Ainda quando nom compartamos a focage deste
texto, si contribue decisivamente a clarificar o que é o nacionalismo "espontáneo"
do proletariado. Este nacionalismo expressa a sua posiçom como classe alienada
e nom como classe revolucionária, e está, por conseguinte, em oposiçom ao
internacionalismo proletário e serve de base à influência do nacionalismo
burguês dentro da classe obreira. Nota d@s Comunistas Revolucionári@s.
* * *
Este
texto é umha seiçom da obra de Gorter «O
imperialismo, a guerra mundial e a social-democracia», traduzido polo autor
ao alemám em 1915. Esta versom está baseada na traduçom inglesa do texto alemám
realizada por D.A. Smart em 1977 e publicada no livro «O marxismo de Pannekoek e Gorter» (Pluto, Londres). As separaçons
em números romanos som desta ediçom.
I
Como é
que o proletariado pode negar os seus próprios interesses deste modo e pôr-se
tam completamente ao serviço da burguesia?
Se
buscamos a razom, o nosso primeiro achado será que o proletariado nom sabe
ainda como intervir contra a burguesía como umha soa entidade internacional. E
o segundo achado, será que o proletariado nom sabe como luitar por objectivos
superiores, a longo praço, senom somentes por objectivos menores, a curto
praço.
Esta é a
causa de que fosse incapaz de actuar a umha escala internacional na perseguiçom
de objectivos a longo praço, quando assí se fixo necessário faze-lo.
Nom
soubo que fazer.
Numha
palavra, a luita internacional polo objectivo último, polo socialismo, nom
significava nada para el.
Posto
que a luita contra o imperialismo que domina ao mundo é a luita contra a
expansom do capital, é a luita contra a essência do capitalismo, é a luita polo
socialismo.
Deste
modo, é a falta de entendimento do proletariado internacional a que tem a culpa
da maneira em que tem actuado. Primeiro e por acima de tudo, a sua falta de
entendimento.
A classe
obreira em conjunto e o obreiro individual devem ter um alto nível de
conhecimento para assumir a acçom a escala internacional.
O
nacionalismo do proletariado é bastante diferente na sua natureza do burguês.
Para o burguês, a naçom é a organizaçom político-económica cuja unidade e
fortaleza lhe permitem fazer produtivo o seu capital, tanto na casa como no
estrangeiro. Na casa, a naçom governa aos obreiros no seu interesse; no
estrangeiro, defende os seus interesses pola força das armas e extende a sua
influência para a sua causa.
Esta é a
base do nacionalismo burguês, que deste modo é muito activo no seu carácter,
así como o é o capital do burguês.
O
obreiro, por outra parte, nom tem capital, só receve os seus salários. O seu
nacionalismo é, por conseguinte, passivo, así como é passivo para receber os
salários.
Mas a
grande maioria dos obreiros, nom obstante, vive polo capital nacional.
O
capital nacional é, de facto, o seu inimigo, mas é um inimigo que os alimenta.
Assí, ainda que o obreiro só é nacionalista passivamente, é nacionalista e nom
pode ajudar sendo nacionalista em tanto nom seja um verdadeiro socialista.
Porque a
naçom, o capital da naçom, é o fundamento da sua existência.
E, por
conseguinte, em tanto nom é um socialista, nom pode ajudar crendo que o
interesse do capital nacional é o seu próprio e que deve defende-lo contra
inimigos, porque o bem-estar do seu capital e tamém o seu próprio
bem-estar.
O
nacionalismo do obreiro consiste numha série de sentimentos e instintos
geralmente primitivos, que estám vinculados ao impulso de auto-preservaçom e
estruturados ao seu redor. Em primeiro lugar, o instinto de preservar a sua
existência meiante o trabalho, meiante os seus salários. E, conectado a isto,
os sentimentos concernintes ao seu fogar, à sua casa natal, à sua família, à
tradiçom, ao costume, à camaraderia, à localidade imediata, à sua gente, ao seu
partido --e o instinto de conservar todo isto, que vincula totalmente ao seu
ego e que deste jeito está intimamente ligado ao impulso de auto-conservaçom--.
Quase moribundos na vida diária, a ameaça ou a sombra do perigo os desperta
cumha força elementar, precisamente devido a esta conexom co impulso de
auto-conservaçom.
Y se
inflamam no lume da paixom, de ódio faze o inimigo, de amor fanático polo país
próprio, quando o impulso de auto-preservaçom se alia cos instintos sociais de
ligaçom e unidade cos seus iguais --neste caso, os companheiros compatriotas,
aqueles que som da mesma classe e naçom--. Require-se um alto grado de
conhecimento para que este instinto, estes sentimentos, sejam superados num
momento dado, em qualquer momento, sempre, e para que a luita de classe nom
seja abandoada pola luita em nome da naçom.
E assí o
obreiro deve compreender que baixo o capitalismo o nacionalismo esta-lhe a
fazer um grande dano, muito mais dano que as avantages que lhe proporciona.
Deve compreender que em que consiste o dano e em que as avantages. Deve
contrapesar umha cousa frente à outra. E este processo de pensar, este
conhecimento, deve ser de tal classe, deve ter penetrado a sua consciência tam
completamente, que nom só supere os instintos de nacionalismo, senom que tome o
seu lugar. Esta é umha tarefa extremadamente difízil e que require dum período
muito longo.
O
obreiro deve, portanto, compreender que o imperialismo governa toda a política,
e como: que ameaça à classe obreira coa ruina e a fragmentaçom causando guerras
intermináveis, que as guerras defensivas já nom podem empreender-se baixo o
imperialismo, e por último e o mais importante, que o imperialismo --e aquí
coincide tan estreitamente co nacionalismo como para fundir-se como el--
unifica a todos os capitalistas nacionais contra o proletariado mundial, que
deve unir-se contra eles. E que a luita contra o imperialismo é, por
conseguinte, a luita polo socialismo. O obreiro deve saber todo isto. E nom com
palavras e frases ocas, cumha compreensom vazia, superficial e fugaz, senom cum
conhecimento profundo e completo --o conceito deverá ter penetrado até os
mesmos osos--.
Isto
tamém é umha tarefa longa e cansa. A desmitificaçom do imperialismo e a
correspondente erradicaçom do nacionalismo é um poderoso passo adiante, um
tremendo incremento na consciência e, assí, no desenvolvimento do proletariado
militante.
II
A nova
propaganda necessária para lograr isto nesta nova fase do capitalismo é umha
das tarefas mais sublimes, delicadas e frutíferas que podem realizar-se em
serviço do proletariado.
Contra o
nacionalismo, contra o imperialismo, polo socialismo.
O
proletariado nunca tinha feito nada disto antes. Sempre assumira a sua acçom
numha escala nacional, nunca antes numha escala internacional.
E nunca
antes tinha tomado a acçom contra o imperialismo internacional.
O
proletariado nacional e, portanto, o proletariado internacional, nunca tinham
experimentado a luita contra o imperialismo internacional.
Havia,
por suposto, grupos e indivíduos entre os obreiros de cada país, e sobretudo na
Alemanha, que tinham superado os instintos nacionais através do conhecimento e
a intuiçom.
A
social-democracia erradicara estes instintos de certos coraçons. E estes grupos
e indivíduos teríam luitado com gosto contra a guerra con todas as suas forças.
Mas, em primeiro lugar, estes grupos e
indivíduos estavam, na nossa estimaçom, muito escassos em número. Incluso na
Alemanha. Em Inglaterra eram difízeis de encontrar (1), e de modo similar na
França.
Em segundo
lugar, eles nom viram como poderiam combater a guerra. Nem sequer aqueles que
reconheceram os meios a usar contra a guerra viam ainda como ponhe-los em
prática.
Como
podemos ver, o único meio para combater a guerra imperialista é a acçom
nacional a escala de massas polo proletariado, empreendida simultáneamente polo
proletariado internacional enteiro.
Se estes
grupos de obreiros tivesem reconhecido a maneira de comprometer-se en tal curso
de acçom, vendo-a claramente ante eles, teriam optado por ela, e nom só isso,
teriam levado com eles às grandes massas dos obreiros.
Explicaremos
debaixo as razons polas quais nom viram o caminho cara adiante, por que nom o
reconheceram.
Para o
que foi a história prévia da Internacional?
Ao
começo era umha federaçom de sindicatos e grupos progressivos e socialistas. Os
que expressavam brilhantemente os pensamentos e sentimentos dos grupos mais
militantes, mais desenvolvidos da classe obreira, particularmente na esfera da
política exterior, dos problemas políticos europeos; os que por vez primeira na
história mundial, e para maravilha dos obreiros e terror da burguesia, se
apoiaram os uns aos outros a escala internacional; os que por vez primeira na
história mundial teceram umha ligaçom ao redor do proletariado enteiro; os que
abertamente declararam o comunismo como a sua meta, que eram umha luz
resplandecente para os obreiros e o primeiro grande desafio à burguesia
internacional, e que sementaram a semente dos partidos do futuro.
Um gênio
veu ante eles, un sembrador passou polos países de Europa e América.
Tinham
um programa e um executivo, enviando-lhes as directrizes que emanavam do
cerebro de Marx e que iluminaram o caminho do futuro como brilhantes torchas;
um executivo para dar-lhes direcçom. Mas as únicas acçons mancomunadas em que
se comprometeram fôram demonstraçons.
Depóis
de 1872, esta Internacional derrubou-se através da divisom interna, muito antes
de que puidera fazer algo mais em conjunto, como umha entidade. Era ainda
demasiado débil para a luita prática internacional; o período nom estava ainda
maduro para isto. Somentes difundira a semente por distintos países.
A partir
desta, cresceram alí logo lentamente os partidos nacionais e os
sindicatos.
Umha
grande época começava agora para os obreiros.
Os
milhares de homes e mulheres inspirados polos pensamentos de Marx e da
Internacional, mergulharam-se entre os obreiros de cada país e predicaram o
comunismo e o socialismo. Seus eram os melhores cerebros e os mais calorosos e
apaixoados coraçons, os carácteres mais elevados e nobres. Pois a luita era
dura e chea de perigos; a resistência da burguesia obstinada; a recompensa
material pequena ou nula.
E os
obreiros que escuitavam eram os melhores.
Os mais militantes,
os mais inteligentes, os mais valentes.
E, ao
mesmo tempo, todos eles se mergulharam na teoria tanto como na prática.
A
política dos obreiros sustinha-se num grande objectivo teórico --a revoluçom--.
Assí era em muitos países de Europa: na Alemanha, Aústria, França, Bélgica,
Dinamarca, Holanda, Espanha, Itália.
Poderiamos
chamar a este o periodo da revoluçom na teoria e na prática.
O número
que tomava parte era ainda pequeno. Mas foi durante este período quando se
conseguiu a maioria na maior parte dos países. Incluso em termos de reformas. O
assalto era tam selvage e furioso, a assombro e terror da classe dominante tam
grande, que concederam algunhas reformas. As melhores reformas no sufrágio e a
legislaçom social datam deste período em muitos países. Mas, em troco, esta
Internacional, estes partidos nacionais, só se preocupavam dos problemas
nacionais, de objectivos menores, a curto praço.
Todos os
melhores partidos nacionais se entregaram à legislaçom, à actividade
parlamentar, às eleiçons; todos os sindicatos a melhoras nos salários e na
jornada de trabalho, na protecçom dos seus membros, etc. Por suposto, tinham um
elevado programa socialista, ainda baseado no gênio de Marx. Mas isto era só
teoria. Era só propaganda interna, nom acçom.
Já nom
acontecia nada dentro dos partidos nacionais para situar a questom: capitalismo
ou socialismo, reforma ou revoluçom.
Este
estado dos assuntos prolongou-se durante anos.
Assí, a
revoluçom voltou-se teoria e a reforma voltou-se prática.
E nada
aconteceu nesse período, nos factos, para reivindicar o internacionalismo por
parte dos partidos nacionais, para esigir que botasem a um lado o seu
nacionalismo.
E assí,
a pesar de toda a teoria, a pesar de toda a mais precisa e sinceira propaganda,
a pesar de todas as boas palavras, a Internacional convertiu-se num complexo de
partidos que se esforçavam por melhoras, por eles próprios, por aqueles no seu
mesmo ofício, polos seus camaradas, polos seus compatriotas. Nom mais que isso.
O socialismo internacional era só um eslogam formidável. O seu
internacionalismo nom tinha nengum aspecto prático.
Assí,
incluso no grande e heróico período dos pupilos de Marx e da velha
Internacional, esse período revolucionário tanto na teoria como na prática que
começou com Lassalle e, declinando gradualmente, acabou nos anos noventa, a
Internacional era un complexo de partidos no que cada um existia para si
próprio, e que nom estavam, portanto, prestos inclusive a manter-se unidos por
qualquer atadura externa.
III
Um novo
período sucedeu ao período de revoluçom na teoria e na prática nos países
europeos que nos concernem.
Atraidas
polo êxito dos partidos obreiros, eram arrastradas as grandes massas obreiras
com sede de reformas. Aquelas que nom eram as mais militantes, nem as melhores,
nem as mais valentes. O promédio. As massas.
Baixo o
capitalismo, as massas estám sobre-exploradas e privadas de desenvolvimento
intelectual. A grande maioria delas só se interessa, só poderia involucrar-se,
nos problemas quotidianos, o trabalho, o pam, os pequenos ganhos. As massas
eram arrastradas.
A luita,
tamém, voltara-se mais fázil. Os partidos obreiros tinham por fim assegurado o
reconhecimento. Governos e capitalistas cederam um pequeno campo, fixeram
concesons aquí e alí. As grandes massas nacionais fôram atraidas, sendentas de
reformas.
Somentes
por reformas. E este grande número começou a fazer sentir a sua
influência.
Com tais
grandes números, o poder poderia ganhar-se. Com tantos votos, tantos assentos
no parlamento. Agora importava menos a qualidade dos votantes.
Entre
estas massas, nos sindicatos e partidos nacionais, a reforma converteu-se em
tudo.
Um nível
de vida melhorado a meta. A teoria, a teoria revolucionária, foi arrojada pola
borda. E com ela a Internacional enteira. Tais cousas convertiram-se somentes
em ruído e palavras ocas.
Entom,
fazendo umha teoria desta prática, emergeu o revisionismo: a doctrina que
clama, «Obreiros! Obreiros da naçom, unidevos por reformas! A reforma, o caminho
à meta, é tudo. Unide-vos tamém coa burguesia, cum segmento da mesma, entom
obteredes muitas mais reformas.»
E esta
doctrina tomou raízes nas mentes destas massas, estes obreiros agora tam
receptivos a ela, especialmente desde que estavam a vir por entom tempos de
prosperidade, desde que um arroio de ouro estava inundando Europa, depóis das
ondas de ouro californiano e australiano a onda de ouro do Transvaal, e os
pensamentos de revoluçom se encolheron cada vez mais nas suas mentes,
despraçados polos pensamentos de reformas. Assí é como as massas
evolucionaram.
Entom,
alí xurdiu outro tipo de dirigente.
No
começo, houvera homes de princípios, homes inspirados co ideal do socialismo, que
nom escatimaram nengum esforço por el e tinham as mais elevadas expectativas de
realiza-lo. Quem tinham a mais grande corage, um espírito e umha determinaçom
genuinamente revolucionárias, umha energia genuinamente revolucionaria. Quem
tamém, em tanto nom fossem obreiros, tentavam botar fóra ao burguês neles, e
pensar e sentir-se a si próprios completamente dentro das massas, dentro da
classe obreira.
Quem
viveram ou tentaram viver, fazer realidade, o mais elevado ideal que podia
formar-se dumha classe obreira emancipando-se a sí própria. Quem dirigiram
todas os seus factos, palavras e propaganda cara este ideal.
Com
maior ou menor claridade eles pregoaram a revoluçom aos obreiros.
Tais
eram Bebel, Guesde, Liebknecht, Plekhanov, Axelrod, Kaustky, Mehring, Labriola,
Hyndman, Quelch, Domelia Nieuwenhuis no seu primeiro período, e muitos
outros.
Mas
quando o poder chegou, vinheram outros.
Os
filántropos, os moralistas, o burguês bem educado, o ambicioso, o pouco
escrupuloso, aqueles que enganaram às masas. Muitos com boas intençons e mentes
débiles, que nom sabiam nada de socialismo e da sua teoria. Gente que se
enganavam a si mesmos. Políticos de carreira que fixeram do socialismo o seu
negócio, a sua fonte de benefícios e dos seus meios de subsistência.
E
movidos por motivos filantrópicos, éticas burguesas, grandes aprendizages,
ambiçom, estupidez, ignoráncia, falta de carácter e de escrúpulos, ou de
sentido comum, todos eles abraçaram o revisionismo.
A
revoluçom era algo maligno ou impossível, ou demasiado distante; a reforma
possível e imediata, boa e vantajosa. Mas os obreiros eram demasiado débiles,
faltos de compreensom, o seu voto no parlamento e nos conselhos municipais
demasiado pequeno. Assí que tiveram que alcançar compromissos coa burguesia!
A velha
guarda, os radicais, que reconheciam que os altos ideais revolucionários
estavam enfraquecendo-se, expressou a sua oposiçom.
Mas que
bem fixo isso? As massas mesmas estavam em todas partes ansiosas de reformas,
reformas em primeiro lugar e por acima de tudo, a miúdo reformas soas, assí que
escuitavam aos reformistas e os argumentos dos idealistas radicais, que de
facto eram incapaces de trazer a revoluçom, fôrom abandoados aos quatro
ventos.
E assí
ocorreu que a teoria, a revoluçom, convertiu-se mais e mais em cousa do
intelecto, acerca do qual os melhores camaradas pensavam de vez em quando como
acerca de algo sublime e grandioso, umha cousa do coraçom pola que de vez em
quando se acelerava --mas a realidade quotidiana, que estava sempre presente,
na que as massas pensavam constantemente, dia e noite, convertiu-se em prática:
a reforma, noutras palavras--.
O
movimento sindical, que luita só por pequenos benefícios, que ganha únicamente
pequenas concesons dos patronos realizando contratos com eles, acelerou este
processo consideravelmente.
Os
reformistas eram agora eleitos para os executivos de todos os sindicatos.
Apareciam em todas partes nos executivos de partido, nas juntas de redaçom dos
periódicos, nos conselhos municipais e nos parlamentos. Cedo formaram a maioria
em todos lados, e na maioria dos países a única força dirigente.
Mas
tanto no movimento sindical como nos partidos políticos som os dirigentes, os
membros do parlamento e os presidentes, é dizer, indivíduos, quem ganham as
vitórias no parlamento, nos conselhos municipais, frente aos outros partidos e
nas negociaçons cos patronos, incluso se tal vitória é só aparente.
O centro
de gravidade despraçou-se deste modo das massas aos dirigentes. Formou-se umha
burocracia obreira.
E a
burocracia é conservadora desde o princípio.
As
massas, preocupadas por completo polo desejo de benefícios em lugar de pola
revoluçom, fôrom reforçadas nisto polos seus dirigentes. Eles deixaram a estas
ùltimas perseguer tais avanços, e eles mesmos volveram-se negligentes e torpes.
E quanto menos activas se volviam as massas, mais perdiam eles a visom da sua
meta, mais os dirigentes se consideravam como os suportes do movimento. Tanto
mais começavam a crer que a acçom proletária dos obreiros consistia
primariamente nas tácticas e compromissos que eles conceviram, e que os únicos
meios disponhíveis para os próprios obreiros eram a papeleta de voto, o cómputo
das suscripçons, cumha ocasional luita ou demonstraçom sindical. Que as massas
eram realmente passivas e dirigidas, e eles mesmos a força activa, esta é a
segunda fase do movimento socialista, que segue à primeira fase da revoluçom na
teoria e na prática. Poderia ser denominado como o periodo de reforma na teoria
e na prática (2).
Isto é o
que aconteceu na Inglaterra no Partido Laborista, o que aconteceu na França,
onde os socialistas incluso chegaram a ministros. Isto aconceceu em Bélgica,
onde a campanha de massas polo sufrágio universal foi sufocada, em Holanda,
onde se forjaram laços co liberalismo, na Itália, onde os socialistas se
venderam aos radicais. Isto é o que aconteceu na Alemanha, onde se proseguiu
cumha política de moderaçom e foi estrangulada a campanha de massas polo
sufrágio em Prúsia. Isto é o que sucedeu em Suécia, Dinamarca, Suiza, em todas
partes de maneira particular, determinada polas condiçons políticas e
económicas, mas em todas partes co mesmo resultado --a desviaçom do
proletariado pola via das reformas menores, a sujeiçom aos dirigentes, a
renúncia à acçom autónoma de massas--.
Os
partidos obreiros da França, Inglaterra, Alemanha, de cada país, convertiram-se
em partidos de massas somentes interessados e concernidos acerca dos problemas
nacionais, menores.
Mas a
causa do militarismo e do imperialismo, que demandavam todo o dinheiro
disponhível, já nom podíam conseguer-se durante mais tempo as reformas
menores.
Contudo,
os reformistas prometeram ainda mais reformas. E isto desmoralizou ainda mais
às massas. Pois nada é tam desmoralizante e destrutivo como fazer falsas
promessas às massas. Mentres, efectivamente, nom passa nada, e as massas
esperam todavia crédulamente polas reformas.
Mas o
imperialismo internacional cresceu mais e mais, arrogantemente. E volveu-se
mais e mais necessário abordar os problemas internacionais, globais, em lugar
dos problemas menores, nacionais.
E assí,
sem quere-lo realmente, mais polo instinto que polo conhecimento lúcido, todos
estes partidos já corrompidos polo reformismo adquiriram a nova Internacional,
a casca valeira que todos conhecemos tam bem e que agora se tem desmoroado. O
olhar desta poderosa classe mundial que submeterá a todas as forças da terra,
da natureza e da sociedade a sí própria, fora orientado polos reformistas à
consecuçom dumha paga cuns quantos centavos mais e dumha legislaçom laboral
pouco frequente e inadequada --isto como o seu único objectivo--. Dirigiram a
atençom dos obreiros, da classe que haverá de vencer o poder mundial mais
poderoso que tem havido nunca --o capitalismo e os seus suportes, os bancos, os
consórcios (trusts), o imperialismo--, coas palavras finas que os seus inimigos
usam para engana-los, e lhes chamou a crer nestas palavras e a formar alianças
com estas persoas.
Esta
classe poderossa foi domesticada por uns quantos dirigentes ambiciosos,
estreitos de mente e ignorantes. Caeu vítima da sua própria falta de
entendimento e mentalidade servil.
Algo que
ja tem acontecido millheiros de vezes no passado ocorreu de novo: as massas
fôrom enganadas para ser convertidas em serventes dos seus governantes. Nom
deve ter tido êxito, porque esta classe deve agora verdadeiramente conquistar
um poder indisputado, sem títulos.
Contudo,
a burguesia tivo êxito outra vez, foi capaz de consegui-lo por meio dos
reformistas: por meio do Partido Social-demócrata.
IV
Hai
reformistas que chegam a dizer que estám a favor da expansom capitalista, a
favor das colónias e das esferas de influência, a favor das políticas
coloniais. Nom se param a pensar se esta é a via para que o proletariado devenha
consciente como classe, maduro para a revoluçom, revolucionário e socialista
nos seus mais íntimas e profundas sensibilidades.
Só se
preocupam de conveniências temporais: do capitalismo. As políticas coloniais, o
colonialismo nacionalista, imperialismo em outras palavras, e de aí na sua
torna guerrra imperialista, pode, como tem amossado, trazer à naçom, à
burguesia nacional, enomes benefícios através da expansom de capital que gera.
Gera novo investimento de capital, estimula a indústria, incrementa a riqueza.
Melhora o comércio, o transporto, em resumo toda a vida económica da naçom, num
grao extraordinário. Por suposto, se o proletariado o acompanha, tamém
significa um declive na consciência de classe das massas, e assí, ao longo, a
derrota do proletariado; para o proletariado significa opressom severa,
impostos e militarismo, guerra e divisom; mas isto nom detém aos reformistas.
Mentres
tanto, o capital está crescendo e florescendo.
Esta é a
razom pola que muitos reformistas, os reformistas grande-burgueses, som
suportes das políticas colonialistas e, deste modo, imperialistas.
Por
exemplo, Schippel e Calwer na Alemanha, Vandervelde, que endossou a anexom do
Congo por Bélgica, Van Kol, que aceitou a missom de levar além o imperialismo
do governo holandês, e assí sucessivamente.
Outros
reformistas estám a favor de políticas colonialistas a causa dos benefícios
imediatos e menores que proporcionam ao proletariado, sem atender às
consequências para o futuro.
Nós
temos visto que essas políticas colonialistas, e deste modo o imperialismo,
pode proporcionar benefícios a curto praço e a pequena escala para grupos
individuais de trabalhadores. Proporciona-lhes trabalho e paga. Tamém os
pequeno-burgueses, os pequenos patronos e proprietários de tendas, recebem as
migalhas dos benefícios do imperialismo.
Por isso
os reformistas pequeno-burgueses alemans, Bernstein, Noske, etc., etc., estám a
favor das políticas colonialistas.
Por isso
em Holanda pequeno-burgueses reformistas como Troelstra, Vliegen, o grupo
parlamentar, a direcçom enteira e quase a totalidade dos membros do SDAP estám
a favor das políticas colonialistas e se oponhem à autonomia e à liberdade
incondicional para as Índias.
Por
isso, em cada país do mundo que possue colónias, Inglaterra, Alemanha, Holanda,
França, Bélgica, e incluso naqueles que buscam o comércio mundial, a influência
mundial, o poder mundial, Itália, América, Austrália, etc., etc., um certo
número de dirigentes e a maioria dos obreiros estám a favor de políticas coloniais,
ou seja, a favor do imperialismo.
Deste
modo, é precisamente o colonialismo o que os revisionistas fomentaram.
E foi a
partir do colonialismo que eles prometeram aos obreiros grandes avantages.
E os
obreiros, preocupados da sua própria avantage, alinearam-se com eles!
A
precisa área da política da que o imperialismo depende, a política colonial --o
imperialismo--, foi adoptada desde os reformistas através dos trabalhadores,
foi aceitada polos obreiros.
Mas o
imperialismo significa nacionalismo.
Desde os
reformistas, desde os social-demócratas; desde os partidos social-democráticos
nacionais, desde a Internacional mesma, os obreiros aceitaram o imperialismo
que se insinuava cada vez mais próximo, que ameaçava coa guerra, a morte, a derrota
e a divisom, que tinha que assasina-los, destrui-los e debilita-los
infinitamente como indivíduos e como classe --este imperialismo, estas
políticas coloniais que, meiante o fomento do militarismo e umha provável
sucessom interminável de guerras, tinham que levar-se por diante todas as
reformas para o presente e para os anos por vir (3).
E assí,
nos anos de imperialismo que precederam à guerra, a Internacional aceitou o seu
afundimento por parte da burguesia e de si próprio.
Os
obreiros que só desejan avantages imediatas deven aceitar as políticas
colonialistas, e assí concordar co imperialismo e o nacionalismo. Pois som
estes os que prometem avantages imediatas.
Só
aqueles que olham além, que reconhecem que as políticas colonialistas traem
finalmente mais dano que ganho, e especialmente aqueles que compreendem que
dividem e fragmentam ao proletariado --em resumo, só aqueles que pensam e
sintem dum modo auténticamente socialista revolucionário-- podem opôr-se ao
imperialismo nacionalista a pesar das avantages que proporciona.
Só
aqueles que ainda aprofundam mais, e reconhecem que esse imperialismo une a
todos os capitalistas do mundo contra o proletariado, só eles podem erradicar
por completo o nacionalismo dos seus coraçons e unir-se co proletariado mundial
numha soa fraternidade, numha soa luita revolucionária contra o capital
mundial. Mas o reformismo e o revisionismo significavam que toda visom lúcida,
profunda e teórica, e toda sensibilidade revolucionária, internacionalista, se
tinham dissipado.
Foi assí
o reformismo o que provocou que os obreiros, já demasiado circunscritos aos
problemas menores, chegasem a estar ainda mais atados a estes últimos.
Foi assí
o reformismo, a perseguiçom de reformas menores, o causante de que os obreiros,
já demasiado nacionalistas, se volveram ainda mais nacionalistas.
Foi el o
que provocou que os obreiros cederam às políticas coloniais, incluso quando o
imperialismo se insinuava mais próximo.
Foi o que
causou que a atençom dos obreiros fosse desviada, quando o imperialismo se
aproximava, de modo que permaneceram desprevenidos a respeito del.
Foi
assí, através do reformismo, que a orientaçom internacional da Internacional em
cada país, e os obreiros mesmos --qualquer que fossem as suas próprias
conceiçons e as suas protestas--, se volvesem em realidade nacionalistas,
imperialistas, e incluso, coa ameaça de guerra, chauvinistas. Os reformistas, o
reformismo, junto coa ignoráncia, tenhem a culpa da rendiçom do proletariado ao
imperialismo, à guerra mundial, ao seu próprio afundimento. Do seu fracasso em
defender-se e fortalecer-se meiante a resistência, dando em cámbio a bem-vida
ao seu próprio debilitamento com júbilo e incluso com entusiasmo.
Ivam exclusivamente
tras das reformas, e foi precisamente por que já nom buscaram a revoluçom, que
trouxeram debilidade, ruina e divisom entre eles.
Só se
preocuparam dos problemas nacionais, e foi precisamente por isso polo que se
fixeram nacionalistas e imperialistas.
Só se
preocuparam das reformas dentro da naçom, e precisamente a causa disto fôrom
alcançados pola violência internacional do imperialismo.
Quando
consideramos que todos estes diversos partidos únicamente tomaram a acçom a
escala nacional --que nom se tinha apresentado por entom todavia nengumha
oportunidade para a uniom, a acçom internacional, como um todo, contra o
capital--; que a luita polos objectivos nacionais se mantinha, por conseguinte,
na pequena e confinada área da naçom, que nom acostumava a vista a perceber a
luita de todo o proletariado contra o capital como um todo --que esta luita era
a única que se empreendia--; entom reconhecemos isso como aquel grande
cataclismo mundial entre capital e trabalho, achegado e acarreado polo imperialismo,
que situa à totalidade da classe obreira contra a totalidade do capital mundial
numha soa frente --a classe obreira seguia sem ser consciente disto, e todavia
continuava olhando cara os seus próprios interesses insignificantes e
mesquinhos dentro da sua própria pequena esfera nacional--.
Únicamente
umhas poucas publicaçons de partido na Alemanha ensinaram ao proletariado o que
o imperialismo é.
A
maioria, a publicaçom principal Vorwarts
e tamém o jornal científico Die Neue Zeit,
fixeram o melhor que podiam para nom amossar o imperialismo como o eixo ao
redor do qual girava a política, e assí nom o convertiram no eixo, no foco
central da atençom e da acçom do proletariado. E polo que sabemos, nom houvo um
so órgao noutros países, coa exceiçom da Tribuna em Holanda, que o fixese.
Os
revisionistas --os Bernsteins, os Adlers, os Vanderveldes, os Jaures, os
Vliegens, os Brantings, por nomear somentes aos melhores entre eles-- tenhem
concentrado a atençom do proletariado em problemas menores. Os obreiros
preocupavam-se de teses.
Da
imposiçom de contribuiçons más favorável, das pensons de velhez para os
obreiros --a miúdo a sua única esperança--, da possibilidade dumha aliança cos
liberais, os progressistas ou os radicais para obter umha melhor legislaçom
eleitoral...
Olhavam
aos dirigentes, aos parlamentos, e nom nom faziam nada eles mesmos. A salvaçom
havia de chegar dos dirigentes, desde os parlamentos.
Lenta,
mas inexoravelmente, o imperialismo achegou-se mais.
Primeiro
foi ocupado Egipto, logo o Transvaal, logo China (4). Alemanha, a pátria do
capital, estava rodeada por poderes hostís.
Os
obreiros nom o advertiram.
Sabe
vostede, leitor, o que é o imperialismo? É a forma mais elevada da luita de
classes que tem havido algumha vez.
Por isso
é tamém a refutaçom mais completa, mais inequívoca do revisionismo, a refutaçom
co golpe de graça.
V
A teoria
revisionista nunca tinha sido tal em nengum momento. Kautsky desfixera-se
rápidamente dela, e para bem. Nada vinhera da moderaçom da luita de classes, do
que ela previra: a sua teoria de socavar o capitalismo; as grandes expectativas
que acariciava de consórcios de desarme, das classes medias, do
neo-liberalismo. A sua teoría carecia de fundamento. Os revisionistas simplesmente
se retiraram ao domínio da prática para enganar aos obreiros e envenena-los co
ópio de esperanças vaas.
Mas esta
prática, o único que lhes queda, esta prática de imperialismo, revolveu-se e
agarrou-nos polo pescoço, e golpeou-nos até a morte.
Simplesmente
considere como se desenvolveu o processo, leitor.
Alí
estavam os obreiros de todas as terras ocupados cos sublimes planos traçados
para eles polos reformistas. Coas suas propostas de seguro nacional e de
impostos, a legislaçom eleitoral e as pensons que os liberais haveriam de
ajudar-lhes a obter. O que nom se fixo para lograr incluso o menor passo
adiante! Os socialistas chegaram a ministros, formaram-se pactos cos liberais,
a social-democracia arrastrava-se na porcaria, suavizava as suas próprias
campanhas, expulsava aos marxistas!
Todas
partes estavam a ferver coa actividade a pequena escala. Como pequenos gnomos,
os milheiros de membros do parlamento ocupados do seu trabalho, e as massas,
nos seus milhons, esperando de modo expectante.
E que
estava aproximando-se? O afundimento. A morte.
Para
millons de obreiros, para as suas crianças, esposas, pais e nais. Era o
estancamento, o declive, a morte da sua organizaçom, durante o longo período
que vinha.
Os revisionistas,
os Troelstras, os Sudekums, os Scheidemanns, os Anseeles, os Turatis, os
Franquea, os Macdonalds, desfilando diante da burguesia, prometeram votar por
qualquer cousa --incluso os pressupostos de guerra!--, visitaram a príncipes,
chefes do exército, prometendo montanhas douradas aos obreiros, um progresso
impressionante, democracia, com tal de que os obreiros os elegiram concelhal
municipal, ministro, membro do parlamento, e lhes deixasem as maos livres; e
lenta mas inexorávelmente a primeira auténtica guerra mundial entre os grandes
poderes imperialistas achegou-se.
Os
revisionistas prometeram reformas para o presente. A reforma veu: a morte. Os
revisionistas prometeram a democracia obreira, a igualdade tinha que vir. E
veu, na igualdade da morte; pois capitalistas e obreiros som certamente iguais
na morte. Os revisionistas prometeram o sufrágio universal se as massas
confiasem somentes nos liberais. E os liberais concederam o sufrágio aos
obreiros: na morte! Os mortos, os milheiros de obreiros mortos, alçavam as suas
vozes em protesta.
Os
revisionistas prometeram a conciliaçom das classes, se os obreiros seguiram só
as suas tácticas. A guerra une a todas as classes na morte!.
O
revisionismo tamém prometera a reconciliaçom da humanidade e o desarme! Os
povos da terra enfrentam-se os uns aos outros por linhas de milheiros de
kilómetros de longo, eriçando-se com armas e gotejando sangue.
Os
revisionistas prometeram a moderaçom da luita de classes; a guerra mundial, o
imperialismo praticado por cada país, é a forma mais aguda de luita de classes
que tem havido nunca desde que o capitalismo veu à existência.
Os
revisionistas prometeram as avantages das políticas colonialistas; foi o
colonialismo o que levou ao afundimento.
Os
revisionistas prometeram a reforma para o futuro: depóis desta guerra hai a
ameaça dumha nova guerra, de novas carreiras armamentísticas. E, portanto, de
quebra e afundimento, e de nengumha reforma.
Umha
classe que leva vinte anos sendo ensinada a confiar na burguesia já nom pode
combate-la.
Mentres,
os revisionistas, junto cos partidos burgueses, prometeram progresso aos
obreiros; o que fam é pavimentar o caminho para o afundimento do proletariado
deslumbrando aos obreiros.
Esta é a
culmine da deceiçom revisionista, e nom havia nada que o evitase.
Mas
tamém significa o afundimento do revisionismo, da luita dirigida somentes cara
os benefícios imediatos.
É o
afundimento da segunda fase, reformista, da luita dos obreiros.
Pois os
reformistas nom compartinham meramente cos capitalistas e coa ignoráncia dos
obreiros a culpa pola nossa impotência, confusom e covardia presentes; polo
nacionalismo, o patrioterismo e o imperialismo actuais do proletariado; pola
miséria, a divisom e a debilidade presentes; eles tamém compartinham a culpa, a
responsabilidade, o delito por todo o que virá depóis da guerra --a debilidade
que se prolongará por anos, a miséria, a impossibilidade de reformas, a
necessidade de começar a luita pola revoluçom novamente, cum proletariado muito
debilitado e quiçais desmoralizado--.
Se
somentes a perda, a destruiçom, a miséria e todas as consequências da guerra
significaram que a populaçom activa se purgase dos reformistas e de todos os da
sua índole!
O autor
deste artigo e o partido ao que pertenze advertiu ao proletariado do seu país
fai muitos anos. El e os membros do seu partido mantiveram-se firmes até o
estalido da guerra em incontáveis mitins, publicaçons e artigos de periódico
sobre o imperialismo, em que todas as bonitas promesas da burguesia e dos
revisionistas convertiriam-se em nada, porque o militarismo e as políticas
colonialistas --o imperialismo, em outras palavras-- tragariam-se todo o
dinheiro disponhível, ponheriam fim a todo progresso, fariam os impostos mais
onerosos, e que com toda probabilidade a guerra mundial chegaria, instaurando
um período de guerras mundiais.
Isto é
polo que nós condeamos particularmente a fraternizaçom com partidos burgueses,
que nom poderia lograr nada.
Esta é a
razom pola que fumos lançados fóra do Partido social-demócrata holandês e
obrigados a fundar um partido próprio.
Foi a
causa do imperialismo que buscavamos combater, mas que eles apoiaram, que nós
fumos expulsos do partido social-demócrata.
Os
obreiros podem ver agora quem tinha a razom.
Notas:
(1) As
razons da guerra, para a oposiçom do Partido Laborista Independente em
Inglaterra, som dumha natureza pequeno-burguesa. Som pequenos inglaterrenses,
creem que Inglaterra tem suficientes colónias.
(2) Como
já temos dito, foi durante esta fase, coincidindo aproximadamente co alçamento
do imperialismo, quando se produziram as menores reformas, polo menos nos
países imperialistas poderosos, é dizer, na Alemanha, França, Holanda, Bélgica;
Inglaterra, como veremos, constitue umha exceiçom. Ainda que se lograram
melhoras significativas na legislaçom durante os períodos revolucionários,
agora somentes se producem raramente.
Holanda é
um bom exemplo disto. A primeira marea da revoluçom trouxo a melhora
significativa na lei eleitoral. A propagaçom da revoluçom na teoria e na
prática afianzou a legislaçom do seguro de acidentes, que avala a invalidez dos
obreiros polo seu trabajo no 70 por cento dos seus salários sem qualquer
contribuiçom pola sua parte. No período de reformas, os pobres --nom os
obreiros, senom os pobres-- obtiveram a promessa de dous florins por semana,
com tal de que sejam muito pobres, se comportem bem e que a parróquia o
reconheza. Umha forma de socorro para os pobres, noutros termos. Dos direiros
às esmolas, isto é o que significa o despraçamento da revoluçom à reforma.
O mesmo
haverá de ver-se na Alemanha: a legislaçom social foi assegurada utilizando
tácticas radicais, e de nengum modo meiante o uso de tácticas reformistas.
De modo semelhante,
em Bélgica, a extensom do sufrágio através das tácticas revolucionárias e nada
através das tácticas reformistas.
E que
lograram Millerand, Briand, Viviani na França?
Poderia
perguntar-se como é que o reformismo floresce baixo o imperialismo quando o
imperialismo, de facto, torna a reforma impossível.
A
resposta é que até onde aos reformistas lhes concerne, o socialismo e o
movimento obreiro consistem somentes na luita por reformas. Nom podem imaginar
qualquer outro movimento obreiro. Quanto menos reformas se conseguem, mais
devem conjurar por reformas fingidas, por mais reformas devem tamborilar e
luitar. De outro modo a sua completa existência, junto co movimento obreiro tal
como o concibem, sería vaa, nom seria nada.
E ainda
mais baixo o imperialismo, precisamente porque torna a reforma impossível.
(3) Havia
social-demócratas que quixeram simplesmente votar polo pressuposto de guerra
para obter as reformas, reformas que o imperialismo lhes nega de facto; assí,
por exemplo, o SDAP em Holanda.
(4)
França e Inglaterra ganharam a representaçom no gabinete egípcio em virtude dos
empréstimos com que o Canal de Suez fora financiado; Bretanha utilizou umha
revolta contra esta influencia en 1881-82 como umha excusa para establecer um
'condomínio' coa monarquia egípcia. Esta última estava, na prática, subordinada
ao cónsul geral británico, Lord Cromer.
Em
1880-81 a colonia boer independente do Transvaal rechaçou umha tentativa
británica de anexa-lo. Depóis do descobrimento de ouro no Witwatersrand, se
lhes negou aos imigrantes británicos a plena cidadania e as suas demandas fôrom
feitas retroceder polo governo británico. O Transvaal uniu forças co Estado
Livre Alaranjado contra Bretanha, e depóis da derrota na guerra boer, foi
anexado pola última em 1900.
O século
dezanove tardio veu a competiçom entre os poderes europeos e o Japom por
esferas de influência em China. Bretanha, França, Rússia e Japom adquiriom
privilégios comerciais, portos e províncias --Birmánia, Annam (Indo-China), a
província de Amur, as ilhas de Ryuku--. Alemanha fixo umha entrada tardia na
pressa por centros comerciais. Em 1900-01 umha força expedicionária europea
esmagou a rebeliom de Boxer contra a influência estrangeira e esigiu um alto
preço nas idemnizaçons de guerra. Depóis da guerra russo-japonesa de 1905, os
dous países compartiram Manchuria entre eles. [Nota do traductor ao inglês]