| >> Por Daniele
Bolonha. Com base em crimes pouco comuns e que
podem ter ligações com o RPG (Role Playing
Game), como a morte, no mês passado, da
estudante Aline Silveira Soareso, que foi
encontrada com 15 facadas sobre um túmulo em um
cemitério em Ouro Preto, o vereador Reginaldo
Almeida, de Vila Velha, elaborou um projeto de
lei que proíbe livrarias, bancas de revistas e
outros estabelecimentos de comercializarem este
tipo de jogo no município.
A Câmara de Vila Velha aprovou o projeto na
sessão da última quinta-feira e, segundo o
autor, teve 12 votos a favor e três contra. O
vereador afirmou que o prefeito Max Mauro Filho
terá agora 15 dias para aprovar ou não o
projeto. "Queremos que nossos jovens tenham
a melhor formação possível e sabemos que esses
jogos têm ligações com rituais macabros e de
magia negra, o que é bastante perigoso",
justificou Reginaldo Almeida.
Para o vereador, a medida pode não acabar com
a prática, porque os jovens do município podem
adquirir o jogo em outros locais, "mas é
meu dever enquanto legislador do
município". "Não quero ver crimes
como esse de Ouro Preto acontecendo em nosso
município. Não quero, principalmente, parecer
que fiquei de braços cruzados e espero que os
outros municípios tomem atitudes
semelhantes", acrescentou.
Se ficar comprovado que a estudante Aline foi
assassinada por influência do RPG, o jogo
poderá ser proibido em todo o país. O
procurador da República em Minas Gerais,
Fernando de Almeida Martins, determinou a
abertura de um procedimento administrativo para
investigar a possibilidade da influência do jogo
no caso do homicídio em Ouro Preto.
Jogo
Criado em 1974, nos Estados Unidos, o RPG
consiste em um entretenimento onde os
participantes se imaginam como personagens
fictícios de um mundo de fantasia, onde vivem,
segundo eles, aventuras fantásticas. As regras
contidas nos livros não determinam condutas boas
ou más. Elas apenas ambientalizam o grupo de
jogadores e permitem que construam e interajam
com esse universo.
De acordo com um vendedor da Livraria Logos,
no Shopping Vitória, a venda deste tipo de jogo
é muito intensa. O preço de cada RPG varia
entre R$ 30 e R$ 80.
O QUE É
A aventura é o próprio jogo
Um dos participantes é o mestre, a pessoa
que comandará a partida. Ele chega ao jogo com
uma aventura já esboçada, extraída de um
manual ou inventada por ele próprio. Os outros
jogadores representarão cada um o papel de um
personagem da aventura. O personagem é
construído a partir das regras e dotado de
características próprias. O mestre e o jogador
criam um passado para o personagem. Apesar de se
relacionar com os outros personagens, cada
jogador tem seus próprios objetivos e não
precisa necessariamente colaborar com as
aventuras. A aventura é o jogo propriamente
dito. Os jogadores devem se encontrar para
iniciá-la e é nessa parte que ocorrem as
interpretações do que o mestre preparou. O RPG
não possui um final.
>> Fonte: Daniele Bolonha - Jornal
"A Gazeta" / ES,
03/11/2001. Informamos que a matéria está
divulgada de forma integral e sem alterações ou
cortes no texto.
|