Objectivos, Princípios e Táctica

da Federaçom Comunista Anti-Parlamentária británica (APCF)

 

** DOCUMENTOS PROGRAMÁTICOS **

 

 

 

1. Objectivos

 

  O complexo capitalista do movimento da classe obreira cos seus múltiples preconceitos social-demócratas estorvando mais que desenvolvendo a iniciativa das massas na luita polo comunismo revela a necessidade dum partido da classe obreira livre de egoismo e de desejo dum cargo baixo o capitalismo. O parlamentarismo conduz ao revisionismo e a traiçom, e deve ser expurgado do movimento revolucionário da classe obreira. Para esta fim, a Federaçom Comunista Anti-Parlamentária descreve a funçom dumha organizaçom revolucionária sinceira e inteligente de modo que:  

 

(1) Está polo derrocamento revolucionário do sistema capitalista de exploraçom e privilégio, e defende no seu lugar a República Industrial Obreira. 

 

(2) Predica a guerra de classes, reconhecendo que a luita presente entre as classes somentes pode ser resolta permanentemente co triunfo da classe obreira. 

 

(3) Defende o derrocamento do actual sistema parlamentar de governo e urge o boicote da urna eleitoral como o desafio inicial dos obreiros na luita polo poder económico. 

 

(4) Declara que a crise permanente do capitalismo tem deixado obsoletos os movimentos sindicais por ofício e industriais oficiais, mas, reconhecendo a inevitabilidade da luita, urge a folga geral como o único método efectivo de acçom industrial. 

 

(5) Sustém que o desemprego é umha característica crónica e em expansom das condiçons capitalistas, e constitue umha ameaça real para o capitalismo; por conseguinte, urge a colaboraçom de empregados e desempregados na luita pola emancipaçom, e a apoia todas as demandas que promovam a luita de classes. 

 

(1935) 

 

 

 

 

2. Princípios e Táctica

 

 

1. ANARCO-MARXISMO

 

  A Federaçom Comunista Anti-Parlamentária é umha organizaçom anarco-marxiana que nom sustém nengum dos preconceitos dos "anarquistas" e "marxistas" ortodoxos albergam os uns respeito dos outros. Na sua missom --ajudar aos obreiros a derrocar o capitalismo e o seu cam de guarda, o Estado-- saca a sua inspiraçom tanto dos anarquistas como dos marxistas. Admira e emulará o ardor, corage e iniciativa que sugerem nomes como Bakunin, Malatesta, Durruti, assí como a brilhantez e a perseveráncia associadas com Marx. Por outro lado, condena igualmente a irresponsabilidade --comum a muitos "anarquistas"-- e a arrogáncia e intoleráncia comum a muitos "marxistas". Sem preconceito, mas tamém sem culto aos heróis, sintetizaremos o melhor em matéria de análise, preceito e prática, ao que tantos dignos pioneiros e mártires --marxistas e anarquistas incluidos-- tenhem contribuido todos. O nosso objectivo final é a "aboliçom do sistema salarial"; a fim de toda a sociedade exploradora e autoritária. Coa inauguraçom da comunidade socialista coa paz e a abundáncia universais, seguirá-se alí práticamente umha utopia sobre a Terra, e a ausência de todo governo do home polo home. 

 

 

I. O Problema: O Capitalismo Decadente 

 

  O capitalismo, seja privado, industrial, financeiro ou estatal (ou qualquer combinaçom destes) é a causa da pobreza, a enfermidade e a morte prematura de milhons, junto coa riqueza, indolência, extravagáncia e os excessos por parte duns poucos privilegiados. Divorciados do meios de produçom, os obreiros estám compelidos a aceitar a escravitude assalariada. Devem ceder o produto enteiro do seu trabalho e aceitar a cámbio a miséria, correspondente nom ao seu valor, senom a um salário medio de subsistência. 

 

  Os obreiros nom tenhem, por conseguinte, nada em comum cos seus exploradores. A luita de classes --obrigada para eles-- deve continuar até que, meiante o acto da Revoluçom Social, os obreiros ponham fim a toda a sociedade de classes através da aboliçom do sistema salarial dumha vez por todas. 

 

 

II. O Fascismo 

 

  O fascismo nom é senom o último recurso do capitalismo degenerado, onde a violência franca, previamente reservada principalmente para os nativos nas colónias, nos "protetorados", etc., é práticada na pátria do proletariado. 

 

  Recebe umha base de massas recrutando o estrato médio em exércitos anti-proletários. 

 

  Os chamados países democráticos, como Bretanha, França e EE.UU., usam todos medidas fascistas nos fortins do seu império. E agora, baixo a cobertura do perigo de guerra, estám perfeiçoando umha técnica que, na primeira crise real, pode igualar na sua repressom qualquer do feito nos países fascistas. Durante a última guerra, as medidas "treat-em-rough" [medidas associadas à ofensiva bélica] utilizadas contra pacifístas e socialistas, eram fascistas em tudo menos no nome. Devemos opôr-nos e denunciar o fascismo, mas os seu pai, o capitalismo, é o auténtico inimigo a ser destruido. 

 

 

III. A Guerra Imperialista 

 

  A guerra é um mal atroz, mas como o fascismo, é umha conseqüência do capitalismo, ao igual que o assassinato, a doença e o horror da guerra. Sobre o campo de batalha industrial, onde as doenças desnecessárias da indústria, a alta taxa de acidentes e a morte prematura é o colorário da pugna polos benefícios, tiverom lugar melhoras, é certo, mas somentes devido à pressom da massa, ou devido a que se encontrou que era "mal negócio matar os gansos que ponhem os ovos de ouro" --os obreiros. 

 

  A guerra tem as suas raízes no capitalismo, e a diferência entre a agressom e a defesa é a diferência entre o ladrom de casas co seu festím (o Império, etc.) e o ladrom ou "salteador" que nom pode alivia-lo de parte do botím. O Tratado de Versalhes é idéntico na sua extorsom vingativa e brutal do desamparado povo alemám, a qualquer acçom dos seus ruins militaristas. E o duro bloqueo de Austria e Alemanha, etc., levado a cabo por messes durante o período do "armistício", ilustra a mentalidade dos "homes de Estado" capitalistas quando estám embriagados de poder. Socorridos polas vacilaçons dos "socialistas", prepararom assí o caminho para Hitler e ajudarom a criar o monstro de Frankenstein de fascismo. Ainda que um perigo potencial para eles, eles o tenhem subsidiado e alimentado, para impedir que os obreiros de Europa incrementasem com éxito o nível de revolta. Agora, para defender os derradeiros restalhos da sua "paz" iníqua, esperam que as suas "maos" dóceis se convirtem numha "carne de canhom" ainda mais obediente. A réplica de Pygmalion é a única resposta apropriada a esta demanda insolente. 

 

 

2. O ALISTAMENTO 

 

  O nossos governantes, no seu ódio e medo de Rússia (que, ainda que nom umha República Socialista, é todavia demasiado anti-capitalista para concordar coa alta finança), traiçoarom deliberadamente aos seus aliados checos. Temerosos dumha Itália ou dumha Alemanha socialistas, tenhem apoiado repetidamente a Hitler e a Mussolini. 

 

  Finalmente, eles instigarom o assassinato da Espanha republicana para impedir o seu desenvolvimento segundo linhas socialistas revolucionárias. Agora, cos seus rivais do Eixo imensurávelmente mais fortes como resultado da sua própria política, eles recrutam aos homes de 20-21 para encher os ocos no seu balanço de forças. E o movimento obreiro assumiou este último insulto sem luitar contra el. Os homes joves tiverom que animar-se a boicotar o registro. O movimento obreiro enteiro devia te-los respaldado cumha folga geral de protesta --ainda quando breve-- para indicar a aceitaçom do insolente desafio aos obreiros. A crise é sua e eles deveram ter saído a enfrenta-la. O assunto dum auténtico movimento obreiro é destruir o capitalismo e o imperialismo: nom luitar por el, ou fazer que sejam outros quem luitem. 

 

 

I. A soluçom: o Socialismo Libertário

 

  Dado que "qualquer outra cousa é umha ilusom", umha República Industrial Socialista dos Trabalhadores é a única esperança do proletariado. Os meios de produçom da riqueza e do intercámbio, umha vez baixo o controlo dos obreiros, podemos ter virtualmente um milénio sobre a Terra. Só considerem-se as imensas reservas sem explorar para a produçom de subministros quase ilimitados de toda forma imaginável de riqueza útil. Pense-se nas contas de milhons de desempregados, sem esquecer os inúteis zangons acima da escala social. Estimem-se tamém os milhons de funcionários, serventes, lacaios, cujo tempo potencialmente valioso se gasta baixo este sistema. Considere-se a riqueza que poderia criar-se polo enorme exército de agentes de publicidade, viajantes comerciais, representantes de sociedades, vigiantes de tendas, etc., por nom mencionar o colosal exército de policias, avogados, juizes, empregados de oficina que som SÓ 'NECESSÁRIOS' BAIXO O CAPITALISMO! Agregue-se agora o escandaloso gasto de trabalho implicado na máquina militar --soldados, pilotos, marinhos, oficiais, generais, almirantes, etc. Agregue-se, tamém, o apavorante consumo de energia na fabricaçom de amamentos de todas as classes, que está sobrecarregando a máquina produtiva. Utilizados apropriadamente, estes recursos sem limite de energia potencial da criaçom de riqueza, poderiam assegurar abundáncia para todos --sem excluir "luxos"-- cumha jornada laboral ridículamente curta. Igualmente, haveria condiçons de trabalho agradáveis, e recreaçons e feriados numha escala da que agora só goçam os ricos!  

 

 

II. O Estado de Classe (o Governo)

 

  O Estado --a máquina da dominaçom de clase- é utilizado pola classe capitalista para manter subjugados aos obreiros. O sistema de possessom individual e o feudalismo requeriam dum Estado opressivo. Mas o socialismo, sendo umha forma de sociedade sem classes onde ninguém é explorado, nom require nengum governo do home polo home, e o Estado pode desaparecer para sempre no limbo dum passado morto. 

 

 

III. O Nacionalismo 

 

  Coa reorganizaçom da sociedade com base na produçom útil, e a desapariçom do Estado, os medos, preconceitos e ódios nacionais e raciais desaparecerám rápidamente, sendo muitos deles borrados antes da Revoluçom. A sempre crescente aniquilaçom do espaço, por meio da rádio, a televisom, o aviom, e toda a aceleraçom e extensom de meios de intercomunicaçom ao redor, espalhará o bálsamo curativo da educaçom, o desporte, a ciência e a cultura a todas as esquinas do globo. A colaboraçom e coordenaçom internacionais destruirám os legados restantes,  conseqüência de décadas de competiçom e guerra capitalistas. Os "parlamentos do mundo" industriais borrarám todos esses males de modo completamente natural, sem a ajuda de nengumha intercessom especial tal como se consinte na actualidade meiante os charlatáns religiosos e demais. 

 

 

IV. Religiom e Superstiçom

 

  Justo nos talons dos preconceitos e medos raciais e nacionais, seguirám as superstiçons religiosas e demais que até agora tenhem maldito e nublado a mente do home. Obtendo justiça económica e social aquí na terra, já nom haverá nengumha excusa para o substituto ilusório, a "torta no céu". Nom em qualquer dos reinos da fantasia, senom no leito de roca do interesse económico e da ajuda e utilidade mútuas, estará baseada a nova orde social à que tenhem aspirado, ainda que limitada a sua visom, todos os homes mais sagazes (far-seeing), valentes e "inspirados" de toda idade e regiom. O ideal "fai aos outros como tu quererias que eles te fixeram a ti" --o apelo moral básico de todas as religions-- será ao fim realizável, nom porque a humanidade se convirtam repentinamente em santos, senom porque já nom estám mais compelidos pola situaçom económica a ser "pecadores". Ao fim será possível --porque praticável-- o preceito "de cada qual de acordo coa sua capacidade; a cada qual de acordo coa sua necessidade", e "um para todos e todos para um". 

 

 

3. A TÁCTICA CARA A META SOCIALISTA

 

  Antes de delinear a nossa visom da táctica a utilizar-se para lograr o objectivo do socialismo, permita-se-nos examinar algumhas das alternativas propostas por outros, para expôr as suas debilidades básicas. 

 

 

I. A Cooperaçom  [Cooperativismo] 

 

  A falha fundamental de todos os esquemas cooperativos é que ao consumidor --quem a miúdo nom é mais que um parásito-- e nom ao produtor, a quem se provém. Isto pode ver-se cumha olhada a respeito da publicidade cooperativa. Os produtos som elogiados de tal modo que poucos obreiros podem permitir-se comprar-los - como os magníficos aparelhos elécticos exibidos nas vitrinas municipais. De novo, as instituiçons cooperativas pagam todas tributo ao Estado capitalista, os proprietários de terras e os tiburons financeiros. Funcionam sobre o sistema salarial e os seus obreiros, como o resto do proletariado, som explorados no ponto da produçom. Os burócratas da cooperativa som a miúdo tam crueis e esigentes como os empresários privados, de aí o facto aparentemente contraditório de que os obreiros som compelidos a ir à folga para impôr incluso reivindicaçons reformistas contra o mesmo domínio desde acima que representa o capitalismo em geral. 

 

 

II. O Sindicalismo  (trade unionism)

 

  Sendo a força de trabalho umha mercadoria baixo o capitalismo, o obreiro tem que tentar conseguer o melhor preço (salários) que poda. Nom pode combater ao patrono só, de aí a formaçom dos sindicatos num fraco esforço por parar os soplos do capitalismo. Mas os os sindicatos foram formados numha base de ofício e somentes em torno à luita mercantil --nom à luita de classe--. Co desenvolvimento do capitalismo trustificado, o sindicalismo é agora impotente. Percebendo a sua incapacidade para desafiar com éxito ao capitalismo --exceito arriscando-o todo--, os dirigentes passaram-se à colaboraçom de classes e se "entrincheiraram aí" mentres o sistema dure. Eles só se preocupam agora do mantenimento do seu próprio status e nom estám interessados na luita de classes. Para eles a palavra socialismo é somentes umha palavra oca. 

 

 

III. O Sindicalismo Industrial  (industrial unionism

 

  Muitos obreiros, enojados e com aversom aos seus maus dirigentes sindicais, estám a buscar no sindicalismo industrial umha nova arma de luita. Deve enfatizar-se, contudo, que o sindicalismo industrial pode tamém ser puramente reformista, como o NUR aquí e a muito crescida CIO na América. Estes aceitam na prática --ainda que podam limitar esta aceitaçomm na letra morta dos seus preámbulos-- o sistema do capitalismo. O ruidoso John L. Lewis sae-se da sua via para aceitar o sistema de produçom por um benefício "justo". De novo: Como pode o sindicalismo industrial luitar coas indústrias de armamento ou de luxo, a partir dum ponto de vista de luita de classes? 

 

 

IV. O Unionismo Industrial Socialista *

 

  Compreendendo a força das críticas anteriores, temos agora a advogaçom polo unionismo industrial socialista. Mas o poder da imprensa, o púlpito, etc. da propaganda capitalista fai impossível o crescimento de tais unions a umha escala praticável até que cheguemos a um período de profunda crise económica tal como em 1926, quando os obreiros tornaram-se atraidos à luita a pesar de si mesmos. Mentres a advogaçom polo unionismo industrial socialista nom fai dano, a realizaçom prática de ainda umha aproximaçom a este loudável objectivo, nom terá lugar até a véspera da Revoluçom. Ainda entom, a forma serám probávelmente os Conselhos Obreiros de Acçom ou os Comités de Folga, compreendendo tamém aos obreiros desempregados. 

 

 

V. A Acçom Directa

 

  Tem-se defendido muitas vezes a via da acçom directa, mas como o sindicalismo industrial, esta é usualmente principalmente reformista --ainda que é um passo na direcçom correcta--. A acçom directa é umha prática útil para o proletariado e prova o calibre dos delegados, etc. Mas devemos deixar claro que a acçom directa revolucionária é o objectivo último, se imos cessar de perseguer o rabo do reformismo. 

 

 

VI. Os Industrial Workers of the World (IWW)

 

  Temos tamém muito em comum cos nossos camaradas dos Obreiros Industriais do Mundo. Eles enfrentam-se com freqüência ao capitalismo gangster coas suas próprias armas. Isto é entendível e justificável. Mas o verdadeiro objecto nom deve ser meras reformas meiante métodos destrutivos. Quando a luita mercantil é substituida pola luita de classe para a destruiçom, nom da riqueza, mas do poder dos governantes, entom a "folgança" (ca'canny **), a sabotage, etc., já nom serám necessárias mais. Baixo o socialismo devemos produzir tanto, nom tam pouco, como seja possível, pois o produto volverá aos trabalhadores. 

 

  O perigo de tentar establecer amplas organizaçons à marge da revoluçom, é que a reforma reemprace os objectivos socialistas, que o quantitativo suplante o qualitativo. 

 

 

4. O PARLAMENTARISMO 

 

I. Nós somos anti-parlamentários porque o parlamentarismo é anti-obreiro e anti-socialista. O obreiro que veja além do reformismo económico, deverá igualmente desbotar o engano, a hipocrisiae a futilidade do parlamento antidemocrático burguês. 

 

  Deve sinalar-se de passada que todas as medidas parlamentares que algumha vez concederom algo aos obreiros, foram o resultado da pressom exterior, demonstracional, insurreccional ou industrial. Os nossos governantes concedem quando som compelidos a elo. Lançam-se subornos para acalmar ao gigante do trabalho que se desperta --para arrulha-lo voltando-o a durmir--. 

 

  O SPGB reivindica que o parlamento nom é um lugar de parolar, senom um lugar de poder. 

 

  Esta é umha verdade a meias que produz umha ilusom. Ainda para os propósitos capitalistas, o parlamento está a ser "consultado" cada vez mais depóis do evento; quando já se tenhem dado passos irreversíveis por parte do nosso próprio tipo particular de chefe em conjunçom, por suposto, cos poderes financeiros entre bastidores. Mas a questom principal a reconhecer é que o Estado deduz o seu sustentamento da tributaçom, isto é, da classe dominante. É concebível, entom, que essa gente --como classe enteira-- financiase um parlamento genuinamente revolucionário, eleito expressamente para dispossui-los? Certamente, Franco nom nos subministra a resposta a semelhante noçom infantil? 

 

  A partir dos ganhos espremidos aos obreiros, a classe dominante fináncia o Exército, a Marinha, a Força Aérea, o Serviço Civil, etc. Se um eleitorado revolucionário, depóis de superar o impedimento dumha imprensa corrompida, da radio controlada, da propaganda de púlpito, da votaçom plural, etc., elegese umha maioria socialista (nom reformista), os nossos Winstons Churchill, apoiados polos nossos Noskes e Kerenskys británicos, encontrariam um método para declarar tal maioria "inconstitucional". Detrás dum títere conveninte, alí instituiria-se umha ditadura plutocrática que funcionaria via Reais Decretos, EPA (Leis de Poderes de Emergência), etc. 

 

  Nós nom dizimos que teriam éxito no seu plano para esmagar aos obreiros; eles fracassariam. Mas somentes fracassariam na medida em que os obreiros apreendam a tempo que únicamente podem confiar na sua própria força industrial e social fóra do parlamento --na rua, na fábrica, no establecimento de trabalho, na mina, na ferrovia, etc.-- . E quando os obreiros emitam o chamamento como classe e nom como seiçom, serám apoiados em cada aquartelamento e em cada establecimento militar. 

 

 

II. O parlamento como "escudo"

 

  Muitos socialistas estám de acordo em que o socialismo nunca pode lograr-se por meio do parlamento, mas defendem, como o SLP, que a arma política pode usar-se como um escudo para proteger a ascendente organizaçom industrial necessária para a inauguraçom do socialismo. Isto aparenta umha lógica extrana. Como pode a arma "nom substancial" proteger a auténtica, a única arma poderosa da acçom industrial, etc. directa? E embaucará-se tam facilmente aos capitalistas? Se a nossa arma final é extra-parlamentar, utilicemos TODOS os nossos recursos de propaganda em desenvolve-la, e nom desperdizemos tempo e substáncia em sombras. 

 

 

III. Como umha "Caixa de Resonáncia"

 

  Tamém se alega que o parlamento pode utilizar-se como umha caixa de resonáncia revolucionária. Deixando a um lado o facto de que o parlamento tende a actuar como um pára-raios, e de que poucos revolucionários genuinos poderiam digerir os preliminares necessários (tais como a toma de juramento, o procedimento de reverência, etc.), se os discursos som revolucionários, quem vai informar deles? A imprensa capitalista? Certamente, é esperar demasiado se se contesta que a imprensa socialista, logo obviamente essa imprensa pode imprimir propaganda e informar dos discursos realizados num lugar melhor: a esquina da rua ou a porta da fábrica. Em lugar de apelar ao "comité executivo" da classe capitalista, os nossos revolucionários --que som demasiado poucos-- estám necessitados urgentemente de pontos de contacto cos obreiros, para ajudar a gerar a única força que será finalmente se algumha utilidade.   

 

 

5. CARA OS SOVIETS OBREIROS, O QUE NÓS DEFENDEMOS 

 

I. A "Luita do Dia a Dia"

 

  Ainda contrários às meras reformas e excluindo-as do nosso próprio programa, nós estamos ansiosos por dar-lhes aos obreiros qualquer ajuda que podamos quando estám em combate co capitalista. Quaisquer sejam as suas reivindicaçons, elas som menos de necessidade que de justiça; neste sentido os obreiros estám sempre mais que em direito, e devem ser apoiados sem dúvida. 

 

  Os Soviets ou Conselhos de Acçom de todos os obreiros som os únicos órgaos democráticos capazes de afrontar os problemas sinalados acima. Alí o direito de revocaçom pode funcionar e preparará o caminho para que os obreiros mesmos levem a cabo a sua emancipaçom. 

 

  Como os burócratas do T.U. se negam cada vez mais a apoiar incluso as folgas reformistas, os obreiros estám compelidos a actuar extra-oficialmente. Como ajuda na sua necessidade, eles podem tornar-se somentes face aliados como os obreiros da mesma pranta ou indústria. Por isso as armas a ser utilizadas serám provavelmente:

 

   (a) a folga de acçom directa industrial;

 

  (b) a folga simpatizante de apoio, livrada nom durante um longo período meiante fundos, senom durante um peíodo mais curto e a umha escala maior meiante a solidariedade;

 

  (c) a folga com ocupaçom (stay-in strike), tam extendida e geral como for possível. 

 

  Ainda quando repetidamente derrotadas, a crise permanente do capitalismo nom deixa alternativa aos obreiros. Mais cedo ou mais tarde, meiante tal treinamento, devem passar ao ATAQUE e destruir o poder coercitivo da classe dominante. Num 1926 distinto, o problema deve converter-se num desafio polo poder. Os obreiros, unidos como classe, podem derrotar o capitalismo dumha vez por todas e formar umha república industrial socialista dos trabalhadores. Ainda que os nossos amos tentem utilizar seiçons (com uniforme ou sem el) contra a massa, podem ser derrotados meiante a solidariedade universal. Aqueles que tentam devolver-nos à submissom terám que ser enfrentados co mesmo argumento, com propaganda anticapitalista antimilitarista mais intensiva. 

 

  Umha vez que o capitalismo seja derrocado, estes soviets, conselhos, sindicatos ou unions industriais --a etiqueta nom importa muito-- permitirám aos obreiros controlar a produçom no trabalho --a única democracia auténtica--. Adaptarám-se aos novos requerimentos e devem coordenar-se amplamente para evitar perdas. 

 

 

II. A Fase de Transiçom

 

  Em torno às fábricas e establecimentos de trabalho devem establecer-se Milícias Obreiras para defender as conquistas do povo, até que se tenha a certeza de que nom é possível nengumha contra-revoluçom. Estas guardas vermelhas operárias devem organizar-se como as famosas columnas de Durruti, nom cumha base militarista, senom com base na disciplina estritamente vontária. Em coordenaçom, estas formarám nom um Estado repressivo de classe dominante para a opressom, senom um arma puramente defensiva para garantir a liberdade frente à sabotage e às restauraçons pro-capitalistas. Quando os antigos governantes, agora convertidos em cidadáns úteis, tenham arrojado definitivamente a toalha, entom este Estado obreiro defensivo --se os nossos amigos anarquistas excusam o termo-- nom terá mais funçom. Decairá em tanto cesse de ser necessário, e os seus membros retornarám ao emprego útil da sociedade sem classes, sem Estado, humana que terá reempraçado todo roubo, todo governo, toda opressom. A humanidade será livre. 

 

 

6. OS NOSSOS FANÁTICOS REVOLUCIONÁRIOS 

 

  Muitos bos camaradas, que crêem essencialmente no anterior, estám divididos em partidos concurrentes e descoordenados, o qual tem que lamentar-se. Isto deriva-se em parte dos interesses materiais que xurdem devido a que estamos sujeitos à limitaçom, geográfica, da linguage, etc., capitalista. Tamém é devido a diferências de princípios. Estas diferências, nom obstante, som a miúdo mais imaginárias que reais; mais bem de terminologia e de ángulo que de substáncia. O egotismo inconsciente tamém opera e leva à obsessom, que a menos que eles conduzam, tem que descaminhar de necessidade ao proletariado! Assí como hai centros de "religions" e várias interpretaçons da cristiandade, do mesmo modo nós temos inumeráveis tendências de marxismo e anarquismo. Seria divertido se nom fora trágico. Considerese, por exemplo, os numerosos grupos na América que acreditam ser os únicos precursores genuinos da nova IV Internacional, da única vanguarda verdadeira! 

 

 

I. A Vanguarda Revolucionária 

 

  Nós tamém cremos que temos a posiçom mais correcta, mas somos o bastante dialécticos para saúdar a outros grupos. Ainda que equivocados sobre este ou aquel ponto, nós reconhecemos que, em conjunto, eles estám fazendo tanto ou mais ainda polo socialismo do que nós. De novo, quem é o juiz infalível de quem é o mais correcto? Que partido pode dizer honestamente que tivo razom sempre e em todas as questons, que pode garantir ser igualmente correcto no futuro? 

 

  É puro utopismo imaginar que qualquier partido único, ainda que "correcto", terá algumha vez nas suas filas todos os melhores elementos da classe obreira. Aparte de que o capitalismo nom deixará tempo para incluso umha aproximaçom a essa situaçom. 

 

 

II. A Aliança Obreira Revolucionária

 

  Em lugar dos numerosos corpos concurrentes, todos jogando a ser a vanguarda, temos que compreender que devemos agrupar a nossa experiência, capacidades e recursos numha Aliança Revolucionária. Podemos desenvolver assí umha vanguarda potencial mais grande, que será capaz de fazer o melhor uso da crise quando venha. 

 

  Nós oponhemo-nos à conceiçom dum único partido "dirigindo" ou dictando aos obreiros, este modo assenta-se na burocracia e na ditadura. Em lugar de luitar pola supremacia, os partidos revolucionários devem apontar, na medida do possível, à completa liquidaçom nos soviets obreiros, onde podem avançar as suas políticas meiante a corage, a iniciativa e o exemplo. Os problemas práticos, em lugar dos abstractos, estarám à orde do dia, e as melhores soluçons, independentemente de quem as defenda, devem ser adoptadas sem preconceitos. Encontraremos, na prática, que a vanguarda interpenetra e solapa a todos os partidos existentes, e que os obreiros, anteriormente de nengum partido em absoluto, som capazes de contribuir num grao surpreendente  e de fazer sombra a muitos dos que se consideravam previamente como indispensáveis e da elite.  

 

(Junho-Juho de 1939)

 

 

 

Os dous textos forom traduzidos dos originais em inglês


 


 

* Aquí traduzimos literalmente o conceito inglês «unionism», porque nestes casos as propostas de criar unions industriais revolucionárias estám vinculadas a umha crítica mais ou menos congruente do sindicalismo, bem pretendam um questionamento do sindicalismo como tal ou bem se limitem a pretender reforma-lo em sentido revolucionário.

 

** Política sindical de restricçom do trabalho excessivo (ca'canny: lit. folgar).

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