As origes do nacionalismo no proletariado

Herman Gorter

  Ainda quando nom compartamos a focage deste texto, si contribue decisivamente a clarificar o que é o nacionalismo "espontáneo" do proletariado. Este nacionalismo expressa a sua posiçom como classe alienada e nom como classe revolucionária, e está, por conseguinte, em oposiçom ao internacionalismo proletário e serve de base à influência do nacionalismo burguês dentro da classe obreira. Nota d@s Comunistas Revolucionári@s.

 

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Este texto é umha seiçom da obra de Gorter «O imperialismo, a guerra mundial e a social-democracia», traduzido polo autor ao alemám em 1915. Esta versom está baseada na traduçom inglesa do texto alemám realizada por D.A. Smart em 1977 e publicada no livro «O marxismo de Pannekoek e Gorter» (Pluto, Londres). As separaçons em números romanos som desta ediçom.

 

 

I

 

Como é que o proletariado pode negar os seus próprios interesses deste modo e pôr-se tam completamente ao serviço da burguesia?  

Se buscamos a razom, o nosso primeiro achado será que o proletariado nom sabe ainda como intervir contra a burguesía como umha soa entidade internacional. E o segundo achado, será que o proletariado nom sabe como luitar por objectivos superiores, a longo praço, senom somentes por objectivos menores, a curto praço.   

Esta é a causa de que fosse incapaz de actuar a umha escala internacional na perseguiçom de objectivos a longo praço, quando assí se fixo necessário faze-lo.  

Nom soubo que fazer.

Numha palavra, a luita internacional polo objectivo último, polo socialismo, nom significava nada para el. 

Posto que a luita contra o imperialismo que domina ao mundo é a luita contra a expansom do capital, é a luita contra a essência do capitalismo, é a luita polo socialismo.  

Deste modo, é a falta de entendimento do proletariado internacional a que tem a culpa da maneira em que tem actuado. Primeiro e por acima de tudo, a sua falta de entendimento.  

A classe obreira em conjunto e o obreiro individual devem ter um alto nível de conhecimento para assumir a acçom a escala internacional. 

 

O nacionalismo do proletariado é bastante diferente na sua natureza do burguês. Para o burguês, a naçom é a organizaçom político-económica cuja unidade e fortaleza lhe permitem fazer produtivo o seu capital, tanto na casa como no estrangeiro. Na casa, a naçom governa aos obreiros no seu interesse; no estrangeiro, defende os seus interesses pola força das armas e extende a sua influência para a sua causa.  

Esta é a base do nacionalismo burguês, que deste modo é muito activo no seu carácter, así como o é o capital do burguês.

O obreiro, por outra parte, nom tem capital, só receve os seus salários. O seu nacionalismo é, por conseguinte, passivo, así como é passivo para receber os salários. 

Mas a grande maioria dos obreiros, nom obstante, vive polo capital nacional. 

O capital nacional é, de facto, o seu inimigo, mas é um inimigo que os alimenta. Assí, ainda que o obreiro só é nacionalista passivamente, é nacionalista e nom pode ajudar sendo nacionalista em tanto nom seja um verdadeiro socialista.

Porque a naçom, o capital da naçom, é o fundamento da sua existência.  

E, por conseguinte, em tanto nom é um socialista, nom pode ajudar crendo que o interesse do capital nacional é o seu próprio e que deve defende-lo contra inimigos, porque o bem-estar do seu capital e tamém o seu próprio bem-estar.  

O nacionalismo do obreiro consiste numha série de sentimentos e instintos geralmente primitivos, que estám vinculados ao impulso de auto-preservaçom e estruturados ao seu redor. Em primeiro lugar, o instinto de preservar a sua existência meiante o trabalho, meiante os seus salários. E, conectado a isto, os sentimentos concernintes ao seu fogar, à sua casa natal, à sua família, à tradiçom, ao costume, à camaraderia, à localidade imediata, à sua gente, ao seu partido --e o instinto de conservar todo isto, que vincula totalmente ao seu ego e que deste jeito está intimamente ligado ao impulso de auto-conservaçom--. Quase moribundos na vida diária, a ameaça ou a sombra do perigo os desperta cumha força elementar, precisamente devido a esta conexom co impulso de auto-conservaçom.  

Y se inflamam no lume da paixom, de ódio faze o inimigo, de amor fanático polo país próprio, quando o impulso de auto-preservaçom se alia cos instintos sociais de ligaçom e unidade cos seus iguais --neste caso, os companheiros compatriotas, aqueles que som da mesma classe e naçom--. Require-se um alto grado de conhecimento para que este instinto, estes sentimentos, sejam superados num momento dado, em qualquer momento, sempre, e para que a luita de classe nom seja abandoada pola luita em nome da naçom. 

E assí o obreiro deve compreender que baixo o capitalismo o nacionalismo esta-lhe a fazer um grande dano, muito mais dano que as avantages que lhe proporciona. Deve compreender que em que consiste o dano e em que as avantages. Deve contrapesar umha cousa frente à outra. E este processo de pensar, este conhecimento, deve ser de tal classe, deve ter penetrado a sua consciência tam completamente, que nom só supere os instintos de nacionalismo, senom que tome o seu lugar. Esta é umha tarefa extremadamente difízil e que require dum período muito longo. 

O obreiro deve, portanto, compreender que o imperialismo governa toda a política, e como: que ameaça à classe obreira coa ruina e a fragmentaçom causando guerras intermináveis, que as guerras defensivas já nom podem empreender-se baixo o imperialismo, e por último e o mais importante, que o imperialismo --e aquí coincide tan estreitamente co nacionalismo como para fundir-se como el-- unifica a todos os capitalistas nacionais contra o proletariado mundial, que deve unir-se contra eles. E que a luita contra o imperialismo é, por conseguinte, a luita polo socialismo. O obreiro deve saber todo isto. E nom com palavras e frases ocas, cumha compreensom vazia, superficial e fugaz, senom cum conhecimento profundo e completo --o conceito deverá ter penetrado até os mesmos osos--.  

Isto tamém é umha tarefa longa e cansa. A desmitificaçom do imperialismo e a correspondente erradicaçom do nacionalismo é um poderoso passo adiante, um tremendo incremento na consciência e, assí, no desenvolvimento do proletariado militante.  

 

 

II

 

A nova propaganda necessária para lograr isto nesta nova fase do capitalismo é umha das tarefas mais sublimes, delicadas e frutíferas que podem realizar-se em serviço do proletariado.  

Contra o nacionalismo, contra o imperialismo, polo socialismo. 

O proletariado nunca tinha feito nada disto antes. Sempre assumira a sua acçom numha escala nacional, nunca antes numha escala internacional.  

E nunca antes tinha tomado a acçom contra o imperialismo internacional.  

O proletariado nacional e, portanto, o proletariado internacional, nunca tinham experimentado a luita contra o imperialismo internacional.  

Havia, por suposto, grupos e indivíduos entre os obreiros de cada país, e sobretudo na Alemanha, que tinham superado os instintos nacionais através do conhecimento e a intuiçom.  

A social-democracia erradicara estes instintos de certos coraçons. E estes grupos e indivíduos teríam luitado com gosto contra a guerra con todas as suas forças. Mas, em primeiro lugar, estes  grupos e indivíduos estavam, na nossa estimaçom, muito escassos em número. Incluso na Alemanha. Em Inglaterra eram difízeis de encontrar (1), e de modo similar na França.   

Em segundo lugar, eles nom viram como poderiam combater a guerra. Nem sequer aqueles que reconheceram os meios a usar contra a guerra viam ainda como ponhe-los em prática.  

Como podemos ver, o único meio para combater a guerra imperialista é a acçom nacional a escala de massas polo proletariado, empreendida simultáneamente polo proletariado internacional enteiro. 

Se estes grupos de obreiros tivesem reconhecido a maneira de comprometer-se en tal curso de acçom, vendo-a claramente ante eles, teriam optado por ela, e nom só isso, teriam levado com eles às grandes massas dos obreiros.

Explicaremos debaixo as razons polas quais nom viram o caminho cara adiante, por que nom o reconheceram.

 

Para o que foi a história prévia da Internacional? 

Ao começo era umha federaçom de sindicatos e grupos progressivos e socialistas. Os que expressavam brilhantemente os pensamentos e sentimentos dos grupos mais militantes, mais desenvolvidos da classe obreira, particularmente na esfera da política exterior, dos problemas políticos europeos; os que por vez primeira na história mundial, e para maravilha dos obreiros e terror da burguesia, se apoiaram os uns aos outros a escala internacional; os que por vez primeira na história mundial teceram umha ligaçom ao redor do proletariado enteiro; os que abertamente declararam o comunismo como a sua meta, que eram umha luz resplandecente para os obreiros e o primeiro grande desafio à burguesia internacional, e que sementaram a semente dos partidos do futuro.

Um gênio veu ante eles, un sembrador passou polos países de Europa e América. 

Tinham um programa e um executivo, enviando-lhes as directrizes que emanavam do cerebro de Marx e que iluminaram o caminho do futuro como brilhantes torchas; um executivo para dar-lhes direcçom. Mas as únicas acçons mancomunadas em que se comprometeram fôram demonstraçons.

Depóis de 1872, esta Internacional derrubou-se através da divisom interna, muito antes de que puidera fazer algo mais em conjunto, como umha entidade. Era ainda demasiado débil para a luita prática internacional; o período nom estava ainda maduro para isto. Somentes difundira a semente por distintos países.

A partir desta, cresceram alí logo lentamente os partidos nacionais e os sindicatos.  

Umha grande época começava agora para os obreiros.

Os milhares de homes e mulheres inspirados polos pensamentos de Marx e da Internacional, mergulharam-se entre os obreiros de cada país e predicaram o comunismo e o socialismo. Seus eram os melhores cerebros e os mais calorosos e apaixoados coraçons, os carácteres mais elevados e nobres. Pois a luita era dura e chea de perigos; a resistência da burguesia obstinada; a recompensa material pequena ou nula.

E os obreiros que escuitavam eram os melhores. 

Os mais militantes, os mais inteligentes, os mais valentes.  

E, ao mesmo tempo, todos eles se mergulharam na teoria tanto como na prática.  

A política dos obreiros sustinha-se num grande objectivo teórico --a revoluçom--. Assí era em muitos países de Europa: na Alemanha, Aústria, França, Bélgica, Dinamarca, Holanda, Espanha, Itália. 

Poderiamos chamar a este o periodo da revoluçom na teoria e na prática.  

O número que tomava parte era ainda pequeno. Mas foi durante este período quando se conseguiu a maioria na maior parte dos países. Incluso em termos de reformas. O assalto era tam selvage e furioso, a assombro e terror da classe dominante tam grande, que concederam algunhas reformas. As melhores reformas no sufrágio e a legislaçom social datam deste período em muitos países. Mas, em troco, esta Internacional, estes partidos nacionais, só se preocupavam dos problemas nacionais, de objectivos menores, a curto praço.

Todos os melhores partidos nacionais se entregaram à legislaçom, à actividade parlamentar, às eleiçons; todos os sindicatos a melhoras nos salários e na jornada de trabalho, na protecçom dos seus membros, etc. Por suposto, tinham um elevado programa socialista, ainda baseado no gênio de Marx. Mas isto era só teoria. Era só propaganda interna, nom acçom.  

Já nom acontecia nada dentro dos partidos nacionais para situar a questom: capitalismo ou socialismo, reforma ou revoluçom.

Este estado dos assuntos prolongou-se durante anos. 

Assí, a revoluçom voltou-se teoria e a reforma voltou-se prática.  

E nada aconteceu nesse período, nos factos, para reivindicar o internacionalismo por parte dos partidos nacionais, para esigir que botasem a um lado o seu nacionalismo.  

E assí, a pesar de toda a teoria, a pesar de toda a mais precisa e sinceira propaganda, a pesar de todas as boas palavras, a Internacional convertiu-se num complexo de partidos que se esforçavam por melhoras, por eles próprios, por aqueles no seu mesmo ofício, polos seus camaradas, polos seus compatriotas. Nom mais que isso. O socialismo internacional era só um eslogam formidável. O seu internacionalismo nom tinha nengum aspecto prático.  

Assí, incluso no grande e heróico período dos pupilos de Marx e da velha Internacional, esse período revolucionário tanto na teoria como na prática que começou com Lassalle e, declinando gradualmente, acabou nos anos noventa, a Internacional era un complexo de partidos no que cada um existia para si próprio, e que nom estavam, portanto, prestos inclusive a manter-se unidos por qualquer atadura externa.  

 

 

III

 

Um novo período sucedeu ao período de revoluçom na teoria e na prática nos países europeos que nos concernem.  

Atraidas polo êxito dos partidos obreiros, eram arrastradas as grandes massas obreiras com sede de reformas. Aquelas que nom eram as mais militantes, nem as melhores, nem as mais valentes. O promédio. As massas.

Baixo o capitalismo, as massas estám sobre-exploradas e privadas de desenvolvimento intelectual. A grande maioria delas só se interessa, só poderia involucrar-se, nos problemas quotidianos, o trabalho, o pam, os pequenos ganhos. As massas eram arrastradas. 

A luita, tamém, voltara-se mais fázil. Os partidos obreiros tinham por fim assegurado o reconhecimento. Governos e capitalistas cederam um pequeno campo, fixeram concesons aquí e alí. As grandes massas nacionais fôram atraidas, sendentas de reformas.  

Somentes por reformas. E este grande número começou a fazer sentir a sua influência.  

Com tais grandes números, o poder poderia ganhar-se. Com tantos votos, tantos assentos no parlamento. Agora importava menos a qualidade dos votantes.  

Entre estas massas, nos sindicatos e partidos nacionais, a reforma converteu-se em tudo.  

Um nível de vida melhorado a meta. A teoria, a teoria revolucionária, foi arrojada pola borda. E com ela a Internacional enteira. Tais cousas convertiram-se somentes em ruído e palavras ocas.  

Entom, fazendo umha teoria desta prática, emergeu o revisionismo: a doctrina que clama, «Obreiros! Obreiros da naçom, unidevos por reformas! A reforma, o caminho à meta, é tudo. Unide-vos tamém coa burguesia, cum segmento da mesma, entom obteredes muitas mais reformas.» 

E esta doctrina tomou raízes nas mentes destas massas, estes obreiros agora tam receptivos a ela, especialmente desde que estavam a vir por entom tempos de prosperidade, desde que um arroio de ouro estava inundando Europa, depóis das ondas de ouro californiano e australiano a onda de ouro do Transvaal, e os pensamentos de revoluçom se encolheron cada vez mais nas suas mentes, despraçados polos pensamentos de reformas. Assí é como as massas evolucionaram.  

Entom, alí xurdiu outro tipo de dirigente.

 

No começo, houvera homes de princípios, homes inspirados co ideal do socialismo, que nom escatimaram nengum esforço por el e tinham as mais elevadas expectativas de realiza-lo. Quem tinham a mais grande corage, um espírito e umha determinaçom genuinamente revolucionárias, umha energia genuinamente revolucionaria. Quem tamém, em tanto nom fossem obreiros, tentavam botar fóra ao burguês neles, e pensar e sentir-se a si próprios completamente dentro das massas, dentro da classe obreira.

Quem viveram ou tentaram viver, fazer realidade, o mais elevado ideal que podia formar-se dumha classe obreira emancipando-se a sí própria. Quem dirigiram todas os seus factos, palavras e propaganda cara este ideal.  

Com maior ou menor claridade eles pregoaram a revoluçom aos obreiros.  

Tais eram Bebel, Guesde, Liebknecht, Plekhanov, Axelrod, Kaustky, Mehring, Labriola, Hyndman, Quelch, Domelia Nieuwenhuis no seu primeiro período, e muitos outros.  

Mas quando o poder chegou, vinheram outros.  

Os filántropos, os moralistas, o burguês bem educado, o ambicioso, o pouco escrupuloso, aqueles que enganaram às masas. Muitos com boas intençons e mentes débiles, que nom sabiam nada de socialismo e da sua teoria. Gente que se enganavam a si mesmos. Políticos de carreira que fixeram do socialismo o seu negócio, a sua fonte de benefícios e dos seus meios de subsistência. 

E movidos por motivos filantrópicos, éticas burguesas, grandes aprendizages, ambiçom, estupidez, ignoráncia, falta de carácter e de escrúpulos, ou de sentido comum, todos eles abraçaram o revisionismo.

A revoluçom era algo maligno ou impossível, ou demasiado distante; a reforma possível e imediata, boa e vantajosa. Mas os obreiros eram demasiado débiles, faltos de compreensom, o seu voto no parlamento e nos conselhos municipais demasiado pequeno. Assí que tiveram que alcançar compromissos coa burguesia! 

A velha guarda, os radicais, que reconheciam que os altos ideais revolucionários estavam enfraquecendo-se, expressou a sua oposiçom.  

Mas que bem fixo isso? As massas mesmas estavam em todas partes ansiosas de reformas, reformas em primeiro lugar e por acima de tudo, a miúdo reformas soas, assí que escuitavam aos reformistas e os argumentos dos idealistas radicais, que de facto eram incapaces de trazer a revoluçom, fôrom abandoados aos quatro ventos. 

E assí ocorreu que a teoria, a revoluçom, convertiu-se mais e mais em cousa do intelecto, acerca do qual os melhores camaradas pensavam de vez em quando como acerca de algo sublime e grandioso, umha cousa do coraçom pola que de vez em quando se acelerava --mas a realidade quotidiana, que estava sempre presente, na que as massas pensavam constantemente, dia e noite, convertiu-se em prática: a reforma, noutras palavras--. 

O movimento sindical, que luita só por pequenos benefícios, que ganha únicamente pequenas concesons dos patronos realizando contratos com eles, acelerou este processo consideravelmente.  

Os reformistas eram agora eleitos para os executivos de todos os sindicatos. Apareciam em todas partes nos executivos de partido, nas juntas de redaçom dos periódicos, nos conselhos municipais e nos parlamentos. Cedo formaram a maioria em todos lados, e na maioria dos países a única força dirigente.  

Mas tanto no movimento sindical como nos partidos políticos som os dirigentes, os membros do parlamento e os presidentes, é dizer, indivíduos, quem ganham as vitórias no parlamento, nos conselhos municipais, frente aos outros partidos e nas negociaçons cos patronos, incluso se tal vitória é só aparente.

O centro de gravidade despraçou-se deste modo das massas aos dirigentes. Formou-se umha burocracia obreira.  

E a burocracia é conservadora desde o princípio.  

As massas, preocupadas por completo polo desejo de benefícios em lugar de pola revoluçom, fôrom reforçadas nisto polos seus dirigentes. Eles deixaram a estas ùltimas perseguer tais avanços, e eles mesmos volveram-se negligentes e torpes. E quanto menos activas se volviam as massas, mais perdiam eles a visom da sua meta, mais os dirigentes se consideravam como os suportes do movimento. Tanto mais começavam a crer que a acçom proletária dos obreiros consistia primariamente nas tácticas e compromissos que eles conceviram, e que os únicos meios disponhíveis para os próprios obreiros eram a papeleta de voto, o cómputo das suscripçons, cumha ocasional luita ou demonstraçom sindical. Que as massas eram realmente passivas e dirigidas, e eles mesmos a força activa, esta é a segunda fase do movimento socialista, que segue à primeira fase da revoluçom na teoria e na prática. Poderia ser denominado como o periodo de reforma na teoria e na prática (2).

Isto é o que aconteceu na Inglaterra no Partido Laborista, o que aconteceu na França, onde os socialistas incluso chegaram a ministros. Isto aconceceu em Bélgica, onde a campanha de massas polo sufrágio universal foi sufocada, em Holanda, onde se forjaram laços co liberalismo, na Itália, onde os socialistas se venderam aos radicais. Isto é o que aconteceu na Alemanha, onde se proseguiu cumha política de moderaçom e foi estrangulada a campanha de massas polo sufrágio em Prúsia. Isto é o que sucedeu em Suécia, Dinamarca, Suiza, em todas partes de maneira particular, determinada polas condiçons políticas e económicas, mas em todas partes co mesmo resultado --a desviaçom do proletariado pola via das reformas menores, a sujeiçom aos dirigentes, a renúncia à acçom autónoma de massas--.  

Os partidos obreiros da França, Inglaterra, Alemanha, de cada país, convertiram-se em partidos de massas somentes interessados e concernidos acerca dos problemas nacionais, menores.  

 

Mas a causa do militarismo e do imperialismo, que demandavam todo o dinheiro disponhível, já nom podíam conseguer-se durante mais tempo as reformas menores.   

Contudo, os reformistas prometeram ainda mais reformas. E isto desmoralizou ainda mais às massas. Pois nada é tam desmoralizante e destrutivo como fazer falsas promessas às massas. Mentres, efectivamente, nom passa nada, e as massas esperam todavia crédulamente polas reformas. 

Mas o imperialismo internacional cresceu mais e mais, arrogantemente. E volveu-se mais e mais necessário abordar os problemas internacionais, globais, em lugar dos problemas menores, nacionais.

E assí, sem quere-lo realmente, mais polo instinto que polo conhecimento lúcido, todos estes partidos já corrompidos polo reformismo adquiriram a nova Internacional, a casca valeira que todos conhecemos tam bem e que agora se tem desmoroado. O olhar desta poderosa classe mundial que submeterá a todas as forças da terra, da natureza e da sociedade a sí própria, fora orientado polos reformistas à consecuçom dumha paga cuns quantos centavos mais e dumha legislaçom laboral pouco frequente e inadequada --isto como o seu único objectivo--. Dirigiram a atençom dos obreiros, da classe que haverá de vencer o poder mundial mais poderoso que tem havido nunca --o capitalismo e os seus suportes, os bancos, os consórcios (trusts), o imperialismo--, coas palavras finas que os seus inimigos usam para engana-los, e lhes chamou a crer nestas palavras e a formar alianças com estas persoas.  

Esta classe poderossa foi domesticada por uns quantos dirigentes ambiciosos, estreitos de mente e ignorantes. Caeu vítima da sua própria falta de entendimento e mentalidade servil.  

Algo que ja tem acontecido millheiros de vezes no passado ocorreu de novo: as massas fôrom enganadas para ser convertidas em serventes dos seus governantes. Nom deve ter tido êxito, porque esta classe deve agora verdadeiramente conquistar um poder indisputado, sem títulos.  

Contudo, a burguesia tivo êxito outra vez, foi capaz de consegui-lo por meio dos reformistas: por meio do Partido Social-demócrata.  

 

 

IV

 

Hai reformistas que chegam a dizer que estám a favor da expansom capitalista, a favor das colónias e das esferas de influência, a favor das políticas coloniais. Nom se param a pensar se esta é a via para que o proletariado devenha consciente como classe, maduro para a revoluçom, revolucionário e socialista nos seus mais íntimas e profundas sensibilidades.  

Só se preocupam de conveniências temporais: do capitalismo. As políticas coloniais, o colonialismo nacionalista, imperialismo em outras palavras, e de aí na sua torna guerrra imperialista, pode, como tem amossado, trazer à naçom, à burguesia nacional, enomes benefícios através da expansom de capital que gera. Gera novo investimento de capital, estimula a indústria, incrementa a riqueza. Melhora o comércio, o transporto, em resumo toda a vida económica da naçom, num grao extraordinário. Por suposto, se o proletariado o acompanha, tamém significa um declive na consciência de classe das massas, e assí, ao longo, a derrota do proletariado; para o proletariado significa opressom severa, impostos e militarismo, guerra e divisom; mas isto nom detém aos reformistas.

Mentres tanto, o capital está crescendo e florescendo. 

Esta é a razom pola que muitos reformistas, os reformistas grande-burgueses, som suportes das políticas colonialistas e, deste modo, imperialistas. 

Por exemplo, Schippel e Calwer na Alemanha, Vandervelde, que endossou a anexom do Congo por Bélgica, Van Kol, que aceitou a missom de levar além o imperialismo do governo holandês, e assí sucessivamente.  

Outros reformistas estám a favor de políticas colonialistas a causa dos benefícios imediatos e menores que proporcionam ao proletariado, sem atender às consequências para o futuro. 

Nós temos visto que essas políticas colonialistas, e deste modo o imperialismo, pode proporcionar benefícios a curto praço e a pequena escala para grupos individuais de trabalhadores. Proporciona-lhes trabalho e paga. Tamém os pequeno-burgueses, os pequenos patronos e proprietários de tendas, recebem as migalhas dos benefícios do imperialismo. 

Por isso os reformistas pequeno-burgueses alemans, Bernstein, Noske, etc., etc., estám a favor das políticas colonialistas.

Por isso em Holanda pequeno-burgueses reformistas como Troelstra, Vliegen, o grupo parlamentar, a direcçom enteira e quase a totalidade dos membros do SDAP estám a favor das políticas colonialistas e se oponhem à autonomia e à liberdade incondicional para as Índias.  

Por isso, em cada país do mundo que possue colónias, Inglaterra, Alemanha, Holanda, França, Bélgica, e incluso naqueles que buscam o comércio mundial, a influência mundial, o poder mundial, Itália, América, Austrália, etc., etc., um certo número de dirigentes e a maioria dos obreiros estám a favor de políticas coloniais, ou seja, a favor do imperialismo.  

Deste modo, é precisamente o colonialismo o que os revisionistas fomentaram.  

E foi a partir do colonialismo que eles prometeram aos obreiros grandes avantages.  

E os obreiros, preocupados da sua própria avantage, alinearam-se com eles! 

A precisa área da política da que o imperialismo depende, a política colonial --o imperialismo--, foi adoptada desde os reformistas através dos trabalhadores, foi aceitada polos obreiros.  

Mas o imperialismo significa nacionalismo. 

Desde os reformistas, desde os social-demócratas; desde os partidos social-democráticos nacionais, desde a Internacional mesma, os obreiros aceitaram o imperialismo que se insinuava cada vez mais próximo, que ameaçava coa guerra, a morte, a derrota e a divisom, que tinha que assasina-los, destrui-los e debilita-los infinitamente como indivíduos e como classe --este imperialismo, estas políticas coloniais que, meiante o fomento do militarismo e umha provável sucessom interminável de guerras, tinham que levar-se por diante todas as reformas para o presente e para os anos por vir (3). 

E assí, nos anos de imperialismo que precederam à guerra, a Internacional aceitou o seu afundimento por parte da burguesia e de si próprio.

Os obreiros que só desejan avantages imediatas deven aceitar as políticas colonialistas, e assí concordar co imperialismo e o nacionalismo. Pois som estes os que prometem avantages imediatas. 

Só aqueles que olham além, que reconhecem que as políticas colonialistas traem finalmente mais dano que ganho, e especialmente aqueles que compreendem que dividem e fragmentam ao proletariado --em resumo, só aqueles que pensam e sintem dum modo auténticamente socialista revolucionário-- podem opôr-se ao imperialismo nacionalista a pesar das avantages que proporciona.  

Só aqueles que ainda aprofundam mais, e reconhecem que esse imperialismo une a todos os capitalistas do mundo contra o proletariado, só eles podem erradicar por completo o nacionalismo dos seus coraçons e unir-se co proletariado mundial numha soa fraternidade, numha soa luita revolucionária contra o capital mundial. Mas o reformismo e o revisionismo significavam que toda visom lúcida, profunda e teórica, e toda sensibilidade revolucionária, internacionalista, se tinham dissipado.  

Foi assí o reformismo o que provocou que os obreiros, já demasiado circunscritos aos problemas menores, chegasem a estar ainda mais atados a estes últimos.  

Foi assí o reformismo, a perseguiçom de reformas menores, o causante de que os obreiros, já demasiado nacionalistas, se volveram ainda mais nacionalistas.  

Foi el o que provocou que os obreiros cederam às políticas coloniais, incluso quando o imperialismo se insinuava mais próximo. 

Foi o que causou que a atençom dos obreiros fosse desviada, quando o imperialismo se aproximava, de modo que permaneceram desprevenidos a respeito del.  

Foi assí, através do reformismo, que a orientaçom internacional da Internacional em cada país, e os obreiros mesmos --qualquer que fossem as suas próprias conceiçons e as suas protestas--, se volvesem em realidade nacionalistas, imperialistas, e incluso, coa ameaça de guerra, chauvinistas. Os reformistas, o reformismo, junto coa ignoráncia, tenhem a culpa da rendiçom do proletariado ao imperialismo, à guerra mundial, ao seu próprio afundimento. Do seu fracasso em defender-se e fortalecer-se meiante a resistência, dando em cámbio a bem-vida ao seu próprio debilitamento com júbilo e incluso com entusiasmo. 

Ivam exclusivamente tras das reformas, e foi precisamente por que já nom buscaram a revoluçom, que trouxeram debilidade, ruina e divisom entre eles. 

Só se preocuparam dos problemas nacionais, e foi precisamente por isso polo que se fixeram nacionalistas e imperialistas.  

Só se preocuparam das reformas dentro da naçom, e precisamente a causa disto fôrom alcançados pola violência internacional do imperialismo.  

Quando consideramos que todos estes diversos partidos únicamente tomaram a acçom a escala nacional --que nom se tinha apresentado por entom todavia nengumha oportunidade para a uniom, a acçom internacional, como um todo, contra o capital--; que a luita polos objectivos nacionais se mantinha, por conseguinte, na pequena e confinada área da naçom, que nom acostumava a vista a perceber a luita de todo o proletariado contra o capital como um todo --que esta luita era a única que se empreendia--; entom reconhecemos isso como aquel grande cataclismo mundial entre capital e trabalho, achegado e acarreado polo imperialismo, que situa à totalidade da classe obreira contra a totalidade do capital mundial numha soa frente --a classe obreira seguia sem ser consciente disto, e todavia continuava olhando cara os seus próprios interesses insignificantes e mesquinhos dentro da sua própria pequena esfera nacional--. 

Únicamente umhas poucas publicaçons de partido na Alemanha ensinaram ao proletariado o que o imperialismo é.   

A maioria, a publicaçom principal Vorwarts e tamém o jornal científico Die Neue Zeit, fixeram o melhor que podiam para nom amossar o imperialismo como o eixo ao redor do qual girava a política, e assí nom o convertiram no eixo, no foco central da atençom e da acçom do proletariado. E polo que sabemos, nom houvo um so órgao noutros países, coa exceiçom da Tribuna em Holanda, que o fixese.

Os revisionistas --os Bernsteins, os Adlers, os Vanderveldes, os Jaures, os Vliegens, os Brantings, por nomear somentes aos melhores entre eles-- tenhem concentrado a atençom do proletariado em problemas menores. Os obreiros preocupavam-se de teses.  

Da imposiçom de contribuiçons más favorável, das pensons de velhez para os obreiros --a miúdo a sua única esperança--, da possibilidade dumha aliança cos liberais, os progressistas ou os radicais para obter umha melhor legislaçom eleitoral... 

Olhavam aos dirigentes, aos parlamentos, e nom nom faziam nada eles mesmos. A salvaçom havia de chegar dos dirigentes, desde os parlamentos.  

Lenta, mas inexoravelmente, o imperialismo achegou-se mais. 

Primeiro foi ocupado Egipto, logo o Transvaal, logo China (4). Alemanha, a pátria do capital, estava rodeada por poderes hostís. 

Os obreiros nom o advertiram. 

Sabe vostede, leitor, o que é o imperialismo? É a forma mais elevada da luita de classes que tem havido algumha vez. 

Por isso é tamém a refutaçom mais completa, mais inequívoca do revisionismo, a refutaçom co golpe de graça.  

 

 

V

 

A teoria revisionista nunca tinha sido tal em nengum momento. Kautsky desfixera-se rápidamente dela, e para bem. Nada vinhera da moderaçom da luita de classes, do que ela previra: a sua teoria de socavar o capitalismo; as grandes expectativas que acariciava de consórcios de desarme, das classes medias, do neo-liberalismo. A sua teoría carecia de fundamento. Os revisionistas simplesmente se retiraram ao domínio da prática para enganar aos obreiros e envenena-los co ópio de esperanças vaas.  

Mas esta prática, o único que lhes queda, esta prática de imperialismo, revolveu-se e agarrou-nos polo pescoço, e golpeou-nos até a morte.  

Simplesmente considere como se desenvolveu o processo, leitor.  

Alí estavam os obreiros de todas as terras ocupados cos sublimes planos traçados para eles polos reformistas. Coas suas propostas de seguro nacional e de impostos, a legislaçom eleitoral e as pensons que os liberais haveriam de ajudar-lhes a obter. O que nom se fixo para lograr incluso o menor passo adiante! Os socialistas chegaram a ministros, formaram-se pactos cos liberais, a social-democracia arrastrava-se na porcaria, suavizava as suas próprias campanhas, expulsava aos marxistas!  

Todas partes estavam a ferver coa actividade a pequena escala. Como pequenos gnomos, os milheiros de membros do parlamento ocupados do seu trabalho, e as massas, nos seus milhons, esperando de modo expectante.  

E que estava aproximando-se? O afundimento. A morte. 

Para millons de obreiros, para as suas crianças, esposas, pais e nais. Era o estancamento, o declive, a morte da sua organizaçom, durante o longo período que vinha.  

Os revisionistas, os Troelstras, os Sudekums, os Scheidemanns, os Anseeles, os Turatis, os Franquea, os Macdonalds, desfilando diante da burguesia, prometeram votar por qualquer cousa --incluso os pressupostos de guerra!--, visitaram a príncipes, chefes do exército, prometendo montanhas douradas aos obreiros, um progresso impressionante, democracia, com tal de que os obreiros os elegiram concelhal municipal, ministro, membro do parlamento, e lhes deixasem as maos livres; e lenta mas inexorávelmente a primeira auténtica guerra mundial entre os grandes poderes imperialistas achegou-se.  

Os revisionistas prometeram reformas para o presente. A reforma veu: a morte. Os revisionistas prometeram a democracia obreira, a igualdade tinha que vir. E veu, na igualdade da morte; pois capitalistas e obreiros som certamente iguais na morte. Os revisionistas prometeram o sufrágio universal se as massas confiasem somentes nos liberais. E os liberais concederam o sufrágio aos obreiros: na morte! Os mortos, os milheiros de obreiros mortos, alçavam as suas vozes em protesta. 

Os revisionistas prometeram a conciliaçom das classes, se os obreiros seguiram só as suas tácticas. A guerra une a todas as classes na morte!.  

O revisionismo tamém prometera a reconciliaçom da humanidade e o desarme! Os povos da terra enfrentam-se os uns aos outros por linhas de milheiros de kilómetros de longo, eriçando-se com armas e gotejando sangue.  

Os revisionistas prometeram a moderaçom da luita de classes; a guerra mundial, o imperialismo praticado por cada país, é a forma mais aguda de luita de classes que tem havido nunca desde que o capitalismo veu à existência.

Os revisionistas prometeram as avantages das políticas colonialistas; foi o colonialismo o que levou ao afundimento. 

Os revisionistas prometeram a reforma para o futuro: depóis desta guerra hai a ameaça dumha nova guerra, de novas carreiras armamentísticas. E, portanto, de quebra e afundimento, e de nengumha reforma.  

Umha classe que leva vinte anos sendo ensinada a confiar na burguesia já nom pode combate-la.  

Mentres, os revisionistas, junto cos partidos burgueses, prometeram progresso aos obreiros; o que fam é pavimentar o caminho para o afundimento do proletariado deslumbrando aos obreiros.  

Esta é a culmine da deceiçom revisionista, e nom havia nada que o evitase. 

Mas tamém significa o afundimento do revisionismo, da luita dirigida somentes cara os benefícios imediatos.

É o afundimento da segunda fase, reformista, da luita dos obreiros.

 

Pois os reformistas nom compartinham meramente cos capitalistas e coa ignoráncia dos obreiros a culpa pola nossa impotência, confusom e covardia presentes; polo nacionalismo, o patrioterismo e o imperialismo actuais do proletariado; pola miséria, a divisom e a debilidade presentes; eles tamém compartinham a culpa, a responsabilidade, o delito por todo o que virá depóis da guerra --a debilidade que se prolongará por anos, a miséria, a impossibilidade de reformas, a necessidade de começar a luita pola revoluçom novamente, cum proletariado muito debilitado e quiçais desmoralizado--.  

Se somentes a perda, a destruiçom, a miséria e todas as consequências da guerra significaram que a populaçom activa se purgase dos reformistas e de todos os da sua índole! 

O autor deste artigo e o partido ao que pertenze advertiu ao proletariado do seu país fai muitos anos. El e os membros do seu partido mantiveram-se firmes até o estalido da guerra em incontáveis mitins, publicaçons e artigos de periódico sobre o imperialismo, em que todas as bonitas promesas da burguesia e dos revisionistas convertiriam-se em nada, porque o militarismo e as políticas colonialistas --o imperialismo, em outras palavras-- tragariam-se todo o dinheiro disponhível, ponheriam fim a todo progresso, fariam os impostos mais onerosos, e que com toda probabilidade a guerra mundial chegaria, instaurando um período de guerras mundiais. 

Isto é polo que nós condeamos particularmente a fraternizaçom com partidos burgueses, que nom poderia lograr nada.  

Esta é a razom pola que fumos lançados fóra do Partido social-demócrata holandês e obrigados a fundar um partido próprio. 

Foi a causa do imperialismo que buscavamos combater, mas que eles apoiaram, que nós fumos expulsos do partido social-demócrata.  

Os obreiros podem ver agora quem tinha a razom.  

 

 

Notas: 

 

(1) As razons da guerra, para a oposiçom do Partido Laborista Independente em Inglaterra, som dumha natureza pequeno-burguesa. Som pequenos inglaterrenses, creem que Inglaterra tem suficientes colónias. 

 

(2) Como já temos dito, foi durante esta fase, coincidindo aproximadamente co alçamento do imperialismo, quando se produziram as menores reformas, polo menos nos países imperialistas poderosos, é dizer, na Alemanha, França, Holanda, Bélgica; Inglaterra, como veremos, constitue umha exceiçom. Ainda que se lograram melhoras significativas na legislaçom durante os períodos revolucionários, agora somentes se producem raramente. 

Holanda é um bom exemplo disto. A primeira marea da revoluçom trouxo a melhora significativa na lei eleitoral. A propagaçom da revoluçom na teoria e na prática afianzou a legislaçom do seguro de acidentes, que avala a invalidez dos obreiros polo seu trabajo no 70 por cento dos seus salários sem qualquer contribuiçom pola sua parte. No período de reformas, os pobres --nom os obreiros, senom os pobres-- obtiveram a promessa de dous florins por semana, com tal de que sejam muito pobres, se comportem bem e que a parróquia o reconheza. Umha forma de socorro para os pobres, noutros termos. Dos direiros às esmolas, isto é o que significa o despraçamento da revoluçom à reforma.  

O mesmo haverá de ver-se na Alemanha: a legislaçom social foi assegurada utilizando tácticas radicais, e de nengum modo meiante o uso de tácticas reformistas. 

De modo semelhante, em Bélgica, a extensom do sufrágio através das tácticas revolucionárias e nada através das tácticas reformistas. 

E que lograram Millerand, Briand, Viviani na França? 

Poderia perguntar-se como é que o reformismo floresce baixo o imperialismo quando o imperialismo, de facto, torna a reforma impossível.  

A resposta é que até onde aos reformistas lhes concerne, o socialismo e o movimento obreiro consistem somentes na luita por reformas. Nom podem imaginar qualquer outro movimento obreiro. Quanto menos reformas se conseguem, mais devem conjurar por reformas fingidas, por mais reformas devem tamborilar e luitar. De outro modo a sua completa existência, junto co movimento obreiro tal como o concibem, sería vaa, nom seria nada. 

E ainda mais baixo o imperialismo, precisamente porque torna a reforma impossível.  

 

(3) Havia social-demócratas que quixeram simplesmente votar polo pressuposto de guerra para obter as reformas, reformas que o imperialismo lhes nega de facto; assí, por exemplo, o SDAP em Holanda.  

 

(4) França e Inglaterra ganharam a representaçom no gabinete egípcio em virtude dos empréstimos com que o Canal de Suez fora financiado; Bretanha utilizou umha revolta contra esta influencia en 1881-82 como umha excusa para establecer um 'condomínio' coa monarquia egípcia. Esta última estava, na prática, subordinada ao cónsul geral británico, Lord Cromer. 

Em 1880-81 a colonia boer independente do Transvaal rechaçou umha tentativa británica de anexa-lo. Depóis do descobrimento de ouro no Witwatersrand, se lhes negou aos imigrantes británicos a plena cidadania e as suas demandas fôrom feitas retroceder polo governo británico. O Transvaal uniu forças co Estado Livre Alaranjado contra Bretanha, e depóis da derrota na guerra boer, foi anexado pola última em 1900. 

O século dezanove tardio veu a competiçom entre os poderes europeos e o Japom por esferas de influência em China. Bretanha, França, Rússia e Japom adquiriom privilégios comerciais, portos e províncias --Birmánia, Annam (Indo-China), a província de Amur, as ilhas de Ryuku--. Alemanha fixo umha entrada tardia na pressa por centros comerciais. Em 1900-01 umha força expedicionária europea esmagou a rebeliom de Boxer contra a influência estrangeira e esigiu um alto preço nas idemnizaçons de guerra. Depóis da guerra russo-japonesa de 1905, os dous países compartiram Manchuria entre eles. [Nota do traductor ao inglês]

 

 

 

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