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Definição: Síndrome decorrente da diminuição da concentração de hormônios tireóideos livres no sangue ou pela resistência periférica à sua ação.
Classificação:
-primário (tiroprívico): há um defeito ou destruição da tireóide. Caracterizado por TSH↑ T3↓ T4↓; TRH Hiper-responsivo; Representa cerca de 90-95% dos casos.
-secundário: lesão na hipófise; Caracterizado por TSH↓ T3↓ T4↓ TRH Não-responsivo
-terciário: lesão no hipotálamo; Caracterizado por TSH↓ T3↓ T4↓ TRH gradativamente responsivo
Epidemiologia: a doença predomina no sexo feminino;
Etiologia:
-primária: tireoidite de Hashimoto; iatrogênico (após tireoidectomia ou radioiodoterapia); aplasia ou displasia de tireóide; anomalias hereditárias na biossíntese dos hormônios tireoidianos; deficiência endêmica de iodo na alimentação; doenças infiltrativas da tireóide (amiloidose; sarcoidose; linfoma; malignidade); medicamentos que interferem na síntese e liberação dos hormônios da tireóide (amiodarona, iodo, lítio; fenilbutazona; resorcinol; ácido paraminossalicílico).
-secundária: síndrome de Sheehan (infartos da hipófise anterior durante o parto); traumatismo; doenças infiltrativas da hipófise; tumores;
-terciária: tumor; meningoencefalite viral; doenças infiltrativas do hipotálamo.
Quadro clínico:
*no RN: choro rouco; hérnia umbilical; constipação; apatia; diminuição de reflexos; pele seca; Pode resultar em anormalidades do desenvolvimento intelectual e físico (cretinismo). Além disto: digenesia epifisária, com anormalidade dos centros de ossificação (membros curtos, cabeça grande, nariz longo e achatado, olhos afastados e língua grande).
*Na criança, a doença pode provocar déficit de crescimento, pele seca, sonolência, déficit de atenção, constipação, intolerância ao frio, apatia;
*No adulto: intolerância ao frio; sonolência; constipação; diminuição de apetite; pele seca, áspera, pálida e amarelada; edema (inchação nas maos, face ou olhos); pequeno ganho de peso; fraqueza muscular; raciocínio lento; depressão; cabelos e unhas secos, quebradiços e de crescimento lento; queda das pálpebras; queda de cabelos; irregularidade menstrual; infertilidade; galactorréia; anemia; alterações pesiquiátricas; diminuição da libido.
Diagnóstico: T3, T4, TSH, ECG; Rx Torax; hemograma; colesterol; teste de resposta ao TRH.
No recém-nascido, deve ser realizada a triagem neonatal através da dosagem de T4 ou TSH em papel filtro.
Em pacientes com cirurgia prévia, além dos anticorpos, pode ser realizada também a pesquisa do resíduo de tecido tireóideo remanescente através da ultra-sonografia ou da cintilografia de tireóide.
No teste de resposta ao TRH, dosa-se o TSH basal; injeta-se TRH; dosa-se o TSH com 30, 60 e 90’; em caso de lesão na hipófase, o TSH não vai se alterar (2o); em caso de lesão no hipotálamo, o TSH↑ (3o).
Tratamento: reposição por via oral do hormônio tireoidiano (T4).
O tratamento é realizado com Tiroxina (Synthroid, Tetroid, Eutyrox.) em doses calculadas de 1,6 a 2,2 microgramas por Kg de peso corporal no adulto. O controle do tratamento é realizado pela dosagem de TSH. Nos pacientes dislipidêmicos deve ser monitorizado o perfil lipídico (colesterol e triglicerídeos), uma vez que ocorre severa dislipidemia associada ao estado de hipotireoidismo.