Definição: conjunto de sinais e sintomas devido à Perda sanguínea pelo aparelho digestório.
-hematêmese: vômito de restos alimentares com sangue de cor vermelha ou escura-digerida;
-melena: fezes enegrecidas e fétidas por hemorragia de 400 ml ou mais e trânsito intestinal de no mínimo 8 horas; perda de sangue digerido;
-enterorragia: perda de sangue não digerido;
-hematoquesia:
sangue vivo saindo pelo ânus
-sangramento oculto: não é visível estando em torno de menos de 40 ml; só é observado através de pesquisa laboratorial; clinicamente pode levar a anemia mas não a choque e hipotensão
Classificação:
*hemorragia digestiva baixa (HDB): sangramento distal ao ângulo de Treitz; afecções passíveis de sangramento e que estejam localizadas no jejuno, íleo, cólon, reto, canal anal e ânus. Ainda que a melena possa ocorrer, freqüentemente observam-se enterorragias ou eliminação de sangue vivo pelo ânus, e geralmente refletem de leve a moderada perda sangüínea.
-Sangramento agudo: quando há perda rápida de sangue, em volumes variáveis, podendo, em geral, levar à hipovolemia; hematoquesia é freqüente.
-Sangramento sbagudo: quando a velocidade e o volume da perda sanguínea são moderados. Pode apresentar-se como sangue vivo, misturado às fezes, ou oculto.
-Sangramento crônico: pode ocorrer sem manifestações clínicas exuberantes, havendo uma adaptação gradual do organismo. Caracteriza-se por sangramento oculto ou escuro. Palidez cutâneo-mucosa é um dos sinais cardinais de hemorragia digestiva.
*hemorragia digestiva baixa (HDA): compreende o sangramento da mucosa digestiva entre a boca e o ângulo de Treitz.
Etiologia:
*HDB
-Intestino delgado: Divertículos do jejuno e íleo; Enterite regional; Tuberculose intestinal; Síndrome de Zollinger-Ellison; Tumores benignos e malignos
-Cólon: Doença diverticular; Retocolite ulcerativa crônica; Tumores benignos e malignos; Proctite secundária ao tratamento radioterápico
-Canal anal e ânus: Doença hemorroidária; Fissura anal; Tumores malignos
*HDA: Ulcera Péptica Gastroduodenal; Lesões Agudas da Mucosa Gastroduodenal (gastrite erosiva aguda; úlcera gástrica aguda; gastrite hemorrágica; úlcera de estresse; duodenite erosiva aguda; úlcera duodenal aguda); Síndrome de Mallory-Weiss (laceração do esôfago por alteração de pressão gastrointestinal (vômitos repetidos, tosse, crise convulsiva, soluço crônico, parto); Fatores endógenos (queimaduras extensas; politraumatismos; estresse); Fatores exógenos (álcool; salicilatos; fenilbutazona; indometacina; reserpina; antibióticos; diuréticos tiazídicos; corticóides; anticoagulantes); Varizes Esofago-gástricas (por cirrose hepática alcoólica ou pela esquistossomose); Laceração da mucosa gastro-esofágica após vômitos repetidos;
Quadro clínico:
*HDB: freqüentemente observamos enterorragias ou hematoquesias, e geralmente refletem de leve a moderada perda sangüínea; pode ocorrer melena.
*HDA: hematêmese (vômito de sangue ou em borra de café); melena (fezes
enegrecidas e muito fétidas, devido à digestão da hemoglobina); hematoquesia
(neste caso tendo que ser uma hemorragia maior que 1000 ml) se o trânsito
intestinal estiver acelerado e a hemorragia for intensa. Vale lembrar que o
sangramento também pode ser oculto.
Diagnóstico:
procurar estabelecer o diagnóstico etiológico (causal) e a sede da hemorragia.
*HDA: Clínico; Exames Laboratoriais; Endoscopia Digestiva Alta; Angiografia seletiva;
-A hematêmese acompanha-se de naúseas e vômitos e provém, quase sempre, do estômago ou do duodeno. Se o sangramento for alto (boca, faringe, esôfago), não há náuseas e vômitos.
*HDB: clínico, retossigmoidoscopia; colonoscopia;
-reconhecer no aspecto das fezes, se trata-se de melena ou de enterorragia; a enterorragia reflete a perda sangüínea localizada no cólon e canal anal (sendo os tumores malignos, a doença diverticular e as hemorróidas as causas mais freqüentes); a melena representa um sangramento que tem origem em um ponto qualquer acima da junção do intestino delgado com o grosso (válvula ileocecal).
-retossigmoidoscopia, em especial na vigência de uma enterorragia, após preparo prévio, com lavagem intestinal (I,5 a 2 litros de água com 100 g de glicerina líquida).
-A exploração endoscópica do canal anal e do retossigmóide é completada, se necessário, com biopsia de mucosa ou de tecido tumoral, para o diagnóstico histológico.
-estudo radiológico do intestino grosso por enema opaco e duplo contraste
-Se necessário, pode-se recorrer à radiografia do intestino delgado, para estudo da morfologia desse órgão, em especial à verificação de massas tumorais ou do divertículo de Meckel.
Tratamento:
*HDB: pode variar desde a adoção de medidas higieno dietéticas, até a ressecção cirúrgica de parte ou de todo segmento intestinal acometido.
*HDA:
-Internação;
-Conter o sangramento e restabelecer o equilíbrio orgânico: Reposição volumétrica (Apenas fluidos salinos nos casos de HDA leve. Plasma e sangue devem ser reservados apenas para situações de sangramento intenso ou quando o mesmo estiver fora do controle clínico);
-O tratamento cirúrgico de urgência estará indicado naquelas situações onde já existe uma indicação formal prévia ou nos casos onde não houve resposta à terapêutica clínica.
Obs: Desde que ocorra perda de sangue em qualquer parte do tubo digestivo, independente da intensidade do sangramento, este será eliminado pelas fezes do paciente.