Definição:
*Reação adversa a medicamentos (RAM): efeito prejudicial ou indesejável, não intencional, que aparece após a administração de um medicamento em doses normalmente utilizadas no homem para a profilaxia, o diagnóstico e o tratamento de uma enfermidade ou para a modificação de funções fisiológicas.
*Evento adverso (EA): reação indesejada, efeito colateral ou demais eventos associados ao uso de uma preparação farmacêutica, sejam eles considerados relacionados ou não ao uso do medicamento, intencionais ou não.
Injúria sofrida pelo paciente resultante de erros no uso de medicamentos e que resultam em falha terapêutica. O evento pode ser devido a vários fatores relacionados com o tratamento: dose do medicamento incorreta, dose omitida, via de administração não especificada, horário de administração incorreto e outros.
Ex:
-superdose de medicamento; abuso,
-complicações ou eventos não previstos na admissão hospitalar, relacionados à assistência médica, de enfermagem ou de outras áreas de suporte, que ocorrem com o paciente durante a internação.
-administração acidental
-uso indiscriminado
-retirada da droga.
Classificação:
*Classificação de Rawlins e Thompson
-tipo A: ação e um efeito farmacológico exagerado de um fármaco administrado em doses terapêuticas habituais. São reações farmacologicamente previsíveis, geralmente dependem da dose, têm alta incidência e morbidade, baixa mortalidade e podem ser tratadas ajustando-se as doses. São reações produzidas por mecanismos de superdosagem relativa, efeito colateral, citotoxicidade, interações medicamentosas, alterações na forma farmacêutica. Ex: O efeito colateral, que é caracterizado por um prolongamento do efeito farmacológico da droga, tais como: hemorragia com os anticoagulantes, hipoglicemia com antidiabéticos, sonolência produzida por ansiolíticos, hipotensão com antihipertensivos
-tipo B (bizarras): efeitos farmacológicos totalmente anormais e inesperados de um medicamento administrado em doses habituais. Não são reações farmacologicamente previsíveis, nem dose-dependentes, têm incidência e morbidade baixas, e sua mortalidade pode ser alta. Devem ser tratadas com a suspensão do fármaco e são produzidas por mecanismos de hipersensibilidade, idiossincrasia, intolerância e até mesmo por alterações na formulação farmacêutica. As principais reações adversas do tipo B são as que ocorrem por polimorfismo genético e as reações imunológicas (idiossincrasias) tais, como a granulocitopenia induzida por sulfonamida e o lupus eritematoso sistêmico induzido por hidralazina.
*Classificação de acordo com a gravidade:
-Leve: Não requer tratamentos específicos ou antídotos e não é necessária a suspensão da droga.
-Moderada: Exige modificação da terapêutica medicamentosa, apesar de não ser necessária a suspensão da droga agressora. Pode prolongar a hospitalização e exigir tratamento específico.
-Grave: Potencialmente fatal, requer a interrupção da administração do medicamento e tratamento específico da reação adversa, requer hospitalização ou prolonga a estadia de pacientes já internados.
-Letal: Contribui direta ou indiretamente para a morte do paciente.
*Classificação de acordo com a causalidade: Uma reação que segue uma razoável seqüência cronológica, a partir da administração do medicamento ou da obtenção de níveis séricos ou tissulares, que segue uma resposta padrão conhecida para o medicamento suspeito...
-Definida: ...e que é confirmada pela melhora ao se suspender o medicamento e pelo reaparecimento da reação ao se repetir a exposição.
-Provável: ...e que não pode ser razoavelmente explicada pelas características conhecidas do estado clínico do paciente.
-Possível: ... mas que pode ter sido produzida pelo estado clínico do paciente ou outras terapêuticas concomitantes.
-Condicional: que não segue uma resposta padrão conhecida para o medicamento suspeito; mas que não pode ser razoavelmente explicada pelas características conhecidas.
-Duvidosa: Qualquer reação que não segue os critérios acima.
Etiologia:
1. Superdosagem relativa: Quando um fármaco é administrado em doses terapêuticas mas apesar disso suas concentrações são superiores às habituais. Ex: pacientes com IRn tratados com Ab aminoglicosídeos e a intoxicação digitalíca em paciente com IC tratados com doses usuais de digoxina Ambas as situações se devem à alterações funcionais, que podem aumentar o risco de concentrações elevadas do fármaco no organismo.
2. Efeitos colaterais: São os inerentes à própria ação farmacológica do medicamento, porém, o aparecimento é indesejável num momento determinado de sua aplicação. Ex: o broncoespasmo produzido pelos bloqueadores b -adrenérgicos, o bloqueio neuromuscular produzido por aminoglocosídeos, sonolência pelos benzodiazepínicos, arritmias cardíacas com os glicosídios.
3. Efeitos secundários: consequência do efeito buscado. Ex: a tetraciclina poderá depositar em dentes e ossos, quando utilizada na pediatria, estas deposições podem descolorir o esmalte dos dentes decíduos assim como dos permanentes. A deposição óssea pode provocar redução do crescimento ósseo.
4. Idiossincrasia: sensibilidade peculiar a um determinado produto, motivada pela estrutura singular de algum sistema enzimático. Ex: anemia hemolítica por deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD), pode acontecer, por exemplo, em determinados indivíduos que utilizam a droga antimalárica primaquina.
5. Hipersensibilidade alérgica: Para sua produção é necessária a sensibilização prévia do indivíduo e a mediação de algum mecanismo imunitário. Ex: hipersensibilidade do tipo I- anafilaxia, uma resposta súbita e potencialmente letal, provocada pela liberação de histamina e de outros mediadores. As principais características incluem erupções urticariformes, edema dos tecidos moles, broncoconstricção e hipotensão.
6. Tolerância: fenômeno pelo qual a administração repetida, contínua ou crônica de um fármaco ou droga na mesma dose, diminui progressivamente a intensidade dos efeitos farmacológicos, sendo necessário aumentar gradualmente a dose para poder manter os efeitos na mesma intensidade. Ex: tolerância produzido pelos barbitúricos reduzindo seu efeito anticonvulsivante 39.
Fatores de risco:
Extremos
de idade (Neonatos e crianças; Idosos); Gênero (mulheres); Gestantes;
Patologias (IRn; I Hepática); Hipersensibilidade; Variabilidade Genética;
Polimedicação
No caso de reações do tipo B, o tratamento consiste, basicamente, da suspensão do medicamento e administração de medicação de suporte para manutenção dos sinais vitais e de medicamentos ou outras medidas terapêuticas para correção dos transtornos gerados.
-Suspensão da administração do medicamento, temporária ou definitivamente;
-Redução da dose;
-Administração de outros medicamentos ou medidas terapêuticas que reduzam ou anulem os efeitos adversos;
-Acelerar a eliminação do medicamento administrando um seqüestrante como as resinas catiônicas, ou um adsorvente como o carvão ativado, aumentando-se a diurese, alterando-se o pH urinário, etc.
-Tratamento dos sinais e sintomas provocados pelo medicamento;
-Submeter o paciente a hemodiálise ou diálise peritoneal;
-Administração de um antagonista específico, quando for o caso;
-Administrar medidas gerais de suporte (corrigir pH sangüíneo, eletrólitos, volume plasmático, etc.) para manter um sinal vital.
Prevenção:
-uso de medicação adequada;
-posologia adequeda;
-controle laboratorial;
-informação ao paciente;
cuidado na prescriçã odurante a gravidez.