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"Esse Menino Não Aprende
Nada!"
Por Caco Xavier
Você já ouviu
frases como estas? Com toda a certeza. E estas frases - também com
toda a certeza - vêm acompanhadas de um resultado inevitável:
baixo rendimento escolar. São anos perdidos, notas e conceitos
abaixo do esperado, frustração para alunos, pais e professores...
Questionam-se, então, os modelos pedagógicos, a escola e a própria
capacidade da criança. Só que, às vezes, as causas do problema são
outras. Por vezes, até de origem orgânica, isto é, alguma
disfunção física pode estar na raiz de tudo. E quando se percebe
isso - se é que um dia se percebe - pode ser tarde demais.
Nesta seção,
ouvimos uma psicopedagoga, uma fonoaudióloga e uma ortopetista a
respeito de algumas das disfunções que, apesar de serem muito
comuns, têm causado grande prejuízo ao processo de aprendizagem
das crianças.
“Todos têm
potencial para aprender”, diz a psicopedagoga Michele Adum. E
quando existe alguma dificuldade de aprendizagem, deve-se, segundo
ela, avaliar um conjunto de fatores para descobrir as causas. “Não
dá pra avaliar dicotomizando, o lado cognitivo ou o emocional, o
neurológico ou o orgânico. Nada anda sozinho. Deve-se investigar
tudo para ver onde está o nó”- explica.
Segundo Michele, a
Psicopedagogia - disciplina encarregada de ajudar a criança a
‘desatar os nós’ do desenvolvimento da aprendizagem - não é
simplesmente a junção da Psicologia com a Pedagogia, mas a
integração dos estudos e práticas de uma área e de outra. Assim,
não abre mão da multiprofissionalidade.
“É um trabalho conjunto e
investigativo, de equipe mesmo. Envolve o psicopedagogo, o
psicólogo, o neurologista, o fonoaudiólogo, o próprio professor e
muitos outros profissionais, cada um fazendo o seu papel. Tudo vai
depender da necessidade da criança. Cada criança tem a sua
necessidade, o seu tempo e o seu potencial.”- esclarece Michele.
As três palavras-chaves do trabalho de Michele são possibilidades,
potencialidades e modalidades. Para ela, o psicopedagogo deve
levar em conta estes parâmetros ao avaliar uma criança. E é
preciso situá-la dentro de suas possibilidades de aprendizado,
fazer emergir todo o seu potencial e descobrir de que modo este
aprendizado se dá.
“Queixas nos
chegam, normalmente, através dos pais e professores. E são
variadas, referindo-se a crianças que trocam palavras, que não
conseguem ler ou fazer determinados cálculos. Expressões como
‘preguiçosas’, ‘lentas’ ou ‘rebeldes’ são comuns. Muitas vezes,
também, as crianças já chegam ao consultório rotuladas como
‘disrítmicas’ ou ‘hiperativas’, que são palavras da moda. Este é o
ponto de partida para nós. A partir daí, começa a investigação,
reunindo-se as diversas áreas” - explica a psicopedagoga.
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Ela conta que,
muitas vezes, o simples fato de se chegar a um diagnóstico já
provoca mudanças na aprendizagem na criança. “Isto se deve ao fato
de que, para se chegar a ele, uma série de atividades já foram
realizadas. O diagnóstico não deixa de ser uma intervenção”,
afirma ela, que costuma conversar com a criança, a família e os
professores, para ouvir todos os lados da questão.
Em seu
consultório, a psicopedagoga utiliza muitos jogos para trabalhar
com a criança: jogos pedagógicos, lógicos, jogos de linguagem,
brincadeiras corporais, dança, imagem, escolhendo sempre a melhor
maneira de chegar ao foco do problema. Mas o trabalho é sempre
voltado para a aprendizagem.
Se é detectado
algum problema emocional grave, afetivo ou orgânico, Michele não
pensa duas vezes em encaminhar a criança para um profissional da
área. “Dependendo do caso, muitas vezes é preciso encaminhar a
família inteira, já que é muito comum problemas de estrutura
familiar interferirem gravemente no desenvolvimento da
aprendizagem” - explica.
Michele diz que o
professor pode e deve ser o primeiro a detectar problemas na
aprendizagem de um aluno. Mas ela sugere que a escola tenha em
seus quadros um psicopedagogo, apto a avaliar e corrigir muitos
problemas na própria instituição. No consultório, a intervenção
junto à criança é individual, ao passo que, nas escolas, um
psicopedagogo habilitado pode trabalhar com grupos, na própria
sala de aula. Habituada a realizar encontros e cursos para
professores sobre o assunto, Michele afirma que esta é uma mudança
de mentalidade necessária:
“No momento em que
o professor questiona sua postura na sala de aula e reconstrói
esse vínculo ensinante-aprendente com o aluno, posso dizer, sem
medo de errar, que os resultados no rendimento dos alunos e do
próprio professor são visíveis”- garante Michele.
Michele
Adun
Psicopedagoga
Tel.: 350-9715
Rosane Paiva
Fonoaudióloga
Tel.: 567-9083 ou 572-2326
Thereza Cristina dos Santos Lopes
Ortoptista e Fonoaudióloga
Tel.: 240-2929, 205-2205 e 273-2202 |
Texto retirado do Jornal APPAI |