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A medicina passou por uma grande revolução na última
década. Enquanto o Projeto Genoma, as invenções do
Prozac e do Viagra e os transplantes milagrosos
preenchiam as manchetes, descobertas simples e de
grande impacto transformavam a maneira como os médicos
tratavam os problemas de saúde e tentavam evitá-los.
Foi preciso que surgissem medicamentos para alguns dos
males que mais atacam a humanidade - hipertensão,
derrame, diabete, depressão - para perceber que esses
problemas podem ser curados antes mesmo que apareçam,
e sem precisar de remédio nenhum. "Até então, os
médicos esperavam a doença surgir para depois
medicá-la. Hoje, os profissionais de saúde estão mais
preocupados em promover saúde do que eliminar a
doença", afirma o médico Victor Matsudo, do Centro de
Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São
Caetano do Sul (Celafiscs), em São Paulo.
O que causou essa mudança? "Foi uma evolução natural
da medicina", diz Michael Pratt, chefe da divisão de
atividade física e nutrição do Centro para o Controle
e Prevenção de Doenças (CDC), nos Estados Unidos. As
doenças que mais preocupavam há 100 anos eram
infecções como poliomielite, tétano ou sarampo e foram
drasticamente reduzidas com a utilização de vacinas e
antibióticos. Por outro lado, doenças decorrentes do
estilo de vida atual subiram ao topo do ranking entre
os agentes que mais matam, não importa a origem ou a
classe social.
"Descobrimos que prevenir as doenças crônicas é muito
mais fácil do que imaginávamos", afirma Pratt. Não é
preciso ser nutricionista para ter uma alimentação
adequada, nem esportista profissional para ter boa
aptidão física. Na verdade, os melhores resultados
requerem muito pouco esforço e precisam apenas de
medidas que faziam parte do nosso dia-a-dia há algumas
décadas, mas que o estilo de vida na sociedade
pós-industrial tratou de eliminar. Ao mesmo tempo, a
importância da ingestão de remédios está sendo
revista. Percebeu-se que utilizar medicamentos, em
muitos casos, faz mais mal do que bem.
Nas páginas a seguir você verá qual é esse novo
retrato da medicina. Se tudo der certo, é possível que
os remédios e curas espetaculares que aparecerão nas
próximas décadas não impressionem mais ninguém. O que
chamará atenção é o fato de alguém ficar doente.
Apesar da evolução dos medicamentos, existe um outro
lado das lições de Paracelso que tem ganhado cada vez
mais importância. Ele dizia que a diferença entre um
remédio e um veneno é a quantidade que se toma.
Pesquisas recentes mostraram o quanto ele estava
certo. Descobriu-se, por exemplo, que nosso corpo é
muito sensível a alguns metais. Sabe-se agora que o
limite de chumbo que uma pessoa pode carregar no corpo
humano é quatro vezes menor do que se acreditava há 20
anos. Uma reavaliação drástica ocorreu também com o
mercúrio, o que levou à retirada das farmácias de
curativos como o Merthiolate e de outros remédios que
eram administrados sem critério a crianças até há bem
pouco tempo. As descobertas também levaram a uma maior
preocupação com a poluição ambiental, uma vez que a
absorção desses componentes maléficos ocorre, muitas
vezes, por água contaminada.
Da mesma forma, ficaram cada vez mais claras as
conseqüências do uso incorreto de remédios. Uma
pesquisa realizada na Universidade do Texas, no ano
passado, com 307 pessoas com danos graves no fígado
mostrou que 35% dos casos estavam associados ao uso
excessivo de paracetamol, o princípio ativo de
analgésicos como o Tylenol.
Os médicos sempre souberam que essa substância libera
subprodutos tóxicos que devem ser metabolizados pelo
fígado e que, se ingerida em excesso, pode danificar o
órgão. O que surpreendeu foi a quantidade de pessoas
que a ingeriam sem controle. "Não há remédio que possa
ser tomado em grandes doses. Cada um tem seu efeito
tóxico", afirma o clínico-geral Flávio Dantas, da
Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Analgésicos e antiinflamatórios, tomados em excesso,
causam danos renais. Tranqüilizantes, por sua vez,
podem gerar dependência.
O uso indiscriminado de medicamentos pode causar danos
tão graves quanto os males que eles deveriam prevenir.
"Proteger demais o organismo pode desequilibrá-lo",
diz Flávio. Sabe-se, por exemplo, que o uso de
antibióticos para tratar infecções durante os
primeiros seis meses de vida aumenta a probabilidade
de asmas e alergias. Há também evidências de que
indivíduos que crescem em ambientes excessivamente
higienizados e com pouco contato com outras pessoas
têm maior probabilidade de ter asma, diabete tipo 1 e
esclerose múltipla.
O QUE FAZER?
Usar o mínimo de remédios necessário. "Quanto menos
medicamentos tomarmos, melhores serão as implicações
para a saúde", afirma o toxicologista Anthony Wong, do
Hospital das Clínicas, em São Paulo. Essa receita vale
até para os suplementos vitamínicos. As substâncias
que eles contêm são, sem dúvida, úteis para prevenir
centenas de doenças, mas não há comprovação de que uma
dose extra seja necessária. "Uma dieta normal é
suficiente para suprir todas as necessidades diárias
de vitamina", diz Anthony. Existem pesquisas que
indicam que essas pastilhas suprem algumas
deficiências e diminuem o risco de doenças cardíacas,
mas, do outro lado, estudos apontam que o excesso de
vitaminas pode levar a males que variam da anemia até
a danificação de genes. Na maioria dos casos, tudo o
que os suplementos fazem é encarecer a urina: o rim
filtra as substâncias que sobram e as elimina.
"Remédios só devem ser receitados por médicos", afirma
Flávio Dantas. Mesmo assim, deve-se evitar um número
enorme de medicamentos. "O médico deve dar chance para
a pessoa resolver o próprio problema. Há pacientes que
chegam tomando 20 ou 30 pílulas e saem com duas ou
três, que resolvem o essencial", diz Antonio Carlos
Lopes, chefe da disciplina de Clínica Médica da
Unifesp. O importante é prestar atenção ao que
acontece com seu corpo e não superprotegê-lo. Perceba
quais sintomas são normais e procure um médico se
sentir uma dor diferente, com duração ou intensidade
maiores.
Continua valendo a orientação de check-ups anuais para
mulheres acima de 45 anos e homens acima de 40 anos. O
que mudou foi a importância que a família tem nessa
questão. "A avaliação e a abordagem das doenças mudam
de acordo com o histórico de cada um", afirma Antonio
Lopes. Se a família possui uma tradição de problemas
como colesterol alto ou alguns tipos de câncer, os
testes devem ser feitos ainda antes. A medicina já
evoluiu a ponto de ver diretamente no código genético
a propensão a determinadas moléstias. "Já foram
identificados os genes responsáveis por mais de mil
doenças, como cânceres, males neurológicos e
psiquiátricos", afirma a geneticista Cassandra
Corvello, coordenadora do Centro de Genética Molecular
do Laboratório Fleury, em São Paulo. Existem testes -
que ainda custam milhares de reais - que identificam
muitos desses males e, dentro de alguns anos, é
possível que a lista de doenças com um diagnóstico
genético inclua também diabete, problemas cardíacos,
mal de Alzheimer, esquizofrenia e depressão. "O teste
apenas indica um fator que aumenta certos riscos. O
desenvolvimento da doença depende de como a pessoa se
comporta ao longo da vida", diz Cassandra Corvello.
E SE NADA DISSO FUNCIONAR?
O que fazer com aquela dor de cabeça, insônia ou
cólica que aparece todo mês e incomoda, mas não
justifica uma ida ao médico ou ao hospital? Para os
clínicos, casos como esses são suficientes para que se
tome um remédio conhecido - e de venda livre - que
resolva o problema, com o cuidado de ler a bula e
verificar a freqüência com que ele deve ser ingerido.
"A automedicação funciona para problemas crônicos
simples, mas deve ser feita de forma consciente,
depois que o paciente foi informado que aquela é a
solução para seu problema", diz Flávio Dantas. É
evidente que remédios com tarja vermelha só devem ser
administrados com orientação profissional.
É recomendável, no entanto, buscar outras soluções.
"Às vezes, os remédios só disfarçam os sintomas. Uma
água de coco ou uma laranja podem bastar para resolver
o problema", diz Antonio Lopes. A receita varia de
acordo com o mal. "Para insônia, por exemplo, o melhor
remédio é meditação", diz Anthony Wong.
Futuro
UM COMPRIMIDO COM O SEU NOME
A indústria farmacêutica está tentando transformar
três dos acontecimentos mais marcantes da última
década - a proliferação do vírus da Aids, o mapeamento
do genoma humano e o desenvolvimento da informática -
em ótimas notícias para os pacientes. A tentativa de
eliminar o HIV deu aos cientistas informações
detalhadas sobre como funciona o sistema imunológico e
novas perspectivas de vacinas. Com isso, é possível
que nas próximas décadas surjam formas de se imunizar
contra o vírus ebola, a tuberculose, a malária,
tumores, alguns tipos de câncer e até doenças
cardíacas (o acúmulo de colesterol nas artérias pode
ter origem em uma inflamação causada por bactérias).
Já existem empresas que mapeiam o genoma de qualquer
pessoa por algumas centenas de milhares de dólares.
Quando o método baratear, será possível obter o perfil
genético não só de cada paciente como também do vírus
ou bactéria que o infectou. "Os medicamentos de hoje
são um sucesso para alguns pacientes e um fracasso
para outros. No futuro, eles serão projetados de
acordo com o perfil do paciente", diz o clínico-geral
Antonio Lopes, da Unifesp.
Na hora de ministrar os remédios, chips microscópicos
implantados no organismo poderão distribuir os
medicamentos na hora, na dose e no local exato em que
sejam necessários. Já existem vários protótipos em
teste, mas ainda há dificuldades a serem superadas,
como a garantia de que eles funcionarão sempre e não
serão rejeitados pelo organismo. |
Nutrição
COMER BEM COMO ANTIGAMENTE
O Brasil está se tornando muito semelhante aos países
desenvolvidos, não na distribuição de renda ou nos
serviços sociais, mas nos hábitos alimentares. Além de
beliscar salgadinhos diante da televisão e almoçar
fora de casa, o brasileiro mudou sua dieta - e para
pior. O tradicional prato feito de 10 ou 20 anos atrás
- arroz, feijão, carne, ovo e verduras - deu lugar a
variações menos saudáveis, como salgadinhos, tortas,
biscoitos, frituras, empanados e sanduíches. "As
porções de produtos com muita gordura ou açúcar também
aumentaram", afirma a nutricionista Ana Maria
Lottemberg, do Hospital das Clínicas, em São Paulo. O
saquinho de pipoca da porta do cinema se transformou
em um enorme balde e as garrafas de refrigerante
dobraram de tamanho. Em São Paulo, por exemplo, a
dieta da população é composta de cerca de 40% de
gorduras, uma taxa semelhante à dos Estados Unidos e
muito acima da recomendada. "O brasileiro trocou o
arroz e feijão - que equilibra as proteínas de origem
vegetal e é uma boa fonte de fibras, ferro, minerais e
outros nutrientes - por carboidratos simples e
gorduras", afirma a engenheira agrônoma Elizabeth
Torres, da Universidade de São Paulo (USP). A troca
faz sentido sob o ponto de vista do prazer da
refeição: gorduras são mais gostosas e melhoram a
textura dos alimentos. O problema é que, assim como as
comidas, a barriga do brasileiro também ficou mais
adiposa.
"Estamos em uma fase de transição da desnutrição para
a obesidade", afirma Ana Maria Lottemberg. Cerca de
23% das mulheres e 17% dos homens brasileiros já são
considerados obesos, e esses índices crescem
rapidamente, acompanhando uma tendência internacional.
"A obesidade é uma epidemia mundial. Assim como os
ricos, há uma enorme massa urbana pobre nos países em
desenvolvimento que é obesa", diz Michael Pratt, do
CDC.
Junto com o peso, aumentou a incidência de doenças
como hipertensão arterial, excesso de colesterol e
diabetes. O que caiu foi o astral dos que se enquadram
nesses problemas. Está cada vez mais clara a relação
entre obesidade e problemas psicológicos,
especialmente em menores de idade. Uma pesquisa
realizada esse ano na Unifesp mostrou que 80% dos
jovens acima do peso apresentavam sintomas de
depressão, contra 21,7% daqueles que tinham o peso
normal. "Crianças obesas têm mais vergonha de si
mesmas e estão mais sujeitas a gozações por parte de
seus colegas. A conseqüência é que elas tendem a se
isolar socialmente", afirma o pediatra Oded Bar-Or, da
Universidade de McMaster, no Canadá, considerado um
dos maiores especialistas mundiais em atividade física
para adolescentes.
O QUE FAZER?
Um bom passo é tentar voltar à dieta brasileira
tradicional. Se você já esqueceu o que comíamos há
duas décadas (ou não consegue mais viver sem biscoitos
recheados e nuggets crocantes), equilibre suas
refeições da seguinte forma: 55% de carboidratos, 30%
de gorduras e 15% de proteínas. "A melhor dieta é a
variada, com alimentos de todos os grupos", diz
Elizabeth Torres. Como regra geral, as substâncias
vegetais que trazem benefícios à saúde são as mesmas
que dão cor aos alimentos, então deixe seu prato tão
colorido quanto um destaque de carro alegórico. Tente
também diminuir o intervalo entre as refeições. Ao
menos em teoria, essa medida faz você comer menos.
Outra dica é antecipar as refeições - o organismo
gasta menos energia à noite e a acumula na forma de
gordura. "O ideal é ter café da manhã de rei, almoço
de príncipe e jantar de plebeu", diz Elizabeth Torres.
A pior heresia alimentar é comer e ver TV ao mesmo
tempo. "Pessoas diante da televisão não percebem o que
estão comendo e ficam espantadas quando informamos o
quanto de alimento elas ingeriram enquanto viam os
programas", afirma Oded Bar-Or. Além de distrair o
espectador, a televisão estimula a ingestão dos
alimentos errados. Uma pesquisa realizada na USP, em
setembro, mostrou que 25% dos comerciais
televisionados eram de produtos alimentícios e, dentre
as comidas que eles promoviam, 57% tinham altos teores
de gordura ou açúcar. O mal à saúde que esses anúncios
causam fez a União Européia estudar restrições -
semelhantes às impostas aos cigarros - a propagandas
de bebidas açucaradas e de fast-foods dirigidas a
crianças.
E SE NADA DISSO FUNCIONAR?
Apesar de não ser tão difícil manter uma dieta
saudável, a correria das cidades nem sempre permite
equilibrar os alimentos da forma correta. A ótima
notícia é que explodiram em todo o mundo pesquisas que
afirmam que certos alimentos, além dos nutrientes,
possuem substâncias especiais capazes de prevenir
doenças e melhorar a saúde. Não são capazes de evitar
doenças quando elas já se manifestaram, mas, se
tomadas na dose certa, diminuem bastante a chance de
que elas apareçam. Veja abaixo alguns desses
alimentos:
Tomate - contém licopeno, um poderoso
antioxidante que ajuda a combater cânceres como o da
próstata. Outra boa fonte desse composto é a melancia.
Óleo de Canola - rico em ômega 3, um tipo de
gordura que ajuda na coagulação, evita trombose e
reduz moderadamente os triglicérides. A substância é
também encontrada em peixes de água fria, como o
salmão.
Castanha-do-Pará - é um dos alimentos mais
ricos em selênio, que reduz o risco de cânceres como o
do pulmão e o da próstata.
Brócolis - assim como a couve e o repolho,
possui um grande estoque de fitoquímicos capazes de
diminuir o risco de câncer de cólon e de mama.
Cenoura - contém betacaroteno, que retarda o
envelhecimento da pele e reduz o risco de câncer.
Cereais - são riquíssimos em fibras, que melhoram o
trânsito intestinal e regulam o colesterol e a
glicose, além de dar a impressão de saciedade.
O essencial é conhecer cada comida e investir naquelas
que previnem as doenças que mais atacam na sua
família. É preciso, no entanto, ter em mente que
nenhuma delas garante sozinha uma boa alimentação.
"Não existem alimentos milagrosos. Uma dieta
balanceada garante mais benefícios do que qualquer um
desses ingredientes", diz Ana Maria Lottemberg. Além
disso, muitos desses alimentos têm gorduras que, em
excesso, fazem mais mal do que bem.
Futuro
A PÍLULA ANTIGORDURA
Um dos sonhos dos cientistas é conseguir fazer com a
comida o que os anticoncepcionais fizeram com o sexo:
separar o prazer de suas conseqüências biológicas. O
objetivo é encontrar compostos capazes de transformar
em calor a energia extra adquirida na alimentação e
evitar que ela se acumule no organismo. Já foram
identificadas algumas substâncias químicas com
características promissoras, mas quase todas com
graves efeitos colaterais ou impossíveis de serem
utilizadas em remédios. Existem, no entanto, alguns
medicamentos em teste e não é impossível que essa
pílula surja nas próximas décadas. Não saia correndo
para o rodízio: mesmo que isso aconteça, ela ficará
restrita ao tratamento de obesos mórbidos até que
prove ser 100% segura para ser utilizada por qualquer
pessoa.
Exercícios
ATIVIDADE MÍNIMA
Você faz, há 20 anos, o mesmo exercício para melhorar
a saúde? Continue fazendo, mas esqueça tudo o que lhe
ensinaram naquela época sobre atividade física.
Pesquisas feitas nos últimos dez anos revolucionaram
todos os conceitos que ligavam os esportes à saúde e
trouxeram boas e más notícias. A má é que as doenças
causadas pela falta de exercícios são mais graves e
mais disseminadas do que imaginávamos. A boa é que
preveni-las é extremamente fácil.
Só em 1992, a Organização Mundial de Saúde reconheceu
o sedentarismo como um mal em si. Até então, ele era
apenas um fator que contribuía para doenças como
obesidade, diabete, colesterol alto e hipertensão.
Quando a falta de exercício físico foi analisada de
forma independente, percebeu-se que ela figurava entre
os piores flagelos da humanidade. Um estudo coordenado
por Michael Pratt mostrou que as doenças causadas pelo
sedentarismo consomem por ano 76 bilhões de dólares, o
equivalente a 70% dos gastos hospitalares mundiais. "O
prejuízo que a falta de atividade física traz para o
Brasil é semelhante ao encontrado nos países
desenvolvidos", diz Pratt.
Em 1995, um estudo feito com mais de 20 mil pessoas
mostrou que um obeso que faz exercícios tem uma
expectativa de vida maior do que um sedentário com o
peso correto. Em seguida, cientistas mostraram que
indivíduos com problema de excesso de colesterol, com
diabete ou com hipertensão que são ativos morrem menos
do que sedentários que não possuem nenhum desses
males. O sedentarismo só não mata mais do que o
cigarro - quem fuma, mas se exercita, tem a mesma
chance de ter doenças crônicas que um não-fumante que
fica parado dentro de casa. "A diferença é que o
número de pessoas que não fazem atividade física é
muito maior que o de fumantes, o que torna o
sedentarismo a maior epidemia do mundo", afirma Victor
Matsudo, do Celafiscs.
A lista de enfermidades causadas pela simples preguiça
de se movimentar inclui ainda derrames, câncer de
cólon, fraturas e artrites. Há também o perigo de
doenças mentais. "Além de causar depressão,
descobriu-se que o sedentarismo aumenta a
probabilidade de a pessoa cometer suicídio", diz
Victor Matsudo. |