Este texto corresponde a um resumo incompleto [e, possivelmente, com erros] sobre o assunto indicado. O resumo deve servir apenas para uma consulta superficial. Para uma abordagem adequada, recomenda-se a leitura de literatura específica.
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CEFALÉIAS

 

O que dói?

-Nervos sensitivos (e seu território de inervação ou estrutura inervada); Vasos; Meninges; Músculos (contração muscular prolongada: tensão); Núcleo sensitivo do tálamo; Substância cinzenta periaqueductal.

 

Mecanismo: estiramento, tração, dilatação, compressão de estruturas; Inflamação; Isquemia de nervos sensitivos e espinhais; Lesão de estruturas intracerebrais relacionadas à percepção da dor.

 

Classificação:

1.Cefaléias vasculares: enxaquecas, histamínicas, HA, Inflamações vasculares

 

1.1Enxaquecas (migraneas)

 

Tipos principais:

-enxaqueca clássica (enxaqueca com aura);

-enxaqueca comum (enxaqueca sem aura).

 

Enxaqueca Clássica (com Aura):

 

Acontece quando os vasos sangüíneos da cabeça ficam muito dilatados ou muito estreitos (contraídos). É mais freqüente em mulheres e havendo tendência familiar. Os sintomas são: Visão de estrelas brilhantes, faíscas, lampejos, ziguezagueares ou padrões geométricos simples que atravessam o campo visual; Dor pulsátil intensa, apenas em um dos lados da cabeça; Náuseas e vômitos; A dor piora com a luz e melhora no escuro; Zumbido nos ouvidos;

 

O ataque de enxaqueca clássica possui quatro fases: o estado prodrômico, a aura, a dor de cabeça e a recuperação.

-Pródromos: A maioria das pessoas não reconhece de início o estado prodrômico porque os sintomas são indefinidos. Os sintomas podem durar até 24 horas.

-Aura: Dura de 10 a 60 minutos. O termo aura tem sido usado para descrever os sintomas que precedem a dor de cabeça de enxaqueca clássica. O paciente pode queixar-se de ver estrelas brilhantes na frente dos olhos, algumas vezes uma estrela mais brilhante que o resto, começando do canto inferior do campo visual e passando rapidamente através dele. Em outros momentos, a aura consiste de ondulações ou cintilar do campo visual ou mesmo de uma perda temporária da visão numa parte dele. Luzes ziguezagueantes semelhantes a um castelo fortificado (chamadas de espec-tros fortificados) também podem ocorrer. Sintomas sensoriais incluem formigamentos e comichões, que normalmente ocorrem em uma das mãos ou braços, ou ao redor da boca. A sensação de formigamento tipicamente começa nos dedos e espalha-se gradualmente para os braços num período de 15 a 20 minutos. Às vezes, há dificuldade de falar, confusão mental ou fraqueza no braço.

-Dor de cabeça: A seguir os sintomas da aura se remitem e são seguidos de dor de cabeça, náusea e vômitos. A dor normalmente é pulsátil, localizada em um dos lados da cabeça. Normalmente começa na fronte ou nas temporas e daí se espalha.

 

-Tratamento

1-Triptanos [agonistas seletivos do receptor 1 da serotonina].

2-Derivados da ergotamina [simpaticolítico]

3-Associações: analgésicos, cafeína, antiheméticos, antivertiginosos

-Profilaxia: evitar fatores precipitantes; medicamentosa controversa: pode-se usar Propanolol, Antidepressivos tricíclicos ou inibidores da recaptação da serotonina

 

Critérios para diagnóstico:

A.Pelo menos dois ataques preenchendo B

B.Pelo menos 2 dos 4 seguintes: a)Um ou mais sintomas completamente reversíveis da aura; b)Pelo menos um sintoma de aura desenvolve-se em mais de 4 minutos ou dois ou mais sintomas ocorrem em sucessão; c)Nenhum sintoma de aura dura mais que 60 minutos a menos que haja mais de um sintoma de aura; d)A cefaléia ocorre em menos de 60 minutos após o início da aura.

 

Enxaqueca Comum (sem Aura)

 

Estas são normalmente semelhantes aos ataques clássicos porém, sem a aura.

 

Critérios para diagnóstico:

A.Pelo menos cinco ataques preenchendo os critérios de B a D

B.Duração de 4-72 horas ou mais

C.Pelo menos duas destas características: Unilateral; Pulsátil; Intensidade moderada a severa; Piora com esforço físico.

D.Durante a cefaléia pelo menos um dos seguintes: náusea e/ou vômito; fotofobia e/ou fonofobia; Existe doença orgânica/metabólica sistêmica mas a migranea começou antes.

 

1.2Histamínica (Sinônimos: Horton, Salvas, Cluster)

 

>> Dor de cabeça do tipo "Cluster"

 

A dor de cabeça do tipo "cluster" (freqüentemente confundida com a enxaqueca) é sentida no olho e ao redor dele, algumas vezes irradiando-se para as têmporas, maxilar ou gengivas do mesmo lado.

 

Ocorre em homens, mais do que em mulheres, começa geralmente em pessoas que estão nos seus 30 anos e é rara, afetando menos de 1% da população.

 

A dor de cabeça do tipo "cluster" ou “em salvas” é chamada assim porque tende a aparecer em surtos, cada um dos quais durando de quatro a oito semanas. O ataque se forma em poucos minutos, durando cerca de 45 minutos no total. Vários ataques podem ocorrer a cada dia durante o período do surto, tipicamente acordando o paciente do seu sono.

 

A dor sempre ocorre no mesmo lado da cabeça e cada surto e é sentida como uma dor grave ao redor do olho. Ela pode irradiar-se para cima do olho e das têmpuras, para o maxilar ou gengivas, para o mesmo lado ou, mais raramente, pela metade da cabeça. Quando a dor é grave, a pupila do lado afetado pode contrair, o olho fica avermelhado e lacrimeja e, ocasionalmente, a pálpebra cai. Alguns pacientes suam profusamente, particularmente no lado da face afetada. O nariz pode parecer congestionado e a pele daquele lado pode estar hipersensível. A dor deste tipo é tão forte e desconfortável que o paciente freqüentemente anda de um lado para o outro ou se balança para frente e para trás tentando encontrar maneiras de se distrair da agonia.

 

Essa dor excruciante pode ser pulsátil ou latejante, mas é normalmente descrita como uma queimação, cansativa, pinicante, em rasgo ou triturante. Durante um surto e entre os ataques, a área ao redor do olho fica como se tivesse sido machucada.

 

Muitos pacientes podem ocasionar os ataques se beberem álcool durante um surto embora eles possam beber quando estão fora do período do surto.

 

Normalmente as crises da Dor de Cabeça em Salvas apresentam-se como:

-artéria em caráter pulsátil; forte dor atrás do olho; queda da pálpebras vermelhidão no olho; lacrimejamento; sudorese facial; congestão nasal;

-De um só lado e sempre do mesmo lado da cabeça;

-Em volta do olho podendo também ser na fronte, têmpora e até face;

-Intensidade muito elevada e caráter excruciante ou lancinante;

-Duração de 15 minutos a 3 horas e aparecendo em dias seguidos ou alternados;

-Com freqüência entre 1 a 8 vezes por dia, se manifesta em horas semelhantes e comumente acorda os seus portadores no meio da noite fazendo-os pular fora da cama antes de totalmente acordados, tal a sua intensidade;

-Geralmente é associada com vermelhidão ocular, lacrimejamento e entupimento nasal (as vezes com corrimento nasal) do mesmo lado da dor;

-A dor em geral dura de 2 a 4 meses por ano, desaparecendo sozinha para retornar após períodos variados de tempo que podem chegar a anos, comumente nas mesmas épocas.

-Por vezes, a dor evolui para ausência de remissões ou períodos sem dor ou já começa sendo permanente, o que se constitui na modalidade CRÔNICA de dor de cabeça em salvas.

 

-Tratamento: crise aguda: inalação de tartarato de ergotamida aerosol. Sumatriptan injetável subcutâneo e a inalação de oxigênio a 100% são os tratamentos de escolha para as crises de dor de cabeça em salvas; Lidocaína. Prevenção: evitar consumo de álcool; medicamentosa: idem enxaqueca, antagonistas dos canais de cálcio, antihistamínicos.

 

Para o tratamento preventivo usam-se medicamentos em caráter diário como por exemplo o Verapamil e a Metisergida que são tomados em doses variadas e por um período de tempo de 2 a 4 meses (ou enquanto durar o surto), a partir do momento em que o ciclo de dor se reinicia. Os derivados da ergotamina também podem ser usados.

 

Critérios para diagnóstico:

A.Pelo menos cinco ataques preenchendo B a D.

B.Dor severa unilateral orbitária, supraorbitária ou temporal que dura 15 a 180 minutos sem tratamento

C.Pelo menos um dos seguintes no lado doloroso: Sufusão conjuntival; Lacrimejamento; Congestão nasal; Rinorréia clara; Sudorese facial; Miose; Ptose; Edema palpebral.

D.Frequência dos ataques: 1 a 8 no dia

 

2.Cefaléia por alteração da pressão liquórica

3.Cefaléias por irritação meníngea

4.Cefaléias miógenas

 

-Tensionais [dita em faixa ou como se uma morse estivesse apertando a cabeça]. Pelo menos um dos seguintes: a)Dor opressiva-compressiva; b)Intensidade leve-moderada; c)Dor bilateral; d)Não piora com atividade física; e)Ambos: Sem náusea ou vômito; Sem foto ou fonofobia ou somente um desses.

 

Dor surda, contínua, ou em peso, que pode localizar-se na testa, na região acima das orelhas e na região da nuca/pescoço. A dor acontece quando seus músculos da face, cabeça ou nuca ficam tensos. As causas mais comuns são: Falta de sono; Estresse; Leitura; Executar um trabalho entediante; Permanecer na mesma posição por tempo prolongado, como ao trabalhar com computadores; 

 

A dor de cabeça do tipo tensional geralmente se caracteriza da seguinte forma:

 

Em peso ou pressão ou aperto, muitas vezes simulando uma faixa ou capacete apertado em volta da cabeça; Habitualmente localizadas na fronte e/ou na nuca e topo da cabeça; De intensidade leve a moderada ou moderada não impedindo as atividades rotineiras diárias; Não raro essa dor melhora com atividade física ou relaxamento; Normalmente não há sintomas associados e alguns pacientes podem se queixar de intolerância, durante a dor, a ruídos mais intensos (fonofobia); A dor pode durar de horas a até 7 dias; Freqüência pode variar muito com pacientes apresentando dor menos de uma vez por mês enquanto outros mais de 15 dias em cada 30 (forma crônica).

 

Existem basicamente dois tipos de dor de cabeça do tipo tensional : as episódicas e as crônicas.

 

Cefaléia do Tipo Tensional Episódica: Incidência na População: 87%; Freqüência: variável; Características: dor em peso ou pressão - nunca pulsátil; Localização: bilateral, frontal, nuca e topo da cabeça; Intensidade: Leve a moderada; Sintomas Associados: pode ocorrer fobia à ruídos; Duração da Dor: de 30 minutos a 7 dias.

Tratamento: Durante as crises, DESDE QUE NUNCA MAIS DE DUAS VEZES POR SEMANA, podem ser usados analgésicos associados ou não à cafeína e há controvérsias quanto ao uso de relaxantes musculares. A cafeína além de aumentar a velocidade de absorção do analgésico, também funciona como analgésico de ação central (no próprio cérebro).

 

Cefaléia do Tipo Tensional Crônica: Incidência na População: 3%; Freqüência: mais de 15 dias por mês por mais de 6 meses; Características: dor em peso ou pressão - nunca pulsátil; Localização: bilateral, frontal, nuca e topo da cabeça; Intensidade: Leve a moderada; Sintomas Associados: pode ocorrer não mais do que um dos seguintes sintomas: náuseas, fobia à luz ou ruídos; Duração da Dor: de 30 minutos a 7 dias.

Tratamento medicamentos preventivos em caráter diário e regular. Estes medicamentos, como os antidepressivos tricíclicos, podem aumentar o nível de serotonina no cérebro e melhorar a função do sistema analgésico do próprio cérebro, que está deficiente. As doses devem ser iniciadas de forma gradual e se o paciente apresenta melhora superior a 80% após 4 meses, o tratamento pode ser diminuído progressivamente até sua suspensão.

O tratamento das crises pode ser realizado com analgésicos ou com aintinflamatórios não esteroidais. Antinflamatórios mais recentes como o clonixinato de lisina, o ácido tolfenâmico e os novos membros da classe denominada de inibidores seletivos de uma enzima chamada ciclo-oxigenage 2 (COX2) são opções mais eficazes e bem toleradas.

 

É fundamental que os portadores dessa e de qualquer dor de cabeça crônica não utilizem analgésicos mais de duas vezes por semana sob pena de transformarem a sua dor em diária ao longo do tempo.

 

Profilaxia: fisioterapia; exercícios de respiração; evitar situações estressantes; não abusar de analgésicos.

 

5.Pós-traumática

6.Cefaléia da crise epiléptica

8.Cefaléias Reflexas

9) Neuralgias cranianas

10) Dor facial atípica

11) Cervicogênica

12) Por drogas

 



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