A nacionaliza��o n�o est� na moda, a nova
palavra de ordem � a privatiza��o.
Ao final do s�culo XX, a sociedade mundial passa por grandes e
significativas mudan�as que exigem reformas econ�micas, pol�ticas e sociais. O processo
de privatiza��o do chamado Welfare State (Estado de Bem-Estar), surge com a finalidade
de fazer uma revis�o em seu papel, j� que estava sobrecarregada e incapaz de suprir as
necessidades mais b�sicas da sociedade como a sa�de, habita��o, educa��o, entre
outras).
A globaliza��o e suas promessas de emprego e bem estar social
est� lan�ando o capitalismo numa velocidade estonteante que os pa�ses mais pobres n�o
est�o conseguindo acompanhar.
A privatiza��o do Estado come�ou na Inglaterra na d�cada de
70, com o governo de Margareth Thatcher, que criticava a interven��o do Estado na
economia. Seguiu o modelo liberal, os Estados Unidos sob o comando de Ronald Regan, a
Alemanha com Relmult Cool e os pa�ses ex-socialistas do leste europeu. Em seguida chegou
a Am�rica-Latina, sendo o Chile , o primeiro pa�s a entrar neste sistema, depois a
Argentina, M�xico e outros, sendo o Brasil um dos �ltimos.
A privatiza��o tamb�m chegou a �sia, mas n�o foi muito
utilizada, pois os Tigres-Asi�ticos possuem uma cultura muito forte e o Estado det�m
tudo o que se refere ao bem-estar social.
Em diferentes grada��es, o mundo est� sendo desafiado pelas
desigualdades sociais, econ�micas, pol�ticas e culturais geradas ou agravadas pela
globaliza��o. Com isso, ressurge e alastra-se o racismo, agrava-se a quest�o social em
escala mundial, abala-se a soberania nacional e emergem estruturas globais de poder. Essas
transforma��es desafiam as mais diversas formas de agir e pensar.
O desenvolvimento do modo capitalista de produ��o, em forma
intensiva e extensiva, adquire outro impulso, com base nas novas tecnologias, cria��o e
recria��o de produtos, trabalho e mundializa��o dos mercados que ultrapassam
fronteiras geogr�ficas, hist�ricas e culturais. Em suma: desafia, rompe, subordina,
mutila, destr�i ou recria outras formas sociais de vida e trabalho, incluindo os modos de
ser, agir, pensar, sentir e imaginar.
Na sociedade global, desenvolve-se estruturas de poder que
expressam os movimentos e as contradi��es da sociedade global. Os atores respons�veis
pela reorganiza��o do mapa econ�mico do mundo s�o as corpora��es transnacionais,
envolvidas em uma luta canibalesca pelo controle absoluto da economia.
O capital vol�til (dinheiro que gira pelos v�rios mercados
financeiros), t�o temido pelos pa�ses de economia fraca, tamb�m impulsionam os
neg�cios, mas s� estaciona nos pa�ses est�veis. A onda de privatiza��o que se
espalha no mundo n�o � uma op��o ideol�gica. Simplesmente os governos est�o vendendo
ou concedendo suas f�bricas, servi�os, usinas e estradas porque n�o t�m mais dinheiro
para bancar os investimentos nestes setores. O privado tem. Por isso privatizam tudo que
� estatal, pois o dinheiro (vol�til) est� nas m�os das corpora��es privadas.
Conseq��ncia: Estados ou governos ficam cada vez mais pobres e mais dependentes das
grandes corpora��es.
A privatiza��o das estatais brasileiras vem sendo discutidas h�
algum tempo. No governo de Itamar Franco foi vetada, no de Fernando Henrique Cardoso
come�ou o plano de aumento das despesas p�blicas, mas o volume de dinheiro para
aplica��o no pa�s era pouco e o or�amento ficou comprometido. Com seus caixas
quebrados, a necessidade falou mais alto e os Estados resolveram privatizar parte de suas
estatais que geram mais �nus do que benef�cios para a sociedade.
O governador de S�o Paulo M�rio Covas acredita que o Brasil n�o
tem mais capacidade para investir, por isso o melhor recurso � a privatiza��o.
N�o � mais novidade, que o desemprego, a viol�ncia e a mis�ria
atinge quase metade dos 165 milh�es de brasileiros. Os estrangeiros que especulam nas
bolsas de valores nacionais n�o pagam imposto de renda, benef�cio que � negado aos
brasileiros.
A privatiza��o das estatais rendeu US$ 75 bilh�es, mas nenhum
centavo desse recurso foi aplicado na cria��o de mais empregos. Pelo contr�rio, esse
dinheiro serviu apenas para pagar juros e servi�os das d�vidas do Brasil.
Um exemplo, � a Rodovia Fern�o Dias (BR-381) de Minas Gerais que
ser� entregue � explora��o privada, mediante concess�o para opera��o,
conserva��o, manuten��o peri�dica para melhorar a seguran�a no tr�nsito. Sem
contar, que a Rodovia contar� com cinco postos de ped�gios.
As raz�es da duplica��o: a �rea de influ�ncia da Rodovia
Fern�o Dias se estende por mais de 200 munic�pios dos Estados de Minas e S�o Paulo que
representam 46% do PIB mineiro. Al�m disso, Minas possui a maior frota de caminh�es do
Brasil, proporcionalmente � popula��o. A Rodovia far� interliga��o com o Mercosul.
Com esta duplica��o, a expectativa � atrair novos investimentos, atingindo valores de
R$ 10 bilh�es, tanto para Minas como para S�o Paulo. O objetivo � gerar cerca de 100
mil empregos. A BR-381 � uma das Rodovias mais perigosas do Brasil, tem uma m�dia de 18
acidentes e uma morte a cada dois dias.
Est�o encaixadas neste m�s tr�s institui��es na agenda de
privatiza��es para este ano, s�o elas: Banco Estadual de S�o Paulo (BANESPA), Banco do
Maranh�o (BEM) e Cia Energ�tica do Maranh�o (CEMAR).