Aprenda a usar a voz com
critério e adote algumas precauções para não perder esse
instrumento de trabalho
LOCALIZAÇÃO: as pregas
vocais estão posicionadas horizontalmente no interior da laringe,
ao lado da traquéia, ambas na região do pescoço.
A RESPIRAÇÃO: formadas
por músculos e mucosa, as pregas permanecem abertas para a
passagem do ar durante a respiração.
A VOZ: quando se fala, o
ar vindo dos pulmões faz as pregas vibrarem, formando a voz. Ela
se amplifica nas cavidades do pescoço, no nariz e na boca, que
formam a caixa de ressonância.
FORMAÇÃO DE NÓDULOS
O mau uso da voz provoca atrito entre as pregas e a formação de
nódulos — acúmulo de tecido, produzido pelo próprio organismo para
defender o local lesado.
Ajuda especializada
Os primeiros sinais de que algo não vai bem com o aparelho
fonador são a rouquidão, a falta de vontade de falar (mesmo em
horas de lazer), dores e ardor na região da garganta, além de
tensão nos ombros e pescoço, excesso de secreção (catarro) e
cansaço. Quando esses sintomas persistem por mais de quinze dias
ou começam a aparecer com regularidade, é necessário procurar um
especialista. Fique atento, pois o problema pode ser mais grave do
que uma simples irritação ou mesmo uma inflamação.
Luciane só se preocupou em procurar um médico depois que ficou
afônica em sala de aula. Um exame chamado laringoscopia detectou
nódulos nas pregas vocais, a conseqüência mais freqüente do abuso.
As fendas — flacidez nos músculos vocais — também ocorrem, mas em
menor incidência. "O descanso por alguns dias soluciona uma
rouquidão leve. Mas não é suficiente para quem fala muito, todos
os dias, em ambientes amplos e para um público barulhento", afirma
Guilherme.
Tratamento e prevenção
Tanto o tratamento dos nódulos e fendas quanto a prevenção de
distúrbios vocais são feitos com exercícios, higiene vocal e
mudança de hábitos alimentares e físicos (veja o infográfico
acima). Trabalhar a respiração e a vibração dos músculos
envolvidos na fala (pregas vocais, língua, lábios, diafragma) é
tarefa para ser realizada diariamente. Uma boa sugestão é fazer
isso durante 10 ou 15 minutos, pela manhã, para aquecer a voz. Com
isso, ela ressoa melhor nas cavidades da cabeça e do pescoço e
fica mais intensa — em outras palavras, você não precisa gritar
tanto para ser ouvido.
No final do dia, é muito importante fazer o desaquecimento,
soltando os músculos e deixando-os prontos para o descanso.
Procure um fonoaudiólogo para determinar os exercícios certos para
cada caso e a melhor maneira de executá-los. Malfeitos, eles podem
levar ao agravamento dos sintomas, ou seja, mais problemas.
A hidratação vocal, prática tão simples, também é uma maneira de
evitar distúrbios graves. As fonoaudiólogas Lilian Ferro, Roberta
Navarrete e Sara Rocha, de Campo Grande, constataram que 77,8% dos
professores da Universidade Católica Dom Bosco, na capital
sul-mato-grossense, tiveram melhora na voz depois de ingerir um
copo d’água enquanto davam aulas ou nos intervalos. E isso porque
o estudo durou apenas dois meses. "O líquido dilui a secreção
natural da garganta e elimina a poeira e o pó de giz que podem se
acumular na laringe, diminuindo a necessidade de pigarrear",
explica Roberta.
Algumas mudanças na rotina e pequenos cuidados
cotidianos ajudam a prevenir distúrbios graves
Usar a voz para competir com o barulho interno ou externo da
classe;
Vestir roupas ou acessórios apertados na região do pescoço (gola,
colar, gargantilha, lenço, gravata) e na cintura (calça, cinto,
cinta elástica, faixas), pois eles dificultam os movimentos do
diafragma;
Comer alimentos gordurosos ou muito temperados, que aumentam a
produção e a espessura da secreção, dificultando a fala e a
deglutição;
Fumar ou ingerir bebidas alcoólicas;
Pigarrear ou tossir, hábitos que irritam as pregas vocais;
Expor-se a mudanças bruscas de temperatura;
Borrifar sprays ou chupar pastilhas, dropes, gengibre ou cravo. O
efeito anestésico alivia os sintomas, mas as pregas vocais
continuam machucadas;
Ter contato com substâncias que desencadeiam crises de alergia,
bronquite, asma, rinite ou faringite;
Tomar água em temperatura ambiente durante as aulas, sempre em
pequenos goles;
Repousar a voz entre as aulas;
Apagar o quadro-negro com pano úmido, em vez de apagador, para
evitar a inalação da poeira do giz;
Comer maçã regularmente. A fruta auxilia na limpeza da boca e da
faringe;
Tomar diariamente sucos cítricos, como os de laranja e limão. Eles
ajudam na absorção do excesso de catarro;
Ter postura reta e relaxada, principalmente na região do ombro e
da cabeça, enquanto estiver falando;
Espreguiçar-se e bocejar várias vezes ao dia. Esses movimentos
relaxam a musculatura do corpo e da garganta;
Fazer exercícios regularmente e cuidar da saúde como um todo, já
que qualquer problema no corpo pode influenciar na produção da
voz.