Minha Caminhada-Minha História



Olá companheiros e companheiras da caminhada!

Quero que se sintam em casa neste novo portal sobre educação, cultura, religião, teologia, antropologia e sociologia. Além disso, todos e todas estão convidados e convidas a refletirem sobre os mais diversos assuntos. Queremos formar portanto uma Rede que possa vir a ser um instrumento não somente epistemológico, bem como, prático no cotidiano das pessoas.

Que vos fala é o Irmão Claudemiro Godoy do Nascimento. Nasci na cidade de Adrianópolis, estado do Paraná, aos 02 de novembro de 1975. Minha família é de São José dos Campos, estado de São Paulo. Meu pai se chamava José Erizeu do Nascimento (falecido no ano de 1985) e minha mãe chama-se Hermínia Ribeiro Godoy do Nascimento, 65 anos, professora aposentada. Desde cedo me ensinaram o gosto pelas leituras e pela ciência. Passo agora a contar um pouco de minha trajetória de vida...

Seria importante destacar um pouco de minha história de vida, para que possam compreender melhor minha história e opções de vida, como também, o envolvimento e o carinho que tenho para com os excluídos e excluídas dessa sociedade neoliberal em que vivemos.

O ano de 1989, em nossa história universal, significou a queda do socialismo e andaram dizendo que havia chegado o "fim das utopias". Neste ano, foi quando se iniciou meu engajamento gradual nas CEBs (Comunidades Eclesiais de Base) e, também, na Pastoral da Juventude que carrega em sua história o símbolo de estar tentando levar em frente os ideais da JUC (Juventude Universitária Católica) e da JEC (Juventude Estudantil Católica), posteriormente, AP (Ação Popular), todas dos anos 50, 60 e 70. Pertenci talvez a última geração da Pastoral da Juventude que tinha como suporte teórico a Teologia da Libertação e sou grato por ter vivido momentos e experiências que fizeram com que viesse a ter uma convicção política definida.

O tempo foi passando e o meu compromisso e engajamento pastoral foi aumentando. Em 1992, com 16 para 17 anos, estava na Coordenação Nacional da Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP), que buscava resgatar os ideais dos antigos militantes da JUC. Foi um ano conturbado, pois fomos nós, juntamente, com a UNE e outros movimentos que lutamos e fizemos, pela última vez na história, um ato político que gerou o afastamento do governo Collor. A UNE de Linderberg Farias (presidente da UNE na ocasião) e a Juventude, juntamente com outras organizações, lutamos para construir uma nova postura política onde a ética e a justiça fossem, de fato, sentida no seio da sociedade brasileira. Foi uma fase muito interessante, porque às vezes sinto falta na juventude de hoje exatamente este aspecto de rebeldia com causas e sonhos a serem construídos.

Em 1994, entrei num projeto missionário da Pastoral da Juventude. Desde 1994, fiquei vagando como andarilho por várias experiências missionárias e pastorais que me enriqueceram muito. Em 1994, morei numa comunidade de inserção em São Paulo, na Favela de Higienópolis. Foi uma experiência nova trabalhar com favelados/as, principalmente, no que se refere à Pastoral da Moradia. Era um aprendiz. Queria saber de tudo. Mas quando estourou o conflito entre a prefeitura de São Paulo (Paulo Maluf) e os moradores/as, também, juntamente com os padres, apanhamos da Polícia Militar e fui parar no hospital. Não foram somente os moradores/as que entraram em confronto com a Polícia, mas nós também estávamos lá, pois éramos naquele momento, integrantes da mesma causa e da mesma comunidade.

Em 1995, foi o meu segundo ano de experiência missionária com mais dois jovens da PJMP. Esta experiência se deu em Cochabamba, na Bolívia, onde fiquei estarrecido com a falta de dignidade pela qual passam os índios aymaras e quéchuas. Foi um ano onde vi a miséria humana naquele rosto índio de nossa América Latina. Crianças trabalhando desde os 6 anos de idade nas minas de bauxita e de carvão. Homens e mulheres índios, condenados a trabalhar de 8 a 12 horas em troca de US$ 1 (um dólar em média). A Igreja, tentava denunciar, mas éramos poucos, pois a cúpula da mesma Igreja estava comungando com os ideais do Governo. Foi um ano aonde descobri uma cultura linda. Talvez tenha nascido dessa experiência meu respeito pelo diferente e pelas culturas.

Em 1996, meu último ano de experiência missionária. São Félix do Araguaia - MT foi o meu destino. Conhecer, trabalhar e conversar com Dom Pedro Casaldáliga, um amigo e pai que me mostrou que se pode ainda sonhar com um mundo mais justo e solidário. Morei em Ribeirão Cascalheira, uma comunidade a trezentos quilômetros de São Félix e fui atender mais de 50 comunidades rurais. Nesta experiência encontrei latifúndios, caboclos descendentes dos índios xavantes, posseiros, peões, jagunços de grandes multinacionais etc. Quando um peão ou trabalhador rural era morto pelos latifundiários, eles jogavam o corpo na frente da casa dos agentes de pastoral da Prelazia de São Félix. Isto pude testemunhar por duas vezes. Enfim, foi uma experiência que serviu para mostrar que se pode construir uma sociedade mais humana e fraterna, principalmente, pelo exemplo de Dom Pedro que junto com Dom Hélder, no Brasil, tiveram a honra de serem rotulados de "Bispos Vermelhos" pela ditadura Militar.

Entrei para os Missionários Oblatos de Maria Imaculada em 1997 e fiquei com eles por um ano. De 1997 a 1999, fui morar em Goiânia para cursar Filosofia na Universidade Católica de Goiás (UCG) e no Instituto de Filosofia e Teologia de Goiás (IFITEG). Comecei a dar aulas no segundo semestre de 97 e foi onde descobri a importância da educação na formação de jovens, despolitizados pelo sistema, mas conscientizados por aqueles que assumem um compromisso sério com a formação. Minha vida nestes três anos foi dedicada ao curso de Licenciatura em Filosofia, à Escola Pública e lutando por inserir nos currículos das escolas a Filosofia e a Sociologia como disciplina, além de iniciar uma participação gradual que se efetivou no final de 1999 e 2000 com a CPT (Comissão Pastoral da Terra). Dei aulas de Filosofia e História no Ensino Médio de 1997 a 1999. Em 1998, também comecei a lecionar Ética e Cidadania numa escola particular de ensino Fundamental que pertencia às Irmãs Dominicanas.


No IFITEG/UCG, todos os que estão terminando devem, além de entregar a monografia, defende-la em uma banca de três professores/as.

Minha monografia teve como tema: A Revolução Personalista: o Homem na concepção de Emmanuel Mounier e Leonardo Boff.

Isto se deu no final de 1999.

Em 2000, fui morar na cidade de Goiás para fazer uma experiência junto à Diocese de Goiás, muito envolvida com a questão agrária por meio da CPT. Lecionei História e Filosofia, neste período, para os seminaristas propedêuticos da Diocese, ou seja, aqueles que estavam ingressando no seminário. Além disso, fiquei atendendo uma cidade chamada Fazenda Nova - GO que estava sem padre e ia fazer as celebrações e o atendimento ao povo. Mesmo com esses afazeres fui tomando parte da CPT e me senti, de repente, envolvido com os acampamentos e assentamentos que estavam dentro do território da Diocese de Goiás. A questão da Educação mexia comigo. Principalmente, no que se refere à Educação Popular. Foi daí que começou a surgir à idéia de realizar um projeto de pesquisa para uma Universidade a fim de participar de um programa de mestrado. Não imaginava que seria a Unicamp.

No final de 2000, retornei ao estado de São Paulo e acabei entrando no curso Teologia na PUC-Campinas. Tentei entrar em dois programas de Pós Graduação na PUC-Campinas. Concorri em Filosofia e Educação e fui aprovado nas entrevistas em ambas. O problema é que não estava em condições financeiras para assumir. Em 2001, já cursando Teologia num ambiente totalmente dispare do que pensava, pois os seminaristas daqui são extremamente conservadores, fui apresentado a Professora Mara pelo Prof. Jamil da PUC-Campinas. Fui incentivado a apresentar um projeto de pesquisa na Unicamp. Tinha a intenção de apresentar o mesmo projeto na UFSCar e na USP, mas na última hora desisti, deixando assim que a Unicamp decidisse meu futuro. Ao ficar sabendo do resultado, tomei as decisões que deveria tomar. Deixei a Teologia para dedicar-me inteiramente a este projeto. Espero que deste projeto e da pesquisa nasça um trabalho que possa vir a contribuir com os companheiros/as da caminhada, tanto da CPT e da Diocese de Goiás como os companheiros/as do MST e, principalmente, da EFAGO. Que este trabalho sirva para mostrar um pouco do rosto sofrido de nossos agricultores/as que fazem a educação com as mãos na enxada e no arado, debaixo do sol forte, mas que quando se chega em suas casas para fazer uma visita e tomar um café, nos tratam com muita satisfação por meio de prosas & prosas... e, na minha história, jamais vi um acolhimento tão humano e sincero como se deu com aqueles companheiros/as, gente da roça.

Por isso, canto o poema de Dom Pedro: Queremos plantar a roça, onde plantamos o amor / lavrador a terra é nossa, de um afã e um só Senhor...

Fui aprovado para entrar na Unicamp na Área de Concentração 4: Avaliação. Com o decorrer do 1º semestre fui percebendo que a Área e as discussões não batiam com aquilo que queria e aos aquilo foi me deixando angustiado. Até que aos poucos fui conhecendo melhor o trabalho da Profª. Maria da Glória que foi me surpreendendo e fazendo com que minhas angústias diminuíssem. Quando foi o início do 2º semestre pedi para mudar de Área, da 4 para a Área: Politicas de Educação. Também foi o período que decidi voltar para Goiás por motivos de ordem econômica já que não recebi nenhum apoio da CAPES/CNPQ.

Quando recebi a proposta para se monitor cheguei a pensar em não aceitar devido a uma questão que sempre ouvi falarem na Universidade. Vocês precisam se distanciar do objeto de pesquisa... Vocês tem que ter neutralidade científica e vai e vai... Aceitei o desafio lembrando de Brandão, de Paulo Freire que sempre se envolveram com os sujeitos/as, os atores/as do processo. Não me arrependo em nenhum momento ter sido monitor da Escola Família Agrícola de Goiás, pois hoje, devido a sobrecarga do Mestrado e as aulas na Universidade decidi optar.

A partir de 2003, iniciei minha atividade docente na Universidade Estadual de Goiás - UEG como professor de Filosofia da Educação em todos os cursos da Unidade Cora Coralina em Goiás. A UEG tem vários pólos e um deles é Goiás. Agora irei dar aulas de Sociologia da Educação no pólo de Aruaña, as margens do Rio Araguaia. Como professor universitário cresci muito, pois pude experienciar a atividade dentro da academia, apesar de pensar que seria mais complexo. A UEG é uma universidade nova onde quase 95% dos professores/as são contrato temporário e a questão salarial é uma calamidade, caso de polícia, mas isso não me desanima. Estou com três orientações de término de curso na Geografia. Além disso, estou na expectativa de formar um Grupo de Estudos na Universidade Estadual de Goiás com o seguinte nome: Movimentos Sociais, Educação e Cidadania. Seria uma espécie de extensão do Gemdec.

Estou consciente de que minha pesquisa não está pronta e acabada, pois a história nunca estará pronta. Este trabalho quer ajudar a uma reflexão polêmica sobre as alternativas de educação existentes como processo de contra-hegemonia na sociedade atual.

Assim, nos anos de 2003 e 2004 exerci a minha atividade docente na Universidade Estadual de Goiás, nas seguintes unidades: Goiás, Itapuranga e Silvânia.

A defesa da minha dissertação de mestrado em educação na Unicamp aconteceu no dia 11 de fevereiro de 2005 com o tema:

A EDUCAÇÃO CAMPONESA COMO ESPAÇO DE RESISTÊNCIA E RECRIAÇÃO DA CULTURA: UM ESTUDO SOBRE AS CONCEPÇÕES E PRÁTICAS EDUCATIVAS DA ESCOLA FAMÍLIA AGRÍCOLA DE GOIÁS - EFAGO.

 Também no mês de fevereiro de 2005 termino o Curso de Especialização em Ciências da Religião pela Universidade Católica de Goiás.

No ano de 2005 retornei a São José dos Campos junto de meus familiares e lecionei na Faculdade Dehoniana em Taubaté para os seminaristas e leigos do Curso de Filosofia. Ainda este ano devo partir para um projeto missionário definitivo de opção pelo Reino e pela causa do Evangelho. Também, neste ano de 2005 consegui concluir o Curso Superior de Teologia (Graduação) não reconhecido pelo MEC pelo Instituto de Teologia Santa Úrsula no Rio de Janeiro - RJ, onde estava cursando desde 2004 os créditos que me faltavam.

Neste ano de 2006 a pedido da Igreja e de minha vontade pessoal decidi retornar ao serviço da Igreja na Prelazia de Cristalândia - Tocantins. Irei servir à Igreja Católica de Cristalândia na Paróquia São Miguel em São Miguel do Araguaia - GO. Seremos três agentes de pastorais juntamente com as religiosas que ali residem. Será um ano de readaptação à Igreja das bases pois estive fora por um tempo devido ao mestrado. Esperamos reencontrar as esperanças e a utopia do Reino para que possamos assim nos tornar discípulos e discípulas verdadeiras do Reino de Deus.

 

Hosted by www.Geocities.ws

1