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Silent Hill 4 - The Room:
Todos nós conhecemos Silent Hill. A cidade que
respira o mal e conspira contra as pessoas que pisam em seu solo já se
tornou algo normal em nossas vidas. Eu aposto que é igual com todos:
sempre que sai um novo jogo da série, bate uma ansiedade de voltar a
explorar os cantos escuros da cidade cada vez mais, sentimento que ao
longo da jogatina tende a mudar um pouco, sendo comum o ambiente insano
do game oprimir até o mais macho dos marmanjões.
Voltando a falar da cidade, a maior parte da nova versão da série não
acontece mais dentro dela realmente, mas sim na pacífica cidade vizinha
de South Ashfield, mais precisamente em um único apartamento.
Como isso pode acontecer? Bom, eu digo. O infeliz personagem principal,
Henry Townsend, acaba por morar em um apartamento amaldiçoado que tem
ligação com bizarros crimes que aconteceram no passado em Silent Hill.
Após uma noite de pesadelos, o rapaz acorda totalmente isolado do mundo.
As janelas inexplicavelmente não abrem, ninguém pode ouvi-lo, a TV e
outros aparelhos eletrônicos não funcionam mais e sua porta de entrada
está estranhamente acorrentada pelo lado de dentro.
Quando tudo parecia perdido, ele acaba encontrando um enorme buraco em
seu banheiro. Ta certo que as coisas não tinham melhorado muito, mas não
é como se ele tivesse muita escolha. Com isso, Henry se arrasta pelo
misterioso orifício e dá início a pior jornada que ele poderia ter na
sua vida.
Se você é um daqueles fãs de longa data do jogo, vai notar que muito dos
elementos básicos presentes nas ultimas versões ficaram de fora. O
inventario, por exemplo, agora em tempo real e limitado. Você pode
apenas carregar um número exato de itens e o único lugar onde pode
guardar os que não tem utilidade é em um baú que fica em seu
apartamento, o que implica em uma série de idas e voltas ao local para
guardar seus itens que não serão mais usados.
Aliás, voltando a falar no apartamento, esse é uma das melhores sacadas
do jogo. Enquanto você está dentro deste, a visão do personagem fica em
primeira pessoa e pode-se interagir com quase tudo que o habita.
Obviamente falando assim, as coisas tendem a parecer um tanto limitada,
só que ai que a coisa pega.
Ao longo do jogo, seu apartamento vai mudando e uma porção de coisas vai
acontecendo dentro e fora de seu espaço, então podem acreditar, várias
vezes vocês vão se pegar olhando através do olho mágico da porta para
ver o que acontece no corredor, abrindo a porta da geladeira ou até
observando imagens estranhas que aparecem nas paredes, tudo isso, como
já dito é uma das melhores sacadas do jogo, levando a imersão a um nível
adiante, fazendo você realmente se sentir como se estivesse preso em sua
própria casa.
Essa quarta versão do jogo tenta dar mais enfoque no sistema de batalha,
mas devo dizer que eles falharam feio. A movimentação do personagem
ainda é um tanto dura e devido ao número maior de inimigos dessa
seqüência, tudo pode ser um tanto frustrante.
Os gráficos, como sempre, são um dos pontos fortes do jogo e retratam
com fidelidade os ambientes insanos. Não tem como não se sentir
angustiado em meio aos corredores pútridos e sujos do hospital, ou a
nebulosa floresta que escondia o culto religioso de Silent Hill. Tudo é
retratado fielmente.
Os personagens também possuem uma gama de animação bem grande e alguns
errinhos ficam por certos toques, como o andar de Henry, ou seus
movimentos labiais, mas nada realmente que chegue a atrapalhar, em
geral, tudo é "bonito" em Silent Hill. Para variar, essa é uma das
coisas que a Konami prima ao produzir mais um capítulo da série.
Do ponto de vista sonoro, Silent Hill 4, como todos seus antecessores,
se faz soberbo, aliás, poucos jogos chegam a ter tamanho entrosamento
entre ambiente e efeitos sonoros. Os sons desconexos que variam entre
instrumentos musicais tocados de forma sutil e macabra que se misturam a
vozes e gemidos para lá de estranhos ajudam a dar vida a toda à
atmosfera.
É como se o jogo conspirasse para criar uma atmosfera angustiante contra
o jogador que, ao mesmo tempo, o prende para continuar a historia e
tenta afastá-lo, como se fosse algo profano. Música mesmo, o game só
possui duas: a de apresentação, que toca também em alguns trechinhos da
história e a dos créditos finais. Também, se houvessem várias durante o
jogo todo, seria como matar a atmosfera sombria. Então, nada mais
justificado.
Para fechar, Silent Hill 4 é mais uma das seqüências da famosa série de
Psycho Thriller a honrar seu nome, trazendo muitos novos fatores
interessantes, que alguns (fãs do terceiro) podem odiar, mas outros vão
gostar.
Para bons momentos angustiantes (?) em frente ao seu videogame ou PC,
nada mais recomendado que Silent Hill.
Com uma história cheia de mistérios e ambientes que parecem ter saído do
próprio inferno, SH 4 é uma boa pedida os verdadeiros fãs do terror
psicológico.
preço:20,00
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