O ALÍVIO

          Eu não poderia deixar de publicar aqui a crônica que o Pratinha fez com o meu e-mail, por favor....


O Alívio

            Aquela crônica da semana passada, reclamando da enxurrada de textos que me mandam, dividiu você: gente a favor e gente achando que eu fui muito drástico, diga mos. Recebi um punhado cartas, e-mails e telefonemas. Olha esta:
          "Mario, meu nome é Manuela, eu tenho (quase) 15 aninhos. Comecei a ler as suas crônicas meio sem querer. Sabe quando você vai ao banheiro e pega a primeira coisa que vê? Então, foi isso o que aconteceu!
           Bom, mas vamos direto ao assunto: o que eu mais gosto nas suas crônicas é a importâcia que você dá para as coisas, aparentemente, insignificantes! E eu acho que você devia falar sobre o alívio!! Qual é o sentimento melhor do que esse? Nada se compara ao alívio de tirar o sapato apertado depois de um dia inteiro e frustrado no shopping, ou o alívio de encontrar o controle remoto, aquele que, se você não encontrar, vão te encher até estourar, ou ainda o alívio de terminar um trabalho às 3 da manhã que você pensava que nunca ia conse guir e, finalmente, o alívio voltar pra casa depois de uma festa chatérrima e deitar na caminha!!!
          Vê quantas felicidades temos com o alívio? É por isso que eu acho que ele deveria ter um espacinho nas suas crônicas! "
           Então, vamos lá Manuela:
           Para o homem, o maior alívio continua sendo urinar quando você não agüenta mais. rë resfolegante. Uau!
          E quando acaba o cigarro da gente, de madrugada? Você procura em tudo quanto é lugar e nada. Exausto, deixa-se cair numa poltrona e vê, lá na estante, alguma coisa parecida com um maço (cheinho) de cigarros. Vai lá e é ? Meu Deus, que alívio!
           Quer alívio maior do que dar uma olhada nervosa num testete de HIV?
           E quando o time do Zagallo consegue, afinal, já no segundo tempo, no finalzinho, fazer o gol? É um alívio nacional.
           Para quem tent filho e/ou filha adolescente: é diariamente um alívio ouvir a porta que dá para a rua se abrir e ele entrar, de madrugada.
           E quando você acha que não tem mais jeito, que a coisa não vai rolar por deficiência física sua e, de repente, você começa a sentir que não era bem assim. Olha ele aí, firme!
           Lugar bom para alívios é um cartório. Já notou, Manuela? Nada como ouvir, depois de uma meia hora em pé, anônimo e suado, um des conhecido e aguardado indivíduo com voz de tacho dizer 156 e 156 ser o seu número.
           E quando você mergulha, mergulha e está na hora de voltar e, no meio do caminho, você já está arrependido de ir tão fundo? O alívio ao chegar a céu aberto é uma delícia.
           As mulheres são responsáveis por alguns alívios da gente. O melhor deles é quando a coisa está mais pra lá do que pra cá, os dois fazendo doce de não telefonar e toca o telefone e você pensa que é ela e é ela. Que bom!
           Dor de dente quando pára, câimbra quando passa, aquela enxaqueca, aquela ferida coçando, o desligar a televisão (principalmen te nos anúncios). O silêncio da televisão depois de desligada é altíssimo.
           Infelizmente, nos dias atuais, a gente tem alívios que não deveria ter. Um exemplo: você deixa o carro na rua e vai ao cinema. Quando você volta e vê, ainda de longe, que não foi roubado, dá um grande alivio. Que absurdo! No Brasil a gente sente alívio até quando recebe o pagamentono dia combinado.
           Aliás, do jeito que tudo caminha, já está dando alívio até mesmo quando a gente volta pra casa, o relógio está no pulso, a carteira no bolso, o tênis no pé e o prédio--incrível-- ainda está lá, Manuela.



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