sob o signo de gêmeos
** Marcas do que se foi... Sonhos que já dançaram e outras conclusões **




 

 

Carta a Um Distante Amor

 

Saiba que ainda que voem as primaveras,

Ainda que eu morra secular,

O vento do esquecimento não vai apagar teu nome.

Não, não te esquecerei.

Não esquecerei meu amor jogado ao vento,

Meu coração em desalento

E as lágrimas que derramei por ti.

Por um desejo irresistível

( Amor impossível ! )

De te amar e te amar. Amar...

Por um sonho de criança ainda vivo na lembrança;

Porque um dia te amei,

Em sonhos te chamei,

E chorei, chorei...

Nos meus sonhos contigo, eras meu amigo,

Eras meu príncipe, eras meu rei,

Eras meu parceiro, meu cavalheiro, meu dono...

Porém, de que adiantaram os sonhos ?

Me deixaste em abandono !

Foste embora com outra, deixaste-me louca !

Depois voltaste, arrependido do que fizeste,

E eu te aceite, te amei,

Me entreguei com todas as forças que tinha.
Era novamente a tua rainha !

Tão pouco tempo faz !

Ao meu lado tu não estás mais.
Partiste para não mais voltar,

Meses atrás, quase três.

Eis-me sozinha outra vez...

 

 

 

Eu e Você

 

Eu, sua eterna paixão

Você, meu maior tesouro,

Nós dois, meu amor, somos

Um só coração.
Da harmonia mágica de nós dois

Sobra sempre pra depois.

E é aí que a Matemática

Se contraria,

Pois quem dá não perde, ganha,
E essa nossa façanha,
Que é esse amor eterno,

Seja verão ou inverno,

Continua a cada dia.

 

 

Enigma

 

Adivinhem quem sou:

Sou a luz que

Está em Jesus;

Estou em você.
Estou nas canções dos amantes,

Nos coração dos estudantes.

Estou sempre nos amigos,

Provoco às vezes perigos.

Nem sempre sou alegria,

Me renovo a cada dia.
Muitas vezes trago a dor...

Quem sou eu ? Ora !

Eu sou o Amor  !

 

 

O Amor

 

Ah, o amor...

O amor é uma experiência; é alegria,

É dor, uma doce vivência.

O amor é uma canção

Vibrando no coração.

Amar é cantar, é sonhar,

É saber perdoar.
Amar é querer, é sofrer, é viver.
Amar é ter esperança,

É voltar a ser criança.

Amar é saber ceder,

Amar é saber perder

( se é que no amor há perdas... )

Acima de tudo, amar é saber

Que além, muito além,

À sua espera existe

Alguém.

 

 

A Um Certo Alguém

 

Ah ! Que tormento ter quinze anos

Sem nunca haver sentido

Em meus lábios

O roçar dos lábios teus...

Ter quinze anos

Sem jamais haver sentido

O teu fogo a me queimar,

Tua pele suave a me tocar...

A dor de saber

Que nunca serás meu

Me devora e me destrói

A cada dia.

Porque a vida é tão injusta ?

Porque nosso amor é proibido ?

 

 

Poemeto

 

Meu coração vagabundo

Andando pelo caminho

Entrou no teu olhar

E achou um berço de carinho.

 

 

Procura-se

 

Procuro um coração solitário

Para com o meu se juntar.

Não precisa ser muito grande;

Basta saber amar.

 

 

Romantismo Já !

 

O que houve com o romantismo ?

Em que paragens distantes

Perdeu-se o amor ?

Hoje em dia é tudo tão triste

E cheio de anti-lirismo !

Nos falta emoção; falta cor.

Deus, ó Deus !

Onde está o amor ?

 

 

Continuo a Esperar !

 

Alguém continuo a esperar

Alguém muito especial

Para saciar minha sede de amar

Fazer minha felicidade total.

 

 

Mudança

 

Era uma casa branca de varanda

Hoje é uma quitanda

Que me faz lembrar você.

Nela, se vende de tudo

Até mesmo um bem querer.

 

 

Prisioneiro do Amor

 

Meu amor quando se cala

Fala mais que um pensador

Pensador quando se cala

Não se iguala ao meu amor.

Quando meu amor fala,

Meu coração se abala,

Voa mais que um sonhador.

Embalado em doce delírio,

Fica frágil como a flor,

Dominado pelo torpor,

Pelo suave martírio

De ser prisioneiro do amor.

 

 

Dinheiro Não é Tudo

 

Diz pra eu ficar muda

Me mostra o vil minério

Dê-o quem precisa

Não se torne avaro e sério

Dinheiro nunca trouxe

Felicidade a ninguém

É certo que ajuda

Mas basta o que a gente tem

Preciso só de você para viver

E como eu o quero !

Longe do teu fascínio

Eu vou de mal a pior

Vem com teu sorriso lindo

Fazer a vida bem melhor.

 

 

Nos Vales de Minas

 

Amor, agradeço-te.

Dias sublimes passei em tua companhia.

Entre campos, vales e perfumes naturais,

Amei-te como nunca amei outro ser.

Enfeitaste o lugar com tua presença,

Tornaste tudo mais bonito e mais perfeito,

Como que tocado por mãos de outro planeta.

A vida pareceu-me mais bela;

As flores tinham novas tonalidades.

Meu coração ternamente pulsava,

Aguardando a hora de te ver.
Comigo caminhaste, riste, brincaste.

Velei teu sono como um anjo da guarda,

Como o guardião

Do mais intocável tesouro.

E tu, meu talismã,

Sequer desconfiaste da minha paixão.

 

 

Delírio do Impossível

 

Amor... Sublime amor...

Quem dera pudesse eu ter sempre em mim

A perpétua sinfonia do teu espírito...

Quem dera pudesse ter em meus ouvidos a tua voz,

Todas as horas do dia, todos os dias do ano...

Quem dera eu pudesse para sempre repousar

Minhas mãos em teus cabelos...

Quem dera pudesse ter frente aos meus olhos

Somente e eternamente os olhos teus !

Quem dera tivesse a graça de encantar-te

E arrebatar-te o coração !

Como o mundo pareceria tão cheio de luz e calor,

Se chegasses junto a mim,

Tomasses minhas mãos nas tuas

E dissesses: "Vens comigo..."

Caríssimo, eu o amo tanto !

Quem dera pudesse ter-te sempre ao meu lado,

Enquanto vida houvesse, e, uma vez separados

Da matéria, nossa essência se fundisse em uma só !

Meu Adônis, quem dera eu pudesse ousar

Dizer-te o quanto eu o quero !

Meu belo Narciso...
Como o quero junto de mim !

 

 

A Procura

 

Procuro alguém

Alguém para quem eu seja tudo.
Alguém com quem eu seja

Capaz de viver o dia a dia.
Alguém que me realize,

Que me faça mulher,

Que me faça melhor.

Alguém que eu ame sobre todas as coisas.
Alguém que comigo compartilhe tudo,

Tudo o que é seu,

E com quem eu possa dividir

A minha vida e os meus amigos,

Que são poucos, porém sinceros.

Alguém que ame as flores, a natureza,

Que ame a arte e a beleza;

Não a estética, mas a interior.

Que não seja necessariamente um Adônis,

Mas que me faça amá-lo tanto

Que a meus olhos assim pareça.

Alguém que, como eu,

Traga um enorme vazio no peito

E esteja disposto a enchê-lo de muito amor.

Alguém que me jure amor eterno,

Que me escreva cartas e poemas,
Que creia em amor e amizade.

Que assuma o compromisso enorme

De amar as pessoas que eu amo

E fazer-se amado por elas.

Alguém que ria comigo

Quando eu estiver triste

E respeite minha dor

Quando eu estiver triste.

Que tenha defeitos,

Como eu os tenho,

Mas que busque sempre exterminá-los.

Que seja sensível e gentil.

Humilde sem ser servil.

Sábio, sem ser arrogante.

Que seja carinhoso e compreensivo.

Que saiba cuidar de mim...

Que saiba sonhar,

Sem viver nas nuvens.

Que seja sério, mas que também

Seja capaz de brincar.

Que não seja impetuoso,

Mas que saiba me amar.

 

 

Lembrança

 

Vento... Luz...

A brisa suave e primaveril

Toca meus ouvidos

Em deliciosas carícias...

Lembro-me de ti.

A brisa fresca e calma

Envolve-me como um manto esplendoroso

De ternura e, sussurrando em meus ouvidos,

Como jamais sussurraste,
Faz-me sentir fundo em meu ser

A tua ausência.
E como me fazes falta !

Caríssimo, queria eu ter a graça

De ter-te eternamente ao meu lado,

Eternamente juntos,

Corpos fundidos numa só escultura

- Amor e Êxtase -

Mármore primoroso de um grande artista,

Obra-prima e definitiva de um Michelângelo,

Expressão máxima renascentista.
Oh, amor ! Que falta fazes em meu ser !

Como é triste esta tarde dominical,

Como tudo é tão triste sem a tua presença

Calma, firme, envolvente !

Como queria eu enlaçar-te para sempre em meus braços,

Para a eternidade amar-te,

Como os antigos amavam os deuses !

 

 

Despertar

 

Hoje a aurora pareceu-me mais sublime;

O azul nascente do céu tornou-se mais suave.

O perfume do amor invade cada recanto,

Força a passagem, penetra à força

E a cada dia me faz mais ébria e mais feliz.

 

 

 

A Ausência

 

Ela despertou,

O sol tocando seus olhos cansados

Como dedos aveludados de amante insaciável.

Sorriu. Ele virá.

A certeza pouco a pouco invade seu ser,

Implode, explode e se expande,
Dopando seus sentidos num

Delírio enevoado e rubro.

Ela se enrosca no lençol macio e

Fino como a haste de uma

Flor e sorri.

Sim, ele virá.

Levanta espreguiçando a pele

Doce e úmida de pêssego maduro.

Brinca com os cabelos cheios

De cachos de mel.

Sim, sim, ele virá.

Passa a manhã a rolar e a

Rir como uma criança

Louca, livre e solta.

Ele virá. Virá. A palavra

Ecoa em seus ouvidos, embriaga-lhe

O espírito, e ela sorri.

O sol passei pelo céu ardente,

Neste dia quente como jamais se viu.

Borboletas sutis flutuam

Mansa e ondulantemente no imenso

Mar de flores ao seu redor.

E ela olha enternecida e canta,

E muito se espanta

Deste vai-e-vem.

A tarde voa numa brisa limpa e ela

Se ilumina no sol a se por.

Séria fica, como num quadro

Renascentista e belo,

Doce anjo de Rafael !

Para, assustada, e se senta então.

Súbito, seu olhar se desanuvia, e ela

Volta à sua brincadeira de revolver

A vida na areia do chão.

A noite chega como um sussurro

Rápido, seguro, reto ao coração.

Ela se espanta dessa ausência e cala,

Vívida se abala e tremula,

Como uma chama na escuridão.

As trevas cercam seus olhos de fogo

E eles se apagam em muda lamentação.

Lentamente a certeza volta e ela

Se divide em duvidar ou não.

E compreende então como

Foi que tudo se passou.

O deus esteve sempre ao seu lado,

Culpa dela ! Não haver sentido

A suave presença

Desse corpo molhado e forte,

Delineado de ilusão.

Mas amanhã ele virá.

Somente para seu deleite e para

Os olhos seus. Ele virá.

Sim, ele virá, na esteira da aurora,

Embalado pela luz sincera

Do amor que não se deu.

E ela terminou o dia

Com a certeza ardente, pulsando

Em seu peito como um novo ser

Que ainda não nasceu.

E embalada neste pensamento,

Esqueceu a dor, a angústia e o sofrimento,

Deitou com as palavras

E adormeceu.

Ele virá.

 

 

Eco

 

Sinto em mim,

Lúgubre e sombrio,

O desafio de Eco

A repetir o vazio,

Enquanto o Deus,

Este estranho frio,

Tal qual Narciso

Em devaneios perdido,

Faz-me sentir

A impotência da ninfa,

Que sofre, esforçando-se

Em dizer ao orgulhoso amado

O quanto o ama...

E tenta, e mais sofre !

De suas entranhas somente saem

Repetições sem sentido,

Ecos vãos e melancólicos,

Como os murmúrios da minha paixão.

 

 

Canto do Muito Querer

 

Não, não quero mais.

Não quero mais vagar por estes mares

Como uma criança náufraga,

Náufraga e frágil,

Que se agarra ao bote salva-vidas

Na esperança de que ele a proteja

Dos absurdos do mundo.

 

Não, não quero mais.

Não quero mais andar sem pouso certo,

Como um pássaro cego

A quem, por pura pena.

Aprisionaram em uma gaiola

E trataram como se sua pobre vida

Disso dependesse.

 

Não, não quero mais.

Não quero mais ser uma algema atada

Com firmeza ao pulso de quem amo,

A quem arrasto comigo

Ao fundo de minhas mágoas,

Como se o meu próprio passado

Tivesse ele obrigação

De carregar.

 

Não, não quero mais.

Não quero mais que o peso das minhas culpas

E o jogo inconsistente das minhas dúvidas

Se transformem em armadilha

E veneno letal que corroerá

E destruirá sem piedade

O que tenho de mais precioso e belo:

O meu amor.

 

Não, não quero mais.

Não quero mais causar o tédio

A quem amo e tanto me quer feliz,

Não quero mais trazer tristeza e dúvida,

Não quero mais trazer comigo

O caro preço do constrangimento.

Não, não quero mais ser uma obrigação,

Uma pálida sombra, um espectro,

Esse fantasma de mim mesma

Que se arrasta através dos dias.

 

Não, não quero mais.

Não quero mais o tormento das noites insones,

Não quero mais a tortura das lágrimas,

Não quero mais pensar e pensar

As mesmas coisas velhas e mofadas.

Não quero mais me deixar enganar

Pelo que dizem, pelo que acham,

Pelo que julgam ser o certo e o errado.

 

Não, não quero mais

Fingir, mentir, me esconder.

Não quero mais esta máscara

De eterna Pollyanna.

Não quero mais este ar babaca

De felicidade eterna e inabalável.

Não quero mais ser aquela

Que a todos consola e levanta,

E, no entanto, deixa-se afundar

Cada vez mais, cada vez mais fundo.

 

Sim, eu quero a felicidade eterna,

Sim, eu quero entender e consolar,

Sim, eu quero amar com todas as minhas forças,

Sim, eu quero ser fonte de orgulho para quem amo,

Sim, eu quero vidas ao lado da minha,

Sim, eu quero a felicidade plena,

Inesgotável, infinita.

Mas que seja verdadeira,

Que brote de dentro,

Que brote do peito,

Felicidade de quem não prende,

Quem não arruína, quem não aborrece,

Quem não entedia, quem ama e não exige,

Quem quer mas entende,

Quem vive a vida do outro

Vida ao lado de outra vida,

Vida dentro de outra vida,

Mas que não deixa de ser único,

Ser feliz consigo,

Ter também sua própria vida,

Rica, exclusiva, bela,

Porque vida é sempre vida,

E vida verdadeira não é prisão,

Mas razão de liberdade.

 

 

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