Os c�nicos
e c�nicos em...
As artimanhas do poder
O termo pol�tica vem do grego
polis, significa a arte de governar a cidade. Por outro lado, num enfoque mais
moderno, sabemos que pol�tica n�o est� ligada somente ao Estado, mas sim em todos os
n�veis da vida social.
Pois bem, os representantes pol�ticos fazendo pol�tica para alterar os rumos das
decis�es governamentais e a sociedade atenta para os meios, instrumentos ou recursos que
os pol�ticos usam para fazer a tal pol�tica, em �ltima an�lise, o poder.
De acordo com alguns estudiosos da ci�ncia pol�tica os seres
humanos sempre conhecem limitadamente a realidade na qual v�o exercer escolhas, e �
exatamente por isto que tendemos, segundo os autores, a repetir e ritualizar processos de
escolhas que deram certo no passado. Escolhemos a alternativa mais satisfat�ria, a quem
tem menos defeitos ou perigos conhecidos por n�s. Vale lembrar que, a burocracia trabalha
no sentido de impedir decis�es.
A concep��o maquiav�lica (os fins justificam os meios) ao mesmo
tempo em que constatou uma dimens�o importante da realidade, tendeu a absolutiz�-la,
incentivando a generalizada falta de �tica. Da�, resultou um saldo negativo de
pol�ticos, o tal descr�dito. N�o vamos generalizar, h� atos pol�ticos �ticos. A
realidade n�o se esgota na vis�o maquiav�lica.
As pessoas costumam dizer que as coisas n�o mudam. Vejamos. Isso,
de acordo com o soci�logo Benjamim Marcos Lago se deve � maioria silenciosa, ao
predom�nio de uma apatia pol�tica. Por outro lado, a extens�o do direito de voto
canalizaria as tens�es, colaborando para a estabilidade do sistema. Mas que estabilidade?
A oposi��o � essencial ao bom funcionamento do sistema.
"H� momentos em que a ditadura se assemelha a um mar sereno
na superf�cie, enquanto no fundo est�o ocorrendo gigantescos maremotos que algum dia
atingir�o a superf�cie do mar. J� a democracia, ao contr�rio, pode apresentar uma
superf�cie agitada, mas o fundo do mar est� sereno", explica Marcos Lago.
E o que dizer do voto? S� em nosso s�culo foi institu�do o voto
universal, cada cidad�o um voto e todos os cidad�os votam. O voto obrigat�rio, ainda
que force uma grande presen�a processo eleitoral, facilita o voto pouco consciente,
interesseiro ou induzido. O voto facultativo garante as camadas menos conscientes as
decis�es sobre o futuro da sociedade. Os favor�veis ao voto obrigat�rio argumentam que,
com ele, se induz a popula��o a tentar um maior contato com as decis�es eleitorais.
Esse argumento parece fr�gil, j� que as pessoas obrigadas a votar a contragosto podem
faz�-lo em branco, anularem ou sufragarem de qualquer jeito. N�o � � toa que os
�ndices de voto branco e nulo tem aumentado.
O p�blico, o privado e a plat�ia
A palavra p�blico tem dois sentidos. Por um lado, p�blico se
op�e a privado, esse faz sin�nimo do bem comum, do patrim�nio coletivo, daquilo que
n�o pode ser alvo de aprecia��o ego�sta ou particular.
Outro sentido de p�blico � o que se op�e a palco. Seu sin�nimo
� plat�ia a soma dos que assistem a uma representa��o, tendendo � passividade,
manifestando aplauso ou vaia, apenas a desigualdade separam a plat�ia e os atores. No
sentido teatral o p�blico vale menos que o palco. J� no jur�dico, ele deve valer mais
que o privado.
A pr�pria conviv�ncia se estrutura em linhas de poder, h�
vantagens, prefer�ncias, manipula��es, segrega��es. � um campo de for�a
magnetizado.
Quando falamos em homem pol�tico, temos em mente um
sujeito competente que vai mudar a natureza e as rela��es sociais. Este � o espa�o das
utopias. Homem pol�tico � aquele que tem consci�ncia hist�rica. Sabe dos problemas e
busca solu��es. N�o aceita ser objeto, quer comandar seu pr�prio destino. � ator, e
n�o expectador. Distinguimos na hist�ria o que o homem � e foi capaz de fazer...
As mesmas promessas, os mesmos rostos maquiados com as bochechas
levemente cor de rosa, uma equipe de assessores, produtores, secret�rias, maquiadores,
todos bem produzidos, alguns at� mais que os outros. Os mesmos macacos velhos da
pol�tica, que de quatro em quatro anos aparecem como se nada tivesse acontecido.
Percorrem bairros perif�ricos em busca de apoio e voto com seus showm�cios e muitos
sorrisos, � impressionante como seus olhos brilham. Sem contar os jingles pegajosos e
grudentos, sim � o pagode. � pagode porque � m�sica do povo, porque est� todos os
dias na televis�o, especialmente nos domingos.
Campanhas altamente estruturadas e riqu�ssimas, e no final...algu�m � pago? Esta � a
chamada pobreza pol�tica. � pobre aquela sociedade t�o debilmente organizada, que n�o
passa de massa de manobra nas m�os do Estado e das oligarquias, e que por isso, n�o
consegue construir representatividade leg�tima em seus processos eleitorais, com l�deres
excessivamente carism�ticos ou caudilhescos, com servi�o p�blico marcado pela
burocracia, pelo privil�gio e pela corrup��o. � o famoso bico de luxo da
Prefeitura. Aparecem uma ou duas vezes por m�s e ainda tem um bom emprego por fora.
Ao povo s� deveres, sem direitos...� minoria privilegiada s�
direitos como dever. |