sob o signo de gêmeos
** Marcas do que se foi... Sonhos que já dançaram e outras conclusões **




 

 

A Lua

 

Ah, a Lua...

Essa Lua dormente, complacente, demente,

Ardente, atraente, felizmente existe a Lua.

Essa Lua carinhosa, manhosa, melosa, dengosa

Fogosa, misteriosa, deliciosa, maravilhosa Lua.

Essa Lua enamorada, apaixonada, danada,

Prateada, requintada, encantada, amada Lua.

Essa Lua querida, vivida, preferida,

Requerida, refletida, ardida e colorida Lua.

Essa Lua aparência, inclemência,

Apetitosa, ciente, carente Lua.

Essa Lua aparência, inclemência,

Apetitosa, ciente, carente Lua.

Essa Lua apassivadora, salvadora,

Criadora, apoiadora e esmagadora Lua.

É uma Lua sinfonia, maioria, simetria,

Aristocracia, de poesia é feita a Lua.

Essa Lua é amor, dor, calor, clamor, é sempre Lua.

É uma Lua cheia, serena, alheia, nos semeia, Lua !

 

 

Rascunhando

 

Rascunhos, rascunhos

Rabiscados apressadamente

Rabiscos que ganham cor e vida

Transformam a folha nua

Em uma festa colorida

Dinâmica e sincera

Extraordinariamente divertida.

 

 

Bem Te Vi

 

Bem te vi

Te vi bem

Eu bem te vi

Te vi, meu bem.

 

 

Frenesi

 

Água, flores, amor e sol...

Oh ! Inebriante solo espanhol !

Terra de amores, touros e luz

Filhos trigueiros da raça andaluz !

Campos e vales de intensas cores

Frutos cintilantes de incomparáveis sabores !

Castanholas, quente sangue espanhol

Terras sanguíneas do amor e do sol !

 

 

O Velho Palácio

 

Um momento apenas ocorre

Ao meu livre pensar.

Passar-se-á nestas mesmas

Paredes brancas e frias,

Que inspiram um solidão sem par.

Reservatório de tantas vidas,

Sonhos e esperanças acumuladas.

Será o dia em que, oito anos passados,

Despedir-me-ei definitivamente de ti.

À ti, velho palácio encantado,

Devo metade da minha existência,

Metade da minha felicidade,

E daquilo em que me tornei,

As pessoas incríveis que conheci

( Espero jamais esquecê-las ).

Vejo nas alas enormes, vazias,

No repuxo suave de um chafariz,

Passar lentamente minha vida feliz...

 

 

O Peixe

 

Nas águas limpas do aquários

Corre veloz peixinho.

Nas águas turvas do rio

Passeia feliz pardacento alevino.

 

Sob o luxo dos cuidados a ele dispensados,

Sonha no aquário solitário peixinho.
No rio, a vida é intensa.

Ao feioso alevino, juntam-se outros, e outros mais.

 

No aquário, entre as paredes de vidro,

Um peixinho pula, corre sem descanso.

Busca o pobre uma frestinha,

Da liberdade o portal.

 

Divertem-se no rio os alevinos;

Saltam pra lá e pra cá.

A vida é uma festa esplêndida

Onde a liberdade está.

 

Qual será o mais feliz ?

Qual melhor se sentirá ?

O infeliz enclausurado

Ou o outro, livre a nadar ?

 

 

O Pôr-do-Sol

 

Flutua sobre as nuvens a áurea esfera;

Sobre o mar parece pairar,

Lançando sobre a espuma quem vem

A costa saudar

Sua luminosidade sanguínea.

Como nos lábios da fera

Brilha e cintila o sangue

Da vítima recém devorada,

Assim os sanguíneos raios demonstram

Que a brilhante estrela em sua

Intrépida e longa jornada

A Terra já devorou.

Vem por fim beijar o mar,

Despedir-se das ondas num doce cantar,

Neste estranho, mágico, assombroso espetáculo

Que os homens chamam anoitecer.

 

 

Egito

 

Terras férteis em meio ao deserto,

Fecundadas por um gigante soberbo.
Solo onde a luz do passado inda impera,

Brilhantismo construído ao longo das eras...

Ó, filhos do Nilo ! Herdeiros dos faraós !

Onde, onde está tudo aquilo

Que os grandes sábios

Da Antigüidade deixaram a vós ?

Onde está a antiga soberania

Deste povo outrora esplêndido ?

Onde estão as grandes glórias,

Os valorosos guerreiros,

Os precursores da ciência universal ?

Que fim levaram os perfeitos

Construtores, arquitetos,

Geômetras, matemáticos e tantos mais ?

Que fim levou a maior e mais perfeita

Civilização da Terra ?

 

 

Poesia Junina

 

Tocam os atabaques

Na batida do Olodum;

Meu coração tem ataques,

Tremendo lugar comum !

 

Toca o fole o sanfoneiro;

Toca o forró e o xaxado.

Minha cabeça é um celeiro

De sonhos com meu amado.

 

Toca funk, toca disco,

Toca o baixo e a bateria.

No meu olho entrou um cisco

Eu digo não à folia.

 

Toca a música lenta,

Delírios dos apaixonados.

Minha alma não se agüenta

De inveja dos namorados.

 

No centro, dança a quadrilha,

Pares que entram na roda.

Infelizmente, sou filha

De quando pensar era moda.

 

Nas barracas se divertem

Pessoas que se confraternizam.

Quero muito que me enxerguem,

Mas de mim elas não precisam.

 

Cruzam-se os sonhos e as vidas,

Tristezas afloram e se vão.

Os laços se fortalecem

Entre amigos em união.

 

Tornamo-nos como irmãos

Nessas delícias meninas.

Pobrezinhos dos pagãos,

Que não têm festas juninas !

 

 

 

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