O País & A Democracia
O Brasil é um país ainda muito jovem, é como um adolescente que a cada dia descobre uma novidade e deseja, a todo custo, andar a sua maneira. Isso é natural e também saudável, quando feito de forma equilibrada. Há, porém, alguns riscos a serem superados. Na inocência histórica comete-se erros que prejudicam e provocam desperdícios de tempo, dinheiro e recursos naturais. Se os perigos fossem resumidos a estes, ainda poderia ser que não fossem tão sérios e comprometedores, a final, todos nós pagamos para aprender. Mas existem riscos mais sérios e comprometedores como; desgaste político, perda da credibilidade do povo pelo sistema, institucionalização da corrupção moral, banalização da civilidade, desinteresse popular pela pátria. Estas perdas são muito caras para uma sociedade que tem apenas 500 anos de idade. Aprendemos muito pouco com a história repetida pelos demais povos que tiveram que chegar ao extremo da decadência social para depois, então, se erguerem com dignidade e respeito social e moral. Algumas destas histórias ocorreram com povos que se recuperaram no passado e hoje não passam de história. Mas a história tem a peculiaridade de nos levar a reflexão dos erros cometidos, para que, não sejam repetidos por outros povos.
A democracia é um dos regimes mais livres do planeta. Quando trabalhado da forma correta este regime produz conforto, segurança, liberdade e equilíbrio. Mas se usada da maneira errada a democracia pode levar a degradação social e moral de toda uma sociedade. Tomo como exemplo um fato que ocorreu nas eleições de 1982, no Estado do Rio de Janeiro, onde tivemos o índio Juruna eleito para deputado federal, dentre outros completamente atípicos. Já na eleição de 2000 tivemos eleitos, pelo povo da cidade, uma promotora de eventos investigada por crime de trafego de drogas e dois policiais com processo na justiça por crime de assassinato. Isso sem falar sobre os inúmeros casos espalhados pelo país de demonstram o quanto a população tem andado revoltada com as instituições. Embora se alerte as autoridades, a incidência destes casos tem crescido de forma preocupante.
Para que se tenha uma idéia dos riscos que se impõe ao país ao eleger candidatos sem um critério de escolha mais apurado, vou citar alguns exemplos históricos; Jânio Quadros, Fernando Collor, João Alves, Íbissem Pinheiro, Juruna, entre outros. Lembram os desastrosos estragos que estes homens "público" produziram e impuseram a nação Brasileira? Tem muita gente que até hoje não se recuperou dos prejuízos. E os escândalos que se vê constantemente nas manchetes dos jornais brasileiros, produzidos por políticos com mandatos. Quantos processos de cassação foram produzidos no país e quantos foram manipulados para que não chegassem ao final? Quanto dinheiro roubado dos cofres públicos e quanto abuso de poder para encobrir os grandes traficantes do país e seus investidores? Por incrível que pareça tudo isso foi produzido pelo voto popular de brasileiros que não estudaram seus candidatos antes de depositar nas urnas do país, o seu voto de confiança.
O desgaste produzido por estes tantos fatos gerou um descrédito nas instituições. Em pesquisa recente realizada pelo Centro Nacional de Pesquisas Sociais e Políticas, em todo o Brasil, deflagrou-se um elevado índice de pessoas que perderam a credibilidade na nação e nas instituições. Isso ainda tem pouca proporção, mas tem crescido de forma preocupante.
Quando a AIDS chegou ao Brasil eram poucos casos isolados. Há alguns anos atrás chegou-se a ter um índice de infectados pelo vírus da AIDS que alarmou o país todo. Hoje, o vírus encontra-se controlado, mas a situação ainda é preocupante. Da mesma forma a enfermidade social produzida por tantos escândalos, pode se alastrar e se isso vier a ocorrer, se terá o poder público nas mãos de intelectuais do crime organizado, aí será o fim. Devemos portanto conter este evento social e trabalhar por uma mobilização nacional em prol da moralização cívica. Torna-se necessário para a sobrevivência da sociedade brasileira, que o país reveja seu passado e reflita seriamente sobre o que deseja para o futuro.
O brasileiro não tem uma história de decisões baseadas em experiências passadas. Geralmente o sistema tem ações superficiais, ou seja, vive-se mais o abstrato que o real. A Constituição Brasileira, por exemplo, é cheia de contra-sensos, por um lado se tem a mais bela declaração de direitos humanos do mundo, por outro não se encontra garantias a sua efetiva execução. Essa falta de senso experimentado é que faz com que a política do país viva quase que homogeneamente voltada para a decisão paradoxal. Tem-se o desejo de desenvolvimento, mas, não se gera um desenvolvimento alto sustentável. Pensa-se em estabilidade, mas, se deixa abandonada a base de sustentação da estabilidade que é formada pela trilogia: "Reforma Tributária, Reforma Fiscal e Reforma Política".
A realidade é que, de certa maneira o país tem uma moeda estável que sem as bases necessárias, acaba por transformá-la numa estabilidade simbólica, porque reluta com as ações sociais que, são básicas para a manutenção de uma sociedade mais justa. A solução mais concreta, que só poderia existir na realidade se ao invés de permitir o crescimento da crise familiar gerada pela degeneração da sociedade, fato que poderia ser contido através de uma ação social equilibrada e preventiva, e se convocasse uma constituinte para executar as reformas necessárias à Carta Magna, propondo um texto mais realista e que defina a garantia de sua execução.