MARIO PRATA É PURA DIVERSÃO

FANÁTICO POR BINGO, ESCRITOR CONTARÁ SUAS AVENTURAS EM LIVRO

por Cintía Araium

Cigarro entre os dedos, um copo de uisque cheio de leite ao lado, caneta em punho. Concentrado, Mario Prata (52), escritor, jomalista e ex-bancário, tenta encontrar a resposta que preencha os últimos quadrinhos de uma palavras cruzadas. As charadas tem nível de dificuldade a1tíssimo. Diversão pura, hábito herdado do pai, que ainda vive em Uberaba, Minas Gerais, cidade natal de Pratinha, como o escritor é carinhosamente chamado. Crônicas que pregavam a liberdade e punham em dúvida a existência de Deus foram as primeiras obras, se assim podemos chamá-las, do menino pomposamente batizado coma Mario Alberto Campos de Morais Prata. Para assinar suas reportagens, ou talvez intuindo que um dia se transformaria em autor de best-sellers, adotou apenas o primeiro

"Não tenho mais paciência para criar

frases inteligentes para a conquista."

e o último nomes, que figuram nas listas dos mais vendidos. Schifaizfavore- Dicionário de Português, de 1993, Mas Será o Benedito?, de 1996, Diário de Um Magro,de 1997, e Minha vidas Passadas (a limpo), lançado no ano passado, são seus maiores sucessos.

Mario é disciplinado no trabalho. Escreve sempre pela manhã e estipula uma ordem cronológica para seus projetos. "Ficou muita coisa da rotina de bancário", justifica. Há pouco, finalizou uma peça teatral, O caçador de Rolinhas, agora em fase de produção. Desde 1993, abastece com suas crônicas um espaço cativo, às quartas-feiras, no Jornal O Estado de S. Paulo. Recentemente, mudou de editora. Trocou a Globo pela Objetiva. "Compraram meu passe", brinca. Pelo novo contrato, deve produzir dois livros em dois anos. As idéas estão prontas. O primeiro será a história de um homem pobre do bairro paulistano da Mooca que vai para Paris durante a Copa do Mundo (evento que Mario cobriu para o Estadão). Por conta da ambientação do enredo, o autor deve passar um tempo na capital francesa. A outra obra deverá causar rebuliço, principalmente entre as suas várias ex-namoradas. "Será autobiográfico sem ser exatamente uma biografia. Cada nome da minha lista de telefones ,será um verbete a partir do qual contarei uma história. Meus outros livros misturavam o real com o virtual. Esse vai ser tudo verdade", anuncia com um sorriso assanhado.

Do que é publicamente notório, pode-se adiantar a sua infância e adolescência em Lins, no interior de São Paulo, a carreira promissora de oito anos no Banco do Brasil e o curso de Economia na USP, abandonado quando decidiu se dedicar exclusivamente ao ofício da escrita, e os dois casamentos. A primeira união, com a jomalista Marta Góes (45), durou sete anos. O filhos do casal, Antonio ( 21 ), estudante de Ciências Sociais na PUC, e Maria (20), que fez um curso de moda em Londres e agora está na faculdade de Moda Santa Marcelina, em São Paulo, são vizinhos de frente do pai. O apartamento onde Mario está vivendo há um mês, nos Jardins, fica no mesmo andar do das "crianças". "Sou um superpai e ótimo ex-marido", afirma diante da prole, que mais patere ser composta de dois jovens amigos do escritor.
A fotógrafa Luciana de Francesco (40) foi sua segunda mulher. Depois vieram diversos romances. "Agora não estou namorando", garante. "Acho que já namorei o suficiente. Não tenho mais paciência para bolar aquelas frases inteligentes, para o jogo da conquista. Nos últimos anos, morei com o meu filho e agora estou curtindo viver sozinho. Uma lua-de-mel comigo mesmo", diz. E, reforçando o inato ar de conquistador, emenda: "Mas estamos aí, né?". Solidão realmente não combina com esta figura divertida e cheia de histórias para contar. Por meio de e-mails e do telefone está em contat constante com os amigos, além de encontrar os mais íntimos quase diariamente." Janto sempre no Bar Balcão, que é aqui perto e onde sempre encontro algum conhecido.É o bar da turma. Não gosto de comer sozinho. Comer é um ato social. " A turma a que Mario se refere é formada, além dele mesmo, pelos escritores Reinaldo Moraes e Dênis Benfati, o brasilianista Matthew Shirts, o psicanalista Tenório de Oliveira Lima e o poeta e advogado Sérgio Antunes.
Jogar conversa fora na mesa de um bar incluía, até um ano atrás, doses de uisque ou garrafas de cerveja. Em grandes quantidades, diga-se de passagem. "Se eu continuasse a beber naquele ritmo, iria me tornar alcóolatra. Também cornecei a ver alguns amigos, como o (escritor) João Ubaldo Ribeiro, chegarem a um ponto crítico. Depois de uma temporada em que eu e o (escritor) Fernando Morais passarnos sem alcóol em um spa, em Sorocaba, interior do Estado, e as exames mostraram que estava tudo bem comigo. resolvi que ia parar de beber", conta, enquanto acende mais um cigarro do total de dois maços que consome diariamente. "Hoje o meu organismo é o de um garoto de 12 anos. Cerveja, só sem alcóol." Na geladeira que fica bem próxima de seu computador - escondida pela coluna estrategicamente construída no meio da sala, "para que as pessoas se encostem durante uma festa" -, mantém algumas latinhas geladas, além de água, leite e latas de leite condensado.

Avesso a qualquer tipo de badalação, dedica suas noites à leitura. Atualmente, tem cinco Iivros na mesinha de cabeceira. "Leio tudo ao rnesmo tempo".Disputar campeonato de paciência contra o computador e gastar dinheiro no Bingo Augusta são outros passatempos do escritor, que aos 14 anos era o responsável pela coluna social de A Gazeta de Lins e, aos 20, militava pela causa comunista. "Vou ao bingo pele menos duas vezes semana. E posso dar uma lista de bingueiros fanáticos: José Wilker, Clodovil, Bárbara Bruno, Ziraldo, Rubens de Falco, Bibi Ferreira", revela Mario, antes de voltar os olhos parao enigma da palavras cruzadas.

VOLTAR

Hosted by www.Geocities.ws

1