sob o signo de gêmeos |
|
|
|
Casa Vazia
A casa está vazia. Vazia ? Tudo nela é vida, Cor, alegria. Mas para a menina A casa está vazia. A ela não importam Os risos, os planos. De que lhe adianta sonhar ? O astro-rei se foi, Foi-se a sua alegria; Sua luz desapareceu. A casa está cheia de vida. Mas para a menina
Nada
importa. Os felizes momentos. Chora amargamente, Terrivelmente sozinha, Na calada da noite. Para ela, a vida morreu, E a casa estará sempre vazia.
Tão Difícil !
Estrela cadente, Longínqua e tão só, Eu tenho um pedido, Um pedido só... Porém em voz alta Não o direi; É coisa tão grande Que só eu sei. Estrela cadente De brilho infinito, Dai-me a solução Da qual necessito.
Quero ajudar-te. Como, não sei. Por toda parte Em pensamento vaguei, E auxílio não encontrei...
Espíritos benquistos, Espíritos de luz, Filho de Maria, Meu doce Jesus, Dizei-me o que fazer ! Cansei-me de percorrer Caminhos vários em vão Esbarrando num problema Para o qual não há solução.
Tempo Curto
Nosso tempo é precioso Corre, voa, se esvai Foge a vida pelos dedos. Passa o tempo ! A vida está se acabando.
Re-Sonhando
"Os tempos mudaram"
Dizem
os senhores do progresso. As mentes mudaram superficialmente. Mas por dentro, lá no fundo, Continuam sonhando Com um mundo Igual ao de antigamente.
Testamento
Quando meu corpo reclamar Pelo infinito repouso, Quando de vagar pelo mundo Eu me cansar, Que seja em uma noite de outono, Com a brisa suave a me tocar. Então minh'alma, nela embalada, Clamará por sua libertação. O mistério do infindável se desfará. Não quero da morte a dor Cobrindo como um véu tudo ao meu redor. Por mim, não desejo ver rolar Nenhuma lágrima. Que nenhum traço de tristeza Se infiltre na alma límpida E no semblante feliz Desses seres que amei. Que as chamas devorem a matéria vã, Vazia e sem razão de ser. Recolham com cuidado as cinzas. Então, é só deixar o vento soprar... Que se espalhem por todos os campos Deste Brasil com que tanto sonhei; Cheguem junto ao azul que idolatrei; Toquem as crianças, esses seres perfeitos, Filhos que eu sempre quis ter,
Em
minhas carícias derradeiras. Os amores perfeitos que inventei em vão. Deixo meus versos, retrato de uma vida Refletida, cheia de meditação. Abram estas páginas, escassas talvez, E através das palavras aqui desenhadas, Leiam tudo aquilo que Não ousei lhes dizer. Apaixonada fui, com ardor Por tudo o que vi; Por todos aqueles com quem convivi. E impossível dizer que não tive um amor... Um poema é pouco Para o muito que tenho a dizer. Nele não cabem Os momentos indeléveis, Os atos perenes, Os dias solenes, Os planos para o futuro, A vontade louca de romper esse muro, As pessoas incríveis que conheci
E
o grande amor que lhes dediquei. Profundo, porém !
Dicionário
Vide vida vide vida Experiência complexa Jamais repetida. Vide tempo vide tempo Foge mais rápido Que o pensamento. Vide mundo vide mundo Aperta-se um botão E tudo acaba em um segundo. Vide gente vide gente Divide-se em dois tipos: Calculista fria e humana quente. Vide amor vide amor Dádiva maior Do Criador. Vide chama vide chama Arde abrasando o coração De quem ama. Vide morte vide morte Angústia do fraco, Continuação do forte.
Andorinha
Andorinha no fio Escutou um segredo. Veio me contar E fugiu com medo. Andorinha, andorinha, Perca o medo agora... Sou tão frágil como tu; A vida, às vezes, me apavora.
Solidão
Solidão de manhã Melhor que a solidão vã De quem se isola do mundo Achando que num estado Profundo de solidão Algo em sua vida vai mudar.
Auto Retrato aos Dezesseis Anos
Nasceu da noite, afilhada da lua Odeia sol Quase tanto quanto odeia Prepotência e guerra Adora flores, animais, poesia Tem na alma um espaço cheio de cores Escondidas e novas Gosta de boa comida, música, primavera Criatura da noite, ama a escuridão Animais noturnos, frio A chuva que fecunda a terra Não tem por costume a fala fácil e atraente Não consegue deixar de gostar À primeira vista Mesmo que o objeto da paixão seja Um besouro Pensa que se deve ser profunda e Arrebatada a cada instante Confia fácil Desilude-se e muda a cada segundo Tempestuosa, deixa-se levar Ainda mais fácil Inconstante, não sabe parar e Perder tempo pensando Detesta hipocrisia e intolerância Acha que nunca será feliz Porque felicidade é satisfação plena E crê que os insatisfeitos Vivem melhor consigo mesmos.
Prenúncio
Não quero passar por esta vida em vão Como a estrela cadente de efêmero brilhar. Quero ser muito mais, como o pássaro azul, Símbolo perene do sonho da liberdade, Que consola os homens com seu doce cantar.
Não quero ser como as águas dos rios, Que apenas correm, sem nada fazer. Que eu seja como o seu leito lodoso, Não tão belo, mas de eterno viver.
Não seja eu como Midas, o rei, Tornado ouro por seu muito poder.
Antes
prefiro o destino de Cristo, Feliz é o simples que o sabe ser.
E então, quando a matéria cansada desintegrar-se, enfim, Ergam à minha memória apenas uma lápide, Na floresta dos homens esquecida, À sombra das frondosas árvores outonais, e lavrem nela: "Foi poetisa, amou - viveu a vida."
Fuga
Solidão absurda Fuga sem razão Mentes insensatas Insanas Verdades incertas Indiscretas talvez Proclamadas aos sete ventos Com a força que o desalento Da solidão nos dá.
Distância
Do que estarão falando ? Meu Deus ! Do que falarão ? Que falta sinto do contato
Dessas
mentes descontentes, Amei-os sem o sentir... Caí em abismo profundo. Agora eis-me a me ferir, Vivendo isolada do mundo.
Verdades
A solidão é quase um ato reflexo; É algo íntimo, complexo, Meditado, premeditado; Hábito meu tão arraigado, Que é-me impossível viver Sem um momento haver Em que sinta essa necessidade De viver tão somente em mim, Dentro da minha verdade, Estrela maior do meu camarim.
Sonhos de Verão
Quando a noite cai, Recostada a pensar, Principio a sonhar E a realidade se esvai...
Corre,
meu pensamento... Corre o mundo, cruza os ares, Encurta distâncias, atravessa os mares. Voa, meu pensamento... Leva-me a todos os lugares Onde eu tanto queria estar. Me leva muito, muito longe... Me faz viajar ! Sonhando, digo às pessoas Tudo o que eu sempre quis; Assim, não é preciso magoá-las
E
consigo viver feliz. Quando sonho, invento histórias Onde há sempre um feliz final. E, em meio a lutas e glórias, Há um alguém especial. Esse alguém escreve-me lindos poemas, Jura-me eterna paixão. Creio mesmo que é parte de mim... Soberbo sonho do meu coração.
Súplica das Almas
Vós que tanto reclamais Dessa existência em que ainda Reina por vez a alegria, Ouve pois esta minha súplica: Este ente que vos fala Há muito abandonou a vida. Venho aqui falar a vós De uma existência sofrida, Tanto em morte Quanto em vida. Vivo, muito pequei; Todos os fazem, bem sei. mas eu ! Muito feri A quem ousou me amar. Os obstáculos que surgiram Simplesmente ignorei. Não procurei superá-los; Erguer-me, não tentei. Optei pelo mais fácil modo: Com minha vida acabei. Eis-me então aqui, Pobre alma banida, Dos seus há muito esquecida, Condena ao eterno vagar Pelo mais mortal pecado: Desprezar o dom da vida. Pago agora todo o mal Nestas trevas sem descanso. Esta alma arrependida No céu não encontrou remanso. Peço-vos que me absolvam, Livrem-me destes grilhões ! Não suporto mais tanta dor... Suplico a vossos corações !
Conselho
Que a mente reflita Sobre tudo o que capta; Que os olhos analisem Objetivamente o que percebem; Que os ouvidos não aceitem Passivamente Tudo que lhes é imposto; Que dos lábios não rolem Palavras insensatas.
O Fosso
Frio, plácido, sereno e firme, És tu, mórbido fosso ! Como podes manter-te assim tão inerte Após as trevas que derramaste Sobre tuas redondezas ? Ah, assassinas águas ! Ah, sórdidas ondulações ! Mantêm-te tão gélida e pétrea Como os teus muros de pedra E as paredes mórbidas Que insensivelmente te cercam ! Ah, terrível paisagem da minha infância ! És tão desprezível e cruel Como o mais bárbaro homicida !
Esperança
Não há mais suave martírio, Não há mais doce prisão Que viver com a ave azul - a esperança Reclusa no coração.
A esperança do cativo De um dia livre sonhar, Enquanto o látego do algoz Seu sangue faz derramar.
A esperança do sertanejo, ave de arribação,
Tranqüilo
a chuva esperando, Morrendo à míngua, em vão.
A esperança do povo, Mantendo-se à custa são, Enquanto vê o governo Acelerando a inflação.
A esperança do amante, Sonhando delírios de amor, Enquanto o amado, impassível, A outro entrega o fulgor.
Não há mais suave martírio, Não há mais doce prisão Que viver com a ave azul - a esperança Reclusa no coração.
O Sonho
Acordei feliz. Feliz ! Completamente envolta Nesta névoa sensível e obscura, Quente e estranha, Envolvente, Que me arrasta Até o mais fundo do ser. Sonhos... Delírios dourados, Mágicos pedaços De sentimentos e sensações, Fusão inebriante
De
esperanças e anseios... Renovadores da vida humana ! Queria eu para sempre perder-me Entre a intensa neblina Do véu da noite...
O Eterno Show
O
show deve continuar. Exasperante e sofrida. O show da cidade Palco de toda loucura e crueldade. O show da dor Sofrimento sem rancor. O show da morte Só o assiste quem tem sorte.
Visão
Era um ônibus sem vida, Numa manhã cinzenta. O velhote o pegou, Subiu, e com suas vestes Maltrapilhas de mendigo, Com um saco sórdido às Costas, no pior banco, como ele Velho, sentou-se. E, engraçado paradoxo, Todos olhavam o velhinho. A moça loura, o rapaz fardado, Homens, mulheres, até mesmo Meu olhar cruzou com o seu. Mas, o mais formidável, Aqueles olhares não eram de dó, Ou de curiosidade. Eram olhares de êxtase, Cheios de admiração. Aquele velhinho era Deus.
Poesia
Escrevo versos como quem morre; Da agonia retiro a rima. Eu faço versos como quem morre; Da dor eu faço matéria-prima.
Outros a dor com asco afastam, Pensando tê-la como inimiga. A mim a dor é que me arrasta; Em minha morbidez ela se abriga.
Estranhos sonhos me varrem a alma... Desespero, lágrimas, noites perdidas. Deles retiro minha fria calma Em companhia de almas vendidas.
Almas vendidas que como eu choram No desvario das horas vazias. Por Deus, queria eu ter um motivo Pra não matar as minhas fantasias !
Negro Futuro
Nas areias de imensos desertos Vem o homem traçando seu rumo. Encerra em seu andar incerto O futuro deste mundo. Do princípio ao fim dos tempos Destruir ele só soube. Será que ainda há tempo De consertar o que nos coube ?
Modernidade
Caminhava um homem Sozinho, livre de seus pensamentos, Pelas areias de grande praia. E achou ! Sim, achou Estranho grão de areia, Diferente dos demais.
Extraordinário
! Absurdo ser assim tão diferente ! Abominação ! Que Insulto à natureza ! Melhor jogá-lo fora, Queimá-lo, ou Enterrá-lo bem fundo, Para que ninguém mais ! Ninguém ! Nenhuma Alma viva se ofenda Com sua presença Infame, hedionda. Odiosa ! E assim foi feito. E o homem Voltou para a cidade Feita em série, Igual a milhões de outras tantas, Onde o esperavam todas As corretas comodidades Do mundo moderno.
Vagar
Noite tão tempestuosa e fria ! Por qual motivo a solidão abunda ? Por que sinto-me eu tão sombria ? Por que esta tristeza que me inunda ? Em cada beco ressoa minha dor, No tormento dessas horas vazias. Nunca o mundo pareceu-me tão sem cor, Nunca a solidão tão profunda ! Por que razão serei eu assim ? Por que este destempero insano ? Por que o mesmo egoísmo frio, Ano após ano ?
Gaya
A vida que se inicia De forma tão bela se faz Como do seio da terra Brotam plantas e animais.
No ventre que se arredonda No berço que se prepara O amor é raiz e semente Do novo ser que gerara.
Assim se celebra a vida Faz-se nascer a esperança Do renascimento da Terra Renovada, Gaya criança.
Daquele Menino
Na curva dos séculos de longe veio Exemplo sublime do humano destino. Pararam todos para ouvir A palavra ardente daquele menino.
Rasguem-se todas as malfadadas vestes; Derrubem por terra as falsas alegrias. Mirem-se o homem e sua cobiça Na humildade daquele menino.
Joguem-se ao alto os horrores da guerra; Ponham-se fora as hipocrisias. Deixem correr o coração à fonte Cristalina e bela daquele menino.
Deitem-se todos aos pés dos humildes; Reconheçam todos suas mentiras. Faça-se ouvir em todos os cantos A voz mais pura daquele menino.
Cuspa-se ao longe o veneno das mentes Que descontentes norteiam o destino. Governe-se o mundo como se deve: Com a ingênua graça daquele menino.
Da Natureza
A beleza da Terra se encontra nas folhas Que tecem nos galhos renda delicada; Se encontra nos céus riscados de pássaros; Nas aranhas que correm em suas teias bordadas.
Nos campos e vales, nas planícies e montes, Estepes, vulcões, pradarias, fontes; Nas éguas que correm ao lado dos potros, Nos leões e guepardos, zebras e elefantes.
Nas espécies extintas havia esse toque Sublime e possante que Ele lhes deu. Arrastadas à ruína pelas mãos dos homens, Que julgam-se a única criação de Deus.
Violar a Terra é violar a vida; É aumentar a agonia de um futuro sem luz. Violar a vida é desejar a morte; É selar para o homem sua própria sorte.
Onipresença
Nas estrelas do céu Ele habita, Em cada riacho faz morada. Vive na flor mais bonita, No cume dos montes tem pousada.
Ele sopra na voz dos ventos, Nas abelhas que nas flores pousam. Na genialidade dos inventos, Nos sonhos daqueles que ousam.
Nos jovens está seu grito, Nos velhos sua serenidade, Nas crianças se encontra seu íntimo, Nos pássaros, sua liberdade.
O Sétimo Selo
No imenso lodaçal deste mundo Não há lugar para bondade ou paixão. Não há espaço para nada profundo. Somos todos templo da solidão.
Não há almas repletas de luz; Não há cores a bailar noa r. Neste abismo de desesperança Só as trevas têm lugar.
Ah, o destino da humanidade Já está para sempre traçado. Todo esforço resultará inútil: Nosso tempo está contado.
Balada Para Um PC Não Tão Careca
Print print print Page up, page down Não há quadro que melhor pinte Essa loucura geral.
Shift, caps lock, Control, esc sem parar. Somos agora robôs; Não há tempo pra pensar.
F5, F9, Não há tempo para amar. Insert, home, delete, Não podemos escutar.
Enter, shift, control, Quero o mundo controlar. Alt, tab, caps lock, Graça não mais haverá.
Apertamos parafusos; Nos impele a engrenagem da vida. Estamos todos confusos, Neste país sem medida.
Vozes do Silêncio
Senhor, Hoje te ouvi na voz dos ventos. Ouvi tua voz No pulsar de muitos corações. Senti teu respirar No murmúrio suave de outros pulmões. O jogo suave das estrelas No céu formava o teu nome. E, Senhor, eras O tudo e o nada, O simples e o maravilhoso, O princípio e o fim, A mola mestra da vida. Em meio às trevas, Lá estavas, Senhor, Como a lembra-me De que a humanidade inteira Está em ti, e estás nela, Tornando indissolúveis nossos laços, Entrelaçando nossas vidas Em teias tão complexas e delicadas Como não as faria A melhor das tecelãs da Terra.
Prece
O meu destino em ti está, Como em ti se encontra meu passado. Tudo o que tenho sempre foi teu, Como teu também é tudo o que me falta.
Governas minha vida, como Me concederás a morte: Ao leme, em mar revolto, Ou tempo de bonança.
Cruzas comigo os caminhos dessa Terra Pela boa estrada que trilhastes. Ou, ao redor do nada. Guias meus passos no limiar do abismo.
Passas como o sangue corre em minhas veias, Suave, claro, além da insensatez do corpo. Agarras no meu pulso e carregas minha dor Assim como na alegria brinda-me com sua taça.
Teu puro amor é que me faz mover Minha vontade em direção à ti. Quero seguir-te, brilhar em teu seio, Na eternidade meu sonho cumprir.
Fonte
Deixa nascerem em ti As cascatas puras do amor; Deixa fluírem as águas Para o mar que são teus irmãos.
Deixa correr a fonte
Da
vida na imensidão. Que percorrem teu coração.
Deixa brilhar no escuro
A
luz da estrela maior. Na paz do tempo que vai.
Deixa que a lua ilumine Tua trilha a caminho do céu. Deixa que o broto floresça Em meio ao sal e ao mel.
Deixa correr a fonte Da vida na imensidão; Deixa serenos os rios Que percorrem teu coração.
Em Tempos de Paz
Rolavam as ondas em tempos de paz; Dos mares a sorte aos homens sorria. Nas areias da praia vagavam seu canto De amor, de profunda magia.
Murmuravam as árvores em tempos de paz; Dos galhos, cascatas de luz se filtravam. Nascia nas folhas a seiva e o canto Das veias pulsantes se derramava.
Sopravam os ventos em tempos de paz, Semeando a vida no seio da Terra. Cresciam em força e maravilhavam O mar e a montanha, as ondas e a serra.
Fervilhava a terra em tempos de paz, Festejando a boa semente plantada. Em tempos de paz renasciam os sonhos Da humanidade, revigorada.
O Rio
Esperança Serena
Da esperança vem as flores
Esperança que nos guia
Do Amor e da Fé
A fé é uma coisa engraçada
Para Não Desistir
Razões para a vida
Dois Mundos
Vento
Ressurge a beleza
Aos Meus Trinta e Um Anos
Ah, vem a chuva enfim, serena,
Depois
da Tempestade
|