Maria Beth�nia � atra��o da Flip, que homenageia Jorge Amado

� de Santo Amaro da Purifica��o, e n�o de Londres ou Nova York, que vir�o os sons e as palavras mais disputados pelo p�blico que comparecer� � Festa Liter�ria Internacional de Parati. Evento cujo modelo � importado de festivais de literatura estrangeiros, a Flip come�a na quarta-feira, �s 21h30, com um show da cantora baiana Maria Beth�nia --a primeira atra��o da programa��o a ter os ingressos esgotados.
A apresenta��o ser� na tenda da Matriz, no centro hist�rico da cidade fluminense. "O fato de o espet�culo ser em um lugar fechado e climatizado limita um pouco, mas n�o tem import�ncia, porque Parati vale", disse a cantora em entrevista � Folha, por telefone.
O show, assim como a festa propriamente dita, vai homenagear o baiano Jorge Amado (1912-2001). Beth�nia, que considera o autor uma das principais influ�ncias de sua gera��o, deve ler alguns trechos das obras que come�ou a conhecer por meio do pai, que gostava de ler seus textos em voz alta, e da escola, em Santo Amaro da Purifica��o, cidade onde cresceu, na Bahia. "Depois, j� dona de minha vida, fui gostando dele mais e mais..."
Lembran�as
Sempre que ouve falar de Jorge Amado, Maria Beth�nia, 60, diz que lembra da inf�ncia e do pai. "Ele era um leitor compulsivo, um funcion�rio de correio que tinha uma bela voz e gostava de ler em voz alta. Tanto prosa como poesia. E isso nos cativava, pois �ramos crian�as e quer�amos entender aquelas palavras", conta.
Apesar de "A Morte e a Morte de Quincas Berro D'�gua" (1961) e "Navega��o de Cabotagem" (1992) serem os livros de Amado preferidos da cantora, n�o foi destes que ela escolheu trechos para serem lidos no espet�culo de abertura da Flip. As passagens foram selecionadas de "Os Velhos Marinheiros" (1961) e "Bahia de Todos os Santos" (1945) --uma esp�cie de guia da cidade de Salvador.
Beth�nia tamb�m deve cantar "� Doce Morrer no Mar", composi��o de Amado com Dorival Caymmi, e "Cora��o Ateu", can��o de Sueli Costa interpretada pela cantora na novela "Gabriela", exibida pela Rede Globo em 1975.
Al�m de um apanhado de seu repert�rio tradicional, a cantora tamb�m promete mostrar algumas can��es in�ditas que estar�o no seu pr�ximo CD, no qual est� trabalhando atualmente. O �lbum, que deve sair em outubro ou novembro, ter� duas partes (que depois ser�o vendidas separadamente).
Parati e Santo Amaro
Morando no Rio h� mais de 40 anos, Beth�nia conta que desde ent�o freq�enta Parati, que acha parecida, em alguns aspectos, com Santo Amaro da Purifica��o ("tem essa coisa de ser cidade de mar, de mangue"), e acha muito positivo o fato de a festa ter se tornado uma refer�ncia no circuito cultural internacional. "Uma feira liter�ria, nesse lugar m�gico, tem um significado imenso. � a �nica sa�da que posso entender para o Brasil. Essa id�ia de que devemos conversar, ouvir outras pessoas de outras culturas, ler o que est�o escrevendo, � algo deslumbrante."
A participa��o de Beth�nia na Flip j� era para ter acontecido em anos anteriores. "Sempre quis e nunca deu, agora que conseguimos encaixar na agenda, estou muito feliz", diz a artista, que n�o conferiu ainda a programa��o nem os convidados deste ano, mas que quer assistir a algumas mesas.
Amado para estrangeiros
Apesar de reconhecer a grande influ�ncia da obra de Jorge Amado no imagin�rio do brasileiro sobre a Bahia ("todas as express�es mais t�picas dos baianos est�o ali"), Beth�nia conta que se impressiona muito com a maneira como a obra do autor causa impacto nos estrangeiros. "Jorge levou a Bahia para o mundo. Quem � de fora delira com a Bahia profunda que surge de seus livros. E sempre me perguntam sobre as putas e os b�bados, os cheiros e as comidas que est�o no universo dos seus romances."
Homenagem
Nas edi��es anteriores, a Flip celebrou as obras de Vinicius de Moraes, Guimar�es Rosa e Clarice Lispector. Desta vez, para homenagear Amado, al�m do show de Beth�nia, haver� atividades dentro da programa��o principal e na Flipinha --se��o dedicada a jovens e crian�as, na Tenda Azul.
Na quinta-feira, dia em que o escritor completaria 94 anos, uma mesa reunir� Myriam Fraga, diretora da Funda��o Casa de Jorge Amado, o poeta e ensa�sta Alberto da Costa e Silva e Eduardo de Assis Duarte, autor de "Jorge Amado - Romance em Tempo de Utopia".
At� o fechamento desta edi��o, ainda havia ingressos para todas as mesas da Flip. Mais informa��es podem ser obtidas pelo site www.flip.org.br.
SYLVIA COLOMBO
Folha de S.Paulo - 07/08/06
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