clipslogo.jpg (38712 bytes)

 

 

AGENDA CULTURAL

NOT�CIAS

BARES
RESTAURANTES

TURISMO

ClipsBR.gif (2133 bytes)

NOT�CIAS

Arquivo

Direito

Economia

Esporte
Inform�tica
Brasil
Mundo
Litteratus
Personalidades
Pol�tica
Opini�o
Participe
A Revista
Anuncie
Equipe

Pol�tica

Os c�nicos e c�nicos

A linguagem do poder tem sido um t�pico atraente desde os tempos cl�ssicos at� os dias de hoje, suscitando coment�rios e investiga��o sistem�tica. Os gregos demonstravam fasc�nio pelos diferentes usos da linguagem tratando-a como um instrumento a servi�o da verdade, meio de expres�o art�stica e agente de persuas�o. Na Idade M�dia, a comunica��o verbal refletia no n�mero de obras dedicadas aos serm�es. H� provas de que muitos oradores sacros tinham uma aguda percep��o de sua posi��o como pregadores.

O alto n�vel de conscientiza��o dos pregadores fica patenteado nas anota��es encontradas no manuscrito de um serm�o proferido em 1500 por Oliver Maillard e que se encaixa bem no perfil dos pol�ticos: "Sente...Levante...Enxugue o suor do seu rosto...Agora berre para valer". Com o advento da imprensa na Europa no s�culo XVI e, posteriormente do cinema e do r�dio no s�culo XX, mais uma vez a voz e o gesto passam a ser valorizados no uso da sedu��o, persuas�o e no convercer.

Quando falam r�pido n�o podemos segui-los ou, pelo menos, temos mais dificuldades para acompanh�-los ainda mais quando utilizam palavras complicadas que ainda n�o dominamos o que � uma caracter�stica pseudopublicit�rio da conversa��o.
Os estudiosos dos discursos pol�ticos, freq�entemente apontam supostas consist�ncias ou inconsist�ncias entre diferentes doutrinas, quando se trata de analisar o impacto da linguagem pol�tica. Exemplos de an�lises � que n�o nos faltam na hist�ria. JK, Get�lio Vargas, Collor, Lula, M�rio Covas, St�lin, Hitler...

Direita, esquerda ou centro. A an�lise do discurso pol�tico se destaca mais ainda quando estamos em v�speras de elei��es.

"Deve-se considerar que nas campanhas eleitorais, caracterizadas como epis�dio sazonal, os discursos levados ao p�blico, elaborados pelos candidatos e suas assessorias, recebem interfer�ncias desde quest�es puramente factuais e moment�neas (como as den�ncias de parte a parte ou as mudan�as de estrat�gicas no conte�do do programa de governo at� o compromisso impl�cito previamente firmado com o pensamento pol�tico que norteia cada uma das representa��es partid�rias ao longo dos anos", explica a jornalista Adriana Tigre Lacerda Nilo em sua disserta��o de Mestrado intitulado ‘A ret�rica e a raz�o no discurso pol�tico: a argumenta��o nas elei��es presidenciais de 1989’ .

"� interessante ainda perceber que mesmo n�o tendo por objetivo b�sico informar, vender, nem muito menos possibilitar entretenimento, as propagandas eleitorais podem se aproximar das tipologias textuais da multim�dia recorrendo aos estilos jornal�sticos ou publicit�rios", ressalta.

Cada vez mais os pol�ticos est�o recorrendo �s estrat�gias de marketing para lan�amento e divulga��o de propostas, geralmente costumam dizer que tem solu��o para todos os problemas que aflige a popula��o. Para isso, utilizam m�ltiplos argumentos para ganhar os diversos elementos de seu ‘audit�rio’. Este parece ser o limite imposto pela defini��o de Charaudeau Apud Carvalho "o que marca a diferen�a entre a propaganda pol�tica e a comercial � que enquanto a primeira se baseia em valores �ticos, a segunda explora o universo dos desejos". Assim aconteceu na campanha eleitoral de 89 entre Collor e Lula que trocavam farpas no hor�rio pol�tico.

"Na propaganda de Collor foi colocada em evid�ncia a necessidade de um presidente jovem e com coragem. Enquanto na propaganda de Lula foi enaltecido o seu passado de luta e, por conseguinte, a sua condi��o de l�der dos trabalhadores", relembra Adriana Tigre.

"Collor explorou a id�ia de que o principal n�o era se pobre; coisa que ele hoje n�o � mais, referindo-se indiretamente a Lula: e sim dizer eu sou pelo pobre...coisa que ele n�o tem demonstrado na pr�tica ser..., outra vez faz refer�ncia a Lula. J� Lula acusava Collor de fazer o jogo do esconde-esconde em rela��o ao apoio de Roberto Marinho", ressalta.

Uma coisa � certa, todos os pol�ticos usam s�mbolos-chaves em suas promessas como: liberdade, seguran�a, educa��o, democracia, justi�a...mas � o estilo que nos interessa ao compararmos a cad�ncia pausada e o tom coloquial das palestras radiof�nicas de Franklin Roosevelt com a gritaria bomb�stica de Adolf Hitler, ou a grosseiria do governador de S�o Paulo M�rio Covas com o estilo teatral ou cara-de-pau de Paulo Maluf, assim como o cinismo de Romeu Tuma com a loucura de Leonel Brizola.

Este acesso �s massas n�o se obt�m meramente atrav�s de palavras e frases simples. Est�o igualmente em jogo as id�ias e o conte�do interno dessas palavras e frases. Para que a linguagem interesse �s massas, o pol�tico lida com os problemas das massas, suas alegrias, tristezas, esperan�as e aspira��es. Deve representar e espelhar a vida de todo o povo, e n�o apenas de um grupo restrito no topo.

Os s�mbolos pol�ticos dominantes em determinada �poca proporcionam parte da experi�ncia comum a milh�es de pessoas. � fascinante pensar quantos seres humanos est�o vinculados por la�os t�o t�nues quanto a resson�ncia de um nome ou o eco de um slogan que penetram diretamente no foco de aten��o de todos os homens e propiciam um elemento de experi�ncia comum.

Fora as manias, os cacoetes, � certo que cada um tem um estilo que � moldado por fatores sociais, individuais e por um bom marketeiro ou assessor de imprensa. A�, se encaixa a frase de Sigmund Freud: "O estilo � a hist�ria do homem" , assim como a grafia, os gestos, a postura, o modo de andar, a entona��o e os v�cios de linguagem por mais ordin�rios ou engra�ados que sejam.

Patr�cia Santos

Hosted by www.Geocities.ws

1