerada.  

  O derrumbe crescente da economia capitalista engendra, como a sua conseqüência, um empobrecimento sempre crescente da classe obreira.   

  Este empobrecimento crescente, como mostra a experiência, nom pode ser compensado durante muito tempo através de luitas por melhores condiçons salariais ou através de reformas legislativas (parlamentares). Só pode ser eliminado através da supressom do mesmo sistema económico capitalista e o seu reempraçamento pola economia de necessidades socialista-comunista. Como a consecuçom desta meta através da luita só pode ser assunto da classe proletária mesma, de aquí xurde a reivindicaçom, de modo completamente natural para o proletariado, de abandoar todos os métodos reformistas de luita e reempraça-los por umha forma de luita resolta, revolucionária, e tamém organizada de modo diferente. A vitória da revoluçom tem como o seu pre-requisito a unificaçom da classe obreira. Os partidos e os sindicatos, inclinados pola sua natureza toda ao reformismo, se tenhem demonstrado um obstáculo para a necessária unidade revolucionária. Centralistas na sua estrutura organizativa, coa característica particular da direcçom profissional, estas formas de organizaçom impidem especialmente o desenvolvimento da auto-consciência do proletariado.  Portanto, o problema da unidade convirte-se simultáneamente num problema sobre a forma de organizaçom revolucionária.   

  A AAUD-E emanou deste conhecimento e de acordo coa conceiçom materialista da história, pola qual a transformaçom das relaçons sociais e económicas implica necessáriamente cámbios consequentes na forma organizativa.  

 

 

2. Natureza e fim da AAUD-E.  

 

  Partindo da compreensom de que as questons económicas e as questons políticas nom podem separar-se artificialmente, a AAUD-E nom é nem um sindicato nem um partido, senom umha organizaçom integrada do proletariado. Co propósito de levar a cabo o frente unificado do proletariado, a Uniom Obreira organiza a todos os trabalhadores que professem a sua meta nos lugares de produçom, nas fábricas. Todas as organizaçons de fábrica associam-se na Uniom Obreira sobre a base do Sistema de Conselhos.  

  A transformaçom genuina da economia capitalista na economia socialista-comunista tem como pre-requisito a expropriaçom revolucionária dos meios de produçom polo proletariado. O processo de transformaçom só pode completar-se através da dictadura, que é a expressom exclusiva da vontade da classe proletária. O instrumento da transformaçom é o sistema revolucionário dos conselhos. O Sistema de Conselhos, de acordo ao qual se estrutura a Uniom Obreira, deverá anticipar no presente os traços básicos do Sistema de Conselhos futuro.  

 

 

3. Estrutura da Organizaçom de Fábrica.  

 

  A organizaçom de fábrica elege de si própria um número de delegados de fábrica, que se julgam necessários de acordo co seu tamanho e tipo de fábrica. Eles encarnam o conselho obreiro particular, que tem que regular todos os assuntos de acordo cos membros. Os dirigentes (o conselho obreiro) afrontarám umha nova eleiçom cada quarto [de ano]. A re-eleiçom está permitida. Cada membro é elegível. Se vários membros da Uniom som empregados noutra fábrica, tenhem o dever de fundar umha organizaçom de fábrica. Os membros individuais organizam-se, primeiro de tudo, segundo grupos de indústrias ou áreas vitais, como tamém segundo as relaçons entre pequenas fábricas. As empresas autónomas de pequena escala, como fam igualmente os intelectuais, organizam-se por áreas de residência. Os grupos de área assumem o carácter de organizaçons interinas, na medida que cada membro dum tem que separar-se tam pronto como as condiçons acima citadas estejam presentes para a fundaçom dumha organizaçom (de fábrica) própria na sua fábrica.  

 

 

4. A estrutura da Uniom (Organizaçom de Conselhos)  

 

  Cada organizaçom de fábrica, área de residência ou grupo industrial, tem que enviar ao menos um delegado de fábrica à corpo local de direcçom dos conselhos (local Heads-of-Councils body) da Uniom. As organizaçons de fábrica mais grandes, e os grupos regionais e industriais, enviam vários delegados de fábrica. O seu número pode regular-se de tempo em tempo segundo um plano uniforme adaptado a consideraçons práticas.

  As três organizaçons anteriores formam juntas um grupo de conselhos local num lugar dado. Todos os grupos locais dumha certa área económica formam juntos um distrito económico. Os grupos locais elegem de entre eles mesmos um conselho económico de distrito, que na sua maior parte actua como um posto de informaçom para o distrito, e é ademais órgao executivo para as tarefas que se lhe assignem pola conferência de distrito. El convocará as conferências que xurdam da necessidade, sempre que a situaçom do momento faga impossível o acostumado entendimento prévio entre os grupos locais. As conferências nacionais abordarám-se de igual modo.

  Cada grupo local de distrito tem o dever de estar representado na conferência de distrito. Polo menos umha vez ao ano tem que ter lugar umha conferência nacional, na que todos os distritos económicos, até onde seja possível, devem estar representados.

  A conferência nacional elege um conselho económico nacional. O seu carácter e os seus deveres correspondem-se cos do conselho económico de distrito, coa soa diferência de que a sua actividade se extende sobre toda a área do Estado. Se se suscitam medidas necessárias, extraordinárias às suas deliberaçons, no tempo entre conferências nacionais, e estas concernem à Uniom como um todo, deve primeiro submete-las a um processo geral de toma de decisons.

  As conferências nacional e de distrito únicamente tenhem o seu próprio direito de decissom no que concerne, respeitivamente, a questons gerais nacionais ou de distrito. Em particular, tais decisons nom devem violar os princípios geralmente reconhecidos. Em conjunto, estas conferências deverám server para intercambiar experiências.

   Todos os delegados de fábrica da organizaçom de fábrica individual, como da Uniom como um todo, som revocáveis em qualquer momento.  

 

 

5. A táctica.  

 

  O rechaço fundamental da AAUD-E de toda participaçom nas eleiçons aos conselhos de fábrica legais, implica como conseqüência tamém o rechaço da delegaçom de membros da Uniom a este corpo, actuando da perspectiva de que a actividade nos conselhos de fábrica legais efectua um mascaramento artificial das oposiçons de classe.  

  A partir do reconhecimento aducido baixo o ponto primeiro, a AAUD-E rejeita igualmente o princípio de propaganda e agitaçom para folgas parciais. Nom obstante, dado que a Uniom nom está todavia na actualidade em posiçom de influir o desenvolvimento da situaçom nesta direcçom, xurde automáticamente a circunstáncia de que os camaradas da Uniom serám arrastrados às folgas económicas junto cos obreiros de orientaçom sindical. Em tais casos, os camaradas da Uniom em activo tenhem que promover a necessária solidariedade económica por meio de contribuiçons acordadas. O nível da contribuiçom necessária é discutido e fixado no seu momento no encontro dos dirigentes do conselho, e será recadada na forma dumha suma global, igual para cada um, de cada camarada, e entregada ao comité de fábrica local através do órgao de direcçom da organizaçom de fábrica. Deixa-se em maos de cada organizaçom de fábrica se recada um fundo para tais propósitos ou se promove entre si a contribuiçom caso por caso. O princípio decisivo deve ser: "Quem da rápido da o duplo!". Se a solicitude de solidariedade xurde por toda a regiom, o nível da contribuiçom regional necessária será calculado polo corpo regional apropriado. Se a aplicaçom da solidariedade fai-se necessária ao longo e ancho do país, o correspondente corpo nacional tem que encarregar-se do seu regulamento da mesma maneira.  

  Todo o dinheiro recadado será entregado imediatamente do comité de trabalho local ao grupo regional ou local envolto na folga. O método de cálculo seguese do esquema: 25 camaradas devem manter a um camarada. A taxa de manutençom deve ascender a um 60% do salário meio geral, tendo em conta o descenso dos salários reais.  

  Os moderados ou outros camaradas caídos em necessidade na luita pola nossa meta tenhem igual direito à solidariedade; o nível da taxa de manutençom do momento é determinado polo corpo competente mais próximo, ao qual é enviada a contribuiçom.   

 

 

6. A natureza da administraçom.  

 

  Todo o dinheiro requerido para a administraçom polos comités locais, de distrito e nacional será recadado por meio de contribuiçons. Todas as funçons em toda a Uniom serám realizadas sobre base honorária; soamentes acordam-se reembolsos nos casos que involucrem a perda da paga, ou para tarifas e custes adicionais que se originem necessáriamente polos porta-vozes itinerantes.

 

 

7. A afiliaçom.  

 

  A afiliaçom está aberta a quaquel home ou mulher que subscriva as normas e princípios anteriores.  

  O direito de exclusom pertence únicamente à organizaçom de fábrica; a eventual exclusom dumha organizaçom de fábrica, à Uniom local. Todo um distrito local ou económico só pode ser excluído pola conferência nacional. As exclusons só podem produzir-se quando estejam em questom violaçons dos princípios reconhecidos geralmente.   

  Contra todas as exclusons pode apresentar-se apelaçom, dentro do praço de quatro semanas, ao corpo mais elevado, cuja decisom nom pode questionar-se mais. Até o rejeitamento da sua apelaçom, o apelante é todavia membro pleno do conjunto da Uniom, e os documentos apropriados para a elucidaçom das circunstáncias nom lhe podem ser recusados. 

  Todo camarada tem sempre o dever de assumir o mais vivo interesse na questom dos princípios, táctica e organizaçom da AAUD-E; deste modo assegura-se o completamento estrutural da organizaçom e o nosso poder.

 

 

Cap. 7 do livro Da Revoluçom burguesa à Revoluçom proletária, 1924.

 

 

NOTAS:

 

[23] Hamburg-Amerikanische Paketfahrt-Aktiengesellschaft era a mais grande companhia navieira alemá; Karl Legien era a cabeça dos sindicatos alemáns durante e depóis da guerra, e um astuto colaborador de classes.    

 

[24] Fora em Outubro de 1919 quando a maior parte dos membros do KPD fóram expulsos pola sua oposiçom ao parlamentarismo e ao sindicalismo.     

 

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