Herman Gorter

 

A ORGANIZAÇOM DA LUITA DE CLASSE DOS PROLETÁRIOS

 

( DIE KLASSENKAMPF-ORGANISATION DES PROLETARIATS )

 

Berlím, 1921.

 

 


Traduzido do alemám e anotado por: Comunistas Revolucionári@s.

Preparado para a publicaçom digital: Galiza (Estado espanhol), 8 de Junho do 2004.

Contacto: [email protected]

 

 

 


1. A organizaçom de fábrica: a Uniom Obreira Geral.

 

  A maior debilidade da revoluçom alemá e da revoluçom mundial, e umha das causas mais fortes das suas derrotas, é que nom está a ser dirigida segundo umha táctica científica, é dizer, histórico-materialista. Nom se póm em primeiro lugar a determinaçom da táctica, nem se pergunta em absoluto muitas vezes acerca das condiçons de produçom e de classe da Alemanha, Europa ocidental e Norte-américa.

  A principal responsabilidade disto tenhem-na os russos Lenin, Zinoviev e Radek, entre outros, e toda a III Internacional. Eles dixerom simplesmente: Imitade a Rússia! Imitemos nestes Estados desenvolvidos, é dizer capitalistas bancários e altamente industrializados, a esse Estado agrário atrasado!! E assí se fixo!!!

  E outros clamarom, de modo igualmente estúpido: criemos umha soa Uniom e abolamos os Partidos. Como se vivessemos nos Estados Unidos, atrasados por completo na consciência política!

  Nom é nengum milagre que nom soframos mais que derrotas, e que nom venham sinais da revoluçom mundial. 

 

  Porque, como se pode triunfar sem umha táctica fundada nas condiçons de classe, no Materialismo histórico?

  A continuaçom provarei teóricamente a necessidade dum Partido Comunista, como é o KAPD, e dumha tática como a do KAPD para Europa ocidental e Norte-américa, desde fundamentaçons histórico-materialistas, é dizer, partindo das condiçons de produçom e de classe de Europa ocidental e Norte-américa.

  Porque a táctica do KAPD é a única que está certa das condiçons de produçom e de classe de Europa ocidental e Norte-américa, e qualquer outra diferente, por exemplo a da VKPD e da III Internacional, nom está fundamentada nestas condiçons e acabará assí fracassando sempre (1).

  Somentes se a táctica está fundada numha base histórico-materialista, pode-se entom progressar. Só entom pode unir gradualmente a todos os auténticos revolucionários. Só entom as divisons podem ser superadas.

  A primeira condiçom de produçom e de classe na que o proletariado deve basear-se é: o capitalismo está na bancarrota numha grande parte de Europa, e ameaça ao proletariado co afundimento ou coa mais terrível escravitude. O proletariado pode e deve destruir o capitalismo. Se a revoluçom triunfa, entom o capitalismo volta-se insustentável tamém na Inglaterra e Norte-américa, e aí está o comunismo mundial!

 

  O conjunto da táctica do proletariado deve, por conseguinte, dirigir-se cara a revoluçom. Todo o que faga o proletariado deve promover a revoluçom. Que táctica deve seguer o proletariado para levar a revoluçom à vitória?

  A táctica russa da ditadura do partido e dos dirigentes aquí é impossível que seja a correcta. Porque o proletariado russo é minusculamente pequeno e se enfrenta a um capitalismo débil. Armou-se durante a guerra mundial. As classes possuidoras que se lhe opuxeram estavam divididas. Incontáveis milhons de camponeses ajudarom ao proletariado. Consequentemente, triunfou aquí um pequeno Partido (o bolchevique).

   Na Europa ocidental, em primeiro lugar na Inglaterra e na Alemanha, e nos Estados Unidos, um proletariado gigantesco opóm-se a um capitalismo gigantesco. Está quase desarmado. E o grande capital, o capital bancário, une a todas as classes possuidoras, tamém à pequena-burguesia e aos pequenos proprietários, contra o comunismo.

  Mentres que o capitalismo russo era novo e, deste modo, somentes um pouco enraizado em antigos métodos de produçom, o capitalismo europeo ocidental está sólidamente fundado desde hai muitíssimos séculos no mundo material, e especialmente tamém no mundo ideal, do conjunto da populaçom.

  Destas simples e, em qualquer caso, vissíveis condiçons de produçom e de classe, segue-se que nem um pequeno partido nem os seus chefes podem aquí, durante e depóis da revoluçom, exercer a Ditadura. Em soma, o oponhente é demasiado poderoso e o proletariado demasiado numeroso. Incluso agora na Alemanha, por exemplo, todas as classes capitalistas estám fortemente unidas contra o comunismo! E o proletariado soma polo menos três quintos da populaçom, entre 30 e 40 milhons. Sobre este inimigo e este enorme proletariado, nem um pequeno partido, nem umha camarilha de chefes, podem reinar. Nem durante nem depóis da revoluçom.

 

  Quem deve dominar aquí, durante e depóis da revoluçom? Quem deve exercer a Ditadura?

  A classe mesma, o proletariado. Quando menos umha parte muito grande da mesma. E assí é em Inglaterra, os Estados Unidos e em toda Europa ocidental.

  Isto segue-se das condiçons de classe. Esto di a nossa teoria, o Materialismo histórico, que nunca nos enganou. E qualquera, incluso o mais simple obreiro, pode ve-lo. É a verdade.

  E quero dizer aquí publicamente e com grande força e claridade que, o que até agora se tem dito ainda com indulgência, depóis das conseqüências da táctica russa em Europa ocidental (trás a Acçom de Março na Alemanha e a quebra do VKPD), pode dizer-se sem essa suavidade: se a táctica russa da ditadura dos dirigentes do Partido é seguida agora aquí, ainda depóis das desastrosas conseqüências que trouxo, entom nom é já umha estupidez, senom um crime. Um crime para a revoluçom.

  Se todavia se defende agora umha ditadura de partido e de dirigentes na Alemanha, Inglaterra, Europa ocidental e Norte-américa e é aprovada por Radek, Zinoviev, Lenin e outros russos e pola Internacional, entom temos que dizer-lhes: quitade as maos. Os obreiros revolucionários de Europa ocidental, principalmente de Alemanha e Inglaterra, decidirám e tomarám umha direcçom por si próprios.

  Aquí nom é necessária nem umha ditadura de partido nem umha ditadura de chefes, senom umha Ditadura da Classe, da maior parte da classe.

  Isto segue-se, nom se poderá repetir bastante, do gigantesco poder dos oponhentes, do grande número do proletariado e da terrível luita que temos que dirigir, dirigir a umha massa sempre maior. Mil vezes mais terrível que na Rússia.

 

  Que significa, por conseguinte, que a classe mesma deve exercer a Ditadura?

  Em primeiro lugar, que a parte mais grossa dos proletários devem chegar a ser comunistas conscientes, luitadores esclarecidos do seu objectivo. Mas nom basta com isto! Umha multitude desorganizada nom pode exercer a Ditadura. Deve haver umha organizaçom.

  Umha organizaçom, por conseguinte, da maior parte dos proletários, consistente em comunistas conscientes e luitadores provados.

  Isto é o que necessitamos aquí, na Alemanha, Inglaterra, Europa ocidental, Norte-américa. Isto é o que se impôm a partir de razons histórico-materialistas, das condiçons de classe.

  Certamente, criar tal organizaçom é muito difízil. Destruir os sindicatos e erigir no seu lugar tal organizaçom é umha tarefa pesada e prolongada. Mas, nom é aquí difízil a revoluçom? Crêem vostedes que pode lograr-se algo aquí com métodos menores e ligeiros?

  Aquí nom é valido lançar-se coa ajuda de inumeráveis milhons de camponeses sobre um capitalismo débil, nom unificado em sí próprio sobre a multitude -- aquí o essencial é desarraigar um capitalismo colosal, o capitalismo nos seus países originários Inglaterra e França, em consequência com séculos de antiguidade; acala-lo desde os maravilhosamente organizados alemaos e norte-americanos.

  Se pensam que é umha tarefa fácil, sigam assí o exemplo russo, a táctica russa -- se nom, busquem e vaiam polo seu próprio caminho!

  Isto diferencia-nos de Rússia, onde polas condiçons de classe, e meiante a ajuda de 20 a 30 milhons de camponeses pobres, foi necessária a ditadura dos dirigentes do partido com todas as suas conseqüências de obediência de cadáver e centralizaçom absoluta e estrita.

  É presisa umha organizaçom de milhons, de muitos, muitos milhons de comunistas conscientes. Nom venceremos sem estes.

  Devemos resolver esta tarefa.

 

  Ou seja, camaradas, que somentes agora começa o verdadeiro  trabalho (eigentliche* werk), o mesmo que a verdadeira luita. Todo o anterior desde 1848 a 1917, desde Marx até Revoluçom russa, foi somentes a preparaçom, o prelúdio. O auténtico, vem somentes agora.

  O proletariado, o conjunto do proletariado de Europa ocidental e Norte-américa, ou polo menos a sua maior parte, deve agora elevar-se, alçar-se a umha enorme altura de força mental e moral.

  Porque aquí, em Europa ocidental e nos Estados Unidos, terá lugar a verdadeira revoluçom proletária (wirkliche proletarische Revolution). Nom como na Rússia, só parcialmente proletária, e democrático-camponesa na sua maior, mais grande parte; nom, umha puramente proletária.

  A totalidade do proletariado, o seu maior grosso, deve elevar-se a um enorme nível. Nom só umha camarilha de dirigentes, nem tampouco só um Partido.

  Definitivamente, chegou o momento para as massas mesmas, para os proletários.

  O período de 1848 a 1917, o período da evoluçom** de Marx a Lenin, foi a época dos chefes, dos poucos. No parlamento, e meiante as luitas salariais, os dirigentes eram o mais importante, a força principal. Tamém os intelectuais e os teóricos. Porque tinha que ser negociado, e isto é cousa dos dirigentes***. Tinha que buscar-se o modo, e isto é cousa dos teóricos. Mas agora a massa mesma, o proletariado mesmo, vem à cena. Aquí, nestas partes do mundo. Tem que actuar el mesmo, home por home, mulher por mulher. A acçom volta-se o decisivo. A sua acçom. Deste modo, a importáncia dos dirigentes volta-se relativamente menor, inferior. O proletariado, os trabalhadores e trabalhadoras adquirem igual valor que os seus velhos dirigentes. Convirtem-se igualmente em dirigentes, teóricos, intelectuais. Os sobrepassam.

  O proletariado, os proletários, elevarám-se a umha altura e um poder ante os quais empalidece o brilho de todas as precedentes revoluçons burguesas.

  Isto deve acontecer, porque a vitória é necessária e, sem isto, nom é possível. Portanto, elevarám-se.

  Já o fam. 

 

 

  O proletariado, a sua mais grande parte, deve chegar a ser um bom comunista, deve ser um luitador esclarecido da sua meta. E este grosso maior deve ter umha organizaçom, coa que poda lograr a vitória. Como alcançaremos esta meta? Sobre um caminho brando? Que organizaçom pode servir para isso?

  Som de novo as condiçons de produçom e de classe da nossa sociedade europea ocidental e norte-americana (nom a russa), altamente capitalista, trustificada, financeirizada (bankkapitalistischen) e imperialista, as que nos proporcionam a resposta!

  Nunca (isto acrescenta-se entre chaves) a arma mais poderosa, a qual nos proporcionarom os nossos dous mestres Marx e Engels, o Materialismo histórico, fora de tam grande importáncia para nós como agora. A teoria da plusvalia e da luita de classes nom precisam de mais provas em épocas nas que o mundo está em bancarrota, a causa de que o trabalho nom cria valor excedente, numha época na que as classes luitam a umha contra a outra coas armas. Mas o Materialismo histórico pode sinalar-nos ainda agora o caminho, a cada dia, a cada hora, em Europa ocidental e Norte-américa. Conduzirá-nos à vitória.

  O mecanismo económico, as condiçons de produçom da nossa sociedade, dam-nos a resposta quando perguntamos: Que organizaçom necessitamos nos?

  Elas falam: Os sindicatos nom podem se-lo. Porque, primeiro de tudo, estas armas antiquadas som da época de evoluçom.

  Em segundo lugar, nom fam do proletariado, dos proletários, dos milhons e centos de milhons, nem os luitadores livres nem os comunistas conscientes que o proletariado necessita. Porque todo o mecanismo destas organizaçons, que era o correcto na época de desenvolvimento pacífico, fai-nos escravos da camarilha dirigente e das condiçons e relaçons  sindicais (Gewerkschaftsverhältnisse§). Ainda os luitadores livres e valentes som continuamente asfixiados nos sindicatos, nom som possíveis alí.

  Nessas épocas de ascensom económica, a sua extensom tem que, por estas causas, fazer que os representantes dos obreiros recevam todo o poder. Porque só eles podiam e deviam negociar no parlamento e cos patronos. Através disso, eles receberom para si próprios todo o poder. Assí, todas as organizaçons, os partidos e os sindicatos sem distinçom, establecerom-se sobre o seu poder, sobre o seu poder permanente. Tinha que ser deste modo no período de evoluçom. E estava bem que fosse assí. Mas é diferente no período de revoluçom. Alí volta-se mau o que naquel período fora bom. Além disso, os sindicatos nom poderiam dirigir desde já antes da revoluçom a luita contra os trusts e o Estado nem umha soa vez! Já nesse tempo eram armas completamente obsoletas, caras, prontas para ser arrojadas no trasteiro# (em Europa ocidental e Norte-américa). Nom podem de nengum modo alçar-se actualmente contra os trusts e o Estado (os guardas brancos, os Stinnes e Orgesch).

 

  Portanto, os sindicatos nom som, por razons histórico-materialistas, as organizaçons que o proletariado necessita para a vitória. Quais som logo?

  As condiçons de produçom, que sempre contenhem em si mesmas a soluçom e tamém a libertaçom, proporcionam-nos nom somentes umha resposta negativa, senom tamém a afirmativa.

  E esta resposta é: Som as fábricas, nom mais as ocupaçons profissionais, as que exercem a força e tenhem o poder na nova sociedade actual. E, assí, tamém proporcionam o poder ao proletariado quando se organiza nelas.

  No nosso mundo moderno europeo-ocidental e norte-americano, trutstificado, financeirizado e imperialista, o capital já nom se organiza por ocupaçons profissionais, senom por empresas (Betrieben§§). Organizava-se por profissons fai tempo: agora funciona de modo diferente, todas as centrais de electricidade juntas, todas as fábricas de vidro juntas, todas as factorias químicas juntas.

  A organizaçom dos Stinnes, etc., nom é além somentes horizontal (como afirma Rathenau), senom tamém vertical. Que quere dizer isto?

  Toda classe de tipos de areas de produçom som organizados juntos. Junta-se minas, factorias metálicas, fabricas de máquinas, centrais elécticas, ferrovias, companhias navieiras, instalaçons portuárias. Já nom se fai por ofícios. A miúdo deixam-se fora sem consideraçom grandes partes do mesmo ramo profissional, junto coa sua ligaçom. Adopta-se só a fábrica, o que se necessita. A força capitalista descansa agora nas fábricas (2). As condiçons de produçom o provam. Em particular, este é o caso da bancarrota do Estado alemám, da bancarrota dos Estados em geral. Alí, trás da bancarrota do Estado, o capital forma um novo. Nas fábricas, nos novos complexos de fábricas gigantescos. Sobre estes apoia-se agora o capital. Assí espera salvar a vida, a pesar de que o seu Estado esteja na bancarrota. Isto já sinala ao proletariado os métodos que deve utilizar.

  Mas tamém a própria revoluçom ensina-lhos. Eram sindicalistas quem luitarom? Dispunham-se ao combate os proletarios organizados polos sindicatos? Em 1918, 1919, 1920 e 1921? Nom, mil vezes nom. Luitarom nas fábricas e organizarom-se por fábricas.

 

  Isto tem tamém as suas razons histórico-materialistas.

  O proletariado encontra-se, trabalha e vive junto nas fábricas. E as fábricas som aquí e agora tam gigantescas que por si próprias já representam um corpo armado.

  De todas estas causas segue-se já, pois, que podemos pensar que a organizaçom de fábrica é a organizaçom para a revoluçom europea ocidental e norte-americana.

  Mas a auténtica causa, a causa procedente das condiçons de produçom vem somentes agora: Nas fábricas o próprio proletariado tem importáncia. Alí el é um luitador porque alí é um obreiro. Alí pode expressar-se como um ser humano livre, como um luitador livre. Alí pode ser activo no debate, na luita, cada dia, a cada hora. Alí pode luitar coa acçom e coa arma, porque a revoluçom parte das fábricas. Por conseguinte, alí cada proletário e, portanto, o conjunto do proletariado, podem chegar a ser comunistas esclarecidos, verdadeiros revolucionários totais (wirklich ganzen Revolutionären). O qual nom podem fazer no sindicato. E isto é o que precisamos.

  O sindicato sufoca ao luitador, ao ser humano livre em cada proletário, deve sufoca-lo pola sua organizaçom, pola sua dependência dos chefes, aos quais nom deve aproximar-se. A organizaçom de fábrica desperta ao luitador, ao ser humano livre em cada proletário, e o póm em condiçons de libertar-se dos seus tíranicos dirigentes. Precisamente porque luita em primeiro lugar dentro da sua fábrica! E alí, se é necessário, pode ajustar contas cos seus dirigentes. Portanto: porque a organizaçom da fábrica é a organizaçom do capitalismo mais moderno; porque o capitalismo em bancarrota quere organizar-se particularmente conforme às fábricas e sobre isso quere basear a sua nova vida; porque a própria revoluçom nos ensina que esige ser realizada ao cabo das fábricas; por último, e principalmente, porque o conjunto do proletariado somentes pode converter-se num comunista consciente, num verdadeiro luitador pola revoluçom, nas organizaçons de fábrica; por conseguinte a organizaçom de fábrica é a única organizaçom correcta para a revoluçom.

 

  Esta é a resposta que nos proporciona a teoria; a teoria, o único caminho para chegar à verdade da praxis.

  Por suposto, as organizaçons de fábrica dum lugar, dum círculo, dum distrito, dum país, devem unir-se. Tamém será util fixar subdivisons por indústrias. Acerca destes detalhes nom necessitamos falar aquí.

  Que os soviets emergerám facilmente destas organizaçons de fábrica, em isto tampouco necessitamos entrar (3).

  Portanto, destruiçom dos sindicatos, estes engendros e viveiros de escravitude, e establecimento no seu lugar das organizaçons de fábrica, de associaçons industriais baseadas nisto e agrupadas todas numha Uniom, como a Uniom Obreira Geral Alemana; e por último, as Unions de todos os países unificadas numha associaçom internacional --este é o caminho à revoluçom, à vitória--.

 

 

2. O Partido político comunista.

 

  Agora, umha vez que conhecemos a organizaçom que, em lugar dos sindicatos, agrupe o conjunto do proletariado, a sua maior parte, de modo que devem converter-se em luitadores conscientes e comunistas esclarecidos, e o proletariado fazer-se tam forte que conquiste o poder, agora xurde a questom: Basta com esta organizaçom? Ou é todavia necessário um Partido político comunista para isto?

  Devemos tamém examinar esta questom com extremo coidado. Igualmente entom a questom da réplica: Que organizaçom pode fazer, do segmento mais grosso dos proletários, luitadores conscientes, do qual tanto pendura tamém toda a revoluçom?

  E tamém devemos, se queremos encontrar a verdade, respostar a isto a partir das condiçons de produçom e de classe. Só a encontramos partindo desta fundamentaçom, nom através de sentimentos subjectivos, simpatias ou antipatias (como os anarquistas, sindicalistas e similares) ou meiante a imitaçom da Revoluçom russa (como os russos e a III Internacional).

  Aquí, nom obstante, nom devemos, como coa primeira questom, pôr o olho em primeiro lugar no poder e  na coesom do capital financeiro, do imperialismo, das classes burguesas, senom nas condiçons dos próprios proletários.

  Porque, o que aquí está em questom, se a massa dos proletários organizada na organizaçom de fábrica basta sem mais para a revoluçom, julgará-se sobre a qualidade dos proletários mesmos.

 

  É tal a relaçom, a relaçom de classe dos proletários, do seu segmento mais grosso, que a organizaçom ao cabo das fábricas, em associaçons industriais e numha Uniom é suficiente para o desenvolvimento da sua consciência e libertaçom comunistas, para a revoluçom e a vitória?

  O obreiro revolucionário póm-se a si mesmo perante a questom!

  Ante os seus olhos situa-se a relaçom de classe do proletariado, que conhece através do entorno imediato. Pense-se na educaçom, na morada, na nutriçom, na vida do obreiro. É certo que cada obreiro, se fai isto objectivamente, sem preconceitos, respostará: Nom, a organizaçom de fábrica basta para o crescimento da consciência comunista da maioria dos proletários, mas para a sua libertaçom e a sua vitória já nom.

  Porque a maior parte do proletariado está alimentada e habita mámente, está sobre-explorada e carece de tempo livre para a auto-educaçom. Está educada mámente, tem um conhecimento muito escasso e está, particularmente, em tal dependência espiritual desde o seu nascimento, e desde fai tantos séculos como classe, que nom só nom ve o caminho da liberdade, senom que tampouco se atreve a pensar sobre isto.

  Isto ninguém o pode pôr em dúvida.

  Disto segue-se tamém que, incluso se o proletariado na sua maior parte se organiza em organizaçons de fábrica, esta debilidade se lhe aderirá ainda a umha grande parte deste grosso, e todavia por tempo prolongado.

 

  Qual seria (e será) a conseqüência disto para a organizaçom de fábrica e na parte organizada dos proletários?

  Isto provocará conseqüências muito dramáticas para a organizaçom de fábrica, por esta circunstancia de classe do proletariado. Muitos perigos.

  Em primeiro lugar: A maioria dos proletários precisa, pola sua situaçom de classe, urgentes pequenas melhoras, reformas e defesa da deterioraçom das suas condiçons de vida. A sua vida é tam miserável que sempre, tamém na revoluçom, requerirá conforme a ela e luitará por ela. De vez em quando, abandonará por isso temporalmente a revoluçom. Tamém dirigirá e utilizará para isso a sua organizaçom de fábrica, a sua Uniom. O oportunismo e o reformismo ameaçam a organizaçom de fábrica e a Uniom, e à seiçom dos proletários organizada nelas.

  A organizaçom de fábrica, a Uniom, está deste modo exposta sempre aos perigos de sabotar a revoluçom, de conseguer pequenas melhoras, de conquistar um poder aparente, de incrementar o número dos membros através de elementos nom esclarecidos, etc., etc..

  Por isso, está fóra de qualquer dúvida que ainda muitos membros da Uniom, como muitos anarquistas e sindicalistas, nom querem o Partido Comunista porque este situa a revoluçom por acima das reformas.

  Em segundo lugar, nas organizaçons de fábrica existe o grande perigo do individualismo. Por desconhecimento, por egoismo, etc., por exemplo o dirigente numha fábrica, porá-se a sí próprio, o seu interesse (como dirigente) por acima da revoluçom. O mesmo fará umha empresa, umha localidade, um distrito. A unidade, necessária para a revoluçom, esvaece-se. Isto já se vê em partes da Uniom.

  Um terceiro perigo ameaça: o utopismo. Polo seu insuficente conhecimento da realidade efectiva (wirklichkeit), esta parte do proletariado que está organizada na Uniom sobreestima o seu poder. Empresas importantes como, por exemplo, as ferrovias, o trabalho de transporto, as minas, imaginam-se que elas soas poderám fazer triunfar a revoluçom, a qual, em Europa ocidental e Norte-américa, únicamente poderá ser um triunfo do proletariado em conjunto.

  E, por último --e esta é a causa maior pola que a organizaçom de fábrica e a Uniom nom bastam--, grande parte dos proletários carece de conhecimento suficiente. Nom conhecem suficientemente a economia e a política, os acontecimentos políticos e económicos nacionais e internacionais, a sua correlaçom e o seu efeito sobre a revoluçom. Nom podem conhece-los pola sua situaçom de classe. Portanto, nom sabem actuar no momento correcto. Actuam quando nom devem, e nom actuam quando devem actuar. Equivocarám-se muito a miúdo.

 

  Todas estas debilidades dos proletários som conseqüências da sua situaçom de classe. A nossa táctica deve contar com isso. Se nom o fazemos, conduzirám-nos entom às mais terríveis derrotas.

  Pois umha parte grande do proletariado incluso nom poderá cambiar mentres tanto o capitalismo exista.

  Como podemos elevar-nos sobre estas dificultades da organizaçom de fábrica, que deve agrupar à mais grande parte dos proletários, remediar as suas conseqüências?

  Como podemos prevenir## o oportunismo, o individualismo, o utopismo das organizaçons de fábrica, o baixo conhecimento dumha parte do proletariado?

  Hai um meio.

  Porque nom todos os proletários tenhem tam pouco conhecimento. E nom todos, particularmente aqueles que tenhem um conhecimento profundo, som oportunistas, individualistas e utópicos. Em particular, no proletariado alemám hai muitos que som revolucionários genuinos nom só pola sua sensibilidade, senom tamém por ter um grande e profundo conhecimento, político e económico. Marx e Engels, Mehring, Bebel, Luxembourg e muitos outros nom vivirom entre eles para nada. Por esta razom, ainda som aplicáveis as palavras de Marx: O proletariado alemám é o mais próximo a umha revoluçom proletária, a umha verdadeira revoluçom proletária.

  As condiçons de classe, o enorme auge do capitalismo, tenhem colocado durante os últimos setenta anos a esta parte dos proletários em condiçons de aumentar assí em amplitude. Tenhem deixado atrás outra parte maior. A distribuiçom em Uniom e Partido é, por conseguinte, umha conseqüência natural das condiçons de produçom, da influência do capitalismo sobre o proletariado, que deste modo foi diferenciado. 

  Esta parte dos proletários, que tem conhecimento amplio e profundo, tem que unir-se numha organizaçom, tornar esta organizaçom cara umha profunda apreciaçom e actuaçom revolucionária, ponhe-la ao serviço da revoluçom e somentes da revoluçom, do conjunto dos proletários e únicamente dos proletarios, da organizaçom de fábrica e da Uniom --este é o método que alça ou remedia todas as debilidades mencionadas da organizaçom de fábrica, do proletariado--.

 

  E esta organizaçom é o Partido político comunista, quando é o verdadeiro Partido comunista revolucionário, o Partido correcto, quando tem umha táctica verdadeiramente científica baseada nas condiçons de classe de Europa ocidental e Norte-américa.

  Entom conhece a economia e a política, nacional e internacional. Nom é oportunista, nem individualista, nem utópico. Nom é revolucionário somentes no coraçom, senom tamém na cabeça. Portanto, pode ir ao frente co conselho e coa acçom. Deste modo, vai diante quando é o Partido correcto.

  Isto nom quere dizer tampouco, naturalmente, que numha parte da organizaçom de fábrica, da Uniom, nom existam um amplio conhecimento e as mesmas boas qualidades, o mesmo que no Partido. Depóis de tudo, todos os membros do Partido som tamém membros da Uniom. -- Isto quere dizer que estes elementos sempre podem ser excedidos, através da votaçom, polas outras partes; que nom tenhem tanta amplitude. Os melhores elementos som facilmente isolados e atomizados na Uniom e carecem de força algumha. Somentes conseguem força, e ampliar estes, quando se organizam juntos (4).

  Quem negue todas estas cousas sobre o proletariado e a organizaçom de fábrica, nom conhece ao proletariado ou o assunto nom é sério para el.

 

  O Partido únicamente pode ser "puro". Pola condiçom de classe, pola situaçom de classe dos proletários.

  Somentes pode consistir em elementos revolucionários-efectivos (wirklich-revolutionären), em elementos conscientes completamente esclarecidos.

  É a única organizaçom proletária que pode ser assí, polas condiçons de classe às que o capitalismo leva aos obreiros. E quando tem a táctica correcta, baseada nas condiçons de classe, entom permanecerá "pura".

  A organizaçom de fábrica trae aos seus membros o conhecimento mais geral da revoluçom, por exemplo, o conhecimento da natureza e da significaçom dos Conselhos Obreiros (Soviet) e da Ditadura dos Proletários.

  O Partido agrupa aos proletários que tenhem um conhecimento muito mais amplo e mais profundo.

  Se a organizaçom de fábrica, a Uniom, a massa dos proletários podem, em heroicidade, erigir-se em luitadores conscientes e esclarecidos acerca da revoluçom e dos seus métodos e objectivos (é precisamente deste modo que a organizaçom de fábrica nom é um sindicato), entom o Partido reune aos mais esclarecidos nas suas cabeças e assí aos mais valerosos e melhores, à elite dos proletários.

  Esta parte dos proletários, este Partido, antevê toda a luita, encontra e fundamenta a táctica, convence à parte restante do proletariado, em primeiro lugar à Uniom; quere somentes a revoluçom, olha todo deste ponto de vista, situa sempre, na luita nacional como na internacional, os interesses gerais da revoluçom por acima de todos os demais.

  Nom obstante, tal e como nos o levaremos a cabo agora mesmo em Europa ocidental e Norte-américa, o Partido nom será de novo, a causa do peso do assunto, outra vez o dominador, o tirano, o ditador dos proletários como na Rússia. De novo, mostraremos que aquí isto nom pode ser, por razóns histórico-materialistas.

  Poderia dizer-se mais: o Partido é o cerebro do proletariado, o seu olho, o seu timoneiro. Mas tampouco isto é completamente correcto. Porque isto fai ao Partido umha parte do todo. E isto nem o é, nem quere se-lo. O que quere é ser o todo mesmo, quere que em Europa ocidental e Norte-américa o conjunto do proletariado se funda com el, que fagam um mesmo todo idéntico.

  Quere que aquí a organizaçom de fábrica e o proletariado cheguem a ser umha unidade de por si. Voltarei cedo sobre isto.

 

  Como deve ser agora tal Partido, que serve ao proletariado na revoluçom co conselho e coa acçom?

  Em primeiro lugar, nom deve ser parlamentarista. Porque o parlamentarismo foi umha boa arma na época de evoluçom (de 1860 a 1910, ou incluso em anos precedentes), quando os dirigentes se converterom no assunto dos proletários. Agora, umha vez que o próprio proletariado deve actuar, estas desvantages som muitos maiores que as suas avantages (5). Porque a debilidade do proletariado consiste aquí em que crê que outros podem actuar por el e que, entom, el mesmo nom necessita actuar. O parlamentarismo incrementa esta debilidade.

  O Partido nom deve, em segundo lugar, aspirar à Ditadura para si próprio, senom à Ditadura pola classe, polo conjunto do proletariado, pola sua mais grande parte. -- Já tenho mostrado isto ao princípio deste folheto; nom obstante, quero voltar outra vez sobre isto mais detalhadamente. Porque é o assunto principal para Europa ocidental e Norte-américa, igual de considerável que a organizaçom de fábrica. E, por conseguinte, nom se poderá repetir o bastante.

  O Partido nom deve aspirar a umha Ditadura de Partido (ou, o que é o mesmo, de Chefes), senom a umha Ditadura da Classe. Isto segue-se das condiçons de classe.

  O oponhente dos proletários, o capitalismo, é aquí gigantesco. Um capitalismo desenvolvido, é dizer, financeiro, altamente industrializado e imperialista. Um capitalismo enraizado e acrescentado, material e idealmente, desde fai séculos. Um conjunto da populaçom material e idealmente subjugado. E todas as classes burguesas unidas, tamém os pequenos burgueses e os pequenos camponeses.

  E junto cum proletariado quase infinito em número. Na Alemanha de três quintos a cinco sétimos da populaçom, mais de 40 milhons. Na Inglaterra, e em breve nos Estados Unidos, ainda relativamente mais. E no conjunto de Europa ocidental, enorme.

 

  Agora considere ao leigo, considere ao mais simple obreiro: em todos estes países deu-se até agora somentes um pequeno número de proletários que tenham um conhecimento profundo, a mais extrema consequência dos pensamentos, o maior heroismo sacrificado e coerência revolucionária nos factos.

  Isto nom pode questiona-lo ninguém.

  Em todos estes países, por conseguinte, o Partido Comunista deve ser só um pequeno partido. Aquí mais pequeno, alí mais grande, mas em todas partes pequeno em proporçom ao proletariado. E isto nom é de novo um sonho, umha idea, uma fantasia dumha "esquerda", obreiros!

  Isto segue-se de novo, por completo, das condiçons de classe que impidem, como se sabe, que um grande número de proletários adquira el mesmo um conhecimento amplio e profundo.

  Portanto, um Partido pequeno em todos os lados (6).

 

  Pode este pequeno Partido dominar ao seu enorme oponhente, o gigantesco capitalismo armado, e ao mesmo tempo ao enorme proletariado? Pode ser o ditador, o tirano de ambos, do proletariado e do oponhente ao proletariado?  Os números já o impidem.

  Pense-se no Partido alemám de 500.000 verdadeiros comunistas, completamente esclarecidos e heróicos, a elite dos proletários.

  Estes tereriam, em oposiçom, a 20 milhons das classes burguesas. Crê-se que poda vencer, se nom estiver trás el umha organizaçom de fábrica, umha Uniom com 10 milhons de membros polo menos, com cujos membros contaram ao menos 25 milhons tamém? Crê-se que poda vencer se fosse o ditador, o tirano dessa organizaçom de fábrica, desses 25 milhons? Quem acredite isso, nom conhece Europa ocidental. Pensa-se, nom si, na Rússia.

  É certo que alí triunfou um partido pequeno. Mas no campo dos oponhentes havía 25 milhons de traidores, de camponeses pobres. Onde estám esses aquí?

  E quem conhece ao proletariado europeo-ocidental e norte-americano, que saiba que umha ditadura de partido é ainda impossível por outras causas!!

  O oponhente é demasiado poderoso! O proletariado demasiado grande para que um pequeno Partido poda dominar a ambos.

  Portanto nom o partido, senom a classe mesma, a parte mais grande da classe, deve tomar nas suas maos a Ditadura.

  Isto ensina-nos o Materialismo histórico.

 

  E agora, dito isso, os obreiros tenhem visto claramente que o anti-parlamentarismo, a organizaçom de fábrica e a ditadura da classe som a táctica que se segue necessáriamente das condiçons de produçom e de classe de Europa ocidental e Norte-américa, que esta é a táctica científica, segura e correcta, julgada a táctica da III Internacional na actualidade, a táctica de Lenin, Radek, Zinoviev, de todos os russos e de todos os outros dirigentes "de direita".

  Eles querem as células e os sindicatos, a pesar de que estes estejam completamente obsoletos e asfixiem o espírito livre dos obreiros; querem o parlamento, que mantém aos obreiros estúpidos e apartados da luita, que é contra-revolucionário. Querem umha ditadura de partido e de chefes, que nom só será mala e desastrosa aquí, senom que tamém é impossível incluso.

  A sua táctica é acientífica, está em contradiçom coas condiçons e, por conseguinte, tem que conduzir ao afundimento.

  Comparem, obreiros, estes dous caminhos, e escolherám o correcto (7).

  E aquí, em todo isto, julguem tamén agora a estupidez dos anarquistas, sindicalistas e aqueles membros da Uniom que nom querem o Partido (8).

  Podem negar que a condiçom de classe do proletariado só permite que umha pequena parte do proletariado adquira um conhecimento amplo e profundo? Podem negar que, portanto, sempre se desenvolverám grandes fracçons oportunistas, individualistas e utópicas nas organizaçons de fábrica? Nom. -- Que a organizaçom de fábrica nunca pode realizar e dirigir soa a revoluçom? Nom.

  E a pesar disso nom querem o Partido, a organizaçom dos proletários que tem um conhecimento profundo e amplio?

  Embora, eles rejeitam o único possível, fundado nas condiçons de classe e no materialismo histórico a partir da única táctica correcta.

  Por que?

  Porque eles mesmos nom tenhem conhecimento suficiente. Porque eles mesmos nom som materialistas históricos. Porque eles mesmos pertencem, como os anarquistas e sindicalistas, a essa parte dos proletários que carecem de conhecimento suficiente.

  Exatamente como os russos, Radek, Lenin e Zinoviev, e o Segundo Congresso da III Internacional, demonstram coa sua táctica parlamentar e de células, coa sua ditadura de partido e dos dirigentes, que nom representam as condiçons europeo-ocidentais e norte-americanas; assí os sindicalistas, anarquistas e gente como Rühle demonstram, através da sua negaçom do Partido, que eles nom formam o seu juiço conforme às condiçons, que conhecem, senom que julgam segundo as sensibilidades persoais.

  Por consequinte, devemos combater a ambos do modo mais agudo, tanto à III Internacional e aos russos, como Lenin, Zinoviev e Radek, como tamém aos sindicalistas, anarquistas e similares. Nengum dos dous tem umha táctica fundada nas condiçons de Europa ocidental e Norte-américa.

  Deste modo, estas som as conclusons às que chegamos: Por um lado, organizaçom de fábrica e Uniom, agrupando ao grande grosso dos proletários. Por outro lado, o Partido político, nom parlamentarista nem ditatorial.

  Veremos agora como estes se combinam, formam umha unidade, como podem assegurar ao proletariado mesmo a Ditadura.

 

 

3. Unidade da Uniom Obreira Geral e do Partido Comunista.

 

  Esta é, portanto, a nossa táctica para Europa ocidental e Norte-américa.

  Umha uniom construida sobre as organizaçons de fábrica, compreendendo a todos os obreiros, e um Partido da parte mais clarificada e enérgica dos proletários.

  Mas agora xurde umha dificuldade.

  Temos dito: a organizaçom de fábrica nom é suficientemente forte para dirigir soa a revoluçom e para lograr a vitória. Está exposta a muitas debilidades.

  E dixemos por outra parte: o Partido nom pode exercer a Ditadura. É demasiado pequeno em relaçom ao oponhente e ao proletariado. Isto semelha ser umha dificuldade terrível e insuperável. Porque entom nom temos umha organizaçom única que dirigir e que poda lograr a vitória, que faga a revoluçom! 

  Desta dificuldade aparente fam uso os nossos oponhentes, co propósito de provar-nos que nom conhecemos o caminho à vitória, ao comunismo.

  Disto é do que, por exemplo, Zinoviev nos acussa nas suas explicaçons das 21 teses (ver Internacional 11 e 12), quando polemiza contra o sindicalismo, a IWW nos Estados Unidos, etc., e nos arroja num mesmo saco com estes (ou quiçais o fai soar como se nom soubera que a "esquerda" quere algo completamente distinto do que os sindicalistas, que a IWW, etc.) (9).

  Mas esta dificuldade nom existe.

  Porque o que nengum deles, nem a Uniom nem o Partido, pode quando está só, o podem ambos juntos, quando se aunam.

  É certo: a organizaçom de fábrica, a Uniom, nom pode alcançar soa a vitória. E o Partido so tampouco. Mas ambos juntos podem.

 

  Porque a organizaçom de fábrica, justo porque é a organizaçom nas fábricas, fai aos proletários gradualmente comunistas conscientes, luitadores esclarecidos.

  Umha parte permanece ainda obscura, e tem que seguer assí polas condiçons de classe miseráveis do proletariado. Ainda a maioria da Uniom nom chegará à claridade mais plena, à verdadeira profundidade e ao grande conhecimento económico e político.

  Mas o Partido intervém nisso. Esta parte dos proletários, em verdade nom muito grande, tem um profundo e amplo conhecimento, e aconselha e ajuda à outra parte. E ao Partido.

  A Uniom quere o Partido. O Partido quere a Uniom. Os membros do um som os do outro. Ambos, portanto, na mais íntima aliança. E ambos tendo somentes um objectivo: a revoluçom e o comunismo. E ambos somentes um meio: a Ditadura dos Proletários, do conjunto da classe.

 

  Mas, como é possível esta última? Porque ainda nós mesmos dixemos que a maioria dos proletários nom possue conhecimento nem força suficiente!

  Isto fai-se possível através do processo do desenvolvimento, através da luita.

  Isto fai-se possível através da revoluçom mesma.

  A Uniom agrupa a umha parte sempre maior do proletariado, e unem-se ao Partido tamém gradualmente todos os elementos mais esclarecidos e melhores.

  Quando entom a Uniom e o Partido, cada um à sua maneira, cada um de acordo às suas forças, educa aos seus membros na luita, entom elevam a estes membros sempre mais alto. Cara a fortaleza de espírito e de acçom.

  E quando logo, finalmente, a organizaçom de fábrica, a Uniom, agrupe (como os sindicatos agora) à parte mais grande dos proletários, e um número muito grande de membros se tenham volto comunistas conscientes, esclarecidos, e a unidade co Partido se tenha completado, entom a Uniom é idéntica ao proletariado, ela é o proletariado. E umha vez que a Uniom é um todo co Partido, o proletariado é tamém um todo co Partido.

  E entom a Uniom, é dizer, o proletariado, está tam altamente elevado, e a unidade do Partido co proletariado é tam ampla, que a Ditadura dos Proletários, da classe mesma, é possível.

  Entom é meiante a unidade do Partido e da Uniom como se logra a Ditadura de Classe.

  Entom os dirigentes e os soviets originarám-se tamém desde a Uniom e o Partido, ou seja, desde o próprio proletariado, e estarám presentes. Entom, alça-se o objectivo de toda a luita em Europa ocidental e Norte-américa, isto é, a Ditadura do Proletários mesmos, sem a qual aquí, em Europa ocidental e Norte-américa, polas condiçons de classe, a partir de razons histórico-materialistas, nengumha vitória, nengum comunismo é possível. Entom, nengumha ditadura de partido ou de chefes é necessária ou possível mais. Este é, portanto, obreiros de Alemanha e Inglaterra, Europa ocidental e Norte-américa, o nosso plano, o plano da "esquerda", da oposiçom na III Internacional.

  A isto, obreiros de Alemanha e Inglaterra, Europa ocidental e Norte-américa e do mundo, é ao que aspira a "esquerda".

  Eses som os seus métodos: 1) Agrupamento unitário de todos obreiros, da grande maioria dos proletários, na Uniom. 2) Dos obreiros mais esclarecidos no Partido. 3) Unidade da Uniom e do Partido.

  E esta é a sua fim: A Ditadura da Classe, dos proletários mesmos.

  Que vos parece, obreiros de Europa ocidental e Norte-américa? Parece-vos quiçais melhor que a ditadura de partido dos russos (que foi necessária alí) e da III Internacional?

  Importa pouco, camaradas, se isto vos compraze. Porque o que dizemos aquí é necessário. Segue-se das condiçons de classe em Europa ocidental e Norte-américa.

 

  Ainda umha observaçom: Deve o Partido obter o maior poder? Ou deve quiçais a Uniom chegar a ser tam forte e firme que consiga a predomináncia? Nom podemos sabe-lo. Isto depende muito do curso da revoluçom. A questom é vaa e ociosa. Todo o que podemos fazer é: promover os dous e a unidade de ambos. Esta é, por consequinte, a táctica da "esquerda", completamente clara, uniforme, coerente, para qualquer proletário clarificado; o plano preciso do caminho à revoluçom.

  Organizaçom de fábrica ou Uniom e Partido! Unidade de ambos! E por meio de ambos e da sua unidade: Ditadura de Classe!

  Isto nom pode proporcionar umha táctica mais clara, um plano mais preciso.

  Portanto, quando Zinoviev, e a III Internacional em geral, nos perguntam (na explicaçom das 21 teses), nos perguntam à "esquerda", quem de acordo coa nossa opiniom se ocupará no período de transiçom ao comunismo da administraçom económica, do sustento público, da educaçom pública, etc. --do que  conforme à sua opinom somentes pode ocupar-se o Partido--, entom nós respostamos: em Europa ocidental e Norte-américa ocuparám-se a organizaçom de fábrica e o Partido juntos. Isto quere dizer, portanto, para o que nos tem entendido: o proletariado. E se eles nos perguntam: quem erigirá o exército vermelho, quando nom o Partido? Entom, respostamos: a Uniom e o Partido juntos, isto é, o proletariado. E se nos perguntam: Quem derrotará a contra-revoluçom, se nom o Partido, entom respostamos: Em europa ocidental e Norte-américa o Partido e a Uniom juntos, isto é, o proletariado. E se nos perguntam: Como serám possíveis a disciplina de ferro e a absoluta centralizaçom entom, se o Partido nom é o ditador? Entom respostamos: A centralizaçom e a disciplina estarám certamente alí. A Uniom e o Partido ocuparám-se juntos. Mas nom será em absoluto justo como no caso deles. Isto segue-se das condiçons de classe. Dos números já. Porque aquí um setenta por cento da populaçom é proletária, mentres que no seu caso o é somentes um sete por cento! Quem nom compreenda que a disciplina e a centralizaçom serám, portanto, diferentes aquí respeito de alí, é que é imbécil.

  E quando nos perguntam qual é, entom, alí, o plano geral para a organizaçom da revoluçom e o caminho cara o comunismo, e nos despreçam e insultam porque nós, de acordo coa sua opinom, nom tempos nengum plano, entom nós contestamos: É únicamente pola vossa causa que nom nos entendedes. Vedes todo cumha luz tam incerta que pensades que somentes é possível a via russa. Mas nós temos um plano preciso e umha via clara: Unidade de Partido e Uniom, isto é, dos proletários. E Ditadura dos Proletários. Nós queremos somentes somar-nos aos nossos amigos, os russos.

 

  Depóis de que o proletariado se tenha alçado contra vos, o Partido comunista, em Kronstadt, e depóis de que tamém tiverades imposto o estado de sítio em Petersburgo contra o proletariado (o qual no vosso caso foi necessário, como toda a vossa táctica), nem sequer entom, ainda assí, vos vem o pensamento de que seria melhor ter, pois, umha ditadura de classe em lugar dumha ditadura de partido? E que quiçais sería melhor, pois, se em Europa ocidental e Norte-américa nom vem umha ditadura de partido senom umha ditadura de classe? E que quiçais alí tenha razom a "esquerda"?

  Quiçais vos vinhera este pensamento nesse momento. Mas, incluso se este pensamento veu, entom ainda nom tedes compreendido correctamente o assunto. Porque aquí a ditadura de classe nom é somentes melhor, é absolutamente necessária.

  Isto podedes entende-lo incluso melhor, polas razons já mencionadas, deste modo: Vos podedes, como umha parte dos proletários mesmos, levantar-vos contra Kronstadt e Petersburgo, suprimir ainda a contra-revoluçom. Porque é débil respeito de vos. Nom obstante, no vosso caso, se umha parte dos proletários mesmos se levantase contra vos, venceria. Porque a contra-revoluçom é muito mais poderosa que vos.

  Ainda assí, no nosso caso a ditadura de classe é, portanto, necessária, absolutamente necesaria. E a ditadura de partido impossível.

  A "esquerda" tem, por conseguinte, nom só um plano preciso e adequado, senom ainda o único possível e o único necessário. Um plano contraposto ao seu, o qual está a danar dum modo absoluto a revoluçom em Europa ocidental e Norte-américa.

 

  E com isto queremos concluir. Cumhas palavras acerca disto, sobre a táctica russa para a Alemanha, para Europa ocidental, para o proletariado alemám, inglês, europeu ocidental e norte-americano, para o proletariado mundial.

  Vos, obreiros alemáns e ingleses, oeste-europeus e norte-americanos, puidestes ver antes do breve período de Março de 1921 na Alemanha o resultado da táctica dos russos e da III Internacional, e o da táctica da "esquerda". A III Internacional, que utilizou o parlamentarismo e a táctica de células. E a "esquerda", que é anti-parlamentar e pretende a organizaçom de fábrica. A III Internacional, a que quere a ditadura de partido, a "esquerda", a que quere a Ditadura da Classe. O resultado da táctica de Moscova, de Lenin, Zinoviev, Radek e da III Internacional, da ditadura de partido, etc., foi: um putsch comandado desde acima, umha terrível derrota, o fiasco da táctica de células e do parlamentarismo, a traiçom de parte dos dirigentes (Levi), a descomposiçom do Partido Comunista Unificado (VKPD), o debilitamento do comunismo.

  O resultados da táctica da "esquerda" fôrom (a pesar de que tampouco todo saiu como devera) a unidade e a uniformidade (Einheitlichkeit) do Partido Comunista, o fortalecimento deste Partido e da Uniom --o avanço do comunismo--.

  Nós vos dizemos: Nom só teóricamente, histórico-materialistamente, a táctica da "esquerda" é a melhor; tamém se tem demonstrado como a melhor práticamente. É melhor práticamente precisamente porque é melhor a sua teoria.

  As organizaçons de fábrica e a Uniom construida sobre elas, o Partido anti-parlamentar, nom ditatorial, como o KAPD, a unidade de ambos e aspirar e formar ambos, através da palavra e do acto, através da teoria e da luita, a Ditadura de Classe dos Proletários, este é, portanto, o caminho claro, prático e teórico, cara a vitória.

  A via de Moscova, do VKPD e da III Internacional, é claramente o caminho cara a derrota, cada o afundimento.

  Obreiros de Alemanha, Inglaterra, Europa ocidental e Norte-américa! Só se vos unides seguindo umha táctica científica, é dizer, materialista histórica, desde as condiçons de classe, está certa a vossa vitória! Somentes umha táctica científica tal pode traer-vos tamém a unidade.

  Unide-vos, obreiros de Alemanha, Inglaterra, Europa ocidental e Norte-américa, ao KAPD ou aos Partidos que som como o KAPD, e às Unions que som como a Uniom Obreira Geral de Alemanha.

 

 

*          *          *

 

Anotaçons:

 

***As notas numéricas som do original alemám, e parecem todas do próprio autor. Nota desta ediçom***

 

(1) A grandeza de Lenin nom consistirá menos em que tenha determinado, a Revoluçom russa e a sua táctica para a revoluçom, absolutamente e com tempo prolongado de acordo coas condiçons de produçom e de classe de Rússia, especialmente de acordo coas condiçons agrárias. Somentes é desafortunado que el, e com el todos os russos e o conjunto da III Internacional, tenham descoidado totalmente as condiçons de produçom e de classe de Europa ocidental e Norte-américa na determinaçom da táctica para estes continentes.

  Nom hai nem rastro de Materialismo histórico nas 21 teses de Moscova. As condiçons de classe de Europa ocidental, tam distintas das recíprocas em Rússia, nom se nomearom nem sequer umha vez!

  A táctica de Rússia é simplesmente arremedada*, e o que era correcto em Rússia imposto a Europa ocidental e Norte-américa.

  Por suposto, com conseqüências desastrosas. O proletariado alemám já se dessangra e os Partidos como o VKPD já se dividem pola táctica russa, que nom descansa sobre a realidade (wirklichkeit) europea ocidental.

 

  (* imitar de modo grosseiro e provocador).

 

* Real ou verdadeiro por ter umha "consistência própria" como actividade. No final desde mesmo paráfrafo, "auténtico". Nota do tradutor ao galego-português.

 

** Ver o texto de Gorter "As origes do nacionalismo no proletariado", pertencente à sua obra “Imperialismo, guerra mundial e social-democracia”, que foi traduzido ao alemám polo autor em 1915:

 

  “No começo, houvera homes de princípios, homes inspirados co ideal do socialismo, que nom escatimarom nengum esforço por el e tinham as mais elevadas expectativas de realiza-lo. Quem tinham a mais grande corage, um espírito e umha determinaçom genuinamente revolucionárias, umha energia genuinamente revolucionaria. Quem tamém, em tanto nom fossem obreiros, tentavam botar fóra ao burguês neles, e pensar e sentir-se a si próprios completamente dentro das massas, dentro da classe obreira. Quem viverom ou tentarom viver, fazer realidade, o mais elevado ideal que podia formar-se dumha classe obreira emancipando-se a si própria. Quem dirigirom todas os seus factos, palavras e propaganda cara este ideal. Com maior ou menor claridade eles pregoarom a revoluçom aos obreiros.”  

  “Mas quando o poder chegou, vinherom outros. Os filántropos, os moralistas, o burguês bem educado, o ambicioso, o pouco escrupuloso, aqueles que enganarom às masas. Muitos com boas intençons e mentes débiles, que nom sabiam nada de socialismo e da sua teoria. Gente que se enganavam a si mesmos. Políticos de carreira que fixerom do socialismo o seu negócio, a sua fonte de benefícios e dos seus meios de subsistência.” 

  “As massas mesmas estavam em todas partes ansiosas de reformas, reformas em primeiro lugar e por acima de tudo, a miúdo reformas soas, assí que escuitavam aos reformistas e os argumentos dos idealistas radicais, que de facto eram incapaces de trazer a revoluçom, fôrom abandoados aos quatro ventos.  E assí ocorreu que a teoria, a revoluçom, convertiu-se mais e mais em cousa do intelecto... a realidade quotidiana, que estava sempre presente, na que as massas pensavam constantemente, dia e noite, convertiu-se em prática: a reforma, noutras palavras. 

  O movimento sindical, que luita só por pequenos benefícios, que ganha únicamente pequenas concesons dos patronos realizando contratos com eles, acelerou este processo consideravelmente. Os reformistas eram agora eleitos para os executivos de todos os sindicatos. Apareciam em todas as partes nos executivos de partido, nas juntas de redaçom dos periódicos, nos conselhos municipais e nos parlamentos. Cedo formarom a maioria em todos os lados, e na maioria dos países a única força dirigente.  

  Mas tanto no movimento sindical como nos partidos políticos som os dirigentes, os membros do parlamento e os presidentes, é dizer, indivíduos, quem ganham as vitórias no parlamento, nos conselhos municipais, frente aos outros partidos e nas negociaçons cos patronos, incluso se tal vitória é só aparente. O centro de gravidade despraçou-se deste modo das massas aos dirigentes. Formou-se umha burocracia obreira.”  

  “Os partidos obreiros da França, Inglaterra, Alemanha, de cada país, convertirom-se em partidos de massas somentes interessados e concernidos acerca dos problemas nacionais, menores.”. Nota trad. gal-port..

 

*** Que assím passavam a assumir a funçom de chefes em lugar da de orientadores. Nota trad. gal-port..

 

§ A grandes traços Gorter utiliza indistintamente um mesmo conceito alemám, verhältnis, que coa sua variaçom verhältnisse significa relaçom, proporçom, condiçom, circunstancia. Segundo o contexto, traduziu-se principalmente por "condiçom", e logo por "relaçom", salvo certas exceiçons isoladas.

  Dado que se trata dumha categoria do materialismo histórico, deve ter-se sempre presente na sua leitura esta significaçom dual, principalmente como condiçom e relaçom. Este duplo sentido do termo em alemám é essencial, pois implica que condiçom de classe e relaçom (social) de classe som dous aspectos do ser social do proletariado, que a condiçom de classe nom se pode abolir sem suprimir ao mesmo tempo a relaçom social que lhe da lugar, o trabalho assalariado, o trabalho alienado na sua forma capitalista. Nota trad. gal-port.

 

# Palavra procedente do espanhol: lugar onde se guardam os móveis velhos. Nota trad. gal-port..

 

§§ Betrieb nom é o conceito específico do alemám para fábrica, senom que a sua traduçom literal viria sendo empresa. Nom obstante, a sua traduçom acostuma ser “fábrica” ou similares, pola aceiçom particular que tem a palavra segundo é utilizada polos comunistas conselhistas e mesmo segundo a sua etimologia lingüística. Contudo, nalguns casos optou-se por traduzir por "empresa", alí onde a noçom de fábrica nom era a apropiada, polo seu sentido tendente a resaltar o aspecto material do proceso de produçom frente ao aspecto valor, e tamém por estar associada aos processos produtivos mais típicamente industriais.

  O critério organizativo das Unions Obreiras nom estava baseado na empresa em quanto ente jurídica, que é o modo mais habitual em que se utiliza este termo hoje. Em lugar disto, o seu critério era a organizaçom com base no processo produtivo, sendo a estruturaçom jurídica do capital algo secundário, e mais quando nom se tratava dumha organizaçom cuja funçom consista na representaçom e na negociaçom co capital, senom na orientaçom da luita proletária à revoluçom comunista.

  As organizaçons de fábrica nom tinham un carácter sindical-corporativo. Certamente, existe o perigo dumha interpretaçom da idea das organizaçons de fábrica do tipo do obreirismo de base, mas nada mais longe da conceiçom revolucionária original. As Unions Obreiras nom opunham simplesmente a “organizaçom na fábrica” à “organizaçom burocrática”, como poderia pensar-se dumha óptica economicista (e reformista na práctica), senom que opunham a organizaçom desde a fábrica --no conteúdo e na forma, na acçom e no coonceito-- às formas corporativo-legalistas que caracterizam o sindicalismo (por entom ainda em boa medida um sindicalismo de ofício, ainda que já estava em ascenso o sindicalismo industrial). Trata-se, pois, dumha oposiçom de totalidade ao sindicalismo, nom dumha espécie de “sindicalismo revolucionario” ou dumha forma de asemblearismo ideológico, do tipo que se limita a opór "organizaçons de base" a burocracia.

  As organizaçons de fábrica estavam fundadas na forma de organizaçom da produçom que estava a geralizarse na época: o modelo da grande fábrica, que empregava milheiros de obreiros, e que se entrelaçava com outras fábricas formando grandes concentraçons industriais locais e regionais. Por esta razom, além de pola preeminência absoluta do trabalho assalariado industrial, a distinçom entre empresa e fábrica era enormemente difusa na época.

  Por outra parte, a organizaçom por empresa, considerando-a como o ente jurídico que da cobertura a umha parte do processo total da valorizaçom do capital (umha parte do processo que, nas grandes fábricas ou complexos industriais dessa época, compreendia todas ou as principais fases do processo de produçom material), só tem sentido da perspectiva da luita por reformas, para pressionar ao capital particular, o que resulta completamente secundário da perspectiva da luita pola supressom do capitalismo.

  Parece, pois, claro, por que as Unións Obreiras deixavam a um lado o conceito de empresa como ente abstracto. Na prática, os imperativos da situaçom revolucionaria explosiva na Alemanha entre 1918 e 1923, assí como o domínio persistente da social-democracia e do sindicalismo que presionava contra o desenvolvimento das Unions Obreiras (que chegaram a agrupar a uns 100.000 obreiros revolucionarios entre 1919 e 1921), nom estimularom a precisom teórica acerca de muitas questons organizativas formais.

  Por último, etimológicamente betrieb tem o sentido de "unidade operativa", isto é, de unidade de funcionamento da produçom quando nos referimos à indústria. Por isso é mais correcto, do ponto de vista lingüístico, traduzi-lo por fábrica ou similares, ou incluso melhor, utilizando a categoria do materialismo histórico, como unidade de produçom. É à luz desta categoria materialista como se devem entender as ideas conselhistas da organizaçom da luita proletaria. Nota trad. gal-port.

 

(2) Este desenvolvimento, que tem começado já antes da guerra, incrementa-se agora, nom obstante, dum modo gigantesco.

 

(3) Lea-se sobre esta questom, e em geral sobre a questom da Uniom, o folheto: A Uniom Obreira Geral (A Uniom Obreira Geral [organizaçons de fábrica revolucionárias], publicado polo distrito económico do Grande Berlím; Berlím, 1921) (Edit.)

 

## Em galego-português previr=antecipar; prevenir=tomar precauçons. Nota trad. gal-port.

 

(4) Propuxo-se formar nom partidos, senom fracçons, na Uniom. Isto conduz ao caos e condea à Uniom à impotência.

 

(5) Lea-se a minha "Carta a Lenin", na que demonstrei isto.

 

(6) Tamém pode ver-se já o oportunismo da III Internacional, que quere um partido de massas comunista. Isto tamém se deve agora a que, dado que nom quere organizaçom de fábrica, e dado que a táctica de células falha para a extracçom de sindicalistas, nom consegue contudo nengumhas massas organizadas, salvo no Partido. Com que consequências, o tem ensinado a Acçom de Março. Já tenho sinalado bastante a miúdo que, um pequeno partido na Rússia, somentes podeu dominar aos oponhentes e ao proletariado devido a que tivo a ajuda dos camponeses pobres. Mas tamém alí mostra-se agora como é de terrível quando nom se tem a toda a classe dos proletários como ditador. Olhe-se Kronstadt. Porque à fim somentes os proletários e nom os camponeses som umha ajuda segura.

 

(7) Que os russos, Lenin por exemplo, julguem assí de falsamente, vem de que eles nom conhecerom suficientemente Europa ocidental. Probávelmente pensem de modo histórico-materialista, nom obstante nom podem aplicar aquí o Materialismo histórico porque nom conhecem as condiçons.

 

(8) Como os distrinos de Saxônia Oriental, como Otto Rühle e Pfemfert.

 

(9) Os sindicalistas e os membros da Uniom que negam o Partido, tampouco sabem de nengum caminho ao comunismo. Porque os sindicalistas, a IWW, a organizaçom de fábrica soa, nunca podem alcançar isto, precisamente porque nom querem o Partido.

 

 

Hosted by www.Geocities.ws

1