Essa gravação foi feita já há algum tempo. Ainda estávamos construindo as bases para a banda e queríamos ver como estávamos nos saindo. Em duas horas gravamos essas músicas que você derepente vai ouvir algum dia.

Foram duas horas aceleradas, pois éramos apenas dois e tivemos que gravar todos os instrumentos.

Isso é apenas um fragmento da imagem da banda.

Depois desse dia, contamos com a entrada de mais duas pessoas valiosas para nós. Acho que posso dizer que só depois disso nos encontramos como um grupo de pessoas. Um grupo com muitas vontades e idéias.

Mas Única Chance não é apenas esse grupo de quatro pessoas. No show, chegamos a ser 50 (às vezes mais, às vezes menos). Nós quatro somos apenas os que, na maior parte do tempo, seguram e tocam os instrumentos. Não queremos estabelecer essa diferença entre músicos e platéias, seria muito ingênuo e limitado.

Nós preparamos com carinho nossas apresentações, as coisas que vamos falar, para que você se sinta envolvido com tudo isso. Gostaríamos que as apresentações fossem momentos de aprendizado e troca de sentimentos. Inúmeras coisas nos impedem de fazer o que queremos, ou até mesmo de procurar saber o que realmente queremos, e seria ótimo descobrir com todos vocês, meios de destruí-las.

Eu percebo que todos temos um potencial de revolta. Essas pessoas que eu encontro nos shows estão visivelmente sofrendo algum tipo de opressão. Você pode descontar toda essa raiva em uma noite bebendo para "esquecer", ou você pode se organizar com outras pessoas e tentar acabar com os problemas onde eles começam.

Aproveite sua energia negativa e destrutiva, é ela que motiva e realiza as coisas que são proibidas para nós. Se informe sobre o que está acontecendo ao seu redor. Leias os zines, procure as opiniões daquelas pessoas que são ignoradas nos meios de comunicação de massa, que estão apenas ao dispor dos interesses da parcela opressora da sociedade. Pergunte por tudo.

Esse sítio está absurdamente simples.

Nós adoramos criar imagens para ilustrar melhor o que queremos dizer, mas dessa vez achamos melhor não. Queremos não fazer parte do espetáculo. O espetáculo que obriga você a ficar com a porra dos olhos grudados na frente da tela a porra do tia inteiro.

Mesmo nossas outras produções serem críticas ao espetáculo também, dessa vez resolvemos perder a noção da sanidade. E se você ficou decepcionado e/ou bravo com essa forma, por achar que não vale a pena perder seu tempo lendo esse monte de merda, deixe-me indicar algumas revistas apelativas e/ou discos caríssimos, coloridos, com as fotos dos meninos brancos com roupas de skate saltitando com as guitarras. Ou deixe-me simplesmente mandar você à merda. Nada pessoal, é claro.

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