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Definição: síndrome composta por sinais e sintomas neuropsiquiátricos que decorrem de uma perturbação neurológica de causa orgânica, caracterizada por perturbação na consciência associada a alterações na cognição que têm um caráter flutuante;
Etiologia:
-lesões neurológicas estruturais; Entre as causas intra-cranianas, doenças vasculares (isquemias, infartos, sangramentos), tumores, infecções (abscessos, meningites, encefalites) e período pós-ictal de crises convulsivas
-doenças sistêmicas que comprometem secundariamente o cérebro: infecções, febre, hipóxia/hipercarbia, hiponatremia, desidratação / hipovolemia, uremia, hipoglicemia e insuficiência hepática.
-agentes tóxicos externos: diuréticos, digoxina, anti-inflamatórios, corticosteróides, opióides, fenotiazínicos, bloqueadores H2|H1, benzodiazepínicos, antibióticos.
-abstinência pela suspenção de substâncias (álcool, barbitúricos, etc.)
Fatores de risco: albunina sérica↓; problemas clínicos múltiplos, graves ou instáveis; uso de múltiplas drogas; distúrbio metabólicos; suporte social inadequado; infecção; fraturas; problemas visuais; febre; hipotermia; uso de drogas psicoativas; deficiência de tiamina (geriatria; UTI pediátrica; oncologia).
Quadro clínico: Critérios:
-Perturbação da consciência, com redução da capacidade de direcionar, focalizar, manter ou deslocar a atenção.
-Uma alteração na cognição ou desenvolvimento de uma perturbação de percepção que não é melhor explicada por uma demência pré-existente, estabelecida ou em evolução.
-A perturbação se desenvolve em um curto período de tempo (dias, horas), com tendência a flutuações no decorrer do dia.
-Há evidências a partir da história, exame físico ou exames laboratoriais de que a perturbação é causada por conseqüências fisiológicas diretas de uma condição médica geral.
Diagnóstico#: demência: crônica e curso mais estável; psicose; depressão; mania; ansiedade; esquizofrenia (com delírio):
-delírio é um sintoma frequentemente encontrado na esquizofrenia; o paciente está lúcido, compreende o que está sendo perguntado e sabe onde está, contudo pode, ao contrário do paciente com delirium, encontrar significados onde eles não existem.
-no delirium uma entidade nosológica que aparece em quadros orgânicos e se caracteriza principalmente pelo distúrbio de consciência; o paciente parece não estar compreendendo o que se passa a sua volta, está desorientado (não consegue distingüir onde se encontra, pode não saber quantos anos tem ou onde mora) e tem a atenção reduzida (não consegue entender as perguntas e fica olhando a sua volta buscando "pistas").
-em ambos os casos os pacientes apresentam alteração do pensamento, tornando muito difícil a interação com as outras pessoas
Tratamento:
investigação e tratamento da causa primária; tentar suspender as drogas utilizadas pelo paciente.
*Farmacológico: antipsicóticos (haloperidol); benzodiazepínicos. (diazepam/midazolam)
-a droga mais utilizada é o haloperidol (Haldol®) em virtude de ter muito pouca ação anticolinérgica, menor ação sedativa, pouco efeito hemodinâmico, baixo potencial de deprimir a ventilação. Dentre os efeitos colaterais possíveis estariam síndrome extra-piramidal e arritmias cardíacas (torsade de pointes - principalmente em cardiopatas, pacientes com intervalo QT longo, etilistas). Contra-indicação absoluta do haloperidol existe apenas no coma. Geralmente doses baixas (0,5mg por via oral de 12 em 12 horas) são suficientes.
-O uso de outros sedativos como os benzodiazepínicos tem suas indicações no delirium, principalmente no tratamento das abstinências (álcool e benzodiazepínicos). No caso de pacientes idosos devem ser evitados.