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      Os Lemes em Campinas

  • Origem da fam�lia Leme

A fam�lia de Francisco Barreto Leme era origin�ria dos Lems, naturais de Bruges, na B�lgica, e algumas cidades da Holanda.

O fundador dessa dinastia foi Martim Lems, um rico negociante que se mudou para Lisboa e trocou o sobrenome para Leme. Os demais descendentes de Martim Lems foram para a Ilha da Madeira, de onde sa�ram com o intuito de ajudar a povoar o Brasil � partir de S�o Vicente, no litoral paulista.

Nessa �poca, os engenhos de cana-de-a��car impulsionavam a economia e como n�o podia deixar de ser, os Lemes participaram na constru��o dos primeiros engenhos no pa�s. O curioso � que o famoso bandeirante Fern�o Dias Paes Leme, tamb�m � um parente da fam�lia Leme, assim como Pedro �lvares Cabral.

Todos os antecedentes de Barreto Leme comp�e o panorama rico e, ao mesmo tempo, complexo do processo de funda��o de Campinas o que fortalece a pr�pria identidade da cidade.

Entenda o caso:

Um filho de Martim Leme, batizado com o mesmo nome do pai, ficou conhecido por Martim Leme I. Quando foi morar em Lisboa em 1452, tornou-se rapidamente um influente senhor de neg�cios na capital portuguesa na �rea de corti�a, seguindo os rastros do pai.

Definitivamente estabelecidos em Portugal, dois filhos de Martim Leme I, Martim Leme II e Ant�nio Leme desempenhariam papel central na conquista de T�nger e Arzila, no norte da �frica, em 1471, representando a coroa portuguesa, sendo nomeados cavaleiros Flamengos a servi�o do rei Afonso V.

Martim Leme II decidiu voltar para Bruges, na B�lgica e l� ocupou altos cargos locais e, depois se tornaria um dos nomes mais cogitados da pol�tica, das finan�as e do militarismo dos pa�ses baixos.

Ant�nio Leme, irm�o de Martim Leme II, se estabeleceu em Funchal, na Ilha de Madeira, local em que se iniciou a expans�o ultramarina portuguesa nos s�culos XV e XVI. De acordo com os historiadores que estudam a expans�o portuguesa, Ant�nio Leme teria sido colaborador de Crist�v�o Colombo. O descobridor oficial da Am�rica viveu por muito tempo na Ilha da Madeira, onde casou-se com uma filha de Jo�o Gon�alves Zarco, o descobridor das Ilhas, em 1419.

Em Madeira, Ant�nio Leme se casou com Catarina de Barros, filha de uma tradicional fam�lia local.

Ant�nio Leme fundou a Quinta dos Lemes, na Freguesia de Santo Ant�nio dos Campos.

Dois filhos de Ant�nio Martim Leme III participaram em 1509 de uma expedi��o pela tomada de Azamor, no norte da �frica. Martim Leme III era casado com Maria Ad�o Ferreira que foi a primeira crian�a batizada na Ilha da Madeira. O nome Ad�o foi escolhido propositadamente. Quando a Ilha da Madeira foi descoberta era considerado um verdadeiro para�so perdido pelos ultra-cat�licos europeus da �poca.

Outro filho de Ant�nio Leme, Ant�nio Leme II, migrou para o Brasil e em 1544 era juiz ordin�rio do Conselho Municipal de S�o Vicente, cargo hoje equivalente ao de presidente da C�mara Municipal. Ent�o, Ant�nio Leme III iniciou o cl� da fam�lia Leme no Brasil. Seu filho, Pedro Leme, se casou tr�s vezes e seus descendentes estiveram entre os pioneiros da introdu��o da cana-de-a��car no Brasil, mais especificamente em S�o Vicente, litoral paulista.

A cana veio com Martim Afonso de Sousa, da Ilha da Madeira, que foi o local de ensaio para Portugal experimentar novas formas de cultivo que, mais tarde, seriam introduzidas para as suas col�nias.

A fam�lia Leme se associou a outros empres�rios e junto com eles, ficou sendo propriet�ria do Engenho S�o Jorge dos Erasmos.

Ainda no Brasil, alguns dos Lemes participaram de entradas para a captura de �ndios que seriam utilizados como escravos nos engenho e outras atividades. O pr�prio Pedro Leme participou de uma entrada comandada por Jer�nimo Leit�o e que fez incurs�es nos territ�rios dos Carij�s, em Santa Catarina.

Uma neta de Pedro Leme, Lucr�cia Leme, teve sete filhos com seu primo, Fernando Dias Paes, que tinha uma fazenda na regi�o do Rio Pinheiros, em S�o Paulo. Um dos filhos do casal foi Fern�o Dias Paes Leme, o Bandeirante que ficou conhecido como "ca�ador de esmeradas e �ndios".

  • Os Lemes em Mato Grosso (Campinas)

Um irm�o de Lucr�cia Leme, Braz Esteves Leme, fez fortuna explorando uma mina de ouro e viveu com v�rias mulheres �ndias, com quem teve 14 filhos mamelucos. Outro irm�o de Lucr�cia, tamb�m de nome Pedro Leme, foi o bisav� de Francisco Barreto Leme.

Pedro Leme foi o pai de Mateus Leme do Prado, que viveu em S�o Vicente e depois se estabeleceu no vale do Para�ba. Em Ca�apava, na �poca, pertencente � Taubat�, que Pedro Leme do Prado se casou com Francisca de Arruda Cabral, com quem gerou Francisco de Barreto Leme, nascido em 1704.

Quando Barreto Leme chegou � Campinas em 1740 para tomar posse de uma sesmaria, o mais recente descendente dos Leme carregava tr�s s�culos de servi�os prestados � Coroa Portuguesa atrav�s da expans�o.

Da� em diante, o bairro rural de Campinas do Mato Grosso se tornaria o principal p�lo a�ucareiro de S�o Paulo. A cultura herdada pelos Lemes em S�o Vicente come�ou a fincar suas ra�zes no enorme bairro rodeado por florestas utilizando m�o-de-obra ind�gena e escrava.

  • O que Pedro �lvares Cabral tem haver com o cl� dos Leme?

A m�e de Barreto Leme, Francisca de Arruda Cabral � neta do capit�o Manuel da Costa Cabral, descendente da fam�lia que se estabeleceu na Ilha da Madeira.

O trisav� de Pedro �lvares era �lvaro Gil Cabral, um dos fi�is escudeiros do rei na batalha de Aljubarrota, em 1385, e respons�vel pela prote��o do castelo de Belo Monte ou Belmonte, uma suntuosa edifica��o iniciada pelo rei Dom Diniz, mas que demorou anos para ser conclu�da. Em fun��o dessas a��es de �lvaro Gil Cabral que ele acabou se tornando o governador de Belmonte.

Um filho de �lvaro Gil e bisav� de Pedro �lvares, Lu�s Alvares Cabral, tamb�m lutou em Aljubarrota e foi escudeiro do rei Dom Jo�o I e fiscal de finan�as da casa do Infante Dom Henrique, ao lado do qual participou da tomada de Celta, em 1415.

Filho de Luis �lvares, Fern�o �lvares Cabral, foi considerado um dos her�is da tomada de Celta, no Marrocos, tornando-se guarda-mor do Infante Dom Henrique e teve dois filhos, Diogo e Fern�o. Diogo Cabral foi morar em Madeira, onde casou-se com Beatriz Gon�alves da C�mara, filha de Jo�o Gon�alves Zarco, o descobridor da Ilha, em 1419, e respons�vel pela constru��o da igreja de Santa Maria da Estrela, uma das mais belas capelas da Ilha da Madeira, na vila de Calheta.

O irm�o de Diogo, o segundo Senhor Fern�o �lvares Cabral, era o senhor de Belmonte, se casou com Isabel Gouveia de uma das fam�lias mais ricas de Portugal e tiveram sete filhos. O segundo filho era Pedro �lvares Cabral, que tamb�m se casaria com uma mulher rica, Isabel de Castro.

O capit�o Manuel da Costa Cabral, bisav� de Francisco Barreto Leme, era descendente do ramo dos Cabral que se estabeleceu em Madeira e outras Ilhas descobertas por Portugal na Costa da �frica. Ao fundar Campinas, por determina��o de Morgado de Mateus, Barreto Leme seguia assim a tradi��o da fam�lia Cabral, de ser tamb�m, ao lado dos Leme, uma das principais protagonistas da expans�o portuguesa nos s�culos XV e XVI.

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