Nós estamos aqui hoje por algum motivo e isso não pode ser ignorado. Nos sentimos absurdamente violentados por esse estilo de vida medícore e degradante. Não pense que é fácil conviver com o dilema de ser alimentado pela mão que nós odiamos, pois não é. O que podemos fazer a respeito é aproveitar nosso tempo livre para esmagar todas essas besteiras que nos empurram e que nós não aguentamos mais ouvir falar. Nossas mentes foram formatadas, nossos corpos alterados, nossa língua nos limita e nosso afeto já não é tão carinhoso quanto pensávamos há algum tempo atrás, e bem, nós não estamos nada contentes com isso tudo. Já não sabemos quem somos, e quem gostaríamos de ser, e isso nos assusta ao ponto de recusar uma imagem ou nos atirar à primeira forma semelhante que encontrar-mos. Estamos presos até nossas entranhas nessa máquina doentia que está por trás de todos os nossos atos românticos que não cansam nunca de fracassar. Como você lida com isso? Eu ainda não sei como posso fazer, mas por algum motivo estranho eu não consigo parar de tentar. Buscamos conhecer nossas identidades, já sensíveis e fragilizadas, para que possamos realmente saber o que queremos. Não há possibilidade de felicidade num mundo decadente e fraco como esse, e nós estamos desesperados, procurando uma brecha para que possamos sentir pelo menos um pouco da sensação de liberdade que nós talvez nem saibamos como seja. Paralizados continuamos respirando, mas existe uma sutil diferença entre viver e sobreviver e é essa diferença que estamos procurando. Viver não pode ser isso que vemos. Se viver é sofrer durante várias horas fazendo coisas que você odeia, para pessoas que você odeia e que não são úteis para nenhuma necessidade que tenhamos, então estamos melhor mortos. Somos todos árvores mortas, secas, sem folhas. A figura feia no lindo quintal de concreto colorido no seu jardim, mas mesmo assim, a coisa mais próxima da realidade que está ali. Queremos o controle da realidade e ter todo o controle das coisas que nós fazemos, seja em música, comida, vestimenta, sexo e vivência. Queremos fazer música do nosso jeito e mesmo não tendo dom, diplomas e outras coisas, vamos experimentar o máximo que pudermos.

 

 

 

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