Definição: doença inflamatória ulcero-constrictiva, crônica, granulomatosa, não caseificante; idiopática, segmentar e transmural que acomete qualquer parte do trato digestivo, predominando no íleo; o processo acomete todas as camadas da parede intestinal (mucosa; submucosa; serosa);
Localização: pode ocorre em qualquer parte do tubo digestivo, da boca ao anus, com maior freqüência no íleo terminal: região ileocólica (55%); intestino delgado (25%); cólon (20%).
Epidemiologia: 15-35 e após 55 anos; 5B:1N
Etiologia: hereditária; infecciosa; imunológica.
Quadro clínico: Início insidioso; diarréia (<6x/d); perda de peso; febre baixa; dor abdominal tipo cólica na FID (região ileocecal) ou FIE (cólon); evacuações mucossanguinolentas quando o cólon está envolvido; crises intermitentes; manifestações extra-intestinais (ulceras orais e orofaringeas; sinais de inflamação articular (eritema nodoso; pioderma gangrenoso); abscessos perianais "intratáveis"; úlceras na boca; massa palpável com contornos imprecisos; anemia megaloblástica por deficiência de vitamina B12; retardo no crescimento; piora com tabagismo.
Exame físico: massa abdominal em geral na FID; irritação peritoneal; palpação de alçca intestinal inflamada; fístula, abscesso ou fissura na região perianal;
Patologia: o processo inflamatório tem caráter granulomatoso e acomete todas as camadas da parede intestinal (mucosa; submucosa; serosa);
*macroscopia
-fase inicial: lesão salteada; espessamento; edema; hiperemia; úlceras.
-fase crônica: a) lesão salteada; espessamento; fibrose; necrose da mucosa. b) ulcerações longas serpiginosas; abscessos; estreitamento da luz; c) espessamento do mesentério: linfangite granulomatosa progressiva; d) fissuras transversais; e) aspecto de pedra calçada.
*microscopia: a)inflamação transmural; físturas e abscessos; b)granuloma sem necrose ou caseificação; c)ectasia e esclerose linfática; d)agregados linfáticos; e)metaplasia e displasia da mucosa.
Complicações: extra-intestinais: colelitíase, amiloidose, cálculos renais, conjuntivite.
Diagnóstico#: infecções crônicas (Yersinia enterolítica, Campylobacter jejuni, TB); RU
Doenças co-existentes: espondilite anquilosante
Diagnóstico:
Endoscopia (retossigmoidoscopia; colonoscopia; gastroscopia); radiologia (rx simples do abdome; exame contrastado do intestino delgado; clister opaco); US (sugerindo estenose das alças comprometidas); Outros exames: anemia microcítica ou megaloblástica; leucocitose; hemossedimentação elevada; trombocitose; hipoalbuminemia; pericolangite;
Tratamento:
*clinico
-Medidas de suporte: repouso no leito; anticolinérgicos (loperamida; difenoxilato; codeína; elixir paregórico); uso de sonda nasogástrica, quando houver suboclusão ou obstrução intestinal; antibióticos, quando dor, febre e leucocitose sugerem presençca de abscesso; suporte emocional.
-Agentes antiinflamatórios e imunossupressores: prednisona; sulfasalazina; metronidazol; 6-mercaptopurina; azatioprina.
-crises graves: alimentação parenteral;
-obstrução: sucção nasogástrica; alimentação enteral; vitamina D, vitamina K, cálcio, ácido fólico, ferro
-vitamina B12 e triglicerideos de cadeia curta quando houver comprometimento ileal e ma-absorção.
*cirúrgico (ressecção): fistulas que não respondem ao tratamento clínico; doença intratável; alívio da obstrução intestinal secundária à estenose, estreitamento ou aderências; perfuração.