POVO ARARA

POVO ARARA, DE CACHOEIRA SECA, ENTREGA ABAIXO-ASSINADO NO MINISTÉRIO DA JUSTIÇA

Incumbidos pelos mais velhos a vir a Brasília, seis jovens Arara entregaram, ontem (16), ao assessor do ministro da Justiça, Cláudio Luiz Beirão, um abaixo-assinado com 23 mil assinaturas coletadas durante a campanha pela demarcação da terra indígena Cachoeira Seca, iniciada em dezembro do ano passado.

Preocupados com a demora para demarcar e com o aumento do número de invasores em suas terras, os Arara também estiveram reunidos com Artur Mendes, do Departamento de Assuntos Fundiários da Funai, com Rolf Hackbart, presidente do Incra, (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), com parlamentares e com procuradores da 6ª Câmara do Ministério Público Federal.

Um levantamento feito no ano de 1992 apontava para cerca de 400 famílias dentro da área. Hoje, 12 anos depois, a terra, com 760 mil hectares, tem mais de mil invasores, segundo Afonso Alves da Cruz, sertanista que trabalha com os Arara desde o primeiro contato com o grupo em 78. Os invasores abrem estradas dentro da terra, como a madeireira Bannach que, atraída pelo Mogno,  abriu uma estrada, a Transiriri, que corta a terra indígena. Outros, abrem picadas e colocam cartazes confirmando a ocupação.

Os índios denunciaram que com a demora  para demarcar a terra eles são constantemente ameaçados e perseguidos pelos invasores. Em 2000, um Arara foi assassinado depois de tentar impedir a pesca predatória dentro da terra. De lá pra cá, eles não saem mais sozinhos para caçar ou pescar. “Todo mundo Pela primeira vez um grupo do povo Ugorogmo, conhecido como Arara, da terra indígena Cachoeira Seca, cerca de 1300 quilômetros de Belém, no Pará,  está em Brasília. A delegação veio a capital entregar ao ministro da Justiça um abaixo-assinado em prol da demarcação da terra.  sai junto  porque a gente tem medo de andar só. Se a gente encontrar o branco no mato e ele matar um, cadê o outro para salvar?”, disse Iaut Arara.

Os Arara acreditam que a demarcação da terra trará paz para criar suas famílias. Eles temem que a caça, ainda farta, possa ficar escassa se as invasões continuarem.  “A mata vai  acabar e os bichos vão embora. Queremos a demarcação para viver em paz”.

Segundo Iaut a comunidade está crescendo, hoje eles são 72, muitas crianças estão nascendo e eles estão preocupados com o futuro do povo. “Onde eles vão plantar roça? Onde eles vão caçar? Por isso a gente quer a nossa terra”. E acredita que “com a demarcação eles (os invasores) vão ter que respeitar nossa terra, por que ali não é deles”.

Brasília, 17 de junho de 2004.

Cimi - Conselho Indigenista Missionário

Campanha pela demarcação da Terra Indígena Cachoeira Seca - Nova etapa

Graças ao apoio de todos que participaram desta campanha, ainda que somente com a assinatura, os Ugorogmo Arara puderam enviar seis representantes diretamente da aldeia para Brasília, para pedir providências das autoridades contra os problemas de invasão na Cachoeira Seca e a demarcação imediata da Terra indígena.

A Funai iniciou este trabalho em junho, mas foi interrompida por grupos contrários à demarcação.

A força desses grupos vem de políticos, cuja contabilidade eleitoral defende seu caixa de votos ferozmente, não interessando se o custo (para os Arara e para a Amazônia, é claro) é a devastação da Cachoeira Seca.

Medidas urgentes são necessárias, mas para enfrentar esta situação, os Arara continuam a precisar do apoio de todos nós.

O povo Ugorogmo, popularmente chamado de Arara, tem apenas 17 anos de contato, e é um dos últimos povos nômades do País. Vive na Aldeia Cachoeira Seca, que está localizada nos Municípios de Uruará, Altamira e Rurópolis, no Estado do Pará.

Com tão pouco tempo de contato, este povo tem sofrido muito por não ter sua terra demarcada. Em 22/01/93, o Ministério da Justiça, através da portaria 26/MJ, declarou a área como terra indígena.

Passados onze anos, este povo continua sofrendo invasões de madeireiros, pescadores e posseiros. Além disso, existem colonos assentados pelo Incra.

Os Ugorogmo são, hoje, um povo ameaçado de extinção, agredido e sofrido. Diante desta realidade, e para não sermos omissos perante a tragédia da morte física de mais um povo indígena deste nosso Brasil, surgiu a “Campanha pela Demarcação da Terra Indígena Cachoeira Seca”, a qual foi de fundamental importância e um grande sucesso. Aproveitamos a oportunidade para agradecer de coração a todos que colaboraram e se empenharam nesta luta.Como resultado desta Campanha, no mês de junho do corrente ano iniciou-se a demarcação física com base na Portaria Ministerial citada.

Infelizmente no inicio do mês de julho começou um processo de mobilização contra a demarcação por fazendeiros, políticos, comerciantes da região. Os trabalhos foram suspensos e a equipe responsável pela demarcação física foi retirada da área conforme notificação do STJ de 08/07/04 ao Presidente da FUNAI, com base no Mandado de Segurança nº 4819/DF.

Ressaltamos que conforme relato do administrador local da FUNAI – ADR – Altamira, o Sr. Benigno Pessoa Marques:

“(...) até o local onde a equipe trabalhou não foram encontrados posseiros ou colonos, só alguns alojamentos de madeireiros”.

O mesmo também relatou que

junto à equipe da demarcação havia uma equipe formada por índios Arara das aldeias Laranjal e Cachoeira Seca e um grupo de doze índios Kayapó-Xikrin que faziam parte da equipe de segurança, munidos de espingardas. Esta foi localizada pelos manifestantes que tomaram as espingardas dos indígenas e os ameaçaram”.

Ficamos indignados diante das reações e de sabermos que os manifestantes recebem apoio dos deputados da região, dos prefeitos locais e candidatos a prefeitos deste municípios.

Sabemos também que o que está sendo defendido por eles não é o direito constitucional dos indígenas e nem os direitos dos colonos assentados, mas sim o poder econômico de alguns grupos particulares, investidores de grandes projetos na região. Um exemplo disso é que, somente no ano passado, foram desmatados mais de 10.000 hectares de floresta na terra indígena Cachoeira Seca, mesmo esta área estando incluída no programa de preservação do Ministério do Meio Ambiente.

Diante de todos estes fatos, reafirmamos:

Qualquer forma de violência que este povo venha a sofrer será de inteira responsabilidade dos órgãos federais, pelo descaso de 17 anos de contato com um povo que corre grande risco de extermínio e massacre se não forem tomadas providências urgentes, entre elas:

- A formação de um Grupo de Trabalho pela FUNAI – Brasília, para sanar os vícios apontados e contidos no procedimento de demarcação desta terra;

- A demarcação e homologação desta área o mais rápido possível após este GT, porque se o descaso durar mais alguns anos veremos o extermínio deste povo e o desrespeito à Constituição e à Convenção 169 da OIT.

Somente a pressão da sociedade pode gerar mudança nas ações governamentais. O governo geralmente se preocupa com sua imagem perante a opinião pública, logo, se receber um grande volume de mensagens com reivindicações, será obrigado a rever seus planos e decisões.

Escreva em seu nome, ou ainda, mobilize sua comunidade, paróquia, entidade ou grupo de jovens, e faça com que o maior número de pessoas possível conheça e apóie a causa do Povo Ugorogmo Arara.

 

Enviar mensagem para:

Exmo. Sr.

Dr. Márcio Thomaz Bastos

MD Ministro de Estado da Justiça

E-mail: [email protected]

 

Exmo. Sr.

Dr. Claudio Lemos Fonteles

MD Procurador Geral da República

E-mail: [email protected]

 

Sugestão de mensagem a ser enviada:

 

“Exmo. Sr.,

Vimos manifestar nossa preocupação com o procedimento de demarcação da terra indígena Cachoeira Seca, no Estado do Pará, território tradicional do povo Ugorogmo, popularmente conhecido como povo Arara.

No mês de junho um grupo de representantes daquele povo esteve em Brasília, participando de audiências no Ministério da Justiça, Ministério Público Federal, Funai, Incra, dentre outros. Na ocasião foram entregues 23 mil assinaturas de apoio à demarcação de sua terra, fruto da Campanha pela Demarcação da Terra Indígena Cachoeira Seca, realizada no primeiro semestre de 2004. Em resposta, a Funai iniciou ainda no final de junho o trabalho de demarcação física, de acordo com a Portaria nº 26/MJ de 29 de janeiro de 1993.

No dia 8 de julho de 2004 o Superior Tribunal de Justiça (STJ) enviou notificação ao presidente da Funai, com base no Mandado de Segurança nº 4819/DF, que “apontou vícios contidos no processo de delimitação da área”, cabendo à Funai corrigi-los, o que não foi feito até agora.

O clima na região é muito tenso. Ainda no começo do mês de julho fazendeiros, políticos e comerciantes da região iniciaram uma mobilização contra a demarcação da terra. Manifestantes instigados por pessoas interessadas na exploração ilegal de madeira e no pleito eleitoral municipal ameaçaram a equipe que realizava os trabalhos de demarcação. Junto com os técnicos encontravam-se índios Ugorogmo e Kayapó-Xikrin que ajudavam na segurança do grupo.

Ressaltamos que, conforme relato do administrador da Funai em Altamira, Sr. Benigno Pessoa Marques, “até o local onde a equipe trabalhou não foram encontrados posseiros ou colonos, só alguns alojamentos de madeireiros”, o que revela a ação das empresas madeireiras.

Embora a terra Cachoeira Seca esteja incluída no programa de preservação do Ministério do Meio Ambiente, somente no ano passado foram desmatados mais de 10 mil hectares de floresta dentro dela.

Diante dos fatos acima expostos, vimos junto a este Ministério solicitar em caráter de urgência as seguintes medidas:

1. A formação urgente de um Grupo de Trabalho, pela Funai, para sanar os vícios apontados no MS nº 4819/ DF, do STJ;

2. A continuação imediata da demarcação, pela Funai, da Terra Indígena Cachoeira Seca na parte que não está sendo contestada pelos contrários;

3. Que Ibama e Policia Federal impeçam a continuação da destruição da floresta, garantam a integridade física do povo Ugorogmo Arara, coibindo novas invasões;

4. Que o Incra faça o assentamento, em outro lugar, das famílias de trabalhadores rurais que atualmente estão nesta terra indígena;

Com essas ações, propomos um esforço conjunto, rápido e concentrado em defesa da floresta, em defesa dos direitos dos agricultores trabalhando há anos de boa fé na área e, principalmente, do povo Ugorogmo-Arara, um dos últimos povos nômades no Brasil. Este povo tem direito a viver em paz no seu território, de acordo com seus usos, costumes e tradições, como determina a Constituição Federal do Brasil.

Hosted by www.Geocities.ws

1