FÉRIAS SEM PREÇO
(DIÁRIO DE UM DETECTIVE: O RELATO DE UMAS FÉRIAS DIFERENTES)
 

Estava de férias nas Baamas. Por muito tempo tinha desejado lá ir, mas o dinheiro nunca tinha verdadeiramente chegado. Bem, não estava propriamente de férias, mas era como se estivesse. Estava a tentar resolver um caso que, não sendo fácil de concluir, pelo menos tinha já proporcionado esta súbita viagem, quase umas férias autênticas.

Essa era uma noite escura e fria (aqui bastante inusual) e eu caminhava lentamente pelas ruelas escuras da capital, Nassau, dirigindo-me para o hotel, quando baixou um horripilante nevoeiro sobre a cidade. Um calafrio gélido percorreu-me todo o corpo, e ao apressar o passo, ouvi um grito à minha frente. Quando olhei nessa direcção, vi uma jovem ser atacada por dois brutamontes . Fiquei muito surpreendido, e não hesitei e tentar ajudá-la, mas quando dei por mim, tinha também já sido  agarrado por um braço. Debati-me violentamente, e quando dei um soco a quem me agarrara, ouvi uma voz feminina: “ Ai!... Magoaste-me!”

Abri então os olhos, e deparei com  minha namorada, em biquini, a olhar para mim com um ar surpreendidíssimo. Olhei em volta. Estava ainda deitado sob a sombra da palmeira em que me tinha deitado algum tempo antes, na fresca areia da praia. Tudo indica que eu adormecera.

- Então amor, o que passou pela cabeça ao adormeceres e agora machucares-me? – disse-me ela, logo que se levantou e olhou para mim.

- Mil desculpas, fofura. – respondi - Tive um sonho bastante estranho. Deve ser esta profissão, está a dar comigo em doido. Imagina tu que eu ia ...

- Deixa, contas-me mais tarde. Soubeste que os Larápios Invisíveis atacaram novamente?

- Referes-te àqueles gatunos conseguem enganar tudo e todos,  e têm roubado todas mansões de segurança máxima sem deixar uma única pista?

- Exactamente. Assaltaram a mansão daquele cirurgião muito famoso, o Dr. Bob Fulmoney.

- Bob Fulmoney? O possuidor de uma das maiores fortunas das Baamas? Uau, esse sim seria um caso bem proveitoso para investigar. – neste momento diante dos meus olhos reluziam as verdes notas que ao investigar um roubo daquela envergadura poderia conseguir.

- Sabes bem que não podemos, – foi a resposta da Verónica, que me despertou para a realidade – ainda não acabámos o caso daquele “boxeur” desaparecido, graças ao qual ganhámos esta magnífica viagem... Achas que estou mais bronzeada ?

- Estás linda, fofura. Ora, quem vai se importar com o cão, sem ser a velhota que nos contratou?  A viagem já a temos, os contactos também. Quando regressarmos dizemos que o cão morreu e pronto! Quem sabe se o nosso futuro mão muda se conseguíssemos convencer o doutor a aceitar-nos?

A Verónica ainda não tinha ficado convencida. Talvez com um pouco de persistência. Mas nem tal foi necessário. Ao regressarmos ao hotel (cinco estrelas, claro) tinha uma mensagem para mim, do próprio Dr. Fulmoney. Fiquei extremamente surpreendido (para não dizer contente), mas sem perder tempo, vesti a gabardina azul (a amarela ainda estava na lavandaria), pus o chapéu e dirigi-me sem demora para a morada indicada. Sozinho, claro. As mulheres não servem quando se trata de negócios. 

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